Campeão? Nunca será!!!!


É nessas horas que escrever num blog é muito mais gostoso que escrever num jornal. Num jornal, eu deveria começar o texto com um lead, falando como Kimi Raikkonen se sagrou campeão em interlagos, etc, etc, etc. Num blog, eu posso começar com a reação que eu realmente tive:

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!

E diria até mais:

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!

Pronto. Agora dá pra… hehehe… tentar falar… hehehehe… sobre o GP do Brasil.

Os deuses da F1 estavam de plantão em Interlagos. Eu nunca perdi a fé neles. A corrida decisiva do ano tratou de separar homens e moleques, e repor a verdade dos fatos.

No treino de sábado, para fechar a temporada com chave de ouro, Hamilton ainda fez mais uma molecagem, atrapalhando Raikkonen na sua volta rápida, e tirando a pole do finlandês. A FIA ficou quieta, uma vez mais. E os deuses sorriram, anotando mais uma na caderneta.

Domingo, na largada, as Ferraris pularam na frente. Hamilton largou mal, e permitiu a ultrapassagem de Raikkonen. Alonso, tendo que correr com um motor velho (ao contrário de Hamilton, que estreava um novo), perdeu a posição para Webber, e caiu pra quinto.

Mas, já na primeira curva, o Príncipe das Astúrias reagiu, e fez a manobra que decidiu o título. Se recuperou da largada, usou os últimos cavalos do motor, deixou Webber pra trás, e atacou Hamilton na tomada da curva, num ângulo quase impossível de passar.

Era apenas a primeira curva da primeira volta de uma longa prova. Mas quem ama a velocidade entende que ali se decidiria o campeonato. Alonso passou, com a sobriedade do campeão que é. E o moleque inglês perdeu o título ali. Deixado pra trás pelo seu maior rival, mesmo tendo um motor novo, 10 cavalos mais potente.

Homens e meninos.

Hamilton, que recorreu à trapaça nas últimas provas, sempre que se sentiu ameaçado, Hamilton, que errou bisonhamente na China quando Alonso tirou os 17 segundos que os separavam, Hamilton que, em Interlagos, sentiu mais uma vez o peso da humilhação, ao ser ultrapassado pelo asturiano. Desta vez, todo o peso do mundo.

Homens e meninos.

Alonso fez o que caberia a um campeão. Tomou a frente, sem tomar conhecimento de quem era o rival, e se posicionou em terceiro. À frente de Hamilton. O quarto lugar daria o título ao inglês. Mas um título onde ele terminaria a corrida atrás de Alonso teria um sabor amargo.

Homens e meninos.

E Hamilton tentou dar um troco. Tentou, apenas. Porque não é Alonso. Tentou, no lugar errado, na hora errada, da maneira errada. E saiu da pista. Com a sorte que sempre o acompanha, conseguiu voltar. Perdera algumas posições, mas seu carro era tão superior aos demais, principalmente à carroça que a McLaren deu a Alonso, que o título ainda estava ao seu alcance. Bastava não errar. Bastava provar que tinha fibra de campeão.

Homens e meninos.

Na descida do Lago, a McLaren de Hamilton apaga. Alguns metros depois, recupera velocidade, como se nada tivesse acontecido. Mais tarde, a McLaren, oficialmente, diria que houve um “problema mecânico momentâneo com o câmbio”. Alguns acreditam. Para outros, ficou claro o que houve: o inglês errou na posição do câmbio, jogou o carro em ponto morto, deixou ele morrer, e depois teve que recomeçar da primeira marcha. O próprio Reginaldo Leme, na transmissão da Globo, chamou a atenção para o fato de que a McLaren parecia que “pegou no tranco”. Mais do que um erro “de principiante”, um erro infantil de quem não estava com os nervos no lugar, mesmo com tudo a seu favor.

Homens e meninos.

A prova ainda estava no começo. Dirigindo uma McLaren, dependendo apenas de um quinto lugar para ser campeão, a tarefa não seria tão difícil. Mas, mais uma vez, para isso era preciso ter alma de campeão. E quem estava naquele cockpit, em Interlagos, não era o “gênio indomável” que muitos acreditaram existir, ou o “prodígio inglês” que muitos quiseram amar. Quem dirigia o carro número 2 era um fantasma. Um fantasma derrotado, que se arrastou pela pista no resto da prova, sem nunca parecer poder voltar à briga. Um fantasma que talvez jamais volte a ter outra chance de chegar tão perto de um título mundial de F1. E que, quero acreditar, acabava de aprender algumas lições. Uma, a de que meninos tem que aprender as suas limitações, e como supera-las. Outra, que não estou certo se ele aprendeu, é a de que o crime não compensa.

