Te escrevo com nove dias de atraso. “Você já foi melhor nisso”, dirás. Verdade. Mas também já fui pior.
Você é uma boba, que ainda não viu Lost. E por isso vai ficar sem entender o título do texto por inteiro. Eu não vou perder tempo explicando.
Latas de coca-cola às sete da manhã, céus estrelados em Botafogo, enterros vikings (e fingimentos deles), um passeio de balão, as manhãs nos corredores desertos. Como os signos abrem cocos. Um Palio branco, eterno. O ato III de Júlio César. Um patinho dançando. Um trabalho de TGS resolvido da maneira mais inesquecível. Fragmentos que te atiro, para testar a tua memória, que cismas em insistir ser melhor que a minha. Não é, nunca foi. Mas é quase. E isso é uma grande coisa. Você tem potencial, um dia talvez chegue lá.
Because we’re alike. Bad lots, both of us. Selfish and shrewd. But able to look things in the eyes as we call them by their right names.
Hoje, o DJ podia tocar um monte de músicas, que iria acertar.
Pra ficar só em músicas “coloridas”, podia ser a do Coldplay, que também valeria. E, lá no fundo, faz um par com a escolhida.
Picture perfect mornings.
Mas eu prefiro essa aqui. Dedicada aos bohemians – new bohemians, rhapsody bohemians.
‘Cause diamonds are forever. And Wonderlanders are forever, too.
GREEN
(Edie Brickell)
We like to spy on the neighbors.
They look so happy together.
Funny the power of strangers.
Sometimes I wonder if they got it better.
Green. Have you seen green?
Check out the view from the rooftop.
They’ve got a horse and a big trampoline.
Running and jumping till they drop.
Down on the ground and they’re rolling around in… green.
Have you seen green?
Have you seen green grass?
So green… grass.
So green.
I’d like to be like that.
I’d like to be like that.
I’d like to be moving on a lawn… so green.
I want to laugh the way they laugh.
See all my blues get back up in the sky.
If only we had what they had.
We’d never worry and we’d never cry for… green.
Have you seen green?
Have you seen grass?
So green… grass.
So green.
I’d like to be like that.
I’d like to be like that.
I’d like to be moving on a lawn… so green.
(Nota: Não consegui encontrar um video da Edie Brickell cantando “Green”. Esse video, segundo a página do Youtube, é de um show em Jerusalem (!), e cantado por Michelle Cohn (Michelle Quem?). Mas eu achei legal. E eu preferi manter “Green” sem a Brickell do que a Brickell sem a “Green”. Valeu a intenção. )
Não, não vou falar de cinema. Não, não vou falar o que achei de Watchmen. Ainda não, pelo menos. Não nesse post. E por isso precisam ser dois textos sobre o filme, para que o “oficial” possa ser escrito livre do que me faz escrever este.
Adianto: Watchmen é um filmaço, independente de qualquer outra coisa. Para os fãs dos quadrinhos, é melhor ainda. E para mim, além de ser um grande filme, foi um encontro marcado com o passado.
Meus bons amigos, onde estão? Notícias de todos, quero saber. Lendo um diário, navegando em um cargueiro, eu recuei dez anos. Voltei ao tempo em que li Watchmen pela primeira vez.
“When the Lord closes a door, somewhere He opens a window.”
(Maria von Trapp)
Os leitores mais antigos do QsQ talvez lembrem da “Teoria Geral dos Seriados”, descrita em alguns posts por aqui e por ali – e desenvolvida em muitas conversas in real life. Basicamente, falávamos sobre como a nossa vida é sempre um seriado. Um protagonista ao redor de quem tudo se desenrola. Co-protagonistas, coadjuvantes, figurantes. Atores que são fixos, outros que entram para ficar. Alguns que ficam por tanto tempo que parecem ser fixos, às vezes saem, às vezes voltam, outros que ficam uma temporada, um episódio, dizem suas falas, fazem seu papel, e depois se vão, deixando ou não boas recordações. Às vezes comédia, às vezes drama, às vezes aventura, às vezes romance. Cada temporada tem um tom, cada episódio tem um tema. E sempre, sempre, sempre, uma trilha sonora adequada. O DJ geralmente sabe o que fazer nessas horas.
