O cara tá certo

19 Junho 2009

Disse Luís LI, o Rei-Nu:

Eu não conheço ninguém, a não ser a oposição, que tenha discordado da eleição do Irã. Não tem número, não tem prova. Por enquanto, é apenas, sabe, uma coisa entre flamenguistas e vascaínos.

Aí, veio um pessoal e caiu de pau em cima do homem, dizendo que era um absurdo ele debochar desse jeito dos iranianos, falar uma coisa imbecil como essa, e reduzir tudo a um “Vasco e Flamengo”.

Caramba, vocês da zelite são um saco com essa perseguição ao homem! Tudo que ele fala é motivo pra criticar!

Vamos ver.

Você tem dois grupos. De um lado, está um partido que trapaceou nas eleições. Do outro, um grupo que foi roubado e teve sua vitória, ganha no campo, tomada pelas trapaças do outro.

Aí, o grupo que foi prejudicado pelas trapaças resolve reclamar. E o grupo dos trapaceiros manda a sua “torcida” para as ruas, pra atuar com violência, e ameaçar os rivais.

Não satisfeito, o presidente do clube X manda prender todos os dirigentes do outro clube. mas a torcida do clube Y, guerreira e corajosa, não aceita se dobrar à ditadura, e continua nas ruas, resistindo, lutando pela justiça.

Trapaça, violência, bandidagem de um lado. Resistência e luta contra as injustiças do outro.

Para Lula, é um Flamengo x Vasco.

É perfeito!!!!

É a primeira vez, em 60 anos, que o Lula acerta uma metáfora! Nunca antes neste país isso foi visto! Ele conseguiu fazer uma analogia lógica!!!

E ao invés de incentivar o esforço, vocês preferem criticar. Ô povinho medíocre, viu…

PS: Nos últimos dias, tenho sempre vestido alguma peça de roupa verde. Não é nada, não é nada, mas é o mínimo que dá pra se fazer nessa história.

PPS: Não, cabeças maldosas, o verde NÃO é uma homenagem ao Coritiba.

PPPS: Depois, Lula disse que “não podemos tratar José Sarney como um homem comum”. Nosso guia (de turismo) estava em viagem oficial ao Cazaquistão. Por favor, não deixem de fazer a piada óbvia.


Mais um ano de racismo nas universidades do Rio

2 Junho 2009

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro voltou atrás e suspendeu a liminar que havia concedido semana passada, acabando com o “sistema de cotas” aplicado pelas universidades do estado. A decisão do TJ, provocada por uma ação direta de inconstitucionalidade proposta pelo deputado Flávio Bolsonaro (PP), havia dado um alento aos que defendem a democracia e criticam o racismo implícito nesses sistemas ditos de “discriminação positiva”. Porém, as universidades fluminenses usaram a tese do “fato consumado”, e o TJ-RJ suspendeu a liminar, cedendo às ameaças de cancelamento do vestibular 2009.2. Agora, a hora é de prosseguir a luta e não deixar que o lobby cotista faça com que a decisão do tribunal seja engavetada.

É triste saber que no Brasil, no século XXI, ainda exista quem apóie esse tipo de lei racista, ainda haja quem pense ser correto a cor da pele de uma pessoa ser um critério válido para decidir alguma coisa. É revoltante ver na televisão “líderes do movimento negro” defendendo abertamente o direito ao “privilégio que a nossa raça conquistou”. É difícil compreender que pessoas esclarecidas achem normal (pior, “positivo”) carimbar na ficha de uma pessoa a sua raça, colocar junto ao seu nome uma estrela amarela, e a partir daí decidir se ela é digna de uma “discriminação positiva” ou não. É um desrespeito a todos aqueles, brancos, negros, indios, asiáticos, que lutaram pelo sonho da igualdade racial, que tanto fizeram para diminuir a discriminação, e que vêem agora essa mesma discriminação ser coroada como lei. Pior que isso, ser uma lei defendida até por  uma parte dos que tanto já s0freram antes com outros tipos de racismo.

