A passeata na visão de quem estava lá


No post anterior, falei sobre a passeata que aconteceu em São Paulo na semana passada. Mas a manifestação paulistana não foi a única a acontecer no dia 4. Em outras nove capitais, ações foram marcadas, o que serve para mostrar que não é apenas um movimento local de São Paulo. A assistência média ficou entre 500 e 1000 pessoas por cidade. Pouco? Sim. Mas, proporcionalmente, as 500 de Belém valem tanto quanto as 12 mil de São Paulo. O povo não está acostumado a se manifestar sem a mediação dos “grupos sociais”. Então, 500 pessoas, num movimento ordeiro, tem um sentido que não deve ser desprezado. Mesmo que fossem 50 seria digno de nota, quanto mais 500.

O Lúcio, do Omnilândia, esteve na passeata de Belo Horizonte, e faz um excelente relato sobre ela.

“Se, como vi muita gente do “outro lado” falando, o nosso movimento é tão minúsculo, infinitesimal, insignificante e irrelevante, então porque o Paulo Henrique Amorim sente necessidade de rotular o movimento como “golpista”? Porque o Mino Carta nos chama de ridículos e no post de cima do mesmo dia não resiste a fazer referência aos “reacionários mais concentrados em São Paulo”? E, a cereja em cima do bolo, porque a Laura Capriglione da Folha escreveu um artigo que só posso chamar de grotesco, usando um estilo parecido com o de revistas de fofoca para montar estereótipos e transformar a “reportagem” em uma falácia ad hominem coletiva?”

Pois é, de acordo com os “expoentes da imprensa”, em São Paulo estiveram “12 mil reacionários golpistas” (ou 200, dependendo da honestidade do redator), e nas outras cidades, uma meia dúzia de “elitistas pregando o golpe”. Em BH, por exemplo, havia “reacionários golpistas” como o Lúcio, ex-eleitor do Lula, e sua mãe, uma senhora de 70 anos. Em São Paulo, perigosos agitadores como os pais de algumas das vítimas do vôo da Tam. Em outras cidades, provavelmente, elementos com o mesmo grau de periculosidade, reacionarismo e elitismo.

Seria uma idéia interessante conhecer alguns dos “conspiradores reacionários” que se atrevem a protestar contra o governo Lula, e saber como eles pensam, não? Bem, para a grande imprensa, não. Afinal, eles já sabem que é coisa da “elite branca e reacionária”, pra que dar mais destaque a isso?

Porém, o Reinaldo Azevedo fez uma entrevista com alguns dos responsáveis pela organização do movimento, os primeiros a lançar a idéia numa comunidade do Orkut. Vale muito a pena a leitura.

O discurso dos “golpistas” realmente é algo muito reacionário e anti-democrático:

Somos cidadãos patriotas, republicanos e democratas. Não acreditamos que fazer oposição a um governo insatisfatório, que arrecada muito, gasta mal, que promove o racismo ao dividir o Brasil para criar um caos em beneficio próprio, seja uma atitude golpista. Golpe é o que o governo faz, naquela máxima: “Acusemos os outros daquilo que fazemos”. Não aceitamos nem aceitaremos esse rótulo. Apenas utilizamos o legítimo direito de levantar a voz e protestar e desejamos unir ao máximo os brasileiros que querem o Brasil de volta, tomado que foi por essa quadrilha. Quem pensa igual ou nesse sentido será bem-vindo. Tolerância zero com a corrupção, com o desgoverno. Talvez sejamos uns sonhadores, mas queremos um Brasil melhor.

Realmente, são idéias muito subversivas para o Brasil atual. Dá pra perceber que são elementos muito perigosos. Talvez por isso eles prefiram reservar sua identidade.

Eles são Guilherme, Carol, Luísa, Andrei, Allan, Julie, Morana, Sérgio, Juraci, Antonio, Andréa, Flores, Beth… Eis os prenomes de 13 das 15 pessoas que fizeram parte do núcleo que organizou, no sábado, a vitoriosa passeata “Fora Lula”, em São Paulo, e que inspirou o movimento em outras capitais. Dois outros membros do grupo não quiseram fornecer nem mesmo isso. Compreendo. Um governo que entrega a Fidel Castro refugiados da ditadura não inspira lá grande confiança.

São cuidados que não deveriam preocupar tanto quem vive numa democracia, em que todos tem direito à opinião. Mas, como eles estão no Brasil, é bom mesmo pensar duas vezes antes de dar a cara abertamente.

Finalizando, fica um vídeo feito por esse pessoal. Recomendo muito que todos assistam. Mais do que assistir, divulguem. Chega a dar arrepios. E uma réstia de esperança no futuro.

 

(link do video: http://br.youtube.com/watch?v=1s8g6KHZDVE )

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One Response to A passeata na visão de quem estava lá

  1. L.S.D. disse:

    Esse vídeo foi de arrepiar até o último fio de cabelo. É a Resistência surgindo! Realmente, dá para se ter esperança no futuro do Brasil quando coisas assim acontecem. Vamos em frente, que a batalha promete ser longa! 🙂

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