Mais um ano de racismo nas universidades do Rio

2 Junho 2009

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro voltou atrás e suspendeu a liminar que havia concedido semana passada, acabando com o “sistema de cotas” aplicado pelas universidades do estado. A decisão do TJ, provocada por uma ação direta de inconstitucionalidade proposta pelo deputado Flávio Bolsonaro (PP), havia dado um alento aos que defendem a democracia e criticam o racismo implícito nesses sistemas ditos de “discriminação positiva”. Porém, as universidades fluminenses usaram a tese do “fato consumado”, e o TJ-RJ suspendeu a liminar, cedendo às ameaças de cancelamento do vestibular 2009.2. Agora, a hora é de prosseguir a luta e não deixar que o lobby cotista faça com que a decisão do tribunal seja engavetada.

É triste saber que no Brasil, no século XXI, ainda exista quem apóie esse tipo de lei racista, ainda haja quem pense ser correto a cor da pele de uma pessoa ser um critério válido para decidir alguma coisa. É revoltante ver na televisão “líderes do movimento negro” defendendo abertamente o direito ao “privilégio que a nossa raça conquistou”. É difícil compreender que pessoas esclarecidas achem normal (pior, “positivo”) carimbar na ficha de uma pessoa a sua raça, colocar junto ao seu nome uma estrela amarela, e a partir daí decidir se ela é digna de uma “discriminação positiva” ou não. É um desrespeito a todos aqueles, brancos, negros, indios, asiáticos, que lutaram pelo sonho da igualdade racial, que tanto fizeram para diminuir a discriminação, e que vêem agora essa mesma discriminação ser coroada como lei. Pior que isso, ser uma lei defendida até por  uma parte dos que tanto já s0freram antes com outros tipos de racismo.

Alguns negros (graças a Deus, pela minha experiência pessoal, são a minoria) defendem as cotas com uma justificativa “lei de Gérson”. Algo tipo “a gente já sofreu tanto, agora é hora de levar vantagem em alguma coisa”. Descontando a imoralidade do pensamento, descontando o fato de que dois erros não fazem um acerto, ainda sobra um detalhe importantíssimo. Eles não notam que as cotas, aparentemente um benefício para os negros, são na verdade mais um ato de racismo contra eles. O discurso implícito é “coitadinhos, eles são inferiores, não podem competir em igualdade de condições, nós temos que ajudar os pobrezinhos”. E quem se beneficia desse sistema aceita, pra levar vantagem, ficar nessa posição de coitadinho, de inferior. Eu não aceito que o negro seja inferior ao branco, ou vice versa, e por isso não posso aceitar como justo um sistema que pregue o contrário.

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Sobre vacas (e) abóboras

20 Outubro 2008

“Por que a vaca tem que ser branca, preta, ou até malhada, se ela pode ser… LARANJA?”

Essa é a proposta do OrangeCow, site (ou muuuuuvimento) que vende camisetas estampadas com a tal vaca laranja, e outras variações do mesmo tema. No site, vocês podem conferir a “cowleção” de camisetas. Tem até um blog, com curiosidades sobre essas nossas amiguinhas.

“‘OrangeCow’ é mais do que uma maneira de se vestir. É um estilo de vida, onde a alegria, a espontaneidade e a irreverência ganham um nome único: VACA”

Vacas são animais fofinhos. E laranja é uma cor, além de surreal, simpática. Uma bela combinação. Só tenho duas críticas a fazer aos rapazes do site. Uma, é eles montarem aquilo tudo em flash, pesado, e dificulta para copiar uma foto (eu sei, isso é proposital, mas…). A segunda é o preço cobrado. Sou mão de… err… vaca demais para dar aquilo tudo numa camiseta. Vou esperar que mandem a minha de graça em troca da divulgação do produto. :)

*   *   *   *   *

Mudando de vaca… quero dizer, de assunto… o Nick Ellis conta, no Blog de Brinquedo, sobre o lançamento de um conjunto com os personagens do Snoopy, baseado no clássico dos clássicos mais clássicos “Charlie Brown e a Grande Abóbora”.

São quatro personagens Peanuts com 12,7 cm (5”) de altura e múltiplos pontos de articulação. Cada figura vem com acessórios detalhados e iguais aos do desenho animado.

O Charlie Brown vem com o lençol de fantasma com vários furos e com um saco de pedras, a Lucy vem com chapéu e máscara de bruxa, o Linus vem com seu inseparável cobertor e uma lanterna abóbora (acende de verdade) e o Snoopy vem como piloto da Segunda Guerra acompanhado do Woodstock.

Linus e o cobertor. Charlie Brown e não apenas uma pedra, mas um saco inteiro delas. O Snoopy com aquele adorável look aviador. Perfeito, perfeito.

A Lucy com chapéu e máscara de bruxa… Não, claro que essa segunda nota não tem nada a ver com a primeira. Ninguém pensaria em fazer alguma ligação mental entre Lucy van Pelt e uma vaca. Afinal, vacas, como dito acima, são animais fofinhos. :)

Se bem que… laranja… abóbora… vacas sagradas… adoradores da abóbora… é, tem alguma ligação aí.

Caro leitor: vai no Blog de Brinquedo, e dá uma olhada nos personagens com mais detalhes. E é quase o mesmo preço da camiseta da CowOrange… ou era, antes da disparada do dólar.

Agora, se você nunca viu esse episódio do Snoopy, se você não sabe o que significa essa pedra, você não é uma pessoa digna de viver. Corte os pulsos. Ou, caso não queira ser obrigado a algo tão drástico, clique abaixo, e tenha um aperitivo:


12 de junho

12 Junho 2008

Eu não gosto da data. Aliás, é mentira dizer que “não gosto”. Simplesmente não me diz nada. Quando solteiro, não me sinto nem um pouco incomodado com ela. Quando acompanhado, não me sinto nem um pouco empolgado com ela. Não preciso de uma data comercial (que, aliás, só no Brasil é nesse dia) para me lembrar de que é dia de fazer algo pra se mostrar que gosta de alguém.