Alguns negros (graças a Deus, pela minha experiência pessoal, são a minoria) defendem as cotas com uma justificativa “lei de Gérson”. Algo tipo “a gente já sofreu tanto, agora é hora de levar vantagem em alguma coisa”. Descontando a imoralidade do pensamento, descontando o fato de que dois erros não fazem um acerto, ainda sobra um detalhe importantíssimo. Eles não notam que as cotas, aparentemente um benefício para os negros, são na verdade mais um ato de racismo contra eles. O discurso implícito é “coitadinhos, eles são inferiores, não podem competir em igualdade de condições, nós temos que ajudar os pobrezinhos”. E quem se beneficia desse sistema aceita, pra levar vantagem, ficar nessa posição de coitadinho, de inferior. Eu não aceito que o negro seja inferior ao branco, ou vice versa, e por isso não posso aceitar como justo um sistema que pregue o contrário.

Leia o resto deste post »


Onde estavas no 25 de abril?

25 Abril 2009

AS BRUMAS DO FUTURO
(Pedro Ayres Magalhães)

Sim, foi assim que a minha mão
surgiu de entre o silêncio obscuro
e com cuidado, guardou lugar
à flor da primavera e a tudo

Manhã de Abril
e um gesto puro
coincidiu com a multidão
que tudo esperava e descobriu
que a razão de um povo inteiro
leva tempo a construir

Ficamos nós
só a pensar
se o gesto fora bem seguro

Ficamos nós
a hesitar
por entre as brumas do futuro

A outra acção prudente
que termo dava
à solidão da gente
que desesperava
na calada e fria noite
de uma terra inconsolável

Adormeci
com a sensação
que tínhamos mudado o mundo
na madrugada
a multidão
gritava os sonhos mais profundos

Mas além disso
um outro breve início
deixou palavras de ordem
nos muros da cidade
quebrando as leis do medo
foi mostrando os caminhos
e a cada um a voz
que a voz de cada era
a sua voz
a sua voz


Esses bois pretos…

15 Janeiro 2009

O governo Lula pode ser acusado de muitas coisas. Mas se tem algo que não se pode dizer é que ele é “incoerente”. A coerência dos cumpanhero é algo admirável. Nesta semana, tivemos mais uma prova disso, com a vergonhosa concessão de “asilo político” ao assassino italiano Cesare Battisti.

Mas quem é Cesare Battisti, e porque seu caso é tão emblemático? Vamos a um pouco de história. Leia o resto deste post »


Boas notícias, pra variar

1 Julho 2008

No ano passado, postei alguns textos sobre o caso dos dois boxeadores cubanos que conseguiram escapar durante os Jogos Panamericanos, e depois foram perseguidos pela polícia brasileira, que os entregou de volta aos seus carcereiros.

Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, os dois campeões cubanos, foram levados de volta à ilha-prisão, e mantidos sob vigilância estreita dos homens de Fidel. Mas agora nos chega uma notícia excelente: Erislandy Lara conseguiu fugir de Havana, escondido em um barco que o levou até o México. Dessa vez, não veio para o Brasil, ou algum outro país amigo de ditaduras. Lara foi direto para Hamburgo, na Alemanha, e apenas lá, já em segurança, divulgou sua história.

O jornal Estado de São Paulo publica uma entrevista com Lara. Muitos trechos são interessantes, mas a resposta do pugilista a uma pergunta em particular é um uppercut no queixo de muita gente. Uma resposta singela, simples, mas que diz muito sobre o que é Cuba, sobre o inferno em que vive o povo cubano. E nos enche de vergonha por saber que não apenas o governo brasileiro é aliado dessa gente, como também uma boa parte do nosso povo apóia o que acontece na ilha e considera Cuba um “paraíso” e Fidel Castro “um exemplo”.

Como você avalia a situação política de Cuba e a falta da democracia plena?”
“Democracia? Como assim?”

Leia o resto deste post »


Cada macaco no seu galho…

29 Abril 2008

Segundo o Cládio Humberto, o presidente Lula resolveu ironizar o etanol americano, produzido a partir do milho:

Milho a gente dá pra galinha, dá pro porquinho…

Então tá.