Enquanto isso, em algum  lugar, os deuses riam, satisfeitos. E erguiam garrafas de champagne, brindando com Fangio, Clark, Senna, Villeneuve e tantos outros, brindando à vitória do esporte e à derrota das trapaças.

(Via F1 Girls)

Kimi Raikkonen é um justo campeão. Quem acompanha o blog, sabe que minha torcida era pra ele, desde o começo do ano. Aliás, acho que Raikkonen já merecia esse título há mais tempo, e só não o havia ganho por causa do seu folclórico azar. Ontem, tudo deu certo, e ele pôde exorcizar essa história. Se bem que, admito, fiquei até à última volta com medo de algo acontecer…

O título de 2007 acaba sendo dividido entre os dois pilotos que realmente o mereciam. Se o finlandês leva o troféu, Alonso é sem dúvida o grande vencedor da temporada, pelo que teve que enfrentar o ano inteiro. Numa luta feroz dentro da própria equipe, sendo sabotado por aqueles que o deveriam ajudar, Alonso termina o campeonato um ponto atrás do vencedor, e empatado com o piloto queridinho de todos. Um triunfo de quem teve que lutar sozinho. O título é de Kimi, mas a lenda fica com Alonso.

A corrida do asturiano no Brasil foi digna de um campeão. Limitado pela carroça que a McLaren lhe entregou, Alonso fez o que estava ao seu alcance. Na largada, deu tudo e arriscou na manobra arrojada que dobrou a espinha de Hamilton, e afastou o inglês do título. Feito isso, a luta ficava entre ele e Raikkonen.

Um piloto apenas arrojado partiria atrás de Raikkonen. Alonso não caiu nessa armadilha. Sabia que o seu motor desgastado não ia aguentar essa brincadeira. Limitou os giros, e foi gerenciando a corrida, consciente de que não poderia brigar com as Ferrari. Alonso fez uma corrida de expectativa, cumprindo sua missão e torcendo por um problema com os carros de Maranello. Como tanto os carros vermelhos quanto seus pilotos se portaram muito bem, nada houve a ser feito.

Não duvido que alguns considerem um “defeito” de Alonso essa “falta de combatividade”. Eles não entendem que um campeão é feito exatamente dessa mescla de arrojo e sabedoria, coragem e prudência. Um campeão sabe quando é hora de pisar ou de segurar, de arriscar ou de poupar o equipamento. Um campeão sabe acelerar e sabe acertar um carro.

Ao contrário do que muitos pensam, correr na F1 não é apenas apertar o da direita e vamos em frente. Ser rápido e talentoso, muitos são. Se algum desses têm a sorte de chegar numa boa equipe, conquista bons resultados. Ainda mais alguém que chegue na melhor equipe, com todo o apoio, e ainda tenha um carro acertado à sua disposição. Aí, quando é só sentar e mandar o pé, é até possível enganar algumas pessoas, que vêem um velocista e acham que estão diante de um “novo Senna”. Velocistas chegam à F1 com frequencia, parecendo que vão atropelar todo mundo. Mas poucos conseguem atravessar a ponte que os transforma em campeões.

Alonso foi um deles. O garoto que se destacou numa Minardi, o pior carro da sua época, foi para uma Renault muito abaixo do colosso Ferrari, e ganhou dois títulos em cima de Schumacher, forçando a aposentadoria do alemão. Pulverizou todos os records de juventude da F1. É, sem sombra de dúvida, o melhor piloto da sua geração. E, pelo talento e pela idade, tem tudo para superar os sete títulos de Schumacher, se tiver motivação para correr esse tempo todo.

Em 2007, Alonso só não levou o tri pelas sabotagens da McLaren. Seu resultado final, um mísero ponto atrás de Raikkonen, é dolorosamente irônico para a McLaren. Bastava que uma das coisas que aconteceram a ele não tivessem acontecido, e ele hoje seria tricampeão.

Kimi Raikkonen e Fernando Alonso, os dois grandes pilotos da atualidade, merecem esse resultado. E em 2008, vão travar de novo a sua disputa pelo título. Para Hamilton, resta o carinho que certamente vai receber de todos os seus padrinhos, tentando convence-lo de que foi um azar, e que ele é mesmo o maior piloto desde sempre, o escolhido para deixar Fangio e Senna parecendo umas lesmas reumáticas.

(Perguntar não ofende: o que Hamilton vai fazer com o encalhe do seu livro, aquele que, lançado em agosto, dizia que ele era o campeão de 2007? Parece que “the king of the world” encontrou o seu iceberg… Podem mandar suas sugestões sobre o que ele deve fazer com o livro. Só não esqueçam que este é um blog de família.)