Mas essa tirinha aqui merece fazer render um post de homenagem à data. Muito boa, para quem tem ao menos um nível dois no famoso teste geek (não pergunte, não pergunte). Parabéns ao autor. Sensacional. Estou aqui morrendo de inveja da idéia e  do resultado.

Além de tudo, é uma tira que me faz lembrar de um certo 12 de junho há alguns anos atrás, dos tempos em que eu fazia coisas como essa. :)

Feliz dia dos namorados, para quem gosta dessa data. Eu ainda prefiro aquelas em que nada se comemora.

PS1: “E a Mônica explicava pro Eduardo coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar.”. Esse trecho sempre foi o que mais me irritou na música inteira. Nesta versão, o verso se torna o meu favorito. Essa Mônica é pra casar! Além de tudo, ela é uma menina que sabe que a resposta da vida, do universo e tudo o mais é 42! :D

PS2: Um dia eu ainda escrevo sobre o porque de eu, um fã tão convicto de Legião, ter uma relação de amor e ódio com essa letra…

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Notícias que (não) vão mudar a sua vida

25 Maio 2008

Estava na capa de um jornal carioca, essa semana:

“Mulher-Jaca bota silicone e fica livre dos sutiãs com enchimento”

Eu juro que queria fazer uma análise sobre essa notícia, e o quanto ela é representativa dos nossos tempos. Assim como o significado desse fato ser manchete de capa de um jornal, mesmo sendo do jornal que era. Mas, admito, está além da minha capacidade.

Um outro jornal, que tem reputação de ser um pouco mais sério, publicou uma entrevista com a “prima” da Jaca, a Mulher-Melancia. E a vegetabilíssima senhorita não deixou por menos e lascou:

“Amiga, é melhor tu ser solteira do que ser chifruda. Porque homem a gente escolhe, quando enjoa, a gente muda. Se ele tenta te amarrar, é só dar um pé na bunda. Eu vou pegar quem eu quiser, mas também não sou bagunça. O meu lema é esse aqui: solteira, sim, sozinha nunca.”

Vamos aproveitar os conselhos da Mulher-Melancia, essa guru da sociedade brasileira moderna. E vamos todos dar (ou levar) créu, tá ligado?

*   *   *   *   *   *   *   *   *   *

No mês passado, três das revistas brasileiras mais vendidas do segmento feminino apresentavam as seguintes manchetes de capa:

“Transar no primeiro encontro – às vezes é melhor não. Aprenda a reconhecer os homens com quem você deve se segurar.”

“Depoimento: O dia em que comprei meu primeiro vibrador”

“8 posições para o orgasmo – testamos e contamos como chegar lá”

“Teste: você é boa de cama?”

“Traição faz bem ao casamento? Leitoras dizem que sim.”

Bem, essas publicações são voltadas para mulheres maduras, claro. E mulheres maduras e modernas se sentem muito bem discutindo esses temas. Que tal, então, olharmos as revistas que lideram as vendas do segmento adolescente? Nestas revistas, cujo público alvo são meninas de 11 a 17 anos, há sempre uma seção de tira-dúvidas. E quais são as dúvidas que assaltam a mente dessas garotas?

“Meu namorado quer fazer sexo anal, mas eu tenho medo de sentir dor. Será que eu tento?”

“Estou sem transar há dois meses. Há algo errado comigo?”

“Tenho 16 anos e ainda sou virgem. Minhas amigas me zoam por ser a única da turma que ainda não transou. O que devo fazer?”

Também há as enquetes, com temas adequados a meninas de 11 a 17 anos:

“Você já transou na sua casa?”

“Você já transou com mais de um garoto ao mesmo tempo?”

“Você sabe reconhecer um orgasmo?”

“Você já transou com caras de mais de 30?”

“Transa sem compromisso com amigos: como fica o clima depois?”

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O créu é o mesmo. Só muda o verniz.


Notícias do dia

1 Abril 2008

Esta terça feira foi um dia bem agitado em todo o mundo. Principalmente na área de tecnologia. Uma bomba atrás da outra, numa velocidade capaz de deixar qualquer leitor tonto.

Carlos Cardoso dá (ops) em primeira mão no Meio Bit a notícia que vai abalar a comunidade GNU/HURD/Linux/Whatever: Richard Stallman, o guru da Free Software Foundation, resolveu mudar de sexo, numa atitude desesperada para promover o software livre:

Disposto a fazer o último sacrifício, Stallman, que estava desaparecido nos últimos meses, internou-se em uma clínica no Marrocos, onde submeteu-se a uma extensa série de cirurgias, a fim de tornar-se uma figura atraente para o seu público-alvo, esperando que agora, como uma mulher bonita, suas idéias sejam ouvidas.

O Dr Julian Bashir, cirurgião-chefe do projeto explica:

“Tivemos dificuldades pois toda a nossa tecnologia é proprietária. Ficamos parados algumas semanas enquanto o software de nossa máquina de ressonância magnética era reescrito em Software Livre, a pedido de Miss Stallman”.

O mesmo Cardoso, monopolizando o Meio Bit, deu mais dois furos (epa) hoje: o novo buscador chinês, 10 vezes mais eficiente que o Google

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Xangai começou a se perguntar se seria possível unir a quantidade de resultados de um search engine tradicional com a qualidade de uma lista manual. Eles chegaram a um conceito onde milhares de humanos otimizam os robôs de busca. Em seu modelo revolucionário, uma consulta de um internauta aparece na tela de milhares de operadores. Estes tentam se lembrar se conhecem algum site que se encaixa naquela consulta. Cada um digita (ou não) a URL do site, o sistema gerenciador soma os votos, e a URL vencedora é repassada para o usuário.

