O guri, a sucuri e o cri-cri


Essa aconteceu semana passada, e foi noticiada pelo Noblat e pelo Josias.

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) deu uma festa, com a presença de várias figurinhas carimbadas da sociedade política, tanto do governo quanto da oposição.

Durante a festa, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que também é presidente do seu partido, aproveitou a ocasião para ter uma conversa com o ministro Walfrido Mares Guia. O assunto era o jogo sujo que o governo vem fazendo para tentar aprovar a prorrogação da CPMF.

Entre outras coisas, Rodrigo se queixava, principalmente, das ameaças e promessas de “agrados políticos” que o governo fez às senadoras Rosalba Ciarlini (DEM-RN) e Kátia Abreu (DEM-TO), relatora da emenda na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Disse o deputado carioca:

– Não vou permitir mais esse tipo de comportamento do governo. Todo dia vejo notinhas plantadas na imprensa sobre a senadora Rosalba. É bom que comecem a nos respeitar.

Mares Guia mostrou ser um bom subordinado de seu chefe. Jurou que não sabia de nada sobre o assunto. Maia prosseguiu, respeitoso porém firme:

– O que vocês fizeram na Câmara e estão fazendo no Senado eu nunca vi igual. Não é justo e não é certo. Se não fosse a decisão do Judiciário, favorável à fidelidade partidária, vocês teriam destruído o meu partido […]. A fidelidade salvou o meu partido. Vocês iam tirar todo mundo. Me tenham como inimigo e vamos para a guerra. Não tem problema. Mas vocês estão jogando muito pesado, o que é um desrespeito às instituições.

É animador ver uma reação frontal dessas vindo do DEM, principalmente por acontecer ao mesmo tempo em que o PSDB dá mais um dos seus espetáculos de “governismo de oposição”. O repto de Rodrigo, em voz alta o bastante para ser ouvido (e vazado, óbvio), nos dá alguma esperança de que ainda possa existir oposição no Brasil.

Até aí a conversa era política. Dura, mas dentro dos limites. Descambou para o burlesco quando o ministro da Defesa (de Lula), Nélson Jobim, resolveu fazer juz à sua fama de “margarete” (aquele que em tudo se mete) e dar o seu pitaco:

– Quem joga pesado é você. Ainda outro dia botou no blog do partido uma foto minha me chamando de canastrão da sucuri! Isso é desrespeitoso e infantil.

Rodrigo não quis dar platéia ao can… perdão, ao senhor ministro. Apenas respondeu que não tem o costume de censurar os jornalistas que produzem o site, deu boa noite e foi embora.

Segundo contam Noblat e Josias, a conversa de Jobim e Walfrido continuou, pelas costas de Rodrigo:

– Guri de m*!!! – disparou Jobim.

– Ele pensa que é professor de Deus! – completou Walfrido.

– É um babaca. – finalizou Jobim.

É mais um sinal da maneira “respeitosa” e “republicana” com que os membros desse governo tratam aqueles que não curvam a espinha a eles. A democracia deles está no sangue.

A foto, acompanhada da legenda “o canastrão e a sucuri”, que fez o gaúcho Jobim cair na pilha como se fosse um menino de oito anos foi essa aqui:

Foto: Antonio Cruz/ABr

Sinceramente? Concordo em parte com Jobim. Talvez uma foto dessas pudesse fazer alguém merecer ser chamado de “babaca”. Mas, com certeza, esse alguém não seria o deputado Rodrigo Maia…

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One Response to O guri, a sucuri e o cri-cri

  1. L.S.D. disse:

    E é gaúcho, ainda por cima? Mas que desonra para o estado. Não bastasse o pessoal do Casseta ficar pegando no nosso pé, esse vivente ainda me aparece abraçado na sucuri. :-/

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