Toda saga tem seu começo


Vasco 1×0 Brasiliense
09/05/2009

Saber racionalmente é uma coisa. Sentir é outra, bem diferente.

Há cinco meses nós estávamos nos preparando para esse dia. O choro da queda, a promessa de regresso, os ventos de mudança. As piadas, os coros dos adversários. A gente acha que o pior já passou.

Mas não, não passou.

Nada nos prepara de verdade para aquele momento em que você chega no estádio, e entende que vai começar o campeonato da segunda divisão, e você faz parte dele. Nada te prepara para aquela sensação de ver os jogos da primeira divisão de maneira tão distanciada como se vê o campeonato italiano ou o espanhol. Durante um ano, só o que importa para você é a segundona, a série B.

E não, ninguém está preparado para isso. Não até o apito incial do primeiro jogo. Só ali a ficha cai.

E o caminho só existe quando por ele você passa.

O que aconteceu em São Januário, no dia 9 de maio, foi simplesmente indescritível. Já perdi a conta de quantas vezes estive lá, ou no Maracanã, mas posso dizer, de coração: nunca, NUNCA aquela torcida foi tão linda como naquela tarde. A Colina estava lotada, 20 mil apaixonados que cantaram o jogo inteiro, sem parar um só instante. E fazer parte disso é um orgulho inesquecível.

Nessas horas, a gente fica ainda mais revoltado quando pensa que outras torcidas, que não fazem dez por cento dessa festa, que só sabem cantar nas vitórias e se calam nas horas difíceis, tem toda a puxa-saquice da imprensa… “Que torcida é essa”?

Durante mais de três horas, a torcida vascaína, particularmente a Guerreiros do Almirante, deu um show, e cantou todo o repertório. Apareceram as músicas mais novas, todas as que fizeram a fama da GdA, teve Caldeirão, teve Anna Julia Vascaina, teve de tudo. E teve também músicas que eu não ouvia há sei lá quantos anos, talvez desde 1997. Lindo, lindo. De arrepiar, de fazer chorar.

“Olê, olê, olê, olê,
Na alegria ou na tristeza
Eu nunca vou te abandonar”

Dentro de campo, o jogo foi nervoso, como teria que ser uma estréia de série B. O Brasiliense veio todo fechado, num 5-4-1 ultra-defensivo. O gol não saía, e talvez o time de Brasília contasse com o nervoso do time e a pressão da torcida. Só que a pressão foi oposta. Mesmo com o jogo duro, mesmo com as dificuldades, o sentimento não parou um só segundo.

Até que aos 17 minutos do segundo tempo, numa bela jogada de Ramon, Rodrigo Pimpão concluiu, fazendo o que seria gol da vitória. Depois do gol, o time se acalmou, e empurrado pela torcida, continuou na frente, tendo várias chances de ampliar. Mas foi melhor assim. Vencer pór 1×0, suado, é mais representativo do que é uma estréia de série B.

No final, a torcida cantava, no ritmo do eterno “vamos virar”:

“Ôôô… Vamos subir, Vasco!!!”

E assim será, por mais sete meses. A cada jogo. Na alegria ou na tristeza. Até ao mais doce fim.

Ceará 0 x 2 Vasco
16/05/2009

Seria o primeiro jogo fora de casa na série B. Seria. Porque, na prática, a torcida vascaína dividiu o Castelão com a cearense. A força do Vasco no nordeste é impressionante, confirmando ser, junto com o Corinthians, a maior torcida brasileira fora de sua cidade.

A frase de um zagueiro do Ceará, após o jogo, define bem a partida: “contra time grande, não dá pra vacilar”. Foi assim o jogo. O Ceará foi superior boa parte do jogo, mas o Vasco foi mais eficiente. Mas, em duas falhas da defesa, levou os dois gols. O primeiro, um golaço de Ramon, seu primeiro pelo Vasco. E o segundo, em mais uma bela jogada do lateral, que Léo Lima apenas empurrou para o gol.

Dois jogos, seis pontos, 100% de aproveitamento. Vamos subir, Vasco.

Vasco 3 x 0 Atlético-GO
23/05/2009

Mais uma grande festa na Colina lotada. E mais um jogo tenso, em que o Vasco voltou a jogar mal. O placar é enganador, pois, apesar do 3×0, foi o jogo mais difícil dos três. O primeiro gol, de Élton, saiu na hora certa, aos 42 minutos, exatamente na sequencia do lance em que o Atlético teve um jogador expulso. No segundo tempo, mesmo com um a menos, o Atlético pressionou o tempo todo, até que aos 30 minutos, num belo contra-ataque puxado por Nilton, Edgar chutou e matou o jogo. O Atlético baixou os braços, e ainda levaria o terceiro, marcado por Ramon já nos descontos.

Três jogos, nove pontos. E, com o tropeço do Figueirense, que tinha melhor saldo de gols, veio a liderança real, pela primeira vez.

O destaque é que o Vasco continua sua sina de carrasco de rubro-negros. Esse ano, já foram quatro: 4×1 no Flamengo-PI, 2×0 no Flamengo-RJ, 4×0 no Vitória, e agora 3×0 no Atlético-GO. Quem é o próximo?

Paraná 3 x 1 Vasco

Focado na Copa do Brasil, o Vasco foi a Coritiba com o time reserva. E deixou lá o sonho do título invicto.

Apesar de tudo, a decisão de Dorival Junior foi correta. Com o gramado terrível do estádio do Paraná, os riscos de perder algum jogador para quarta-feira eram grandes. E o time reserva do Vasco até teve uma boa atuação, saindo na frentecom um belo gol do Edgar. Mas, depois disso, o juiz resolveu aprontar. Expulsou Enrico, com dois amarelos exageradíssimos. O primeiro lance nem falta foi, e o segundo uma falta normal, enquanto um jogador do Paraná fez seis faltas no primeiro tempo e não levou nenhum amarelo. Depois, deixou de dar uma falta a favor do Vasco, que originou o lance que acabaria no empate paranista. No segundo tempo, outra lambança, ao deixar de marcar impedimento no gol de Dinélson, o terceiro do Paraná.

Enfim, parece que alguém achou que estava ficando muito fácil, e a série B não podia perder a graça tão cedo. 🙂

(Enquanto isso, no outro campeonato, um certo time mantem sua bela média, com quatro jogos, quatro decisões polêmicas a seu favor… Impressionante essa regularidade.)

O Vasco agora é vice-líder, com 9 pontos, três a menos que o Guarani, que mantem os 100% de aproveitamento.

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