O etanol brasileiro é feito de cana de açucar.

Se a gente dá o milho para o porquinho, o que a gente faz com a cana, Lula? Pra quem a gente dá a cana?

Milho pro porquinho, e cana pro Lulinha! No sentido que o leitor preferir. :)


Quanto custa um Fiat Elba?

18 Abril 2008

“Por estar próximo do aniversário da Mariana Ximenes, encomendei a um desses amigos que viajam muito para os Estados Unidos um colar que vi pelo catálogo exposto numa importante joalheria de Nova York.
Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que alguém já havia comprado essa peça única, numa quinta-feira, às 11h30m, no ano passado.
A jóia foi paga com cartão corporativo do governo.
Todo mundo no TCU já sabe quem comprou, mas ninguém quis me contar.
Eu ainda vou descobrir.”
(Jorge Bastos Moreno, O Globo)

Compras com cartão em Paris
Intriga quem acessa os gastos com cartão corporativo na Casa Civil da Presidência da República os vários pagamentos nas famosas Galeries Lafayette, em Paris, ano passado, totalizando 18 mil euros (R$ 47,5 mil). Os titulares dos cartões utilizados nessas compras, assim como os destinatários dos produtos adquiridos, estão inscritos na lista protegida por “sigilo”. As Galeries Lafayette vendem, sobretudo, roupas de grife.
(Claudio Humberto)


Os amigos do Sig

12 Abril 2008

O cartunista Ziraldo, criador do “Menino Maluquinho”, é o mais novo investidor de sucesso no mercado brasileiro. Algumas de suas “ações” renderam dividendos recentemente. E quem paga a conta, pra variar, somos nós, os otários que respeitam as leis.

Ziraldo e seu “sócio”, o também humorista Jaguar, vão arrecadar, cada um, a bagatela de 1 milhão de reais, por terem sido “perseguidos” durante o governo militar. Não, eles não foram mortos, torturados, mutilados, ou algo assim. Eles apenas eram “contra o regime”, e por isso alegam ter sofrido “prejuízos pessoais e profissionais”.

Estou me lixando [para quem critica a concessão da bolsa-ditadura]. O Brasil me deve isso.“, diz Ziraldo em entrevista.

E como estamos no Brasil-Pasárgada, e eles são amigos do Rei-Nu, também ganharam o direito à boquinha da Bolsa-Ditadura. Assim, se juntam a ilustres companheiros como Carlos Heitor Cony e o próprio Lula, que também tiveram esse “lucro” às custas do povo.

Um milhão de reais de “indenização”. E mais uma bolsa de 4500 reais mensais, até morrerem.

Quando você vir crianças morrendo por falta de hospitais, lembre que Ziraldo recebeu 1 milhão de reais por ser “de esquerda”. Quando alguém reclamar que um filho está sem escola, lembre de Jaguar e seu milhão. Quando um professor ou um médico falar dos problemas que enfrenta, ganhando um salário de 600, 700 reais, lembre que TODO MÊS Jaguar, Cony, Ziraldo e Lula, entre dezenas de outros “companheiros”, recebem cheques de 4500 reais para afogar as mágoas de não terem conseguido levar o Brasil a uma ditadura.

E quando, não importa o tema, o governo reclamar que “falta verba”, nunca esqueça que o Brasil gasta, por mês, 28 milhões de reais (!!!) pagando essa bolsa-ditadura aos companheiros. E que, em indenizações como as que Ziraldo e Jaguar receberam agora, já foram gastos TRÊS BILHÕES DE REAIS.

Pelo menos agora nós podemos desconfiar que o Sig não era o único rato a frequentar a redação do Pasquim.

Bem, ao menos uma parte do milhão de reais embolsado pelo Ziraldo já tem destino certo. A Folha de São Paulo noticiou que o cartunista foi condenado a pagar 40 mil reais de indenização à produtora cultural Lulu Librandi, por danos morais.

