Quinze anos depois


Na noite de 24 de março de 1993, a torcida vascaína parou. Era chegada a hora da despedida do maior ídolo da história recente do clube, Carlos Roberto de Oliveira. Ou, mais simplesmente, Roberto Dinamite.

Ídolo no maior sentido do termo, da época em que jogadores se dedicavam a um clube durante quase toda a carreira. Roberto estreou no Vasco em 1971 e só saiu de São Januário para jogar uma curta temporada na Espanha. De volta ao Rio de Janeiro, e ao Vasco, reestreou marcando 5 gols em cima do Corinthians, estabelecendo um record que demoraria 15 anos para ser batido.

No Vasco ficou até ser considerado “velho” para a alta competição, quando saiu para temporadas vitoriosas na Portuguesa (treinada por Antonio Lopes, ficou em 7º lugar no Brasileirão de 89) e no Campo Grande (5º lugar no Carioca, melhor campanha da história do clube). Voltou ao Vasco em 92, para a sua despedida. Nesse ano, se sagrou campeão carioca, mesmo que praticamente não tenha jogado, participando de uma das campanhas mais massacrantes da história cruzmaltina: 18 vitórias, 6 empates, nenhuma derrota, campeão da Taça Guanabara, da Taça Rio, e campeão carioca invicto, sem necessidade de final.

Ao contrário de muitos ex-jogadores em atividade que ainda se arrastam por aí, Roberto Dinamite soube reconhecer a hora certa de parar. Em 24 de março do ano seguinte, uma grande festa foi programada. De um lado, o Vasco, com a base do time campeão invicto do ano anterior. Do outro lado, o La Coruña de Bebeto, vice-campeão espanhol, e “filial vascaína” na Galícia.

O jogo foi carregado de simbolismos. Era a despedida de um ídolo, Roberto Dinamite. Era o regresso de outro ídolo, Bebeto, que se transferira para o La Coruña no ano anterior. E foi o jogo em que Zico, ídolo do arqui-rival Flamengo, realizou o seu secreto sonho de infância, jogando com a camisa do Vasco. 🙂

(Foto histórica, reunindo três vascaínos ilustres… E quem diria que o vascaíno Erasmo Carlos seria tão profeta, com o primeiro verso de “Pega na mentira”, que dizia “Zico tá no Vasco”…)

O Vasco entrou em campo com Carlos Germano, Pimentel, Jorge Luís, Tinho e Cássio; Luizinho, Leandro, Bismarck e William; Zico e Roberto Dinamite. O técnico era Joel Santana.

No segundo tempo, mais um simbolismo. Roberto Dinamite foi substituído, aplaudido de pé pelas 30 mil pessoas presentes no Maracanã. Em seu lugar, entrou um garoto, recém-saído dos juniores do Vasco, e apontado por Roberto como seu sucessor. Seu nome era Valdir.

Valdir, o “Bigode”, foi mesmo o sucessor de Roberto naquele momento, e escreveu várias páginas bonitas pelo Vasco. Porém, o verdadeiro herdeiro de Roberto Dinamite, na bola e no coração da torcida, estava naquele momento em São Paulo, jogando pelo Palmeiras, e apenas três anos depois voltaria para a sua eterna casa. Mas isso é uma outra história, que terá que ficar para uma outra ocasião.

O resultado do jogo? Bem… Quer dizer… Num dia de festa, isso é o que menos importa, não? O importante é lembrar que o Vasco estava invicto há NOVE meses, desde a semifinal do Brasileiro de 92 (maldito Régis, frangueiro filho da…!).

Quanto ao resultado do jogo… err.. O La Coruña venceu. 2×0, gols de Bebeto e Nando.

Mas o que poderíamos esperar, em um jogo no qual o rei dos pé-frios vestiu a camisa cruzmaltina? Só podia dar nisso mesmo!!!!!! 🙂

Piadas à parte, obrigado Zico, pela grandeza em participar dessa festa. E obrigado Roberto Dinamite, por todas as alegrias, por todos os gols, por tudo.

*  *  *   *   *   *   *   *   *   *

Quando eu falei na “despedida do Roberto do Vasco”, estava falando da sua despedida como jogador. Porque quis o destino que, em 24 de março de 2008, exatos 15 anos depois daquele jogo, fosse publicada no Diário da Justiça a decisão que anula as últimas eleições do Vasco e obriga a diretoria interina a marcar nova votação em 30 dias. Vamos ver no que isso vai dar.

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3 Responses to Quinze anos depois

  1. Bina disse:

    O Zico é reamente nobre!!!! Eu amo o galinho!!!! E viva o Fenerbahçe!!! Estou torcendo por ele na liga!
    Mas Zico vascaino? Nem nos seus sonhos mais delirantes!!!!!!
    🙂

  2. L.S.D. disse:

    Que é isso, Bina? Zico é o homem perfeito para bater os pênaltis para o Vasco! 😉
    Só é uma pena que ele logo iria ficar com lesão por esforço repetitivo…

  3. Nássara disse:

    Cara, muuuuuito maneiro teu blog, principalmente quando vc colocou um texto sobre o Roberto! Saudações Vascaínas e se Deus quiser, Roberto será o novo Presidente do Vascão!
    Bom…qualquer coisa: nassaravasco@hotmail.com

    abraço.

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