Desmontando um (cli)Che


Hoje, 9 de outubro de 2007, se comemoram os 40 anos da morte do mercenário argentino Ernesto Guevara, mais conhecido como “El Che” ou “El Chancho”.

O romântico bandoleiro, autor da singela frase “o verdadeiro revolucionário deve ser uma máquina de matar, fria e sem sentimentos”, muito valente na hora de torturar inimigos desarmados e de matar camaradas que o desagradassem, foi capturado na Bolívia, em 9 de outubro de 1967. Suas últimas palavras, não tão valentes, foram uma súplica para que poupassem sua vida e tivessem com ele a misericórdia que ele não teve com suas vítimas.

Com o tempo, criou-se um mito em torno de Che, e ele acabou virando um símbolo de “romantismo idealista revolucionário”. Cabelos ao vento, olhar perdido no horizonte, Ernesto Guevara é o ídolo de todos os filhinhos de papai que querem mostrar “rebeldia” e manifestar seus mais profundos sentimentos antiburgueses.

Hoje, um pouco ao redor do mundo, jovens vestem as suas camisetas pop com o ídolo do “hay que endurecer, pero si perder la ternura”, políticos ao redor do mundo aproveitam a democracia em que vivem para lamentar que não estejam numa ditadura, e intelectuais celebram a memória do assassino portenho. Enquanto isso, na imprensa, há quase uma unanimidade na celebração do culto de São Guevara.

Todos? Não. Assim como nas histórias do Asterix, há sempre algumas aldeias de irredutíveis gauleses, tentando resistir a esse rolo compressor da “história dos vencedores”.

Na semana passada, a Veja publicou um especial sobre Che Guevara, desmontando um a um os mitos que envolvem a peça e os milagres que lhe atribuem. Enquanto isso, em Portugal, coube à Atlantico fazer o mesmo, com uma capa muito bem realizada.

atlantico-31.jpg

Como era de se esperar, dos dois lados do Oceano, Veja e Atlântico estão sendo bombardeadas pelos suspeitos do costume. Nada que seja de se espantar. Tanto uma quanto a outra tem a “desagradável” mania de não seguir a carneirada, e falar as verdades chatas que os outros não falam. Enquanto elas continuarem a levar vaias de onde estão levando, está tudo bem. Só prova que fazem um bom trabalho.

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4 Responses to Desmontando um (cli)Che

  1. You-Know-Who disse:

    Ah, muito divertido e engraçadinho, o post. Mas dizer que a Veja é visionária é sacanagem.

    (Sei, sei bem que o exagero é necessário para enfatizar, mas…)

  2. L.S.D. disse:

    Fiquei curioso. Essa revista Atlântico tem uma tiragem (proporcionalmente) parecida com a da Veja? Tipo assim, a Veja aqui vende quatro vezes mais que a soma das suas concorrentes.
    Algo que me incomoda um pouco sobre a Veja, sobre Diogo Mainardi & cia. é que as criticas que fazem são sempre incompletas. No episódio do Renan Calheros queriam crucificar a revista porque era uma tentativa de golpe! Só que ninguém, nem mesmo o próprio Renan, conseguiu desmentir a revista. Pior: apareceu até nota fiscal fria no meio das “provas de inocência”do senador.
    Creio que eu sou o único, por ironia, capaz de apontar um GRANDE CRIME, O CRIME DO SÉCULO, cometido pela editora Abril. E farei isso, claro, porque o que me faz detestar o PT não é o fato dele ser de esquerda, mas sim o fato dele ser um partido de corruptos. da mesma forma, se a Abril age no mesmo nível rasteiro do PT, logo merece denúncia e tratamento igual.

  3. […] bastante. Ditaduras só se conformam com 100%. E a Veja é a eterna pedrinha no sapato deles. Falar a verdade sobre o mito Guevara é um crime que merece os mais severos ataques. Assim como é um “crime” a Veja ser a […]

  4. Artur. disse:

    Não posso falar nada desta revista de portugal, mas você acredita na Veja e depois chamam os simpatizantes Guevaristas de alienados burgueses e blá blá blá?

    Sou simpatizante Guevarista, não sou alienado, não sou burguês, não sou filhinho de papai, não sou revolucinário estudantil e não visto a moda das camisas cli-Chês…

    Talvez seja preciso um pouco mais de pesquisa e bom senso de nossas partes…

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