O caso é o seguinte: Ziraldo e Lulu se conheceram no governo José Sarney, quando Ziraldo foi dirigente da Funarte. (É, isso mesmo, Ziraldo foi dirigente de um órgão público, no governo Sarney. Ele deve contar isso na lista de “prejuízos pessoais e profissionais” que teve por ser contra o regime.) Ziraldo e Lulu brigaram, e o cartunista chamou a produtora de “filha da p***”, numa entrevista, e disse que ela “matou o seu papagaio”, uma vez que a ave “morre quando alguém lhe deseja mal”.

Em sua defesa, Ziraldo argumentou que “filha da p***” não é xingamento, mas o juiz não levou isso em conta.

De qualquer jeito, uma coisa boa fica desse caso: agora que sabemos que Ziraldo acha que “filha da p***” não é xingamento, podemos nos sentir livres pra lhe dizer exatamente o que pensamos sobre ele, não é verdade?


Vamos, Bart, não se misture com essa gentalha

10 Abril 2008

Tinha que ser o Chavez…

Um canal privado de televisão venezuelano tirou do ar o desenho americano “Os Simpsons” após pressão do governo Chávez. O órgão responsável pela fiscalização das telecomunicações na Venezuela abriu um procedimento admnistrativo contra a TV Televen por considerar o programa uma má influência para as crianças.

Esses agentes do imperialismo ianque pensavam que iam corromper as bondosas crianças venezuelas, e desviá-las do caminho do socialismo do século XXI?

Não contavam com a nossa astúcia!

E agora, quem poderá nos defender?

Bem, tem gente que gosta. Tem gente que bate palmas. Tem gente que acha a Venezuela um “modelo de democracia”, e anseia por esse futuro para o Brasil.

Contra eles… sigam-me os bons! :-)


E a serpente continua chocando

2 Abril 2008

José Alencar, vice-presidente do Brasil, em entrevista à Rádio Bandeirantes:

Os Estados Unidos têm quatro anos mais quatro [de mandato], é igual aqui no Brasil, mas, nos anos 30, Roosevelt teve o terceiro mandato. Por que? Porque os EUA precisavam que ele continuasse e queriam.

(…)

Lula tem feito muito, muito, mas falta muito para fazer. Eu digo para vocês que, se perguntar para os brasileiros o que os brasileiros desejam, é que o Lula fique por mais tempo no poder.

Notem bem que não foi um “menino aloprado” quem disse isso. Foi José Alencar, vice-presidente do Brasil.

O neo-queremismo segue na pauta do dia.


Notícias do dia

1 Abril 2008

Esta terça feira foi um dia bem agitado em todo o mundo. Principalmente na área de tecnologia. Uma bomba atrás da outra, numa velocidade capaz de deixar qualquer leitor tonto.

Carlos Cardoso dá (ops) em primeira mão no Meio Bit a notícia que vai abalar a comunidade GNU/HURD/Linux/Whatever: Richard Stallman, o guru da Free Software Foundation, resolveu mudar de sexo, numa atitude desesperada para promover o software livre:

Disposto a fazer o último sacrifício, Stallman, que estava desaparecido nos últimos meses, internou-se em uma clínica no Marrocos, onde submeteu-se a uma extensa série de cirurgias, a fim de tornar-se uma figura atraente para o seu público-alvo, esperando que agora, como uma mulher bonita, suas idéias sejam ouvidas.

O Dr Julian Bashir, cirurgião-chefe do projeto explica:

“Tivemos dificuldades pois toda a nossa tecnologia é proprietária. Ficamos parados algumas semanas enquanto o software de nossa máquina de ressonância magnética era reescrito em Software Livre, a pedido de Miss Stallman”.

O mesmo Cardoso, monopolizando o Meio Bit, deu mais dois furos (epa) hoje: o novo buscador chinês, 10 vezes mais eficiente que o Google

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Xangai começou a se perguntar se seria possível unir a quantidade de resultados de um search engine tradicional com a qualidade de uma lista manual. Eles chegaram a um conceito onde milhares de humanos otimizam os robôs de busca. Em seu modelo revolucionário, uma consulta de um internauta aparece na tela de milhares de operadores. Estes tentam se lembrar se conhecem algum site que se encaixa naquela consulta. Cada um digita (ou não) a URL do site, o sistema gerenciador soma os votos, e a URL vencedora é repassada para o usuário.