… e a aprovação de um Projeto de Lei do Senado, que impõe censura para blogs e horário correto de funcionamento de cada um deles:

 

De autoria do Senador Fernando Gabeira, o Projeto pretende conter a expansão dos blogs frente à Velha Mídia. Aparentemente a iniciativa foi tomada depois de uma avalanche de reclamações de mães e pais, preocupados com seus filhos acessando incessantemente conteúdo adulto na Internet, mas percebemos claramente o dedo do Estadão.

 

A saída proposta pelo Senador Gabeira é criar “horários de exibição”, fora dos quais os sites não estariam disponíveis. “Não é censura”- diz ele. “é apenas a aplicação das normas que já são seguidas pelas emissoras de TV”.

O Google, mais uma vez, resolveu inovar, e lançou hoje o Projeto Virgle, uma parceria do Google e da Virgin:

For thousands of years, the human race has spread out across the Earth, scaling mountains and plying the oceans, planting crops and building highways, raising skyscrapers and atmospheric CO2 levels, and observing, with tremendous and unflagging enthusiasm, the Biblical injunction to be fruitful and multiply across our world’s every last nook, cranny and subdivision.

 

An invitation.
Earth has issues, and it’s time humanity got started on a Plan B. So, starting in 2014, Virgin founder Richard Branson and Google co-founders Larry Page and Sergey Brin will be leading hundreds of users on one of the grandest adventures in human history: Project Virgle, the first permanent human colony on Mars.

Certamente será um pequeno passo para os homens, um grande passo para a humanidade.

No mundo esportivo, o destaque foi o anúncio da venda da equipe Toro Rosso. O novo dono da STR é o piloto escocês David Coulthard:

In a surprise announcement made at midnight on this date, veteran driver David Coulthard has informed the media that he intends to take over Red Bull’s half-share in the Toro Rosso team.

(…)

“I love racing but I’m not getting any younger you know, as you’ve repeated often enough,” he added, staring down a few gathered journalists as he spoke.

The team will be renamed Coulthard Power Racing – CPR.

“Initially I wanted it to be named the CSR team, but the word ‘Super’ was already taken,” admitted Coulthard, whose Superman cape worn on the 2006 Monaco podium is still draped over the shoulders of a wooden sculpture, representing a large life-size naked woman, standing next to the entrance of his appartment.

It also appears that the team’s current engine supply contract with Ferrari will be terminated in favour of Mercedes. The new deal should begin with the 2010 season.

“I no longer work with McLaren-Mercedes of course, but I was there long enough to still have rights to the employee discount,” Coulthard stated. “We’ll save millions!”

(…)

Standing at his side up until that moment, Gerhard Berger smiled, shrugged, took another bite out of his tuna sandwich and walked away.

Que dia cheio, não?

*   *   *   *   *   *   *   *   *   *

Aí a gente deixa essas manchetes de lado, e vai dar uma olhada nos jornais brasileiros. Vê o lamaçal que cobre o país, vê as desculpas esfarrapadas do governo para justificar o injustificável, vê as cambalhotas para trás para livrar a cara de mais um “companheiro aloprado”, vê certos “jornalistas a serviços” de plantão para defender o estado policial petista.

A gente vê tudo isso, e vê Luís LI dizendo que a culpa é da “zelite”, que “num deixa o homi trabaiá”. E vê os petistas todos repetindo o mantra “eu não sabia de nada”. E vê Dona Dilma jurando que não houve dossiê, apenas um “levantamento de dados”.

Aí a gente relaxa, vendo que é primeiro de abril, e achando que isso explica tudo.

Depois lembra que ontem era 31 de março, e eles falavam as mesmas coisas. E amanhã vai ser dia 2 de abril, e eles vão continuar falando as mesmas coisas.

E aí a gente conclui que seria uma boa se o pessoal de Brasília aceitasse mudar a tradição: a partir de agora, o dia 1 de abril passa a ser o “dia da verdade”. Nesse dia, excepcionalmente, todos os brasileiros seriam obrigados a dizer somente a verdade, nada mais que a verdade. Aí sim, esse dia teria algo diferente dos outros 364…


Enquanto isso, na Animal Farm…

25 Março 2008

Lauro Jardim, na Veja:

Não foi exatamente tranqüilo o início do vôo 455 da Air France que na terça-feira passada decolou de São Paulo para Paris. A responsável pela trepidação foi Marta Suplicy, que ia para a China, com escala em Paris. Ao embarcar, o casal Marta e Luis Favre relaxou e decidiu não passar pela revista de bagagem de mão feita por raios X. Os Favre furaram a fila da Polícia Federal. Vários passageiros se revoltaram. Marta respondeu que, no Brasil, para as autoridades não valem as exigências que recaem sobre os brasileiros comuns.

Os passageiros não relaxaram com a explicação. Continuaram a reclamar, mesmo com todos já embarcados. Deu-se, então, o inusitado: o comandante do Boeing 777 saiu do avião, chamou a segurança e disse que não decolaria até que todos os passageiros passassem suas bagagens de mão pelo raio X. Marta Suplicy deixou seu assento na primeira classe (Favre estava na executiva) e dignou-se fazer o que o comandante pediu. Nesse instante, os passageiros “relaxaram e gozaram”.

Já dizia Orwell: todos os porcos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros.

Não sei o que é mais revoltante nesse episódio. Se é o caráter de Dona Marta, se é o fato disso ser um retrato da verdadeira “zelite” que manda no país, se é o fato da situação toda não gerar a indignação que devia.

Dona Marta é da realeza, ela é “otoridade” da corte de Luís LI. E, por ser a Baronesa do Arouche, acha que pode furar fila e soltar essa pérola: “no Brasil, para as autoridades não valem as mesmas exigências que para brasileiros comuns”. Só faltou virar para o consorte franco-paraguaio e dizer “vamos, querido, não se misture com essa gentalha”.

