Respondendo comentários antigos


Eu sei, isso deve ser contra alguma regra de etiqueta bloguística. Mas, se eu não fizer assim, adio, adio, e não respondo nunca nada… Então vamos a uma sessão de bate-papo, dialogando com comentários escritos há quase um mês. 🙂

Carol escreveu, neste post:

Eu adoro SP sim. Mas o paulista tem a sua arrogância com quem não vive nos padrões terno-e-gravata (nada que se compare com Brasília, claro). A paulista é perua, é over, é excessivamente maquiada e escovada. (…)
Em síntese: todo mundo tem defeitos. O paulista “típico” é insuportável ao dizer que só SP trabalha, que SP leva o Brasil nas costas. O carioca “típico” é insuportável ao dizer que é melhor em tudo do que todo mundo (embora o seja em algumas coisas, hehehehehe…). O goiano “típico” é insuportável ao dizer que a melhor comida do mundo é arroz com pequi. O brasiliense “típico” é insuportável ao dizer que o problema de Brasília não é quem é daqui e sim os políticos que o resto do país manda pra cá, o gaúcho “típico” é insuportável ao dizer que o RS tinha que
se separar do país…

Marina respondeu, no mesmo post:

Sou carioca, e AMO a minha cidade, mas também amo SP, por todos os outros motivos dos quais eu não me orgulho nem um pouco de ser carioca. Odeio falta de educação, odeio birra, odeio “marra” , odeio coisas que não funcionam. E realmente, quando chego de São Paulo , segundo os meus amigos viro uma chata de galocha, porque fico falando das coisas que funcionam, da vida cultural que não chega até aqui, dos caras que antes de chegar em CONVERSAM comigo, do fato de ter muito mais mercado de trabalho ( ainda mais na minha area comunicação), e acho ridículo carioca falando mal de paulista, até porque muitas vezes, falam sem conhecer e tudo não passa de um simples preconceito de sotaque. Não sei se tenho um pouco de ” alma paulista” mas acho o fim essa mania carioca de ir de chinelinho pra tudo é quanto, de botar qualquer coisa p/ ir num restaurante achar que tá bom. Talvez, as paulistas em alguns casos pequem pelo excesso, mas talvez as cariocas pequem pela falta. E eu não costumo sair de cabelo molhado primeiro porque eu acho deselegante, segundo porque apesar de ser refrescante no calor, o cabelo molhado é como uma esponja que abserve tudo então , vai mais poluição poeira e etc, pro seu cabelo…

Concordo com ambas, até um certo ponto. O que nos separa é que eu não amo taaaanto a “minha cidade” como vocês. E acho que, ao contrário do que muitas pessoas pensam, amar, em qualquer acepção do verbo, não significa ser cego. Pelo contrário, quanto mais a gente ama, mais cobra, mais quer que a pessoa/coisa/lugar amado(a) melhore.

A Carol fala que “o paulista tem um preconceito com quem não usa terno-e-gravata”. Verdade. E o carioca tem um preconceito com quem usa. Então, é empate. E considerando que eu sou mais “terno-e-gravata” do que “chinelo-e-bermudão”, é natural que eu veja o “defeito” carioca como sendo maior. Quanto às paulistas “over, maquiadas e peruas”, deixe-as longe de mim também. Não é delas que estou falando, pode ter certeza.

Eu não tenho problemas em admitir que o que eu digo vem muito da minha personalidade “anti-carioca”, e não necessariamente de uma “superioridade” de uma cidade ou outra. A questão é que, apesar de carioca, eu tenho um pouco do “defeito” que a Carol aponta no paulista, e estou longe de ter o que ela atribui ao carioca. Mais que isso: pegando os outros estereótipos que ela apontou, eu entendo o gaúcho, concordo com o brasiliense (acho uma reação normal às piadas que eles ouvem por causa disso) e me divirto com o goiano, apesar de nunca ter comido pequi – e duvidar que gostasse dessa coisa. 🙂

Defeitos todos temos, como falei no outro texto. O paulista, por vezes, também é insuportável. E, como já tinha dito, está longe de ser a cidade dos meus sonhos, ou o povo dos meus sonhos. É até irônico eu estar aqui na posição de defender paulista. Eu hein. Qualquer um que me conhece sabe que minha identificação maior no Brasil é com os gaúchos. Mas acho que o maior problema do carioca é o de jurar que seus (muitos) defeitos são qualidades, e errados são os outros, que não são tão espertos, tão malandros, etc e tal. Isso irrita. Isso me irrita, principalmente.

E a frase da Marina dizendo que “talvez as paulistas às vezes pequem por excesso, mas as cariocas às vezes pecam pela falta” é uma boa definição. Porque, admito, existem cariocas capazes de fazer do despojamento um estilo (Carol vem aqui daqui a pouco defender o valor do jeans com havaianas 🙂 ), e sabem quando dá ou não dá pra usa-lo. Mas, para outras, aquilo é o máximo que dá pra conseguir. E aí gritam “estão verdes!” para qualquer uma que saiba se vestir direito.

