Futebol (e F-1) de segunda


Campanha que está correndo na internet:

Ontem, mais uma derrota do rubro-negro, dessa vez para o Santos, por 3×0. O gol que iniciou a goleada foi do eterno vascaíno Pedrinho, que já está mais que acostumado a humilhar a urubuzada.

Aliás, certas coisas nunca mudam. Há alguns anos, jogando pelo Vasco, Pedrinho foi o grande destaque numa goleada que a equipe cruzmaltina aplicou nos rubro-negros, um chocolate de 5×1 em pleno domingo de Páscoa. Nesse jogo, depois do quinto gol, os flamenguistas perderam a cabeça, liderados por Beto, e tentaram quebrar Pedrinho de qualquer jeito. Dois anos depois, um jogo duro, vencemos de novo por 1×0, com um gol dele, de falta, depois de também ser caçado o jogo inteiro.

Ontem, a história se repetiu. Pedrinho jogou muito, fez o gol que abriu a goleada, e foi caçado em campo. No final do jogo, desesperado, Joel Santana deu a ordem: “mete a porrada!!!”. Certas coisas não mudam. Mesmo.

Vamos ver como a Fla-Press vai reagir. Quando Geninho, então treinador do Vasco, foi pego num treino (num treino!!!) por uma câmera escondida dizendo que os seus jogadores tinham que “entrar duro”, foi crucificado. Quero ver agora.

Faltam 25 jogos para o Flamengo cair para a segunda divisão. Contagem regressiva, pessoal!

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Em São Januário, o Vasco tropeçou no Figueirense, e principalmente em si mesmo. Jogou mal, esteve nervoso, e não passou do empate. Ainda pode se queixar de um penalti a seu favor, não marcado pelo árbitro, quando o jogo estava 0x0. Mas não foi esse o motivo do empate. Tem dias que nada dá certo mesmo. Dos males o menor: o Vasco mantem o terceiro lugar, com 27 pontos e um jogo a menos.

Mas o grande lance do fim de semana foi o primeiro gol do Náutico na surpreendente vitória de 5×1 sobre o América-RN, em Natal. Bola cruzada na área do América, dois zagueiros sobem pra cortar e… batem cabeça. Literalmente. Batem cabeça, e cabeceam juntos pra dentro do gol. O primeiro gol contra em dupla do futebol mundial.

Veja o lance.

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Na Hungria, uma corrida muito chata, depois de um fim de semana tão movimentado. Alonso fez uma corrida excelente, depois de ter a sua posição no grid garfada. Largou em 6o, terminou em 4o, o que é algo muito difícil de se fazer em Hungaroring. Raikkonen foi o melhor na pista, só não venceu porque é impossível passar um carro superior nesse circuito, mesmo que você esteja melhor. E Hamilton viu uma vitória cair no seu colo, pelas boas graças de Dona FIA.

É impressionante o protecionismo da imprensa, de um modo geral, em relação a Hamilton. O inglês é um bom piloto, isso é inegável, mas é tratado como se fosse um misto de Juan Manuel Fangio, Ayrton Senna e Madre Teresa de Calcutá. E falta muito pra isso, muito mesmo.

Há uma unanimidade para criticar Fernando Alonso, como se o espanhol fosse o vilão da história. Alonso errou? Sim, claro. Mas ali onde ele errou, qualquer um errava. Hamilton quebrou um acordo, Hamilton desobedeceu às ordens da equipe, e Alonso deu o troco, e de uma maneira muito bem dada. Foi fdp? Foi. Infringiu alguma regra? Não. Não há nada, nada, que a FIA possa alegar para puni-lo. Tanto que a FIA só divulgou a punição, seca, nem disse qual foi o artigo infringido, como costuma fazer. Porque não há nenhum artigo do regulamento violado por Alonso.

Então por que a FIA o puniu? Primeiro, porque a “vítima” era Hamilton. Segundo, porque a FIA sabe que está errada, não punindo a McLaren no caso da espionagem, e quis dar uma satisfação, equilibrar os pratos da balança.

E com isso tirou a pole, e provavelmente a vitória, de Alonso. Hoje, Alonso deveria ser líder do Mundial, e ficou 7 pontos atrás. Mas dá pra tirar, se a briga ficar só dentro da pista. Braço ele tem de sobra.

O comportamento de Hamilton foi deplorável. Primeiro, faz a sujeira. Depois, quando Alonso reage, se finge de anjinho, dizendo que “todos viram o que aconteceu, não viram?”. E, no final, antes de saber da punição do espanhol, ameaça: “a reta é muito grande, pode acontecer muita coisa antes da primeira curva chegar”.