… e a aprovação de um Projeto de Lei do Senado, que impõe censura para blogs e horário correto de funcionamento de cada um deles:

 

De autoria do Senador Fernando Gabeira, o Projeto pretende conter a expansão dos blogs frente à Velha Mídia. Aparentemente a iniciativa foi tomada depois de uma avalanche de reclamações de mães e pais, preocupados com seus filhos acessando incessantemente conteúdo adulto na Internet, mas percebemos claramente o dedo do Estadão.

 

A saída proposta pelo Senador Gabeira é criar “horários de exibição”, fora dos quais os sites não estariam disponíveis. “Não é censura”- diz ele. “é apenas a aplicação das normas que já são seguidas pelas emissoras de TV”.

O Google, mais uma vez, resolveu inovar, e lançou hoje o Projeto Virgle, uma parceria do Google e da Virgin:

For thousands of years, the human race has spread out across the Earth, scaling mountains and plying the oceans, planting crops and building highways, raising skyscrapers and atmospheric CO2 levels, and observing, with tremendous and unflagging enthusiasm, the Biblical injunction to be fruitful and multiply across our world’s every last nook, cranny and subdivision.

 

An invitation.
Earth has issues, and it’s time humanity got started on a Plan B. So, starting in 2014, Virgin founder Richard Branson and Google co-founders Larry Page and Sergey Brin will be leading hundreds of users on one of the grandest adventures in human history: Project Virgle, the first permanent human colony on Mars.

Certamente será um pequeno passo para os homens, um grande passo para a humanidade.

No mundo esportivo, o destaque foi o anúncio da venda da equipe Toro Rosso. O novo dono da STR é o piloto escocês David Coulthard:

In a surprise announcement made at midnight on this date, veteran driver David Coulthard has informed the media that he intends to take over Red Bull’s half-share in the Toro Rosso team.

(…)

“I love racing but I’m not getting any younger you know, as you’ve repeated often enough,” he added, staring down a few gathered journalists as he spoke.

The team will be renamed Coulthard Power Racing – CPR.

“Initially I wanted it to be named the CSR team, but the word ‘Super’ was already taken,” admitted Coulthard, whose Superman cape worn on the 2006 Monaco podium is still draped over the shoulders of a wooden sculpture, representing a large life-size naked woman, standing next to the entrance of his appartment.

It also appears that the team’s current engine supply contract with Ferrari will be terminated in favour of Mercedes. The new deal should begin with the 2010 season.

“I no longer work with McLaren-Mercedes of course, but I was there long enough to still have rights to the employee discount,” Coulthard stated. “We’ll save millions!”

(…)

Standing at his side up until that moment, Gerhard Berger smiled, shrugged, took another bite out of his tuna sandwich and walked away.

Que dia cheio, não?

*   *   *   *   *   *   *   *   *   *

Aí a gente deixa essas manchetes de lado, e vai dar uma olhada nos jornais brasileiros. Vê o lamaçal que cobre o país, vê as desculpas esfarrapadas do governo para justificar o injustificável, vê as cambalhotas para trás para livrar a cara de mais um “companheiro aloprado”, vê certos “jornalistas a serviços” de plantão para defender o estado policial petista.

A gente vê tudo isso, e vê Luís LI dizendo que a culpa é da “zelite”, que “num deixa o homi trabaiá”. E vê os petistas todos repetindo o mantra “eu não sabia de nada”. E vê Dona Dilma jurando que não houve dossiê, apenas um “levantamento de dados”.

Aí a gente relaxa, vendo que é primeiro de abril, e achando que isso explica tudo.

Depois lembra que ontem era 31 de março, e eles falavam as mesmas coisas. E amanhã vai ser dia 2 de abril, e eles vão continuar falando as mesmas coisas.

