Rio de Janeiro, na vanguarda, inaugura trem-bala com oito anos de antecedência


Dois ministros e um secretário estadual passaram susto na manhã desta segunda-feira dentro de um trem que fazia trajeto de inauguração das obras de revitalização do acesso ferroviário ao Porto do Rio, no Caju, Zona Norte. Quando a composição passava pela Favela do Jacarezinho, traficantes fizeram disparos com pistolas e levaram pânico aos passageiros. No trem estavam jornalistas e outros convidados, além dos ministros Pedro Brito, dos Portos, e Márcio Fortes, das Cidades. O secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, também participava da viagem. O governador Sérgio Cabral participou da inauguração, mas não fez a viagem de trem. O deslocamento dele foi de helicóptero.

(O Globo Online)

 

Deixa ver se eu entendi. Um grupo de autoridades faz uma viagem de trem, como divulgação de uma obra que irá “desenvolver” a economia do Rio de Janeiro. Quando o supracitado trem passa por uma favela, um grupo de bandidos resolve mostrar quem é que mandar, e faz das autoridades patinhos de tiro ao alvo. É isso?

Bem, se isso não é terrorismo, como vamos chamar?

 

Paciência. Lendo o resto da matéria, vemos que as coisas pioram.

 

1) “O secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, disse que recomendou às autoridades que evitassem o trajeto, considerado em área de risco.”

 

É a confissão declarada da impotência das autoridades. O secretário de segurança do RJ admite quje há áreas na cidade onde as autoridades não podem passar, por serem “de risco”. E como ficam os cidadãos, que passam por lá dia após dia? E, mais uma vez: zonas controladas por grupos armados, que mantém um poder próprio, à parte do Estado, são tratados como?

 

2) “Na viagem de ida, do Caju até Maria da Graça, as autoridades e convidados ouviram o tiros e ficaram assustados. Na volta, no mesmo trecho do Jacarezinho, mais tiros, com mais intensidade. Os passageiros se jogaram no chão, com medo de ser atingidos.” 

 

Dois ministros e mais algumas autoridades se jogam no chão de um trem, para se proteger dos tiros disparados por um grupo de foras-da-lei. Em qualquer lugar do mundo, isso seria um escândalo. No Brasil, é cotidiano. Billy The Kidd e Wyatt Earp, morram de inveja.

 

3) “Sou carioca, ando em todas as favelas do Rio de Janeiro com a maior tranqüilidade. Nunca tinha passado por situação dessas, mas não tive medo. Estava tranqüilo na minha cadeira, somente na volta me sentei no chão”, disse o ministro Márcio Fortes.

 

Pois é. Isso é normal, afinal, eu sou carioca, e nós riocas estamos totalmente acostumados a servir de tiro ao alvo quando andamos pela cidade. Todo dia isso acontece, não é mesmo? Carioca que é carioca nem sente medo dessas coisinhas cotidianas.

 

Pois eu sinto, senhor ministro. Medo e indignação. E se perdemos a capacidade de sentir coisas assim, pouco mais vai nos restar.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: