Honra e mediocridade


Se eu estivesse no lugar do Coelho eu ‘arregaçaria’ o Kerlon. É um desrespeito com os jogadores que estão do outro lado que também são profissionais.

Tem muita gente que não admitiria isso para vocês (jornalistas), mas pensam da mesma forma.

Reação de Luís Alberto, zagueiro do Fluminense.

Quem sabe, faz. Quem não sabe, parte pra violência. E o pior: muita gente concorda com a violência. Kerlon “desrespeitou” os colegas, é “natural” que a reação seja violenta. Esse garoto tem que aprender a não fazer pouco dos outros.

E a gente vai se acostumando a isso. Premiando os medíocres, os invejosos, os “excluídos”. Como Kerlon ousa ser melhor? Como ele se atreve a ter qualidade? Ele não sabe que vivemos num mundo nivelado por baixo, onde qualidades devem ser escondidas? Ele não tem consciência social?

Kerlon não sabe de nada. Kerlon apenas joga bola. Ele é culpado de ser habilidoso. Luiz Alberto, vítima da sociedade, e grosso de nascença, reage com a violência.

É um problema social. Um efeito perverso a sociedade consumista, que tem essa desagradável mania de estimular a concorrência e premiar a qualidade.

Quem mandou Kerlon humilhar os Luís Albertos do mundo? Ele tem mesmo que ser “arregaçado”. É isso que ele merece. Pra virar homem, deixar de ser moleque e se enquadrar na sociedade. Pra deixar de ser abusado, e aprender a ser medíocre.

E muita gente concorda com isso. No futebol e na vida.

Enquanto isso, lá na Inglaterra

Tudo começou há três semanas, quando a partida entre Nottingham Forest e Leicester City, válida pela segunda rodada da Carling Cup, teve que ser suspensa quando o zagueiro Clive Clarke, do Leicester, sofreu um problema cardíaco.

No momento da interrupção, o placar marcava 1 a 0 a favor do Nottingham.

Em agradecimento “à magnífica reação do Nottingham ao incidente de Clark”, o Leicester achou justo permitir à equipe adversária marcar um gol no início da nova partida, restaurando o placar de 1 a 0.

Desta forma, Paul Smith, goleiro do Nottingham Forest, avançou no campo do Leicester sem ser incomodado pela defesa adversária, e marcou um gol inédito após 23 segundos de jogo. Este foi o primeiro gol de sua carreira.

Como são bobos esses ingleses. Onde já se viu? Deixar o adversário fazer um gol, só por uma questão de honra, de justiça? Isso é futebol, caramba! O discurso é muito bonitinho, mas o que vale é ganhar.  Nem que seja como em 2002, com um penalti no meio campo, ou como na última Copa América, inventando o “penalti com barreira”.

Que idiotas esses gringos. Por isso que nunca ganham nada.

Em tempo: o Leicester, depois de dar um gol ao Nottingham, virou a partida, e venceu por 3×2.

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2 Responses to Honra e mediocridade

  1. Bina disse:

    Não foi 3 a 1? :-p
    Bom, mas isso não interessa. Concordo com o seu discurso. Acho que não se deve recriminar alguém por ter mais habilidade do que uma outra pessoa. Acho que vc estah certo em tudo que diz, mas podemos olhar de uma outra forma.
    O ser humano é falho. Coelho se sentiu realmente humilhado e perdeu a cabeça. Não é certo, sobretudo vindo de um profissional, precisa ser punido, mas é humano. Zidane deu uma cabeçada em um adversario (em contexto diferente) na final da Copa do Mundo. Errar é humano. Tentar entender o erro é ser piedoso e é saber que, afinal de contas, todos somos falhos em um momento ou outro de nossas vidas. Apoiar o erro é que é perigoso. Sendo um profissional do esporte, muito mais perigoso ainda.
    Embora não tenha errado tanto quanto Coelho (nem 5%), Kerlon provocou, sobretudo em um classico, sobretudo quando o seu time jah tinha virado o placar. Ele provocou a expulsão. Vc acha que um inglês agiria desta forma? Vc acha mesmo? Vc acha que um inglês agiria como kerlon agiu? Repito, acho o drible lindo! Acho que ele tem que fazer mais e mais vezes, mas vc (e ele) desconsiderou totalmente o contexto, os ânimos completamente exaltados.
    Quanto ao jogo, na Inglaterra, achei o gesto de deixar o Nottingham fazer o gol lindo e nobre. Mas, sinceramente, é simbolico que tenha acontecido na Inglaterra, claro, mas acho que poderia acontecer em qualquer lugar do mundo. Sabe por que? Pelo motivo que parou o jogo: o ataque cardiaco de um jogador. Todos respeitam a doença, a morte, sobretudo, algo chocante deste jeito, em campo. Se o jogo fosse paralizado por uma chuva forte, acho que soh os ingleses mesmo dariam o gol ao adversario em outra partida :-p mas quero acreditar que, do jeito que foi, qualquer time do mundo faria a mesma coisa. Inclusive, qualquer time brasileiro.
    Bom, soh analisando as coisas por outro lado :-p

  2. L.S.D. disse:

    Carimbo tudo que você escreveu. Kerlon entrou já no final da partida, mas se tivesse entrado antes, creio que tentaria o drible mesmo com o seu time perdendo. É uma arma fantástica: dá espetáculo, levanta a sua torcida, busca o gol, invadindo a grande área e, como se viu, só é parado na base da truculência. Resultado: mesmo não fazendo o gol, pode acabar provocando a expulsão de um adversário.
    Nota triste: se Kerlon começar a dar espetáculo em todo o jogo, você já não o verá aqui no Brasil no ano que vêm. O garoto genial, por ser genial, vai jogar lá com os ingleses ou em algum outro país junto com aqueles que sabem como parar o seu drible da foca jogando “na bola”. Já o Coelho, esse infeliz, ficará por aqui por muiiiito tempo.

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