Resta saber o que Dona Marta carregava de tão importante na bolsinha, que a fez ter tão pouca vontade de deixar que os policiais vissem… Aliás, o que ia Dona Marta fazer na China?

Essa missão de Dona Marta na China custou aos cofres brasileiros, entre passagens (de primeira classe!) e diárias, a bagatela de 20 mil dólares. 20 mil dólares. 35 mil reais. Para UMA pessoa viajar à China. Com conexão em Paris, bien sur.

Infelizmente, Dona Marta não entrou para a lista das brasileiras barradas na Europa – embora merecesse isso mais do que algumas outras. É bom lembrar que ela é a Ministra do Turismo. Uma atitude dessas é um belo cartão de visitas para o país no Exterior. Não que a corte de Luís LI se importe com isso, claro.

Resta aos paulistas receberem muito bem a Baronesa do Arouche em outubro. Respondam nas urnas.


Elegância indiscreta

7 Março 2008

Tati Bernardi, em texto no portal ViajeAqui:

Mas estou chateadíssima com os cariocas. Já no meu primeiro dia por aqui, vi uma turminha de bombados fazendo xixi no pneu de um carro propositalmente, pois a placa era de São Paulo.

Aliás, por falar em xixi, não sei se é porque o carnaval acabou não tem muito tempo, mas a cidade está impregnada pelo cheiro desagradável de quem aliviou os rins bem em meio as ruas e a luz do dia. To evitando voltar do almoço a pé para não vomitar.

No meu segundo dia, uma perua de pele toda manchada (carioca não cuida da pele do rosto não?) me deu um encontrão na rua, derrubou minha bolsa e saiu me xingando de branquela! “Só pode ser de São Paulo essa garota!” Sim, se ter a pele bonita e cuidada é ser de São Paulo, sou com muito orgulho.

E nos últimos dias já ouvi de tudo. Que em Sampa os preços de imóveis deveriam ser infinitamente menores porque nada aqui é bem localizado! Que paulista só pensa em dinheiro e fala de um jeito chato. Que somos estressados. Que o trânsito da cidade cinza é insuportável…

Os cariocas deveriam respeitar mais a cidade linda em que vivem e não estragar com suas próprias existências um lugar tão bacana.

São Paulo está cheio de cariocas querendo ganhar grana (alguns deles, inclusive, querendo atingir esse feito sem trabalhar muito!), estressando a gente e piorando nosso trânsito. E o trânsito do Rio consegue ser muito pior do que o nosso, mais violento e com uma malandragem que dá certo nojo.

(…)

O Rio pra mim mora nos meus cds, livros e dvds de Bossa Nova. No Vinícius. Em fotos P&B. Esse que vejo hoje e que exala tanto preconceito (tanto que até me contaminou nesse texto), me dá certo medo e um pouco de birra.

Muita gente se ofende com um retrato assim, tão verdadeiro e direto. Eu diria até “de uma elegância indiscreta”. Faz parte. Mas eu não acho isso nem um pouco exagerado, muito pelo contrário. Essa malandragem, essa cultura da “esperteza”, essa mania de se achar melhor que todo mundo, tudo isso são traços muito desagradáveis do povo carioca, sim.

E como eu já comentei aqui em outra ocasião, o que mais me irrita nisso tudo não são nem os defeitos do povo. É a tendência a se orgulhar deles.

O problema maior do carioca não é ser mal educado. É se orgulhar de ser “autêntico”. Não é ser preconceituoso. É ser “divertido”. Não é ser incapaz de cumprir algo combinado. É ser “descolado”. Não é emporcalhar as ruas. É “não ter frescura”. Não é se vestir mal, ou praticamente nem se vestir. É ser “despojado”. Não é ser vulgar. É ser “sensual”. Não é ser malandro. É achar que os outros são otários. Repetindo a frase que usei no outro texto: o carioca é um povo que transforma os defeitos em estilo, e debocha daqueles que não tem esses defeitos.

No Rio, se você é educado, é esquisito. Se é muito educado, é gay. Se chega na hora, é um chato. Se cobra respeito às leis, é cri-cri. Se dá “bom dia” numa loja, te olham como um ET. Se reclama de não ouvir “bom dia” numa loja, te olham como um ET mala. Se se veste como gente, é um ET do planeta mais esquisito da galáxia. Se você trabalha, e gosta disso, “parece paulista”. Se você se chateia porque as coisas não funcionam, é estressado. Se você prefere outros programas a praia, você só pode ter sérios problemas psicológicos ou sexuais. Se você acha que existe no mundo mulher mais bonita que a carioca, homem mais charmoso que o carioca, futebol melhor que o carioca, comida melhor que a carioca, carnaval melhor que o carioca… Ah, meu caro, então é caso de internação imediata.

A história que Tati conta sobre o esbarrão de Ipanema é lapidar. A sujeita é mal educada, não olha por onde anda, derruba a bolsa da outra e não pede desculpas, e ainda se sente no direito de reclamar dela. E como faz isso? Pegando uma qualidade de Tati, e usando como um defeito. “Essa garota branquela só pode ser de São Paulo”. Porque, pra ela, “ser branquela” é xingamento. E ser de São Paulo também. Legal mesmo é andar pela cidade parecendo que esqueceu metade da roupa em casa, com a pele toda torrada e acabada, e se achando “a gostosa”. Narciso acha feio aquilo que não é espelho.

E olha que eu nem sou tão fã assim de São Paulo não. Pelo contrário, tem gente que é bem mais apaixonada que eu pela terra da garoa. Eu admiro São Paulo pelas coisas que funcionam. Eu admiro São Paulo pela sua vida cultural, mil e quinhentas vezes mais interessante que a do Rio. Eu admiro São Paulo pela elegância do seu povo – principalmente da metade feminina dele. Apenas estou bem longe de achar que seja a melhor cidade do mundo.