A TGS normalmente me vêm à cabeça em momentos-chave. Às vezes, novas temporadas começam com rupturas, quando acontece algo que, obrigatoriamente, vai fazer com que muita coisa mude ao seu redor. Às vezes não, começam apenas porque já era hora de começarem. E aí, seja aos poucos, seja de uma vez, você sente o início da nova temporada. Ainda que não saiba qual vai ser exatamente o estilo dela. Você está, por assim dizer, no “episódio piloto”. Com novos cenários, novos atores. E com um protagonista que não decorou o seu texto, e vive num eterno improviso.
* * * * *
Uma das minhas histórias favoritas do mestre Keno Don Rosa se chama “Sete cavaleiros (menos quatro) e um destino”. É uma sequência de um filme clássico da Disney, “The three caballeros”, de 1944. No filme, feito para popularizar as histórias Disney na América Latina, Donald visita o continente, onde encontra um mexicano (Panchito) e um brasileiro (José Carioca, em sua segunda aparição – a primeira havia sido dois anos antes, em “Alô amigos”, onde também passeava com Donald pelo Brasil), que mostram a ele as belezas dos seus países. A parte brasileira, “Você já foi à Bahia?”, com participação da cantora Aurora Miranda (irmã de Carmen), é ainda hoje um marco da visão do Brasil no exterior.
Don Rosa, 60 anos depois, parte de uma crise do Donald, em uma época da vida dele em que tudo parece dar errado e ele se sente incapaz de mudar as coisas. É quando seus sobrinhos descobrem o que poderia ser uma solução para o seu problema: uma viagem ao Rio de Janeiro, onde armam um encontro do tio com Zé Carioca e Panchito. Durante a história, Zé e Panchito mostram a Donald que ele não é nada daquilo que teme ter se tornado, e ainda é o mesmo pato de antigamente, cheio de qualidades. Só aí Donald consegue recuperar “aquilo que tinha perdido nos últimos anos”.
Lembrei muito dessa história nas últimas semanas. E qual não foi a minha surpresa ao receber uma mensagem de um amigo (quer dizer, ao menos eu o considero assim), tão fã do Don Rosa quanto eu, dizendo torcer para que eu “agora não perca mais aquilo que passou um tempo desaparecido”. A mesma referência, a mesma história. Isso sem termos falado sobre o assunto. E, como foi dito em um outro diálogo, espero mesmo que continue “tudo azul” na minha frente. Ou, como diz o ditado português, que fique ainda melhor, que o que vejo à minha frente seja tudo “dourado sobre azul”.
* * * * *
O Piloto se encerrou nessa semana. O cenário está criado, alguns personagens estão apresentados. Quase tudo foi muito bom, com uma exceção. Um tom de drama que apareceu para balancear um pouco o clima leve do resto do episódio. Mas the show must go on. O episódio acaba como tinha que acabar, com um gancho teatral, e “cenas dos próximos capítulos”. Sobe a música de fundo, e vamos ver o que vem por aí.
Uma nova temporada pede uma nova trilha sonora. Sempre é assim, dessa vez não seria diferente. E já tem temas suficentes para montar um cd. MPB, rock, sertanejo. Tem até pagode, veja só. E bossa nova em ritmo de pagode, veja só parte II.
Mas, para escolher apenas uma música para trilha do Piloto, será essa. Além de ser simbólica por si só, também tem a ver com um momento central desse episódio. Talvez da temporada. Quem sabe de toda a série. Com direito a berrante e tudo.
TOCANDO EM FRENTE
(Almir Sater/Renato Teixeira)
Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe,
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei,
Ou nada sei.
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs.
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso chuva para florir…
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente,
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou.
Estrada eu sou
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir
Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, e no outro vai embora.
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz,
E ser feliz
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir
Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz
“Morte de malandro a gente comemora assim, conta uma história sobre ele e toma uma gelada para lembrar de tudo de bom que ele fez.” (Zeca Pagodinho)
Sem tristezas. Morreu o José Bispo. O Jamelão não morre nunca.
Mangueirense, vascaíno, e o maior intérprete de samba-enredo que o Brasil teve. Intérprete. Nunca puxador. “Puxador é quem puxa carro, é quem puxa droga. Eu canto samba.”
