A dança das cadeiras


Como era de se imaginar, Fernando Alonso bateu mesmo a porta, e deixou a McLaren. Já tinha dito aqui, e mantenho minha opinião: é bem provável que 2008 seja o início de um período de decadência para a McLaren. Não apenas por ter perdido o melhor piloto da atualidade, embora isso seja um baque para qualquer equipe. A principal perda da McLaren é que, com isso, ela confirma a aposta no método de gerenciamento que a fez perder o título de 2007. Lewis Hamilton será o primeiro piloto, com todo o apoio da equipe, da imprensa, e etc. Ron Dennis ainda acredita no seu potencial para se tornar um campeão. Eu duvido. Para mim, Hamilton vai cair muito em 2008. Vamos esperar pra ver.

A central de boatos do Circo anda à toda. O que parecia ser um período morno de férias, com todas as equipes importantes definidas, virou uma frenética dança das cadeiras. O bi-campeão Alonso tem propostas, ou pelo menos sondagens, de virtualmente todas as equipes. E, até ele decidir, tudo está congelado.

A vontade dele parece ser a Ferrari. Mas a casa de Maranello não tem vagas para ele, ainda. Talvez em 2009 isso possa se arranjar. O meu sonho era ver Alonso na BMW. A montadora alemã está pronta para dar o salto e se tornar uma equipe grande, e Alonso seria o piloto ideal para essa hora. Se Alonso fosse para a BMW, eu chegaria a apostar que ele brigaria com Raikkonen pelo título de 2008. Mas, ao que tudo indica, também a BMW acena com uma proposta apenas para 2009.

A Renault parece largar na pole position, e ser a escolha óbvia de Alonso, e o palpite de nove entre dez jornalistas da área. Ele já esteve lá, ganhou dois títulos com um carro mediano, a equipe afundou depois da sua saída e o receberia de volta de braços abertos, ao fim de uma temporada deplorável como foi a de 2007.

Bem, eu vou remar contra a corrente. Não acredito em Alonso na Renault. Para mim, o espanhol vai desembarcar na Red Bull Racing. É uma equipe média, com um bom ambiente, dinheiro suficiente para bancar essa coontratação, e que adoraria trazer essa visibilidade para a marca.

Alonso pode brigar pelo título na RBR? Provavelmente não, a não ser que tire um GRANDE coelho da cartola. Mas pode passar um ano tranquilo, sem pressão (qualquer pódio seria um grande resultado, uma vitória, então, equivaleria a um título), e esperar pelas conversas com Ferrari e BMW, visando 2009. E a RBR vem com Adrian Newey como projetista, o que é promessa de um carro melhor para 2008. Na minha opinião, é a melhor escolha, e meu cenário número 1 fica sendo esse: Alonso e Webber na RBR, Kovalainen e Nelsinho Piquet na Renault.

Se não for na RBR, meu cenário B seria… a Honda. Estou acompanhando o mercado com curiosidade. Primeiro, um boato de que Rubens Barrichello seria “rebaixado” para a Super Aguri, que todos interpretaram como um puxão de orelhas, em represália à sua entrevista depois de abandonar o GP Brasil. E agora, a Honda me aparece com Ross Brawn, o engenheiro com fama de mago que acompanhou Schumacher nos seus sete títulos.

Somo dois mais dois, e acho cinco. Ross Brawn ficou um ano afastado da F-1, desde que Schummy se aposentou, e não voltaria se não acreditasse que pode fazer alguma coisa. Depois da temporada pífia da Honda em 2007, é de se esperar que os japoneses invistam pra valer, pra recuperar a imagem. E tudo se encaixa. Ross Brawn no comando da equipe, Alonso e Jenson Button pilotando, e Rubinho na Super Aguri, para cumprir seu último ano na categoria e bater o record de GPs disputados que ele tanto persegue.

E a McLaren? Quem será o companheiro de Hamilton? Essa pergunta mostra bem o beco sem saída em que a equipe inglesa se meteu com todas as trapalhadas desse ano. Nenhum piloto de ponta aceitaria ir para a equipe de Woking, correndo o risco de passar por tudo que Alonso passou. Dennis se amarrou definitivamente a Hamilton: terá de vencer com ele, ou afundam os dois juntos. As opções da McLaren são apenas duas: ou pega um piloto semi-aposentado (Ralf Schumacher já andou se oferecendo) ou um novato (fala-se em Bruno Spengler, da GP2).

Meu palpite número 1? Pedro de la Rosa, o eterno piloto de testes. Conhece bem a casa, não tem ambições maiores, se contentaria em ajudar Hamilton, faria todo o trabalho “chato” de acertar o carro que o inglês não sabe fazer. Além disso, é espanhol, e sua presença como piloto titular “compensaria” a saída de Alonso, na visão dos patrocinadores Santander e Telefónica.

O cenário B, na hipótese de Alonso ir mesmo para a RBR, seria David Coulthard. Com 37 anos, o escocês também deve estar fazendo seu último ano de F-1 em 2008, teria muito a ensinar a Hamilton, e também tem raízes na McLaren, pelos nove anos que passou lá.

Vamos esperar pra ver. Por enquanto, parece que a temporada 2008 será um passeio de Kimi Raikkonen rumo ao bi. Mas muitas coisas ainda podem acontecer. Quando Alonso se decidir, e as outras cadeiras da roda forem sendo ocupadas, a temporada começa pra valer. E aí vamos ver de onde os coelhos começam a sair.

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