Mas Tati chuta na canela com esse trecho:

São Paulo linda, com seus cafés europeus, ruas com moda que não fazem feio nem a Milão, parques, praças, cinemas infinitos, restaurantes respeitados no mundo inteiro, garotas elegantes, barzinhos de jazz, a chuva que faz a gente amar alugar uns DVDS e receber amigos de verdade…não aqueles “oba-oba” que você faz aos montes em outras cidades mais forçadamente festivas.

E mais uma vez é inegável que ela tem toda a razão. Aliás, a última sentença, sozinha, já renderia um tratado… E por mais que eu não ame São Paulo, não seja uma cidade do meu top 10, só esse parágrafo já é mais que suficiente para que eu a ache um lugar melhor que o Rio.

PS: Sim, claro, eu também admiro São Paulo por ser a cidade que tem o único clube penta campeão brasileiro… :-)


Apenas mais um João

8 Fevereiro 2008

Sete de fevereiro de 2007. Uma notícia choca todo o país. Um menino de seis anos é morto, arrastado pelas ruas de um subúrbio do Rio de Janeiro, preso a um carro roubado. Testemunhas contam que os bandidos festejavam, enquanto torturavam a criança. Um deles dizia que “esse é o nosso boneco de judas”.

Rios de tinta são publicados. Lágrimas de sangue choradas. Passeatas, protestos, choro e ranger de dentes. Autoridades prometendo veementemente ações mais ou menos drásticas.

Sete de fevereiro de 2008. Um ano depois, alguém lembra? Para quantas pessoas o nome de João Hélio significa mais do que uma vaga recordação?

Uma missa marcou a data. Não houve discursos inflamados. Não houve passeatas de ONGs atrás de exposição gratuita. Não houve, sequer, um minuto de silêncio no jogo do Botafogo, time de coração de João. Não houve nada, além da dor da família. E da revolta daqueles que ainda se lembram.

Há um ano, o povo brasileiro cobrou das autoridades um endurecimento da legislação. Ninguém aguenta mais monstros como os assassinos de João andando soltos por aí. Ninguém aguenta mais bandidos de 16, 17 anos sendo julgados como “pobres crianças inocentes”.

A resposta dos defensores de bandidos era unânime: “não podemos tomar decisões no calor da tragédia”. Quando acontece um caso midiático, nada deve ser feito, pois todos estão com a cabeça quente. Um ano depois, o calor passou, o assunto esfriou. E tudo continua na mesma. A lei não mudou. E, principalmente, a mentalidade não mudou. Aqueles que decidem continuam arranjando pretextos para deixar tudo como está. E o povo dá razão a eles: deixou o assunto esfriar.

Tempos depois, um policial foi morto na mesma rua onde João Hélio foi levado pelos seus assassinos. Os assaltos naquela região continuam frequentes. Naquela e em outras. Por toda a cidade, o crime impera. Bandidos “dimenor” continuam matando, roubando, traficando, impunemente. Bandidos “dimaior” continuam sendo soltos depois de meia dúzia de dias, debochando das leis e voltando a praticar crimes logo a seguir.

Os assassinos estão livres, nós não estamos.

No ano passado, dias depois da morte de João Hélio, Botafogo e Flamengo jogaram no Maracanã. Houve um minuto de silêncio, as torcidas levaram faixas alusivas ao caso. Todos se emocionaram ao ver duas torcidas rivais unidas por uma mesma revolta.

Neste ano, nada. O silêncio não esteve no minuto. O silêncio esteve nas almas daqueles que, hoje, têm outras coisas mais importantes para lembrar. Afinal, estamos no meio do carnaval. Skindô, skindô.

No ano passado, o carnaval aconteceu mais ou menos duas semanas depois de matarem o João. Muita gente, acreditem, sugeriu que a festa devia ser cancelada, devido à comoção popular. A Sapucaí teve um minuto de silêncio. Por toda a cidade, surdos se calaram, repiques não ecoaram, cuícas silenciaram, pois todos os blocos queriam mostrar sua revolta.

Neste ano, sobraram apenas os surdos. Surdos ao eco dos gritos de uma criança que já virou estatística.

Há um ano, muita gente disse “agora chega”. Muita gente disse “basta”. Ouvi de muitos otimistas a tese de que o caso do menino João Hélio era “o fundo do poço”. Era um caso tão sério, mas tão sério, que faria algo acontecer. A partir dele, sonhavam, o povo iniciaria uma reação que ia trazer o resgate do Rio de Janeiro.

Infelizmente, nunca consegui ter essa ilusão. A dor do povo dura uma semana. A revolta, duas. Depois, vem um novo caso, um novo escândalo, ou um novo Big Brother, e tudo passa. A vida continua.

A gente não chegou no fundo do poço quando um repórter foi torturado e queimado vivo no alto de um morro. A gente não chegou no fundo do poço quando um ônibus foi incendiado por traficantes, com os passageiros dentro. A gente não chegaria no fundo do poço só porque um menino de seis anos foi destroçado, arrastado pelas ruas de Cascadura, preso a um carro em alta velocidade.

A gente não chegou no fundo do poço, porque esse poço não tem fundo.


The money, my friend, is flying in the wind…

29 Janeiro 2008

É nisso que dá andar por aí cercado de petistas…

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e a irmã Michael Nolan, de 66 anos, advogada do padre Júlio Lancelotti, foram vítimas de furto durante a missa do aniversário de São Paulo na Catedral da Sé. Do senador, o ladrão levou a carta de motorista, R$ 30, 200 euros (cerca de R$ 600) e 500 dólares (R$ 1.000). Ele carregava moeda estrangeira porque chegou quinta-feira do Iraque e não teve tempo de guardar. Já da religiosa pegaram carteira e objetos pessoais de sua bolsa.

(…)

Ao sair da igreja, o senador foi a uma padaria próxima ao Fórum João Mendes, acompanhado do deputado estadual Adriano Diogo (PT-SP) e um religioso. Foi só na hora de pagar a conta que percebeu o furto.