E aí a gente conclui que seria uma boa se o pessoal de Brasília aceitasse mudar a tradição: a partir de agora, o dia 1 de abril passa a ser o “dia da verdade”. Nesse dia, excepcionalmente, todos os brasileiros seriam obrigados a dizer somente a verdade, nada mais que a verdade. Aí sim, esse dia teria algo diferente dos outros 364…


Esse Chavez nunca me enganou

28 Março 2008

Uma das melhores fotos publicadas na imprensa este ano saiu na primeira página da Folha de São Paulo de hoje. A obra de arte é do fotógrafo Lula Marques:

A sensibilidade de Lula foi perfeita. O fotógrafo da Folha notou a posição de Chavez, e o cenário que está por trás dele. As “manchas” pretas ao fundo são buracos de um sistema de ar condicionado esperando ser instalado.

Chavez se posicionou bem no meio dos dois buracos. Lula percebeu, e clicou.

E foi assim que Hugo Chavez virou… Mickey Mouse, o rato imperialista.

E isso aconteceu graças ao talento… de Lula.

Impagável.


As touradas da Banânia

27 Março 2008

Era uma vez, em algum canto de um continente distante, um país excêntrico chamado Banânia.

Um belo dia, alguns homens da corte deste país tiveram uma idéia: reunir as duas maiores empresas de um determinado ramo em uma só. Era um cartel, era um monopólio (juntas, elas possuiriam 65% do mercado), com sérios prejuízos à população desse país. Mas… e daí?

Interesses mais altos falaram, e a negociação começou a andar. Só que havia um probleminha: o negócio era contra a lei. Num país sério, isso bastaria. Mas não “neste país”. Se não gostamos da lei, se ela nos atrapalha, vamos muda-la. Afinal, é um negócio que envolve muita gente grande: políticos, banqueiros, donos de empreiteiras, financiadores de campanha, filhos do babalorixá da Banânia…

A lei que rege essa atividade diz que em caso de compra de uma empresa por outra, a compradora é obrigada a abrir mão dos setores ocupados pela comprada no mercado. Pois bem: o Babalorixá já deu a entender que vai mudar a lei, de forma casuística, para beneficiar a empresa interessada.

Ou, como bem resumiu um cronista do reino, em uma nota lapidar:

Qual a diferença entre um país decente e um indecente? No primeiro, os negócios são feitos de acordo com as leis; no segundo, as leis são feitas de acordo com os negócios.

Porém, a história “vazou” cedo demais, e a reação contrária impediu que a lei fosse mudada naquela hora. A compra da empresa B pela empresa A foi para a gaveta, até que a poeira baixasse, e o clima popular mudasse.

Dois meses se passaram. Alguns “jornalistas a serviço” venderam a idéia de que o monopólio era “bom para a Banânia”, pois ia criar uma “gigante mundial do setor, capaz de elevar o nome da Banânia lá fora”. As conversas entre as empresas A e B continuaram. E parece que elas estão prestes a chegar a um acordo.

Há uma outra empresa forte nesse mercado, a empresa C. A empresa C não é da Banânia, é de um outro país chamado Castela. Obviamente, a fusão das empresas A e B não interessa à empresa C. Esperava-se que a empresa C tentasse ir à justiça bananosa, para lutar contra a mudança da lei.

Por coincidência, na hora em que A e B chegavam a ponto de fechar o negócio, o governo da Banânia criou um incidente diplomático contra Castela, usando como pretexto uma questão ligada a imigrantes bananosos barrados em Castela. Uma situação que vem se repetindo há anos, sem que a Banânia fizesse nada. Uma situação que se repete em vários outros países, além de Castela, sem que a Banânia faça nada.

Mas, dessa vez, a Banânia agiu. Ajudada por boa parte da imprensa (os tais “jornalistas a serviços”), criou-se um sentimento anti-Castela entre o povo da Banânia. De repente, tudo que vem de Castela não presta. Qualquer bananoso que ouse defender a atitude de Castela é moralmente linchado.

