11 de setembro – uma data para não esquecer


Existem datas destinadas a entrar para história. Existem momentos nos quais você se sente fazendo parte de algo que jamais será esquecido. Existem fatos que, trinta anos depois, vão fazer você recordar exatamente o que fazia naquela hora.

Onze de setembro é uma dessas datas.

O dia onze de setembro é significante por alguns motivos. Um deles, acontecido há dez anos atrás, se tornou inesquecível para todos os que amam futebol.

Me perdoem, mas neste 11 de setembro, eu não quero falar do Chile, de La Moneda ou de Augusto, eu não quero falar de Bin Laden ou de George Bush, das Torres ou da sombra da sua ausência. Eu não quero falar das coisas grandes do mundo. Eu quero falar do rio da minha aldeia.

A data: 11 de setembro de 1997. O local: Rio de Janeiro, bairro Vasco da Gama, Estádio de São Januário. O jogo: Vasco x União São João, pelo campeonato brasileiro.

Uma noite normal, um jogo cotidiano. O Vasco, que dominava o campeonato, recebia o fraco time de Araras (interior de São Paulo), que caminhava para o rebaixamento. Apenas 1313 testemunhas no estádio. 1313 – um número cabalístico, o mesmo da placa do carro do Pato Donald. Um número de sorte ou azar.

Essas 1313 pessoas não imaginavam o que estava pra acontecer. Sim, eles sabiam que iam ver o melhor jogador do mundo em ação. E não pensem que isso é exagero vascaíno: em 1997, Edmundo Alves de Souza Neto era sim o maior jogador do mundo. O que ele fez naquele campeonato ninguém que viu jamais vai esquecer.

Com 27 segundos, Edmundo chuta e marca o primeiro gol da noite. A prometida goleada parecia se confirmar.

Ledo engano. Com o gol, o Vasco ficou sonolento, e o primeiro tempo terminou assim, apenas 1×0, com os 1313 pagantes adormecidos.

Mas no segundo tempo… ah, senhores! No segundo tempo, o Animal resolveu acordar. Pobre União São João. Pobre Adinam, goleiro do time de Araras.

Edmundo marcou o 2×0, aos 23 minutos. Aos 27, Edmundo, 3×0. Aos 29, Edmundo, 4×0. Aos 34, o momento histórico. Edmundo faz o seu quinto gol, e iguala o record de gols numa mesma partida de campeonato brasileiro, que pertencia a outro vascaíno, Roberto Dinamite. Edmundo e Roberto, os dois maiores ídolos da história recente do Vasco, se juntavam nesse feito.

Poucos minutos depois, São Januário gela. Em casa, os milhares de vascaínos que ouvem o jogo pelo rádio fazem o mesmo. O árbitro Cléver Gonçalves marca penalti a favor do Vasco. Penalti sobre Edmundo – quem mais poderia ser? Ele pega a bola.

É um momento marcante. Edmundo está prestes a marcar o seu sexto gol no jogo, e se tornar o maior artilheiro em um só jogo de campeonato brasileiro em todos os tempos. Milhares de vascaínos cruzam os dedos, impacientes. O mundo se resume a Edmundo.

Ele parte. A cobrança, ao contrário do costume, é quase perfeita. No canto, rasteira, indefensável. O goleiro Adinam se estica todo, e… defende a cobrança.

Anticlímax total.

Aos 45, Edmundo recebe no canto esquerdo da grande área, sai fazendo fila na defesa do União, e chuta cruzado. Sem defesa.

É o sexto gol. E a história deixa de estar pelo avesso. Edmundo se torna o recordista de gols em uma só partida no campeonato brasileiro. Esse record dura até hoje, dez anos passados.

O campeonato prosseguiria. O Vasco iria continuar dominando a competição, liderado por Edmundo. Três meses mais tarde, no comecinho de dezembro, outro record seria batido. Mas esta é uma outra história, que ficará para uma outra ocasião.

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