E, claro (por que isso não me surpreende?), pela amostra dos comentários do Globo Online, tem brasileiro vibrando com isso. 90% dos comentários são de apoio a Hamilton, na linha do “esse mostrou como se faz, não é frouxo como o Barrichello!”. Lindo. Realmente, nessa terra, ser leal, respeitar acordos e obedecer a hierarquia é coisa de frouxo. Esperto que é esperto tem que sacanear e levar vantagem. E aí quando encontra um mais esperto, chora, “mamãe, o Nandinho me bateu, todos viram o que aconteceu, não viram?”

O Jornal Marca retrata bem a revolta espanhola, estampando como manchete uma foto de Hamilton, com o título “Deste jeito, ele poderia vencer qualquer coisa”. E segue no mesmo tom na matéria, dizendo que a vitória de Hamilton em Hungaroring foi “um triunfo imoral” e “a vitória de Judas”.

Ainda do Marca:

El asturiano está harto de la actitud de su compañero Lewis Hamilton y la gota que ha colmado el vaso ha sido su pésimo comportamiento en el Gran Premio disputado en Hungaroring. Sus protestas, y las de su padre, que alentaron a la guerrera prensa británica y culminaron en la investigación de la FIA no han sentado nada bien a Alonso.

Hamilton está no lugar certo, na hora certa. É jovem, é negro, é inglês. Tem tudo a seu favor. O primeiro negro na F-1, o primeiro inglês a disputar um título desde 1992. E vão fazer de tudo para lhe dar esse título. Do outro lado, temos o melhor piloto da F-1 pós-Senna. Vamos ver quem vai levar a melhor.

Isso, claro, se Kimi Raikkonen não aparecer por fora (mesmo tendo um carro inferior) se aproveitando desse clima de guerra que os Hamilton-boys criaram na McLaren…

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Alonso está muito aborrecido com todo o favorecimento dado a Hamilton. O clima vem azedando há algum tempo, e o asturiano é sempre vendido como vilão. Hamilton tem jogado muito bem, usando e abusando dos seus trunfos de marketing, encarnando os seus personagens treinados (o negro, o inglês, o novato), e a imprensa comprou a história, fabricando um ídolo. Os ótimos resultados que ele conseguiu nas primeiras provas fizeram o resto.

Todo herói precisa de um antagonista, e Alonso pagou esse pato. Alonso não é, ao contrário de Hamilton, um bom jogador nesse trato com a mídia. É fechado, não gosta de badalação, não cria histórias para vender. Logo, se tornou um prato cheio para ser o “anti-Hamilton”. O espanhol vem reagindo, há algumas provas, tentando marcar posição, e a situação chegou ao limite em Hungaroring. Alonso perdeu a prova, mas deve ganhar alguns pontos na luta interna. Até Ron Dennis, que dizia considerar Hamilton “um filho”, dessa vez perdeu a linha com o inglês.

Do Marca:

Pero al divorcio del asturiano con McLaren hay que unir la tremenda discusión que Ron Dennis tuvo con su ‘ahijado’ Lewis Hamilton durante la formación de la parrilla de salida y que ha trascendido en los medios ingleses. Cuando el patrón de McLaren le mandó dejar pasar a Alonso, éste no obedeció y le espetó: “No me vuelvas a hacer eso en tu puta vida”. A lo que su ‘jefe’, perdiendo su flema británica, respondió fuera de sí: “No me vuelvas a hablar así en tu puta vida”. La más que posible traición de Hamilton en su declaración durante la investigación de la FIA y la ausencia del equipo en la celebración de su triunfo hablan bien a las claras del otro frente de guerra declarado en la escudería británica.

Hamilton passou dos limites, confiando demais na sua “relação direta com o povo” e no ambiente protegido que tinha na equipe, e pode ter cometido um erro de avaliação, típico de menino mimado que acha que nada vai acontecer com ele. É nítido que os bons resultados e a superproteção generalizada subiram à cabeça de Hamilton.

Depois da prova, Fernando Alonso disse ao Jornal As que “não sabe se vai cumprir o contrato com a McLaren até o fim”. Uma ameaça vazia, um blefe pra pressionar a equipe? Sim, talvez. Mas também é possível que Alonso force essa barra agora, e obrigue Dennis a optar entre o “jovem leão” ou o “bi(tri)-campeão do mundo”. Alonso pensa levar vantagem nisso. E realmente ele tem alguns trunfos. É o melhor piloto da última década, ganhou dois títulos mundiais com um carro que não era o melhor da temporada. E, ao contrário de Hamilton, Alonso tem uma carta muito boa pra jogar. Hamilton está preso por contrato até 2011 – ou aceita as condições que a McLaren impuser, ou terá que pagar uma multa de rescisão e ir procurar casa em outro lugar. E como será que ele reagiria sem ter o melhor carro, como tem hoje? Já Alonso tem uma cláusula que lhe permite rescindir o contrato a qualquer hora, e tem as portas abertas na Renault. E, em 2005/6, o espanhol já deu provas de que não precisa do melhor carro para ser competitivo.