E, finalmente, uma campanha de “boicote à empresa C”, para “defender a honra de Banânia” e “mandar os castelanos de volta pra casa”, foi sutilmente insuflada pela internet.

A situação dos bananosos em Castela continua, e continuará, na mesma. Mas eles já cumpriram sua missão.

Amanhã, quando a fusão entre A e B for anunciada, os bananosos vão comemorar. Afinal, que importa se 65% do mercado vai ficar concentrado na empresa AB? Que importa se os donos da empresa AB são amigos do Babalorixá? Que importa se o Babalorixá mudar as leis para ajudar seus amigos?

Nada disso importa.

O importante é que Banânia terá uma empresa “gigante” no setor, “capaz de ombrear com qualquer uma no mundo”. O importante é que “vamos dar uma lição nesses castelanos”. Olé!

E ai de quem tentar defender a justiça, e apontar as irregularidades dessa negociata. Vai ser logo chamado de “anti-patriota”, de “vendido aos imperialistas castelanos”.

E assim, eles conseguem novamente defender seus interesses, como “nunca antes neste pais”.

Ainda bem que isso é só uma fábula, sobre um país distante chamado Banânia. Essas coisas não acontecem em países reais. Pelo menos não naqueles que pretendem ser sérios.

Olé, olé, olé. E paratibum.

“A história do governo Lula é um mero reflexo da disputa comercial entre as operadoras de telefone.”
(Diogo Mainardi, 14/09/2005)

Enquanto isso, na Animal Farm…

25 Março 2008

Lauro Jardim, na Veja:

Não foi exatamente tranqüilo o início do vôo 455 da Air France que na terça-feira passada decolou de São Paulo para Paris. A responsável pela trepidação foi Marta Suplicy, que ia para a China, com escala em Paris. Ao embarcar, o casal Marta e Luis Favre relaxou e decidiu não passar pela revista de bagagem de mão feita por raios X. Os Favre furaram a fila da Polícia Federal. Vários passageiros se revoltaram. Marta respondeu que, no Brasil, para as autoridades não valem as exigências que recaem sobre os brasileiros comuns.

Os passageiros não relaxaram com a explicação. Continuaram a reclamar, mesmo com todos já embarcados. Deu-se, então, o inusitado: o comandante do Boeing 777 saiu do avião, chamou a segurança e disse que não decolaria até que todos os passageiros passassem suas bagagens de mão pelo raio X. Marta Suplicy deixou seu assento na primeira classe (Favre estava na executiva) e dignou-se fazer o que o comandante pediu. Nesse instante, os passageiros “relaxaram e gozaram”.

Já dizia Orwell: todos os porcos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros.

Não sei o que é mais revoltante nesse episódio. Se é o caráter de Dona Marta, se é o fato disso ser um retrato da verdadeira “zelite” que manda no país, se é o fato da situação toda não gerar a indignação que devia.

Dona Marta é da realeza, ela é “otoridade” da corte de Luís LI. E, por ser a Baronesa do Arouche, acha que pode furar fila e soltar essa pérola: “no Brasil, para as autoridades não valem as mesmas exigências que para brasileiros comuns”. Só faltou virar para o consorte franco-paraguaio e dizer “vamos, querido, não se misture com essa gentalha”.

Resta saber o que Dona Marta carregava de tão importante na bolsinha, que a fez ter tão pouca vontade de deixar que os policiais vissem… Aliás, o que ia Dona Marta fazer na China?

Essa missão de Dona Marta na China custou aos cofres brasileiros, entre passagens (de primeira classe!) e diárias, a bagatela de 20 mil dólares. 20 mil dólares. 35 mil reais. Para UMA pessoa viajar à China. Com conexão em Paris, bien sur.

Infelizmente, Dona Marta não entrou para a lista das brasileiras barradas na Europa – embora merecesse isso mais do que algumas outras. É bom lembrar que ela é a Ministra do Turismo. Uma atitude dessas é um belo cartão de visitas para o país no Exterior. Não que a corte de Luís LI se importe com isso, claro.

