Se não dá pra ter um Juan Carlos…


Nós somos, sim, gente que estuda e trabalha, porque sem estudo e trabalho não se muda o Brasil. Há, sim, acadêmicos entre nós. Não temos vergonha disso. Há, sim, gente que sabe falar mais de uma língua, mas sabemos falar nossa língua, e falamos direito. E faremos o possível e o impossível para que todos os brasileiros falem a nossa língua e falem bem. E não sejam brasileiros liderados por alguém que despreza a educação, a começar pela própria.
(Fernando Henrique Cardoso)

Não sou exatamente presidente do fã clube de FHC – aliás, estou muito, mas MUITO longe disso. Mas é inegável que, vez por outra, ele acerta na mosca. Esse trecho sintetiza muito bem um dos principais problemas que assola o Brasil nos dias de hoje.

Claro que a imprensa já voou no pescoço de FHC, distorcendo o que ele falou, e apontando “preconceito”. Não, senhores, é exatamente o contrário. O preconceito que existe é o oposto. Não é que uma pessoa deixe de ter valor porque não tem estudos. O problema é que os “milhões de Lulas deste país” agem como se estudar fosse uma coisa feia, como se as pessoas devessem ter vergonha do conhecimento que possuem.

Dos muitos males que Noço Guia (rumo ao inferno) nos trouxe, esse é um dos mais perversos. Ele não se contenta em ser um sem-estudo. Ele sente orgulho. Ele usa isso como exemplo. Ele não diz “eu sou muito bom, porque consegui chegar aqui APESAR de não ter estudado”. Se fosse isso, já seria ruim o bastante. Mas o caso é ainda pior. Ele diz “eu sou muito bom PORQUE não estudei”.

E, transformando o vício em virtude, e a virtude em vício, cria uma inversão de valores que só se vê neste país. O estudo é sempre bom. O conhecimento é sempre útil. Uma pessoa pode ser inteligente, pode ser honesta, pode ser maravilhosa, e ser inteiramente analfabeta. Mas, se ela tivesse tido oportunidades de estudar, certamente continuaria tendo todas as qualidades que tem, e MAIS o saber adquirido. E, se é possível um analfabeto ter muitas qualidades, também é igulamente possível uma pessoa não ter estudo, não ter capacidade, e nem ter caráter. Exemplos não faltam, não é mesmo?

Num país em que a crise da educação é tão grave, num país onde tantas pessoas não PODEM estudar, é muito perverso ver um presidente da república, um homem que não estudou porque não QUIS, transformar isso numa qualidade. É muito triste aquela que é a figura máxima da nação se vangloriar disso. É muito triste que o símbolo do país seja alguém que critique a educação, e represente a “esperteza”, a “malandragem”, o “jeitinho brasileiro”, como as grandes qualidades que um homem deve ter. E mais triste ainda saber que muita gente se identifica com esse discurso, e ache que o que FHC disse é “preconceito”, e que falar português correto é coisa da “zelite”.

Como disse, não sou exatamente fã de FHC, nunca fui seu eleitor, e tenho muitos motivos para ter meu pé bem atrás com ele. Assim como sei que ele tem um lado meio camaleônico. Hoje morde, fala uma frase dessas, que faz tanta gente vibrar, e amanhã já volta a assoprar, poupando seu “amigo Lula” de maiores problemas.

Mas hoje a frase é essa. E essa fala de Fernando Henrique é direta ao ponto, e diz uma verdade que não devemos esquecer. Vamos lutar por isso. Vamos lutar para termos um Brasil governado por quem estuda e trabalha, por quem trabalha e estuda. Chega da ditadura daqueles que não gostam de fazer nem uma coisa nem outra.


(Roque Sponholz)

Notinhas soltas coletadas do site do Cláudio Humberto:

“É para o pessoal saberem (sic)”

Presidente Lula explicando a estratégia de esperar a CPMF para definir a reforma tributária.

Senadora ‘Creysson’ ataca na tribuna

A ínclita senadora Fátima Cleide (PT-RO), 44, acaba de sair da tribuna do Senado coroada por três torpedos contra a pobre e indefesa língua portuguesa. Sapecou dois “exacrável”, pespegou um “róstos” com acento agudo e tudo e um atordoante “adéque” no meio de uma frase.

Vernáculo espancado

A senadora Fátima “Seu Creysson” Cleide (PT-RO) usou ontem expressões como “exacrável” na tribuna. Depois, ao responder à provocação de Arthur Virgílio (PSDB-AM), que a convidou para ser sua liderada, Ideli Salvatti (PT-SC) sapecou: “Menas, senador, menas…”

Ah, antes que digam que é “preconceito”, convém dizer: ambas, tanto Cleide quanto Ideli são professoras. São formadas. Tem “estudo”. Pela lógica petista, são “zelite”. Fátima Cleide, pasmem, é formada em… Letras. Com coisas assim, dá pra entender porque eles têm tantos problemas com as pessoas que “estudam e trabalham”.

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