Como diria mestre Ferrez, a treta foi justa. O chapa levou os euro, e o Supla-pai carregou menos peso pelo resto do dia. Certo, mano? Suplicy deve ter ficado muito feliz com o resultado. Pelo menos uma vez na vida ele conseguiu ver alguém botando em prática um projeto de renda mínima…

Só foi pena que o senador não teve tempo de usar sua arma secreta. Se ele notasse que estava sendo assaltado, era só começar a assassinar… digo… a cantar o seu Bob Dylan de estimação, e o correria ia sair… correndo.

A matéria do Globo diz ainda que Suplicy estava sentado ao lado do também senador Romeu Tuma (PTB-SP). Ou seja, de um lado o Tuma, de outro a advogada do padre Lancelotti, aquele que doa carros de luxo a ex-pupilos por caridade cristã. E ele sai dali, e vai comer pão de queijo com um deputado do PT. Hmm. Algo me diz que o mano Supla-pai tem que escolher melhor suas companhias…


Esquentando os tamborins

22 Janeiro 2008

Reynaldo Gianecchini é assaltado no Jardim Botânico:

Na noite do último sábado, o ator Reynaldo Gianecchini, de 35 anos, foi assaltado no Jardim Botânico, na Zona Sul. Ele estava saindo de um ensaio de uma peça de teatro quando foi cercado por dois veículos. Homens armados levaram o celular e a carteira do ator.

And another one gone… E ainda faltam 344 dias.

O fim de semana foi de pré-carnaval no Rio. Muita gente que pretende arrasar nesse carnaval aproveitou pra fazer seus ensaios. Aydano Motta nos conta um desses ensaios:

Domingo, dois cariocas, pai e filho, chegavam, por volta de 19h, ao setor 1 da Sapucaí, para assistir ao ensaio de Tijuca e Grande Rio. Bem na entrada, um suposto bêbado esbarrou no senhorzinho – que, quando se desvencilhou do inconveniente, adivinha?, estava sem a carteira e o celular.

O carnaval antecipado, claro, desmanchou-se na amargura de uma Quarta-Feira de Cinzas inesperada.

Mas o pessoal do movimento não ensaiou só na Sapucaí. Em Laranjeiras, teve desfile de bloco famoso, e uma rapaziada bronzeada mostrou seu valor. Alguns deles foram presos, depois de assaltarem os incautos foliões. Outras dezenas escaparam, prontos para o próximo baile.

Um pouco por toda a zona sul, o trânsito esteve caótico. Ruas fechadas, blocos passando (ou “ensaiando”), e arrastões assustando os motoristas. Em Copacabana, no show do Skank, mais confusão. Mais assaltos, mais bagunça. Cinco foram presos. Enfim, toda a hospitalidade que a Cidade Maravilhosa tem pra oferecer. Dessa vez, foram só dinheiro, celulares e máquinas fotográficas. Mas os rapazes estão animados, isso foi só um ensaio. Eles esperam que, em breve, possam evoluir para produtos mais valiosos.

Quanto riso, oh, quanta alegria. Esse carnaval promete.


A rede é sem fio. A idéia, sem noção.

20 Janeiro 2008

Lembram do post retrasado? Pois é, mais uma entrou pro clube. Desse jeito, a gente vai perder a conta rapidinho. Agora, foi a vez de Bianca Rinaldi:

A atriz Bianca Rinaldi engrossou ontem à tarde as estatísticas de violência, ao sofrer uma tentativa de assalto num sinal de trânsito próximo à sede do Clube do Flamengo, na Gávea. Bianca, que se dirigia a uma gravação da novela “Caminhos do coração”, da TV Record, foi abordada por um assaltante quando esperava o sinal abrir.

O bandido forçou a porta do carro da atriz. Como não conseguiu abri-lo, ele, então, quebrou o vidro da janela, usando, segundo testemunhas, algo parecido com uma barra de ferro. O assaltante, porém, não conseguiu roubar nada. Bianca começou a buzinar e ele fugiu.

And another one gone, and another one gone, another one bites the dust…

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Carlos Cardoso, no MeioBit, conta que, a partir de maio, o bairro de Copacabana vai passar a ter cobertura wi-fi:

É sério, não é pra rir não. Do alto de seus gabinetes com ar-condicionado, bem longe da realidade, nossos valorosos políticos jogam fora dinheiro público criando um maravilhoso chamariz de ladrões. Sim, Virgínia. Na posição de um sujeito que já perdeu mais gadgets do que gostaria de lembrar para vagabundos armados, eu posso GARANTIR que nenhum carioca em sã consciência vai passar por esses pontos com um computador, PDA ou Smartphone e puxá-lo, em público para ficar “navegando pela Internet”, e se o fizer o fará no máximo por uns dois minutos, até que um grupo de menores de rua desfavorecidos pela sociedade decida aliviá-lo de seus bens.

O projeto está orçado em 40 MILHÕES de reais, e deve depois ser expandido a outras zonas turísticas e à Baixada Fluminense. De acordo com outro Cardoso, o Alexandre, secretário de Ciência e Tecnologia:

“A implantação dessa tecnologia de ponta vai trazer benefícios para várias áreas, como turismo, segurança, ensino e comércio. Será possível, por exemplo, para um pequeno comerciante da Baixada comprar e vender seus produtos pela rede, diminuindo, dessa forma, seus custos em até 20%”

Então tá. O Cardoso, Carlos, ironiza, dizendo ter certeza de que “é preciso mais do que “WIFI” para comprar e vender produtos pela rede”. Claro. Mas é otimismo demais pensarmos que Alexandre Cardoso, o eterno candidato-a-tudo do PSB, que costuma aparecer na TV com seus quadrinhos mágicos, tem noção de qualquer realidade prática. Acho que descobri o objetivo do (Alexandre) Cardoso: arrumar uma vaguinha como assessor do Mangabeira, na SEALOPRA

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Aí vêm as polianas de sempre lembrar que todas as capitais européias têm cobertura wi-fi, que a gente torce contra, que não quer um Brasil moderno, etc, etc, etc. Não entendem que nenhum de nós é contra a idéia de wi-fi em Copacabana, que todo mundo acha isso maravilhoso. Mas é uma questão de prioridade. Como gastar 40 milhões de reais para botar wi-fi em Copacabana, se a gente tem medo de sair com um celular nessa cidade? Imagine com um notebook! Ah, mas isso é bom para a imagem turística. Bom como? Se os turistas que vêm ao Rio já são advertidos a não andar com dinheiro no bolso ou relógios de marca no pulso, como acreditar que eles vão passear por Copacabana com notebooks? E, se passearem, qual será o custo em “imagem da cidade no exterior”, quando eles voltarem para seus países sem os seus notebooks?