Resta aos paulistas receberem muito bem a Baronesa do Arouche em outubro. Respondam nas urnas.


Quem é você, que não sabe o que diz…

2 Março 2008

Luís LI, o Rei-Nu, discursando em Aracaju:

“Seria tão bom se o poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas dele, o Legislativo apenas nas coisas dele, e o Executivo nas coisas dele”

Ah, sim. O que menos Lula faz é meter o nariz nos outros poderes. Deve ser um sonho coletivo nosso, um delírio que imagina coisas como o Executivo legislando, dando ordens ao congresso, pagando mensalão a deputados, etc, etc.

Seria tão bom, não, senhor presidente? Mas bom pra quem? Certamente, para o senhor, é muito bom que o Judiciário e o Legislativo obedeçam suas ordens, e não metam muito o nariz nos negócios do Executivo. Afinal, sabe-se lá o que poderiam descobrir, não é mesmo?

Luiz Inácio poderia ter ido até ao fim, e dito que “seria tão bom se meus ministros não metessem o nariz e as mãos no bolso do povo”, “seria tão bom que o meu partido não vivesse envolvido em escândalos”, “seria tão bom que meus assessores não fossem investigados por corrupção”, “seria tão bom que meu governo não gastasse milhões com cartões corporativos”, “seria tão bom que certas senhoras de Brasília não exagerassem tanto no botox”.

Mas não. Ele prefere dizer que “seria bom que o Judiciário não metesse o nariz no governo dele”. Cada um sabe das suas prioridades.

“Se cada um ficar no seu galho, o Brasil tem chance de ir em frente. Se cada um der palpite [nas coisas do outro], pode conturbar tranqüilidade que sociedade espera de nós. (sic)

O que causou o ódio do presidente foi o comentário de Marco Aurélio Mello, Ministro do Supremo Tribunal Federal. Mello cometeu o “supremo” crime de criticar a ampliação dos programas assistencialistas do governo federal em ano de eleições. Ficou implícito que a Justiça deve agir, caso entenda que o governo cometa um crime eleitoral, de uso da máquina pública para favorecer alguns candidatos.

E foi exatamente isso que irritou Lula. Afinal, o plano está tão bem montadinho, a “base” preparada para eleger os candidatos simpáticos ao Planalto, as Bolsas-Votos a todo vapor, a postos para “seduzir” os eleitores, como pode agora vir um juizinho qualquer dizer que isso está contra a lei vigente no país?

Como a gente sabe, governo autoritário gosta é de unanimidade. Esse negócio de respeitar lei não é com ele. O que importa é a vontade do príncipe. Se Lula quer, quem é esse talzinho de Mello pra dizer que é ilegal? Só porque é ministro do Supremo, quer meter o nariz nas minhas coisas? É melhor botar ele pra fora e arrumar outro juiz. Não pode ter esse tal de Supremo que não deixa os home trabalhar! Vamos fechar essa porcaria logo.

Pois é, Lula. Não dá pra você fazer isso. Pelo menos, ainda não. Mas, mais uma vez, a sua máscara caiu: o viés anti-democrático de Luís LI e sua turma fica mais claro a cada vez que ele abre a boca.

Lula completou com a pérola:

“Da mesma forma que como ser humano e brasileiro as pessoas dão palpite sobre as coisas, o presidente da República pode dar palpite e julgar os palpites dos outros. Afinal, estamos num debate político.”

A nível de ser humano, enquanto brasileiro, Luiz da Silva se limitou a “dar um palpite”. Tudo bem. Ao “debate político”, eu já respondi, dando minha contribuição. Ao “cidadão palpiteiro”, eu não respondo. Chamo alguém que faça isso melhor.

Fala, Noel!

“Quem é você que não sabe o que diz?
Meu Deus do céu, que palpite infeliz!
(…)
Eu já chamei você pra ver,
Você não viu porque não quis.
Quem é você que não sabe o que diz?
(…)
Pra que ligar a quem não sabe
Onde tem o seu nariz?
Quem é você que não sabe o que diz?”