Carol, aqui:

Enquanto isso, da “Revista do Globo” do Correio Braziliense de ontem discutia-se a “nova moda de todos os tempos da última semana”: as periguetes.
(Sim, as notícias demoram a chegar aqui. Semana que vem devem anunciar a chegada da pílula.)
E uma frase lapidar de uma entrevistada: se estou solteira e o cara casado está na balada não é problema meu.
(não! eu juro! não fui eu quem disse! hehehehehe.)
Ainda escrevo sobre isso. Aproveito e menciono vc. Quem sabe assim vc aparece, responde os emails que eu mando e tal. 😉
Vc já foi… ah, vc sabe.

Bah.

Uma coisa de cada vez. Eu já estou respondendo comentários, você ainda quer que eu também responda e-mails? Bem, estou esperando que você escreva. Aí comento lá.

A gente cai um pouco no que eu estava respondendo a você e à Marina ali em cima. O brasileiro em geral (e o carioca em particular) tem essa mania de achar que tudo que ele faz é bom, e que nenhum “gringo” sabe fazer igual. Nosso futebol é o melhor do mundo, mesmo com as vergonhas de ultimamente. Temos jogadores pra fazer cinco seleções, mesmo que não consigamos ter nem uma. O Rio de Janeiro é a cidade mais bonita do mundo. Nosso povo, o mais simpático, o mais hospitaleiro. Nossas praias, irresistíveis. E por aí vai.

E no que eu acho que isso tem a ver com o caso? É que o brasileiro jura que nossas mulheres são as mais quentes, que as gringas são todas umas frias que nem sabem o que é sexo, etc e tal. Não acho que o povo brasileiro superestime o sexo mais do que qualquer outro povo. Mas tenho certeza que o povo brasileiro superestima a exposição do sexo mais que qualquer outro povo. Em nenhum outro lugar você vê esse tipo de comportamento. E, claro, certos somos nós, que “não temos vergonha”, que “tratamos o sexo de forma natural”, e errados são os outros, esse bando de “reprimidos” e “moralistas hipócritas”.

Não é questão de ser moralista ou não. Eu não tenho nada contra mulheres modernas liberadas sexualmente ou adolescentes querendo novas experiências. Aliás, caso elas queiram saber minha opinião, meu telefone é… err… deixa pra lá. O que importa aqui é a maneira como a coisa é falada. Como se esse fosse o comportamento “correto”, e quem não participa dessa “festa” é uma tapada atrasada que tem que morrer de vergonha.

E eu não acho que o brasileiro trate o sexo de “forma natural”. Muito pelo contrário. Na minha opinião, essa maneira de se relacionar com ele, essa banalização, é algo muito anti-natural. Mas isso já é conversa pra outra hora, com mais tempo.

E só pra mostrar que não é mesmo caso isolado, olhe as capas de duas daquelas revistas nesse mês:

– Orgasmo: é melhor com ele ou com um vibrador? Revista X ouve opiniões sobre o tema.

– Transar com o chefe: revista Y mostra quando vale a pena e quando é uma roubada.

Não tem jeito.

Carol, de novo:

É, o que eu quero saber é se matou ou não o gato!!!!! 😀
Sobre Ronaldinho, vou tentar defender. Na boa: ele ter estado com travecos ou não deveria influenciar tanto o que ele faz em campo?

Bem, pela matéria, a resposta é não, ele não matou o gato. 😛

A questão do Ronaldinho… é um ponto complexo. O fato do cidadão Ronaldo Nazário pegar ou não pegar traveco é algo de foro (eu disse foro, com “o”) íntimo, e não diz respeito a ninguém. A questão é que o cidadão Ronaldo Nazário é também a figura pública Ronaldinho “Fenômeno”. E nesse caso vai importar, sim.

Acima de tudo, porque é notícia. É cachorro que morde homem: jogador famoso se envolve em confusão com travestis no motel. Se fosse “com prostitutas”, também seria notícia. Se fosse “com a sua namorada”, também seria notícia. Se é notícia quando o Ronaldo é “visto com uma morena no restaurante tal”, como ignorar um fato tão maior como esse? A notícia central não é (ou pelo menos não deveria ser) “Ronaldo pegou travesti”. A notícia é “Ronaldo foi parar na delegacia”.

“Ronaldo pegou travesti” é notícia para a Caras. Assim como “Ronaldo janta com morena” ou “Ronaldo se casa no castelo”. Agora, “Ronaldo vai parar na delegacia” é notícia e ponto.

Claro que o fato de ser “com travestis” gera uma exposição maior. É um fato que vai render piadas, que vai ficar na memória. Mas o que fazer? Não dar a notícia, só porque eram travestis? Dar a notícia, dizendo que era “Ronaldo e mais três pessoas”? Não tem como fugir. A notícia é “Ronaldo se envolve em confusão com travestis em motel da Barra e vai parar na delegacia”. Não dá pra escapar do lead.

