Um ano negro para a F-1


“Parece que todo mundo quer ver o Hamilton campeão, né?”
(Felipe Massa, comentando as atitudes da FIA em proteger o inglês, após o GP do Japão)

 

“Ele é bom, claro, mas o pegaram no colo e deram tudo e mais alguma coisa para chegar nisso que estamos vendo”
(Nelsinho Piquet, colega de Hamilton na GP2)

 

“Sei do seu potencial, mas a verdade é que ele começou na melhor equipe, e com toda a proteção dos donos. Se eu tivesse os mesmos recursos…”
(Adrian Sutil, companheiro de Hamilton na F-3)

“Prefiro não responder”.
(Fernando Alonso, depois do GP do Japão, quando perguntado sobre o boato de que a McLaren fez ajustes no seu carro para diminuir o rendimento na pista)

Não sou exatamente o fã número 1 do Massa. Mas nessa ele acertou na mosca, e verbalizou exatamente o que pensam todos os fãs de automobilismo, diante da palhaçada que está sendo o campeonato de 2007. Da mesma maneira que Nelsinho e Sutil definiram o sentimento entre os pilotos e aqueles que acompanham o mundo da velocidade. Lewis Hamilton é um bom piloto, sim, mas longe, muito longe, de ser sequer metade do que pensa que é. Existem outros pilotos na sua geração tão bons e até melhores que ele, mas que não tiveram as mesmas “ajudas” que o inglês teve.

Desde o início da temporada, criou-se um mito em torno de Hamilton, o inglês, o menino prodígio, o negro, e ergueu-se em torno dele um muro de superproteção, destinado a leva-lo ao título.

O bicampeão Fernando Alonso foi, e está sendo, sabotado dentro da McLaren. Isso é algo cada vez mais claro, e muitos dos que criticaram o espanhol por “chorar” no meio da temporada agora dão o braço a torcer. Desde cedo ficou claro que Hamilton era o queridinho da equipe. Ele tinha direito a copiar os acertos de Alonso, e só conseguiu ser tão veloz graças a isso – tanto que, depois que Alonso passou a esconder os acertos, Hamilton andou sempre atrás, com exceção das duas provas em que a FIA lhe deu a vitória de bandeja.

Hamilton estava sempre em festas com a equipe, até chegar ao cúmulo de namorar com a filha do dono da McLaren. Enquanto isso, Alonso era sempre deixado em segundo plano, tendo que lutar contra os adversários e contra a própria equipe, e ainda aguentar as seguidas alfinetadas dadas por Hamilton à imprensa. Do outro lado, a FIA passou o ano tomando sempre decisões que visavam beneficiar o inglês. E assim se fabrica um campeão.

Para não ir muito longe, foi assim em Hockenheim, quando Hamilton foi guinchado para a pista, e deveria ter sido desclassificado por isso. Foi assim na Hungria, onde a FIA roubou a pole de Alonso, logo na pista onde a pole é 90% da vitória. Foi assim em Monza, quando Hamilton atropelou Massa, e não foi punido por isso, ao contrário de outros pilotos que fizeram manobras nem de longe tão apelativas.

 

Mas o que aconteceu domingo passado, no Japão, foi o cúmulo dos cúmulos. É uma corrida que vai entrar na história da F-1 pelos piores motivos. Fuji-2007? Ah, sim, claro, aquela corrida que a FIA deu pro Hamilton.

A lambança começou antes mesmo da prova. A FIA decidiu que, por medida de segurança, todas as equipes deviam largar com pneu de chuva. Avisou todas as equipes por e-mail. Mas, vejam só a coincidência, “esqueceu” de avisar logo a Ferrari. A Ferrari, sem saber que todas as equipes teriam que largar com pneu igual, resolveu arriscar usar um pneu intermediário. Por causa disso, teve que fazer um pit stop logo na primeira volta, ameaçada de desclassificação pela FIA, por “desrespeitar o comunicado”. Assim, Raikkonen e Massa ficaram nas últimas posições, e afastados da luta pela vitória.

Dessa forma, metade do objetivo estava alcançado: só Alonso ficava entre Hamilton e a vitória que a FIA queria dar a ele.

 

O segundo ato foi dar a largada sem a menor condição pra isso, debaixo de chuva e nevoeiro. Todo mundo sabe que, nessas condições, o único piloto a ter visibilidade é quem vai na frente. Como sequer teve largada, a vantagem era do pole position. E, vejam só a coincidência, quem era ele? Hamilton.

A largada foi feita com o safety car na pista, numa situação limite, em que só Hamilton tinha visibilidade, e os outros todos tinham que dirigir quase às cegas. E pensam que o safety car ficou na pista uma, duas, três voltas, como é o normal? Que nada. Ele ficou durante VINTE voltas. Vinte! Quase metade da prova!!! Um absurdo jamais visto na história da F-1. Todos os pilotos com alguma experiência, como Coulthard, Barrichello, Fisichella, Trulli, foram unânimes am afirmar: naquelas condições, a prova não deveria começar. Começar uma prova, para ficar METADE das voltas fazendo procissão e mantendo as posições dos treinos, só serve para ajudar quem está satisfeito com a posição do grid.

