O mapa do crime no Rio de Janeiro


Jorge Antonio Barros, repórter policial, e sub-editor da editoria Rio do Jornal O Globo, é também autor de um blog especializado na área de segurança e jornalismo policial, o Repórter de Crime. Na semana passada, um e-mail de um leitor originou um movimento, que vem tomando uma proporção bem interessante.

O e-mail inicial falava sobre alguns pontos perigosos do bairro da Tijuca. A partir daí, Jorge Antonio lançou o desafio aos leitores: que cada um mandasse um e-mail, com os “pontos negros” do seu bairro. “Rua X, roubos de carro frequentes, na esquina com a rua Y.” “Uma gangue de assaltantes de prédios vêm agindo no quarteirão ABC”. Um exemplo:

Visconde de Pirajá, entre as ruas Farme de Amoedo e Teixeira de Melo. A quantidade enorme de lâmpadas quebradas transformou o trecho numa escuridão quase total durante a noite. Pivetes (e bandidos) abordam acintosamente os passantes, “pedindo” dinheiro. Costumam se basear em frente à BlockBuster e ao Supermercado Zona Sul.

A partir desses e-mails, seriam montados verdadeiros “mapas de crime”, definindo quais os pontos críticos de cada zona, e o tipo de crime associado a eles.

Até agora, já foram publicados os mapas referentes aos seguintes bairros:

Tijuca
Centro
Gávea
Ipanema
Grajaú
Botafogo
Méier
Copacabana
Flamengo
Méier (parte 2, com os bairros vizinhos)

Ao mesmo tempo em que mostram um panorama do bairro, muitos leitores aproveitam para dar o seu testemunho pessoal. Alguns retratos são impactantes, como este, por exemplo:

“Em Janeiro de 2005, eu e minha esposa, fomos seqüestrados no posto Shell, na Rua Mena Bareto, ao lado da Claro.

Era um domingo, por volta das 21h e dois assaltantes nos abordaram na hora que estávamos indo embora. Ficamos em poder dos seqüestradores durante 10 minutos e depois conseguimos deixá-los, após terem levados nossos pertences e documentos, na loja da Citröen, ao lado do posto de gasolina em frente ao Rio Sul.

Fomos dar queixa na 10ª DP de Botafogo e reconhecemos os assaltantes no registro da delegacia. Não registramos o “reconhecimento” com medo de ter nossos dados atrelados aos dos assaltantes. Um era menor de idade, já havia sido condenado por homicídio e estava solto pois era réu primário, foragido na primeira condenação.

Na sábado seguinte, um amigo meu e sua esposa foram seqüestrados no mesmo posto, no mesmo horário, provavelmente, pelos mesmos bandidos.”

Ou este:

Já sofri sequestro relâmpago em plena Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, às 18h, nas vagas em 90 graus do estacioanmento ao redor da praça. A iluminação é precária, o local é ermo e facilita e muito a ação de delinqüentes, já que a presença de policiais é praticamente nula! O pior é que várias pessoas viram o meu sequestro relâmpago e de minha esposa e nenhuma se manifestou.

Leitura amplamente recomendada para quem quer circular nessa selva.

E os não-cariocas podem parar de ter pena (ou de debochar da desgraça do Rio, dependendo do caso). Quando eu falo “nessa selva”, não é só ao RJ que me refiro. Seria interessante dar uma olhada nesta pesquisa, sobre as mudanças de hábitos da população brasileira.

De acordo com os resultados:

– 61% dos brasileiros só anda de carro com os vidros fechados

– 58% não deixa que os filhos saiam sozinhos de noite

– 41% não saem para festas e/ou bares à noite

– 35% não visitam vizinhos, parentes ou amigos à noite

– 46% mudaram ou pensaram em se mudar da cidade onde vivem por causa da violência (no RJ, eram mais de 60%)

Viver é muito perigoso, já dizia o poeta. Em alguns lugares, ainda mais do que a média.

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2 Responses to O mapa do crime no Rio de Janeiro

  1. […] Para conhecer melhor o projeto, e ver os mapas de mais dez bairros do Rio de Janeiro, basta clicar aqui. […]

  2. Alberto Saguie disse:

    Em novembro / 2008 eu e minha esposa fomos assaltados dentro de nossa garagem em Bangu – Rua da Fábrica próximo ao Shopping Bangu – levaram nosso carro. O problema que esse não foi um fato isolado. A praça primeiro de maio que sempre foi um local tranquilo tornou-se um inferno desde a inauguração do Shopping.
    Fiz diversas reclamações ao Batalhão de Bangu, à secretaria de seguraná e pedi apoio ao Shopping. Parece que a solicitação irritou ao Batalhão, pois onde havia uma patrulha de meio dia às 08:00 da noite não existe mais. Aliàs, certa vez o jornal hoje fez uma reportagem da inauguracão de uma cabine da PM na praça, no entanto, logo após a equipe de reportagem sair a cabine foi removida…é realmente somos uns idiotas.

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