Apesar de tudo, Lewis Hamilton não é o maior perdedor do ano. Ele é um garoto, veloz, com um certo talento, que fez uma boa temporada. Sua culpa é a de ter acreditado naqueles que o tentaram transformar num deus das pistas, interessados em explorar a imagem do jovem, negro, inglês, etc. Ele acreditou nisso, e perdeu totalmente a noção de limites. Achou que realmente era isso tudo, e que podia fazer o que quisesse. Como acontece com muitos meninos mimados, talvez o choque de realidade que ele levou o faça cair na real, e desenvolver o seu talento da maneira correta. Se isso não acontecer, e ele continuar acreditando que é (e agindo como se fosse) “the king of the world” seu futuro será, cada vez mais, descer ladeira abaixo.

Não, Hamilton ainda tem a juventude como desculpa. O grande vilão dessa história é Ron Dennis. O homem que vendeu a alma da McLaren, que jogou fora anos e anos de tradição, tudo para dar o título ao seu pupilo. Vai demorar muito tempo para a McLaren se livrar da má fama que ganhou este ano, se é que algum dia vai se livrar. E o que Dennis ganhou em troca? Perder o campeonato mais ganho de sempre. Hoje, Dennis poderia estar comemorando o tri de Alonso, com várias provas de antecedência. Se não fossem as trapaças, Alonso já poderia ter garantido o tri desde o Japão.

Mas não. Dennis, na sua soberba, achou que a McLaren era tão superior que podia escolher a quem dar o título. E escolheu o mais fraco, apenas porque era o queridinho de todos. De Dennis, que o criou no automobilismo. Da FIA, com água na boca pela idéia de ter um campeão inglês. Da imprensa, que viu no “estreante, inglês e negro” um personagem perfeito. Todos criaram um script a ser seguido fielmente. Livros foram escritos, imagens foram gravadas, enredos foram criados. O ano de 2007 seria o ano da consagração de Lewis Hamilton, o primeiro negro campeão do mundo, o primeiro estreante campeão do mundo, e ainda por cima um inglês. God save the king. Só que, do outro lado, não estava um qualquer. Estava Fernando Alonso.

E Ron Dennis pronunciou a frase que vai ficar pra história, e atormentar seus pesadelos:

“Não estávamos correndo contra o Kimi. Estávamos, basicamente, correndo contra o Fernando.”

Pois é, Mr. Dennis. O Fernando, contra quem o senhor correu durante todo o ano de 2007, lutou sozinho, e conquistou, contra todos, os pontos necessários para tirar o título do “escolhido”. E o Kimi, aquele que o senhor menosprezou, e disse que “não corria contra ele”, como se ele fosse carta fora do baralho, o Kimi, Mr. Dennis, está com o troféu lá na Finlândia. E o senhor que se vire pra explicar isso na próxima reunião de acionistas da Mercedes. Eu adoraria ver a sua cara nessa hora.

Agora, a grande questão é saber o destino de Alonso para 2008. Mais uma vez, o espanhol é o centro das atenções na F1. Sua decisão vai mexer com todo o mercado. Para a McLaren, é um momento preocupante. Se Alonso resolver mesmo sair, a queda de rendimento da equipe será inevitável. A única chance que a McLaren tem de continuar no topo é a Mercedes enquadrar Dennis e seu menino, e definir claramente Alonso como o primeiro piloto da equipe. Se isso não for feito, Alonso irá para outro lugar, desenvolver um novo projeto, e continuará sendo o único capaz de enfrentar um Kimi Raikkonen que parte como favorito para o bi em 2008. Enquanto isso, a McLaren irá ficar fora da luta pelo título e depender, talvez, do promissor Nico Rosberg para devolver a equipe às vitórias.

Em uma corrida muito boa, talvez os momentos mais significantes tenham acontecido no podium. Ontem, o podium de Interlagos foi um microcosmo da Fórmula 1. Felipe Massa, meio triste, por ter precisado abrir mão de uma vitória quase certa. Kimi Raikkonen, comemorando efusivamente o título, com um meio sorriso discreto que nunca vimos em seu rosto. E Alonso, numa felicidade contida, evitando comemorações polêmicas, mas visivelmente satisfeito consigo mesmo. Tivemos a gafe de José Serra, entregando o troféu a Alonso, e a provocação de Jean Todt, meio que repetindo aquela famosa foto dos “quatro grandes”, tirada há vinte anos, dessa vez com Todt e os três vencedores de ontem.

Felipe Massa, Kimi Raikkonen e Fernando Alonso dividiram o podium dos vencedores. Estouraram a champagne dos campeões. Dividiram as honras do encerramento da temporada. Lewis Hamilton, o fantasma, nem apareceu na foto.