O objetivo cumprido: reduzir a prova à metade. Assim, o pole position teria que defender sua posição apenas metade do tempo, e não uma prova inteira.

 

Durante todo o tempo do safety car, Hamilton jogou sujo, freando bruscamente por diversas vezes, tentando induzir Alonso a uma batida, que só não aconteceu graças à habilidade do bi-campeão.

Quando Alonso bateu na curva 6, a FIA suspirou aliviada. A McLaren também. Era visível a expressão de alegria no rosto de alguns mecânicos. Alonso foi para o hospital, onde passou algumas horas em observação, e NINGUÉM da McLaren o foi visitar, sequer pra saber se ele estava vivo. Estavam todos muito ocupados festejando o acidente.

Agora sim, a vitória de Hamilton estava garantida, pensavam todos. Só não contavam com o atrevido Robert Kubica (esse sim, piloto de verdade, sem marketing), que apertou o “campeão”, brigando pela ponta. Hamilton começou a chorar, e a FIA correu a punir Kubica com um drive through surreal, que teve apenas o objetivo de afastar o polonês do caminho.

Mais algumas voltas, e mais pressão pra cima de Hamilton. Agora eram Webber e Vettel (guardem esse nome – não é inglês, não é negro, por isso não tem direito às mesmas proteções, mas vai dar o que falar) que apertavam o prodígio. Quando o safety car entrou na pista, Hamilton voltou a fazer as mesmas sujeiras que tinha tentado contra Alonso. Freou, freou, quase parou o carro, até que conseguiu o seu objetivo: Webber teve que frear mais forte, e Vettel, sem tempo pra reagir, tocou na sua traseira, tirando os dois da prova.

As trapaças de Lewis Hamilton deram certo novamente. E dessa forma, com a ajuda da FIA, ele conseguiu se livrar de mais duas ameaças ao seu triunfo.

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(imagem: F-1 Girls)

E foi assim que Hamilton venceu o GP do Japão. Uma página muito triste, mais uma, nesse ano negro da F-1. Se já não bastassem todos os problemas envolvendo o escândalo da McLaren e da espionagem, ainda temos que aguentar toda essa manipulação de resultados.

Alonso está sendo um herói em toda a temporada. Lutar contra todas essas forças, e chegar à penúltima prova ainda com chances é algo maravilhoso. Eu sou torcedor de Raikkonen, mas esse ano passei a torcer muito por Alonso: uma vitória dele seria um tapa inesquecível em todo esse esquema de Hamilton, e uma prova de que às vezes o crime não compensa. Ficou muito difícil agora. Mas ainda dá pra sonhar. Até à última bandeirada.

Bônus: uma excelente animação do Marca, explicando de forma didática a última armadilha de Hamilton contra Webber e Vettel. Já que eles proíbem vídeos de F-1 no Youtube, essa é uma boa saída pra quem ainda não viu a manobra do inglês. Depois de ver isso, ninguém honesto pode discordar da canalhice de Hamilton. E não esqueçam: ao vivo, a coisa ainda foi MUITO pior do que a animação, já que o desenho bonitinho não retrata o clima real, de chuva forte e nevoeiro. Pra não falar que essa manobra não foi a única, foi apenas a última de uma série.

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6 Responses to Um ano negro para a F-1

  1. Bina disse:

    Soh para começar, ainda não li o seu texto, soh os comentarios dos pilotos e pelos comentarios posso afirmar: “Ah, se eu tivesse as mesmas facilidades de Hamilton…” todos nesse tom. Inveja pura! Inveja pura!

  2. Bina disse:

    Ei, ei, eu sou fã de automobilismo e não penso assim!!!!

  3. Bina disse:

    Sabotado? O Alonso estava dando dinheiro aos mecânicos por cada prova que chegasse a frente de Hamilton e é ele que estah sendo sabotado????? Não me faça rir!!!!

  4. Wickman disse:

    Excelente análise…Ainda bem que Kimi foi campeão..salvou atemporada!!!!!

  5. Concordo plenamente com o que vc escreveu, nessa temporada todos foram muito injustos com Alonso. Foram ridiculas e muito descaradas (até um cego veria isso) as armações da FIA em relação a beneficiar Lewis.
    Olha só Bina vc se diz fã do automobilismo mais parece q vc n conhece bem as regras não é… Adrian Sutil poderia sim está com inveja, inveja dos beneficios que o menino prodigio estava recebendo.
    Alonso é bi-campeão por mérito, e em 2008 vai ser tri pq aii ele vai está numa equipe competente e sem sujeira.

  6. Luiza disse:

    Na minha opinião só cego não ve que Hamilton é um ótimo piloto e não precisa de sabotagem pra vencer corridas!
    Alonso é um bicampeão mais hoje em dia não esta com essa bola toda e nem com moral para se fazer de coitadinho,coisa que todos sabem quem ele não é!
    Quem entende de F1 sabe que a fia não tem proteção!
    Afinal são 22 pilotos,não da para proteger somente um!
    Acho que antes de escrever estes textos absurdos você deveria estudar um pouco mais sobre F1!

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