Hoje, aposto minhas fichas na dissolução da dupla Alonso/Hamilton para 2008. E isso vai levar a um balé muito interessante nas equipes de topo.

Se Hamilton tiver que deixar a McLaren, Alonso terá dado uma demonstração de força, e será rei e senhor da equipe. Já tem gente falando que o alemão Sebastian Vettel poderia ser o segundo piloto, mas acho ele promissor demais para esse cenário. Se Alonso tiver essa força, poderá praticamente escolher um segundo piloto que não lhe faça sombra. Quanto a Hamilton, terá que aceitar ser piloto de testes da McLaren e esperar as coisas mudarem, ou rescindir o contrato e recomeçar numa equipe média, sem saber se algum dia voltará a andar na ponta.

Se Dennis decidir, apesar de tudo, apoiar Hamilton, Alonso pode voltar à Renault. Briatore já deu pistas de que adoraria a idéia (ainda mais se Alonso levar o número 1 com ele), e Alonso talvez visse com bons olhos a idéia de voltar à equipe que o fez, e onde sempre foi tratado como estrela. Nesse caso, o grande derrotado seria Nelsinho Piquet, que ia perder a vaga quase certa que tem para 2008. A Renault ficaria com Alonso/Kovalainen, deixando Piquet como piloto reserva, e fazendo Fisichella ter que procurar emprego.

Mas querem saber? Eu aposto num terceiro cenário. A BMW é a equipe emergente mais promissora da F-1, e está pronta para o salto definitivo. Tem dois ótimos pilotos, e ambos tem condições de disputar vitórias. Mas falta uma coisinha para a BMW: um piloto acertador de carro. E Alonso, além de toda a habilidade, também tem essa qualidade. Não seria surpresa se ela aparecesse com um caminhão de dinheiro para Alonso, e todos ficariam felizes. A BMW seria uma equipe realmente de ponta, com Alonso e Kubica. A Renault perderia a chance de ter Alonso, mas teria uma dupla jovem e com muito potencial com Kovalainen/Piquet. E a McLaren? Ficaria com o inglês Hamilton, e toda a badalação que isso traz, e traria o alemão Nick Heidfeld, bancado pela Mercedes.

Mas, para complicar ainda mais a equação, agora aparece no jornal italiano Tuttosport a notícia de que a Ferrari poderia estar disposta a contratar Hamilton para o lugar de Massa, que vem decepcionando nas últimas corridas. Verdade? Delírio? Invenção para vender jornal? Notícia plantada pela Ferrari para desestabilizar ainda mais o clima na rival? O tempo dirá.

Serão três semanas muito interessantes, até o GP da Turquia. E muitos, muitos boatos, pelo menos até outubro, quando as equipes devem se definir pra 2008.

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Em tempo: como é lindo o troféu dado ao vencedor de Hungaroring! Mais um motivo pra Alonso lamentar tudo que aconteceu nesse fim de semana. Mas não tem problema, ano que vem ele leva o dele. 🙂

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3 Responses to Futebol (e F-1) de segunda

  1. L.S.D. disse:

    Olha, sobre F-1, trazendo algumas notícias de um lugar chamado realidade, devo informar que:
    1. Michael Schumacher é o melhor piloto de todos os tempos da F-1.
    2. Hamilton é o mais promissor piloto que despontou na categoria nos últimos anos, lembrando muito o estilo do lendário Alain Prost, ou seja, ele quase não erra.
    3. Alonso é um reclamão. O que lhe falta de braço, sobra de papo!
    4. E o Massa, hein? Mais um Barrichelo desponta no horizonte… :-/
    No mais, parabéns pelo blog, já está na minha lista de favoritos.

  2. Sra. Hamilton disse:

    Finalmente uma voz razoavel se levanta! Concordo com tudo que vc disse LSD! Soh um porém: Hamilton não merece ser comparado com o comedido e pouco audacioso Alain Prost. E é isso mesmo!!! Alonso é muito papo e pouco braço. “Não encostem no meu carro” “Ei, sou campeão do mundo, não me feche, estenda um tapete vermelho para eu passar” “Quem é esse Hamilton, eu sou campeão do mundo”. Soberba e arrogância são as marcas de Alonso! 🙂

  3. Está errada “Sra. Hamilton”!
    Lewis é um mimado, paparicado que não ousa alem do que mandam ele fazer!
    Ele está recebendo tudo do bom e do melhor da FIA e mesmo assim não consegue nem chegar aos pés do Alonso que tem o proprio estilo.
    Essa ai de punir Alonso tirando-lhe a pole que ele conseguiu foi ridicula, sem base nenhuma!!!
    Não axo que o Felipe Massa seja mais um Rubinho não, ele só está tentando se acertar aind…

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