“Nada chega ao fim, Adrian. Nada”


Não, não vou falar de cinema. Não, não vou falar o que achei de Watchmen. Ainda não, pelo menos. Não nesse post. E por isso precisam ser dois textos sobre o filme, para que o “oficial” possa ser escrito livre do que me faz escrever este.

Adianto: Watchmen é um filmaço, independente de qualquer outra coisa. Para os fãs dos quadrinhos, é melhor ainda. E para mim, além de ser um grande filme, foi um encontro marcado com o passado.

Meus bons amigos, onde estão? Notícias de todos, quero saber. Lendo um diário, navegando em um cargueiro, eu recuei dez anos. Voltei ao tempo em que li Watchmen pela primeira vez.

É 1999. As pessoas caminham pela avenida, sorrindo, sem saber o que o futuro reserva. Uma leitura escondida, clandestina, um dono que empresta revistas sem saber que estava emprestando. Tão ciumento com elas, que nem as deixava sair do seu armário – e não sabe até hoje que elas saíram e voltaram, sem que ele percebesse. Uma corrida por todas as bancas de um bairro da zona sul, procurando por uma edição antiga, para substituir aquela que tinha se amassado na capa, “e se ele perceber, vai me matar”.

É 2005. Uma edição encadernada troca de mãos. Um postal é escrito, e carinhosamente guardado.

É 1999. Coisas nascem e morrem. As engrenagens rodam, indiferentes, pelas mãos de algum relojoeiro diletante.

É 2009. Em um cinema, tudo se mistura, tudo acontece simultaneamente. Lá fora, antes e depois, planetas giram, mundos colidem. Só os tolos são escravizados pelo espaço-tempo?

É 2000. Uma citação é repetida ao extremo, em diversos contextos. Depois, serão anos sem esquece-la, mas também sem ânimo de usa-la. Até hoje.

É 1999. A ilha. A “roupinha de inverno do Coruja” é comentada. É 2009. Um sorriso nostálgico nasce quando ela aparece em um filme. É 1999. “Não podemos deixar Fulano ler isso, já pensou o que seria ele ficar falando que nem o Rorschach?”.

É 2009. A fotografia está aos meus pés, cai de meus dedos, está na minha mão. Estou contemplando as estrelas, admirando suas trajetórias complexas através do espaço, através do tempo. Estou tentando dar um nome à força que as colocou em movimento.

Qual de nós é o responsável? Quem faz o mundo? Talvez o mundo não seja feito. Talvez nada seja feito. Talvez simplesmente seja, tenha sido, será. Eternamente. Um relógio sem artesão.

E como tudo sempre está relacionado, engrenagem por engrenagem, coloco aqui algumas imagens que tirei do blog de cinema do Globo, num post da Bianca Kleinpaul, mas que devia ter sido do Rodrigo Fonseca, seu colega que já tinha escrito a coluna do jornal sobre o filme. E que é, também ele, um fã desde 1999, que comprava suas revistas naquela mesma banca…

Muito bom, principalmente o Snoopy-Rorschach. Mas, obviamente, com um erro crasso. O Coruja devia ser o Charlie Brown. E com uma pedra na mão.

Oh, my God! They killed Rorschach!

O Blake ficou quase igual ao original…

*   *   *   *   *

Sobre o filme, é uma outra história, que terá que ser contada em uma outra ocasião. Mas a trilha sonora dele é um espetáculo. Teve Simon & Garfunkel, teve Nat King Cole. Faltou, talvez, ter Oasis e Metallica. Faria sentido. Ou não.

Nada chega ao fim. Mas este post pára por aqui, deixando os leitores com mais uma das ausências da trilha sonora de Watchmen. Ausente da tela, melhor dizendo. Mas tocando de outras maneiras.

Anúncios

2 Responses to “Nada chega ao fim, Adrian. Nada”

  1. C. disse:

    Elas ainda estão lá, no mesmo armário. E o dono jamais soube o que aconteceu.
    Também voltei dez anos no tempo nas últimas duas semanas…

  2. Carol disse:

    Cara, vcs tão muito filosóficos por aqui…. 🙂

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: