Nada de novo sob o sol


Do Record, jornal esportivo português:

A revista semanal alemã Der Spiegel revela na edição que será publicada segunda-feira que o jogo dos oitavos-de-final do Mundial de futebol de 2006 entre o Brasil e o Gana foi objecto de manipulação instigada por apostadores asiáticos.
(…)
As informações do Der Spiegel provêm de um jornalista canadiano, Declan Hill, que publicou um livro, cuja edição alemã será lançada esta semana, sobre apostas no mundo do desporto.

Os leitores que me desculpem por usar o texto de um jornal português, mas é que eu procurei por algum jornal brasileiro que tivesse dado essa notícia, fui nos sites do Globo, da Folha, do Estadão, do Lance!, e não encontrei nada…

Mas podemos também ir direto à fonte, e ver o que Hill diz à própria Der Spiegel, na entrevista publicada na edição internacional:

The Ghanaians played as though they were putting their whole heart into it, but then there were a number of stupid mistakes: passes didn’t succeed, the defense was careless, the team collected three stupid goals. After the game I was in the stands in Dortmund with tears in my eyes because I was convinced, at least emotionally, that the match had been fixed.

Infelizmente, isso não é novidade para quem acompanha o futebol. São “erros” demais, quase sempre beneficiando os mesmos times, os mesmos países, de uma maneira que faz com que um “acaso” seja estatisticamente improvável.

Esse Brasil x Gana, por exemplo, foi um jogo estranho. Decisões polêmicas da arbitragem, gols bobos levados por Gana, o segundo gol brasileiro num impedimento clamoroso de Adriano. Já antes, na Copa de 2002, diversos jogos ficaram sob suspeita, como os dois Brasil x Turquia. E recentemente tivemos algumas denúncias do Johansson (ex-presidente da UEFA) sobre as influências de João Havelange na comissão de arbitragem da Fifa.

O jornalista canadense dá um belo panorama do submundo das apostas clandestinas no futebol. Ele diz que não é apenas em grandes competições que isso acontece, mas também em campeonatos nacionais. Hill não cita nominalmente o Brasil, mas é fato que já tivemos alguns casos registrados por aqui. O mais famoso, claro, é o “caso Edílson”, que deu o título de 2005 ao Corinthians. Mas não é preciso muito esforço para lembrar de outros casos “estranhos” nos últimos anos, que fazem todo o sentido quando os analisamos por esse lado. E aí dá pra entender porque tantas decisões “polêmicas” ajudando determinados clubes, dando títulos a um, carregando outro até à Libertadores, sequestrando juízes antes de finais de campeonato, etc, etc, etc.

É sujo, é podre, mas é o mundo em que vivemos. E infelizmente, ainda há idiotas como eu, como muitos de nós, que participamos desse circo, torcendo pelos nossos times, e fingindo que não sabemos que muitas vezes os resultados já estão arranjados muito antes do apito inicial. Cadê meu nariz de palhaço?

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One Response to Nada de novo sob o sol

  1. […] de mim querer insinuar algo, mas é curioso que essa notícia me chegue exatamente no dia em que aconteceu aquele espetáculo deprimente de ontem em […]

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