E, respondendo diretamente à sua pergunta, o fato dele estar com travecos não influencia o que ele faz em campo. Mas, falando em hipótese, isso poderia influenciar o psicológico dele, com as musiquinhas da torcida. E aí já tem a ver com o que acontece me campo. Ou, pra ser um pouco mais direto, ele sair com travecos pode não influenciar. Mas ele usar drogas, como um dos travestis acusou, certamente influencia.

Finalmente, Luiza escreveu, neste post:

Na minha opinião só cego não ve que Hamilton é um ótimo piloto e não precisa de sabotagem pra vencer corridas!
(…)
Quem entende de F1 sabe que a fia não tem proteção!
Afinal são 22 pilotos,não da para proteger somente um!
Acho que antes de escrever estes textos absurdos você deveria estudar um pouco mais sobre F1!

Sabe que você até tem razão, Luiza? Eu não sei nada de F1, e estou mesmo precisando estudar um pouco sobre o assunto. Você quer me dar umas aulas? Pelo seu tom, aposto que, nos longos seis meses em que você deve acompanhar a categoria, já se sente à vontade para ensinar pobres iludidos como eu… 🙂

“Quem entende de F1 sabe que a Ffa não tem proteção” é genial. Um dia, quando você conhecer, por exemplo, um piloto muito antigo, chamado Michael Schumacher, talvez mude de opinião… Ele provavelmente não é do seu tempo, você não devia ter nascido quando ele corria. Mas o Google está aí pra isso mesmo. 🙂

Quanto ao Hamilton, a cada GP que passa ele mostra o quanto é “ótimo piloto”. E ótimo caráter também.

Por hoje é só, p-p-pessoal. Voltamos a qualquer momento, ou em edição extraordinária.

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One Response to Respondendo comentários antigos

  1. Carol disse:

    Vixi mãinha, que tu hoje gastou esse teclado, num foi não? 🙂
    Vamos às respostas por partes, como Jack.

    1. Existem cariocas e cariocas, como existem vários Rios de Janeiro nessa cidade partida (sim, foi só pra zoar essa última parte, eu sou terrível). O que eu morro mas não consigo explicar para as pessoas aqui é que o “carioca” estereotípico é o carioca da Zona Sul, de preferência de Copacabana ou Ipanema, que fala chchchchchchiado mermo, mermão. Você, que conhece os limites para além do Rebouças, sabe disso. Esse “carioca” é o filhinho de papai, que dirige seu golf ou seu astra pelas ruas da Barra pra pegar menininha, levar pra cama, mascar, cuspir e passar pra próxima. Existe ainda o “carioca cabeça”, ligado em assuntos mais profundos, filosofia, literatura, arte em geral, que não está restrito aos parcos limites da ZS, mas que aparece com alguma freqüência por lá (sim, nesse meio encontramos meninas inteligentes e bonitas que já ficaram com blogueiros famosos, mas abafa o caso, hehehe). Não conheço os paulistamos tão bem assim, mas certamente “os engravatados” se referem a uma parcela, talvez até pequena, do grupo, mas que parece serem muitos se paramos na Av.Paulista para fazer a observação.
    E, para fechar essa parte: na qualidade de filha e neta de gaúchos, digo que vc não tem nada a ver com eles. 🙂

    2. Acho que existe muita mulher carente no mundo, muita mulher querendo encontrar um carinha legal e muitos poucos carinhas legais dando sopa. Na “caça” ao carinha, muitas vezes nós mulheres acabamos aceitando e/ou adotando certos comportamos por medo de “se eu não der, o carinha vai dar linha”. Arrumamos um carinha, sabemos que ele não é um carinha bacana, mas nos iludimos com a vã esperança de que um dia ele vai ser e infernizamos o juízo de uma pessoa que só estava querendo uma trepadinha fácil – oferecemos o que ele quer e depois reclamamos porque não temos o que queremos. Esquizofrênico é pouco.

    3. Sobre o Ronaldinho e leads… vamos mesmo entrar na conversa da manipulação da mídia e da comunicação de massa aqui? Ok, vc começou. 🙂
    Se um político é pego por corrupção de menores pagando com dinheiro público ou oriundo do governo isso é notícia. O carinha foi eleito para defender os direitos do povo, prostituir crianças é crime blah blah blah. O que um jogador de futebol faz ou deixa de fazer não é da conta de mais ninguém. Ele está bancando a brincadeira com seu suado (hehehe) dinheirinho e levar travesti pra motel não é crime. Agora…. será que ele teve na delegacia o mesmo tratamento que vc, homem heterosexual desconhecido, teria tido na mesma situação? Isso aí já pode começar a querer ser notícia. Mas não é disso que se fala. E o que se fala não é notícia – vc estave dentro da mesma universidade que eu e sabe do que estou falando. Isso é manipulação das massas não-pensantes para se vender jornal ou cota de anunciante do Fantástico. Como aspirante a marqueteira, fico apenas impressionada do Ronaldo ter dado uma bola fora (ops) dessas, correndo o risco de perder os patrocínios que ele tem.

    Sobre a F1 não tenho o que falar. 🙂

    Bacci.

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