E o momento que fica, a imagem perfeita e emocionante que fecha essa temporada louca de 2007 é ver a Ferrari cantando em coro o belíssimo hino italiano. Cantando a plenos pulmões, levando muita gente boa a se emocionar com eles.

Vocês sabem o que era aquilo, meus amigos? Aquilo era uma EQUIPE. Era uma equipe feliz com a vitória de um dos seus. Era uma equipe que sabia que, se Kimi venceu, todos venceram. Do outro lado, tínhamos um Fernando satisfeito e solitário. E, escondidos em algum lugar do autódromo, “the king of the world” e sua turma se perguntavam o que tinha acontecido.

Se isso não é uma metáfora, não sei o que seja.

(- Muttley! Eu não entendo o que aconteceu! Eu estava na frente, eu ia ganhar! Como eu pude perder?!?!?!
– Hihihihihi!)

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5 Responses to Campeão? Nunca será!!!!

  1. Bina disse:

    Eu que digo hahahahahahahahahaahahah!
    Eu dificilmente ri tanto com um texto nos ultimos tempos :-p

    Primeiro: hahahahahahahahahahah Alonso decidiu a corrida? Quem decidiu a corrida foi a equipe Ferrari ao encurralar Hamilton e Hamilton ao se afobar e tentar de qualquer jeito ultrapassar Alonso.

    hahahahahahahahahahhah
    McLaren deu carroça para o Sapo das Asturias? Ele não podia trocar de motor por ter batido no japão e VC sabe disso.

    hahahahahahahaahahahhaha
    Hamilton errou na passagem do câmbio?? Olha, aquela teoria que vc me mostrou de um cara que acha que Alonso e Hamilton foram prejudicados para a Ferrari ser campeã, é mais plausivel que isso :-p

    hahahahahahahahahahahahah
    Sapo das Asturias, o grande campeão da temporada? Ele divide o titulo com o Raikkonen? Sinto te infomar, mas entre ele e o Raikkonen existe um tal de Lewis Hamilton que ficou em segundo lugar.

    hahahahahaahahahahahahahha
    Foto dos quatro grandes??? heresia! heresia! Alucinação!!!! Sempre, todo final de corrida hah essa foto. Na ultima do ano, naum seria diferente.
    Mas comparar essa foto com a GRANDE OBRA DE ARTE de Prost, Senna, Piguet e MAnsell juntos é BRINCADEIRA :-p (jah diria o querido Gerson, sem a caracteristica interrogação)

    Olha, vc pode até gostar do Raikkonen, mas a sua torcida foi para o Alonso. Conte quantos paragrafos nesse textos vc dedicou ao Sapo das Asturias. MAis da metade do seu texto foi para falar de Alonso, quarenta por cento para falar de Hamilton e McLaren e dois miseros paragrafos para falar de Raikkonen.

    Momentos raros de lucidez :-p
    Também acho que foi uma justiça divina a vitoria ser do Raikonnen, sobretudo, por aquela frase infeliz do Ron Dennis. E nisso vc tem razão: foi um ano infeliz da McLaren, sobretudo pelo caso da espionagem. é a Moira. Os deuses naum permitem tal arrogância.

    E concordo sobre o hino italiano. Foi uma imagem realmente linda e foi exatamente aquilo que eu pensei, aquilo que vc pensou e acho que todos pensamos: uma equipe!

  2. L.S.D. disse:

    Mas, mas, mas… Chamem um exorcista! Ou o homm está possuído por algum spirito do mal ou enlouqueceu de vez! É, é… gasp! isso é uma infâmia!
    (um momento para se recompor)
    Tu tá de sacanagem comigo, né N. 11? Tá com nojinho do Hamilton, é, N. 11?

  3. […] exemplo claro disso aconteceu nos comentários do post sobre o GP Brasil. Nele, eu […]

  4. […] Como era de se imaginar, Fernando Alonso bateu mesmo a porta, e deixou a McLaren. Já tinha dito aqui, e mantenho minha opinião: é bem provável que 2008 seja o início de um período de […]

  5. Ana Silva disse:

    ñ tive a oportunidade de ler o texto td ms pl k li..concordo plenamente…tb sou fã do Kimi e desde a mercedes msm torcendo pela Ferrari o kimi sp m xamou a atenção até pk o meu pai era fã de mika Hakkinen por isso sp prestei mt atenção ao filandeses e pls vistos ñ m enganei…o Kimi tem grandes kualidades e merece mais do k ninguem o titulo e nngm pd duvidar disso!!! E sp acreditei k ele seria campeão!!! Parabéns Kimi!!

    lol

    xD

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