É a velha mania brasileira de querer começar a construir a casa pelo teto. O que vai tornar o Rio de Janeiro “igual às capitais do primeiro mundo” não é o wi-fi em Copacabana. Não enquanto não se fizerem MUITAS outras coisas. Não adianta botar wi-fi numa cidade em que o notebook serve para ficar em casa. Ou, no máximo, sair com ele pra empresa, com operações de guerra e escolta de carro forte.

Mas como 2008 é ano eleitoral…

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Bem, mas se apesar de tudo, você for um dos bravos patriotas que não vê a hora de sacar o seu laptop nas areias douradas da zona sul, então pelo menos leia as dicas do site Wnews, no tutorial “Como transportar seu notebook em segurança”.

Algumas delas seguem abaixo. Se bem que acho que a sexta dica não vai se aplicar aos proprietários de um MacBook…

- Mochilas são informais e não combinam com terno e gravata. Um executivo assim trajado, com uma mochila às costas, indica claramente que carrega um laptop.

- Evite utilizar o notebook o saguão do aeroporto, enquanto espera o embarque ou uma carona para outro local da cidade.

- Não utilize esse equipamento no táxi, pois bandidos circulam com motocicletas, nas áreas próximas dos aeroportos e outros locais de concentração de executivos, de olho nesses micros.


- Se não for possível transportar o laptop na mala, procure disfarçá-lo em uma sacola comum, que seja resistente e grande o suficiente para suportar o peso do equipamento e de mais alguns casacos ou jornais.
Nos deslocamentos dentro da cidade, coloque o notebook no porta-mala do carro. E estacione, de preferência, dentro do prédio em que trabalhará naquele dia.

- Ainda assim, não leve o laptop embaixo do braço no elevador ou em escadas.

- Não comente publicamente as qualidades e diferenciais de seu computador portátil.
- Cuidado com as agendas telefônicas e de e-mails. Nas mãos de criminosos, podem criar grandes problemas. Coloque, de preferência, o telefone e o e-mail profissional dos seus contatos, evitando dados pessoais.

- Em caso de assalto, a recomendação é a usual: não reaja, e entregue o laptop para evitar violência.

Se você, feliz proprietário de um notebook, ainda quiser sair com ele pelo Brasil, vista a armadura. E boa sorte.


Another three bites the dust

17 Janeiro 2008

Bianca Kleinpaul, jornalista do Globo Online:

Enfim, entrei para as estatísticas de violência. Mas das modalidades da planilha do nosso governo estou naquela em que a gente acende uma vela e agradece, em vez de chorar. Sobrevivi a um assalto à mão armada às 15h30m de sábado. Num trajeto que faço freqüentemente, do Túnel Santa Bárbara em direção à Avenida Presidente Vargas, um Vectra fechou meu carro na saída do viaduto. Buzinei achando se tratar de um barbeiro. Não, eu estava sendo assaltada e pela primeira vez senti o calibre de uma arma encostada na cabeça.

Meu carro é (a esta altura, já era) um popular. Ao registrar a ocorrência na 4 DP, para minha surpresa, ela não era informatizada. O boletim, que todo mundo no Rio um dia vai ter um, foi feito numa velha máquina de escrever. E a delegacia fica no prédio da Segurança Pública!!! Após chegar em casa, esperei por horas minha mãe. Ela ficara presa num arrastão na Grajaú-Jacarepaguá, onde motoristas davam ré e a polícia tentava manter a ordem. Pára o Rio que eu quero descer! A jornada burocrática para reaver documentos e dar entrada no seguro vai começar. Mas só depois que eu pegar a cópia em carbono do meu B.O, marcada para cinco dias após o “ocorrido”….

Christine Fernandes, atriz:

Mais um artista pretende deixar o Rio por causa da violência. Desta vez, a intenção é manifestada pela atriz Christine Fernandes, vítima de um assalto, na semana passada, num sinal de trânsito, próximo ao Shopping Center Cittá América, na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, onde mora.

A atriz pretende deixar a cidade. Indignada, ela escreveu uma mensagem, que enviou aos amigos. O título: “Caros vizinhos”

” Estamos todos no mesmo barco, do Alemão ao Leblon, vivendo com medo. Esse medo da morte, quando não mata de fato, gera uma ansiedade que, se não mata, destrói. Se não a saúde e a alegria, a qualidade de vida, o prazer de viver, uma paz possível”, dizia um dos trechos.

Isabel Kopschitz, jornalista de O Globo:

Na última segunda-feira, fui vítima de um assalto a mão armada. Por incrível que pareça, aos 27 anos de idade, nunca havia sido assaltada. Mas já sabia que minha hora chegaria, porque no Rio, ao contrário da Justiça e do poder público, o assalto tarda, mas não falha!

Caminhando na Avenida Roberto Silveira, em Niterói, por volta das 22h, fui abordada por um homem aparentemente drogado, que me mostrou um revólver e disse que, se eu tentasse alguma coisa, me mataria.

