Uma semana Fenomenal


Na segunda feira, em entrevista a Galvão Bueno, no programa “Bem Amigos”, do SportTV, Ronaldo deu uma declaração que causou alguma polêmica aqui no Rio. Disse o atacante:

“Eu sou flamenguista desde pequeno, sempre fui ao Maracanã. Só que agora estou no Corinthians, e o que eu aprendi no Corinthians é que essa pesquisa do Flamengo ter a maior torcida do Brasil não é certa. Eles pegam os torcedores dos outros Estados, que sempre falam que o Flamengo é o seu segundo time.”

Claro que isso repercutiu mal entre torcedores e dirigentes do Flamengo. Mas também é óbvio, para quem acompanha futebol, que é algo que não deixa de ser verdade. Ou pelo menos parte dela.

O Flamengo é beneficiado nessas pesquisas pelo efeito da mídia favorável que tem. Graças a isso, muitos entrevistados que nunca viram o time jogar, nem acompanham as partidas, declaram ser seus torcedores. Isso, e o fato dos entrevistados poderem se apontar como torcedores de mais que um time levam a uma distorção nos resultados. Muitos outros clubes já reclamaram disso, e o Corinthians, por ser o eterno segundo colocado, é o que mais se queixa. Todo corintiano tem essa ladainha na ponta da língua, e não aceita dizerem que o Flamengo tem a maior torcida do Brasil. Ronaldo apenas incorporou o mantra da Fiel, fez média com a torcida, e aproveitou para dar uma espetadinha no Flamengo.

O problema é que o Corinthians reclama da manipulação dos números a favor do Flamengo, mas também quer manipula-los a seu favor. Para os paulistas, deviam contar apenas os torcedores dos estados para onde pertencem os times. Ora, se São Paulo é o estado mais populoso do Brasil, e o Corinthians tem a maior torcida de São Paulo, é evidente que uma pesquisa nessas bases vai dizer que a maior torcida é a do Corinthians. E a Fiel se agarra a esse critério.

Assim, é fácil. Se o problema do Corinthians, com o qual eu concordo, é com os “torcedores de dois times”, porque não analisar os resultados pelo critério “um torcedor, um time”, que me parece o mais justo? Nesse caso, ainda se pega o efeito FlaPress, mas ele se dilui um pouco mais, porque o sujeito não pode ser “Flamengo e Ceará”, “ABC e Flamengo”, “Xapuri do Norte e Flamengo”. Ele tem que optar por um ou por outro. Eu já vi resultados de pesquisas com esse critério. Por que o Corinthians não gosta delas? Porque a torcida do Flamengo continua sendo maior do que a deles. E por que eu gosto delas? Primeiro, porque são mais justas. Segundo, porque elas derrubam o mito da “nação rubronegra, etc, etc”. Com esse critério, temos um retrato mais real: Flamengo em primeiro, Corinthians em segundo, Vasco em terceiro, com diferenças muito pequenas entre um e outro. É isso que a gente vê por aí, pelas ruas do Brasil, e não aqueles absurdos mostrados nas pesquisas que permitem escolhas duplas ou triplas.

Aliás, se eu quiser pegar números que me agradem mais, poderia sugerir exatamente o oposto do que quer o Corinthians: que as pesquisas excluam o estado de origem do clube, para evitar o peso proporcional de SP, e ver o quanto cada clube é realmente “nacional”. Com esse cruzamento, deixando apenas um clube por torcedor, e tirando do resultado os torcedores de SP e do RJ, o Vasco passa o Corinthians e se torna a segunda maior torcida do Brasil – fato que se verifica quando vemos as multidões que Vasco e Flamengo arrastam quando jogam no norde/nordeste, e que o Corinthians não chega nem perto de fazer. Acho que os corintianos não gostariam dessa maneira de ver os números…

Mas é aquela velha lei da Estatística: os dados, quando bem torturados, confessam qualquer verdade.

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A declaração do Ronaldo, comparando o tamanho das duas toricdas, acabou ofuscando a coisa mais importante que ele disse nessa entrevista. Segundo ele, o presidente Lula, corintiano, prometeu ajudar seu time de coração. Como? Pedindo a empreiteiras que patrocinem o clube.

Em uma democracia, o fato do chefe de governo constranger empreiteiros a patrocinarem o clube para o qual ele torce tem nome. E um nome muito feio. Em uma democracia, isso deveria gerar uma investigação, e provavelmente a renúncia do chefe de governo. Mas isso só aconteceria, claro, em uma decocracia instalada em um país sério. No Brasil do lulismo, o povo está tão anestesiado que nem liga mais para essas bobagens.

Na quarta, o Corinthians venceu o Fluminense por 4 a 2, com três gols de Ronaldo. A imprensa, claro, foi à loucura, reverenciando a atuação de gala do Fenômeno.Para jogar no fraco futebol brasileiro, realmente Ronaldo está bom demais. Enquanto ele tiver que lidar com “zagueiros” do nível do Edcarlos, vai continuar parecendo fenomenal…

Ainda nesse jogo, Fred foi expulso, quando o Fluminense perdia por 3×2 e buscava o empate. O motivo? Reclamar de uma falta, que aconteceu. Impressionante como certos times dão sempre muita sorte com as arbitragens…

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Para fechar a semana de ouro, na sexta Ronaldo recebeu a notícia da morte de André Albertini, o travesti com quem ele esteve envolvido naquele caso do ano passado. Pois é, André morreu. E, ao que se diz, de aids. Imagine-se a preocupação que uma notícia dessas causa a quem conheceu a pessoa mais de perto…

Falando nesse caso, a torcida do Flamengo promete uma recepção “calorosa” a Ronaldo em 9 de agosto, quando o Corinthians vem ao Rio enfrentar o Flamengo. Segundo um líder de torcida, Ronaldo será recebido no aeroporto por “200 travestis”.

Dizem as más línguas que essa notícia causou um frisson danado na imensa nação rubro-negra. Já são milhares e milhares de inscritos, está difícil escolher só 200… 🙂

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