Como se faz política no Brasil


O Noblat publica entrevista com o Senador Gilvan Borges (PMDB-AP), realizada hoje de manhã, antes do julgamento do (ainda) senador Renan Calheiros (PMDB-AL):

“- Tranqüilo para o julgamento de logo mais?

– Sim. Renan será absolvido – responde Gilvan Borges, senador pelo PMDB do Amapá.

– O que lhe dá essa certeza?

– O entendimento que a base aliada [do governo] fez conosco [PMDB]. Se tivermos problema hoje, eles terão amanhã.

– Então existe o acordo para que a base aliada salve Renan novamente e, em contrapartida, o PMDB vote pela prorrogação da CPMF?

– Não é acordo, porque acordo é quando se cumpre. Há um entendimento.

– Se Renan for absolvido poderemos entender que houve um acordo?

– Sim.

– E, caso o entendimento não se concretize, a CPMF não contará com o apoio do PMDB?

– Posso dizer que isso terá reflexo. Faz sentido, não faz?”

E como faz, senador Gilvan. E como faz.

Segundo o senador Tião Viana (PT-AC), presidente interino da casa, quem revelasse o voto hoje no julgamento da cassação de Renan seria processado por quebra de decoro, uma vez que “o voto é secreto”. Sim, vamos fingir que ninguém sabe como votou o Senador Gilvan. E vamos concluir que abrir o voto para o eleitor é quebra de decoro, mas abrir o voto para o Planalto, e vender o voto a favor da CPMF em troca disso, são coisas muito bonitas. Tão bonitas e íntegras como as atitudes que Renan cometeu.

Renan foi absolvido, pela segunda vez. O Senado ainda vai ter mais três chances. Lula e o PT vão continuar sustentando o “pai da filha da gestante”, como já fizeram duas vezes. Tudo pela CPMF. Ou pelo caminho que ela ajuda a pavimentar.

Matéria da Folha de São Paulo:

“Correndo contra o calendário para conseguir aprovar a prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) no Senado, o governo destinou R$ 514,3 milhões em verbas federais para atender emendas parlamentares até a última sexta-feira, valor que representa quase o triplo (197%) do liberado em outubro. Senadores acusaram a Casa Civil de cooptar votos.

O detalhamento do ‘empenho’ (compromisso de gastos) das emendas parlamentares do Orçamento aponta ainda que R$ 207 milhões foram liberados só na semana passada, segundo dados do Siafi (sistema de acompanhamento de gastos da União) coletados pelo DEM.

A primeira denúncia de que o governo estaria negociando com emendas partiu de Geraldo Mesquita (PMDB-AC), que integra o grupo dos ‘rebeldes’ do PMDB cujos votos para aprovar a CPMF são considerados incertos. Ele relatou ter sido procurado pelo subchefe de Assuntos Parlamentares da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Marcos Lima, para negociar a liberação de emendas.

‘Um funcionário do Planalto ligou várias vezes para o meu gabinete. Depois, insistiu e foi ao meu gabinete. Eu não lhe dei essa liberdade’, diz Mesquita.

(…)

O campeão de emendas empenhadas em novembro é o PMDB, com R$ 25,4 milhões -R$ 18,5 milhões só na semana passada. Maior bancada (20 senadores), o partido é vital para a aprovação da CPMF. O PTB também obteve grande desempenho: dos R$ 6 milhões, em novembro, R$ 5 milhões foram liberados na semana passada.”

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Josias de Souza:

“O governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR) entrou na guerra da CPMF. Por solicitação de Lula, ele tenta virar os votos de dois senadores oposicionistas de seu Estado. Ambos são do DEM: Jayme Campos e Jonas Pinheiro. O primeiro parece resistir às investidas do governador. O segundo balança em suas convicções.

Em conversa reservada que manteve na semana passada, Jonas Pinheiro revelou a um interlocutor que Maggi lhe fizera uma proposta tentadora. Em troca do voto favorável à CPMF, o governador prometeu-lhe assegurar a vaga de senador em sua coligação, nas eleições de 2010. Comprometeu-se inclusive a prover o financiamento da campanha do senador.”

Agência Estado:

“Como o governo necessita dos votos do partido para aprovar a CPMF, a hora de emparedá-lo é agora. O PTB do Senado queixa-se muito de que só o da Câmara tem sido contemplado com cargos nas estatais e no segundo escalão.

De acordo com informação de um senador do próprio PTB, à exceção de Mozarildo Cavalcanti, que é inimigo do líder do Governo, Romero Jucá (PMDB-RR), e de Sérgio Zambiazi, que não costuma pedir nada, os outros quatro têm reivindicações a fazer ao governo federal.

O senador Romeu Tuma (SP), por exemplo, já conseguiu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeasse seu filho Romeu Tuma Jr para o importante cargo de secretário nacional de Justiça. Aguarda, agora, algo para o outro filho, o ex-deputado Robson Tuma.

Epitácio Cafeteira (MA) cansou de ver somente a família Sarney fazer nomeações em seu Estado. Gostaria de influenciar também na indicação de delegados do Trabalho. E, como partido, o PTB também quer uma diretoria na Petrobrás.”

Correio Braziliense:

“Nesta semana, o governo dedicará atenção especial aos senadores Expedito Júnior (PR-RO), César Borges (PR-BA) e Romeu Tuma (PTB-SP), que ameaçam aderir à resistência armada pela oposição. Júnior quer emplacar um apadrinhado no Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) de Rondônia, substituindo um quadro indicado pelo líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp. Não deve ser atendido, mas, em compensação, pode levar uma vaga na Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

Já Tuma trabalha a fim de conseguir para seu filho Róbson uma diretoria da Caixa Econômica Federal, segundo informação corrente no Congresso e no Planalto.”

Dá pra gente perceber que realmente o Governo não pode viver sem a CMPF, não é mesmo?

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One Response to Como se faz política no Brasil

  1. L.S.D. disse:

    Essa ameaça do senador Tião só pode ser palhaçada! Por favor, diga que é apenas um exagero de sua parte. Tem que ser exagero, isso nào pode ser verdade! Gente do céu! Que fase negra. Acho que a Petrobrás, ao invés de petróleo, vai mesmo é encontrar a reputação do PT nos poços ultra-profundos. :-p

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