Constante


Te escrevo com nove dias de atraso. “Você já foi melhor nisso”, dirás. Verdade. Mas também já fui pior.

Você é uma boba, que ainda não viu Lost. E por isso vai ficar sem entender o título do texto por inteiro. Eu não vou perder tempo explicando.

Latas de coca-cola às sete da manhã, céus estrelados em Botafogo, enterros vikings (e fingimentos deles), um passeio de balão, as manhãs nos corredores desertos. Como os signos abrem cocos. Um Palio branco, eterno. O ato III de Júlio César. Um patinho dançando. Um trabalho de TGS resolvido da maneira mais inesquecível. Fragmentos que te atiro, para testar a tua memória, que cismas em insistir ser melhor que a minha. Não é, nunca foi. Mas é quase. E isso é uma grande coisa. Você tem potencial, um dia talvez chegue lá.

Because we’re alike. Bad lots, both of us. Selfish and shrewd. But able to look things in the eyes as we call them by their right names.

Queria te mandar uma música. E, como sempre, vou rebuscar aquela nossa trilha sonora. Todos aqueles quatro ou cinco discos continuam aqui. E eu sou conservador – ou previsível, para quem não entende.

Não, não vou te dar a alegria de usar a mais óbvia de todas elas. Essa é o seu DJ que tem que tocar, não o meu.

Vou tocar uma outra. Que sempre me faz lembrar de você irritada com ela. “Essa sujeita só sabe falar espanhol com sotaque argentino!” Neste seu aniversário, você deveria ter lembrado dela.

E eu, que já lembrei de tudo isso a centenas de quilômetros daqui, quando um improvável rádio tocou a versão original dela. E eu pensando “prefiro qualquer sotaque gaúcho-argentino a esse jeito emaconhado do Manu Chao”.

CLANDESTINO
(Manu Chao)

Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Para burlar la ley
Perdido en el corazon
De la grande babylon
Me dicen el clandestino
Por no llevar papel
Pa una ciudad del norte
Yo me fui a trabajar
Mi vida la deje
Entre Ceuta y Gibraltar
Soy una raya en el mar
Fantasma en la ciudad
Mi vida va prohibida
Dice la autoridad
Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Por no llevar papel
Perdido en el corazon
De la grande babylon
Me dicen el clandestino
Yo soy el quebra ley

Mano negra clandestino
Peruano clandestino
Africano clandestino
Marijuana ilegal

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One Response to Constante

  1. Carol Linden disse:

    Vc tinha que me fazer chorar logo hj? 🙂
    Te amo, amigo. Muito. Do fundo deste meu coração vagabundo. É uma honra e um aprendizado trilhar este caminho da vida perto de vc, ainda que seja este perto-longe que o DJ do Destino insiste em tocar para nós.
    Espero contar contigo pelos próximos 31 anos – no mínimo.
    Bjo enorme.

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