(…)

Perdi meu celular e algumas bijuterias, que tinham valor sentimental para mim. E ainda ressoa na minha cabeça a ordem “Rápido, pra não ter esculacho!”, que escutei do bandido, enquanto apontava a arma na direção da minha barriga. Pensei: “Bom, se ele não quer que tenha esculacho, já é uma vantagem”. E disse a mim mesma aquele clichê que os cariocas costumam repetir: “Ainda bem que estou viva, poderia ter sido pior!”.

(…)

Diante desse tipo de barbárie, tenho mesmo é que dar graças a Deus por estar viva. Mas fico imaginando quais serão as próximas modalidades de crimes às quais o carioca (e o brasileiro, de maneira geral) vai ter que se sujeitar nos próximos anos… Será que meus futuros filhos vão viver para contar sua história?

Bianca, Christine e Isabel se juntam a Paulinho da Viola, Helena Ranaldi, ao filho do Lídio Toledo, e a mais milhares de anônimos na lista dos que já sofreram com a realidade carioca neste ano.

Sim, hoje é apenas o décimo sétimo dia do primeiro mês. Já só faltam mais 349 pra acabar o ano.


Alguém tem 23 milhões pra me emprestar?

15 Janeiro 2008

Da Folha:


Casa onde Peter Pan nasceu está à venda

A casa de Londres onde o escritor escocês J. M. Barrie concebeu e escreveu “Peter Pan” está à venda por 6,75 milhões de libras (US$ 13,5 milhões, cerca de R$ 23,6 milhões).

“Esta é uma residência única e mágica, onde J.M. Barrie viveu e criou o conto ‘Peter Pan’”, afirma a agência imobiliária que colocou à venda a propriedade, situada na Gloucester Road, oeste de Londres.

A residência vitoriana conta com seis dormitórios e um jardim encantador, segundo o anúncio.

“Mas é sua história que acrescenta uma dimensão especial à casa”, afirma a imobiliária.

A propriedade é situada de frente para os jardins de Kensington, onde Barrie conheceu os meninos Llewelyn-Davis, que inspiraram as histórias dos Meninos Perdidos liderados por Peter Pan.

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Ano novo?

8 Janeiro 2008

O ano mudou? Você tem certeza? É que nem parece.

Ontem:

Tiroteio assusta motoristas na Avenida Marechal Rondon:

Um tiroteio assustou quem passava pela Avenida Marechal Rondon, no Engenho Novo, Zona Norte do Rio, no fim da manhã desta segunda-feira. A avenida é uma das principais vias de ligação entre o subúrbio e o centro da cidade. Durante uma ação para recuperar um carro roubado, policiais do 3º BPM (Méier) foram atacados a tiros.

De acordo com a Polícia Militar, pelo menos três bandidos saltaram do veículo e começaram a atirar. Os policiais revidaram. Os criminosos fugiram para o traficantes do Morro da Matriz.

Apavorados com a troca de tiros entre os policiais e bandidos, motoristas tentaram voltar de marcha-a-ré. Ninguém ficou ferido no tiroteio.O trânsito foi interditado no local no fim da manhã, mas foi normalizado por volta das 14h.

Hoje:

Troca de tiros e ônibus queimado tumultuam zona norte:

Uma fortaleza construída por traficantes, cerca de uma tonelada de maconha e um local usado para queimar seus inimigos (conhecido como microondas), além de crânios e ossos, foram encontrados por policiais civis, no Morro da Mangueira, na Zona Norte do Rio, na manhã desta terça-feira.

Por volta das 6h30m, houve troca de tiros entre traficantes e policiais.

(…)

Por volta das 10h, um ônibus da Viação Braso Lisboa, linha 472, foi incendiado na Rua São Luís Gonzaga, no Largo da Cancela, em São Cristóvão. Segundo a polícia, a ação seria em represália à operação policial na Mangueira, de acordo informações da Rádio CBN. Três homens entraram no veículo, mandaram os passageiros descerem, jogaram gasolina no veículo e atearam fogo. Ninguém ficou ferido. Bombeiros do quartel de Benfica foram para o local para combater as chamas.

- Eu só tive tempo de ver a mulher gritando: ‘Tão tacando fogo no ônibus! Tão tacando fogo no ônibus!’ E, quando vi o fogo, a porta estava aberta. Eu saí, fui embora, e não quis ver mais nada – contou um rapaz.

(…)

Os policiais também encontraram na localidade conhecida como Vila Miséria um local onde os traficantes da Mangueira usavam para queimar seus inimigos, conhecido popularmente como microondas. Foram encontrados crânios e restos de ossos no local.

E neste ano já tivemos o assalto no Alto da Boa Vista, que deixou paraplégico o filho do médico Lídio Toledo. E o assalto a Paulinho da Viola. E centenas de outros, anônimos. Domingo, reportagem do Globo dizia que um carro é roubado a cada 12 minutos no Rio.

Hoje, meus caros, é dia 8. O oitavo dia do primeiro mês do ano. E como esse ano, além de tudo, é bissexto, ainda temos pela frente mais 358 dias nessa selva. Welcome to Hell.


A negra noite da consciência

20 Novembro 2007

Hoje, dia 20 de novembro, o Rio de Janeiro e mais algumas cidades do Brasil comemoram o “Dia da Consciência Negra”. Quem me conhece há pelo menos um ano sabe a opinião que eu tenho sobre essa data. Costumo chama-la de “Dia de Glorificação do Racismo”, uma vez que me causa espécie saber que estou em um país que dedica um dia à comemoração de uma determinada “raça”. Já escrevi longamente sobre esse assunto em outros anos, e hoje não gostaria de voltar ao tema.

Hoje, prefiro falar dos 10 anos do texto de onde “roubei” o título desse post. Publicado em um jornal distribuído na PUC-RJ, em 19 de novembro de 1997, naquela que (salvo erro) foi a primeira vez em que se “comemorou” (sic) essa data, “A Negra Noite da Consciência” foi um texto marcante. Leia o resto deste post »