O fim de Tim Timão


Brasileirão City: o fim de Tim Timão
(José Roberto Torero)

O crepúsculo manchava de vermelho as ruas de Brasileirão City. O crepúsculo e o sangue.
Foi o último dia de duelos. Duelos decisivos. Duelos mortais.

Jack Tricolor, o campeão, o vencedor, o glorioso, foi derrotado por Harry Hurricane, no Arena Saloon. Mas e daí? Isso não mudou nada. Durante o ano, ele foi o melhor com folga e mereceu receber sua quinta estrela de xerife.

Billy Santos levou quatro tiros de Louis Laranjeira. Seu uniforme branco ficou manchado de vermelho. Mas e daí? Ele acabou em segundo lugar e isso era o máximo que poderia conseguir.

Black Red, o caubói que anda sempre com um Urubu em seu ombro, caiu frente a James Capibaribe. Mas e daí? Black Red, que há alguns meses parecia destinado a ir passar um ano em Série B Village, recuperou-se e acabou como o terceiro melhor de Brasileirão City. Foi uma recuperação e tanto, como aqueles mocinhos que levam uma flechada no ombro mas, usando apenas com a mão esquerda, conseguem matar toda a tribo inimiga.

Will Uai, o caubói que só se veste de azul, teve a missão mais fácil do domingo: matar o já morto Paul T. Guar (e dentro de seu próprio saloon, o Big Boy from Minas). Em 25 minutos Will já tinha acertado dois tiros no rubro inimigo. Depois ficou fazendo malabarismos com seus revólveres. Como prêmio por sua campanha, irá participar do grande rodeio Los Libertadores.

O curioso é que Will Uai contou com a ajuda de seu maior inimigo, Rob Gallo, que venceu, e bem, a Big Green. Green foi, durante todo o ano, um caubói surpreendente. Ganhava duelos que pareciam perdidos, perdia os que pareciam ganhos. Se não perder a cabeça e jogar as boas armas fora, poderá ter um bom 2008.

Seth Fire e Phil Gueira fizeram um duelo equilibrado. Phil precisa vencer para ir para Sul-Americana, uma competição para a qual todos querem ir, depois todo mundo quer abandonar. Mas só o que Phil Gueira conseguiu foi empatar o duelo no finalzinho. Seu consolo é que no ano que vem estará mais uma vez trocando balas em Brasileirão City.

Joaquim Wayne, o caubói de largos bigodes e que sempre anda com o cinto de balas atravessado no peito, venceu o simpático Blue Reed. Blue lutou mal, perdendo a cabeça, e uma de suas armas, logo aos sete minutos. Mas resistiu por um bom tempo. Só na segunda metade do duelo é que Joaquim Wayne acertou o primeiro tiro em Blue. Depois disso, o cavaleiro das araucárias desanimou e levou mais dois balaços. Assim ficou em penúltimo lugar e terá que passar um tempo em Série B Village. O curioso é que Blue Reed teve o melhor revólver de Brasileirão, o Colt Josiel, que acertou os inimigos nada menos do que vinte vezes.

Cliff Reciff precisava vencer o já rebaixado Young Boy participar da Sul-americana. Para sua sorte, Young estava sem nenhum interesse no duelo, tanto que, durante o duelo, escondeu-se atrás de um barril e começou a limpar seu revólver. Porém, sua arma disparou acidentalmente e dois tiros alvejaram Cliff, que acabou ficando fora da Sul-americana. O bang-bang é uma caixinha de surpresas.

Mais desinteressado que Young Boy estava James Colorado. O caubói internacional enfrentou John Esmeraldine, mas tinha pouca gana de vencer. Tanto que no intervalo do duelo trocou seus dois revólveres dourados (Gil & Fernandão) por duas garruchas. Já Esmeraldine queria derrotar seu oponente, mas o bandoleiro do cerrado tem tão má pontaria que teve que dar três tiros à queima roupa para acertar a bala fatal. Escapou de ir para Série B Village, mas, se não melhorar, e muito, logo estará por aquelas bandas.

E por fim chegamos ao mais visto, lamentado e comemorado duelo de Brasileirão City: Tim Timão x Sancho Pampa.

Tim Timão precisava vencer, mas mal começou o duelo e Sancho, que tem experiência em duelos dramáticos, acertou-lhe um tirázio logo de cara. Tim não esmoreceu e, aos trancos e arrancos, conseguiu empatar as coisas colocando, sem muita classe, é verdade, uma bala no corpo de Sancho. No entanto, precisava acertar mais uma. E isso não estava fácil para Tim Timão, que anda com pontaria de vesgo. Até o fim do duelo ele tentou de tudo. Mas não conseguiu nada. E vai para Série B Village. Depois do duelo, os fãs de Tim ajoelhavam-se, enrolavam-se em bandeiras, lamentavam. Se bem que alguns já entoavam gritos de guerra.

O problema de Tim Timão é que seu antigo fornecedor de armas, Dudu A. Lib, deixou-o apenas com alguns revólveres de espoleta e uns rifles enferrujados. E, sem boas armas, ninguém vai muito longe em Brasileirão City.

Os admiradores de Tim Timão derramaram tantas lágrimas pelas ruas de terra de Brasileirão City que formaram um mar de lama. Aliás, mar de lama parece ser o problema de Tim Timão.

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