Não sou exatamente um apaixonado por samba, muito menos na época de carnaval. Mas ouvir a voz de Jamelão era sempre algo diferente. OK, cabeças maldosas, façam a piada fácil: não tinha como não se emocionar quando a Mangueira entrava, com a voz de Jamelão dando o tom.
Nos últimos anos em que participou no desfile, com a voz fraca, o mestre se poupava. Na hora do disco, e dos ensaios, os outros cantavam o samba. E na hora da Apoteose (trocadilho incluído) era ele que estava lá, dando outra vida à letra.
Em pelo menos dois anos eu fui enganado. Ouvia o tema da Mangueira no disco, na rádio, e dizia “que porcaria de samba”. E na hora da avenida, não dava outra: na voz de Jamelão, aquele samba chocho virava o melhor do ano. Impressionante.
Mas Jamelão era mais que intérprete, mais que sambista, mais que um decano do carnaval. Era uma voz completa. E, apesar de toda a Mangueira, a minha maior lembrança de Jamelão vem de uma gravação que ele fez há 40, 50 anos atrás, lá no tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça e os pintos ficavam felizes com qualquer lixo.
Poetas, seresteiros, namorados, se aproximai. Jamelão, o mal-humorado, o resmungão da verde-e-rosa, um dia foi popular e recordista de vendas de compactos e LPs, cantando as músicas agridoces de outro mestre, Lupicínio Rodrigues.
E foi uma dessas músicas que me acompanhou por algum tempo, e será sempre parte da trilha sonora do seriado. Não na versão linda do Jamelão, infelizmente. Essa me fez chorar na primeira vez que ouvi, de tão linda era aquela voz, e ainda me emociona sempre que a ouço. Mas a versão que ficou famosa foi o assassinato dessa música, cometido pelo coral e trio de cordas (enroladas) ”Um monte de bossa”, grupo de reconhecido insucesso que se arrastava pelos corredores de uma certa universidade carioca.
E, para me despedir do José Bispo, trago para cá o espírito da frase do Zeca Pagodinho, ergo meu copo, limpo a garganta e começo a cantar, inteiramente desafinado. Vai com Deus, Jamelão.
ELA DISSE-ME ASSIM
(Lupicínio Rodrigues)
Ela disse-me assim, tenha pena de mim, vá embora
Vais me prejudicar, ele pode chegar, está na hora
E eu não tinha motivo nenhum para me recusar
Mas aos beijos caí em seus braços e pedi pra ficar
Sabe o que se passou, ele nos encontrou e agora
Ela sofre somente porque foi fazer o que eu quis
E o remorso está me torturando
Por ter feito a loucura que fiz
Eu não gosto da data. Aliás, é mentira dizer que “não gosto”. Simplesmente não me diz nada. Quando solteiro, não me sinto nem um pouco incomodado com ela. Quando acompanhado, não me sinto nem um pouco empolgado com ela. Não preciso de uma data comercial (que, aliás, só no Brasil é nesse dia) para me lembrar de que é dia de fazer algo pra se mostrar que gosta de alguém.
Mas essa tirinha aqui merece fazer render um post de homenagem à data. Muito boa, para quem tem ao menos um nível dois no famoso teste geek (não pergunte, não pergunte). Parabéns ao autor. Sensacional. Estou aqui morrendo de inveja da idéia e do resultado.
Além de tudo, é uma tira que me faz lembrar de um certo 12 de junho há alguns anos atrás, dos tempos em que eu fazia coisas como essa.
Feliz dia dos namorados, para quem gosta dessa data. Eu ainda prefiro aquelas em que nada se comemora.
PS1: “E a Mônica explicava pro Eduardo coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar.”. Esse trecho sempre foi o que mais me irritou na música inteira. Nesta versão, o verso se torna o meu favorito. Essa Mônica é pra casar! Além de tudo, ela é uma menina que sabe que a resposta da vida, do universo e tudo o mais é 42!
PS2: Um dia eu ainda escrevo sobre o porque de eu, um fã tão convicto de Legião, ter uma relação de amor e ódio com essa letra…
A casa de Londres onde o escritor escocês J. M. Barrie concebeu e escreveu “Peter Pan” está à venda por 6,75 milhões de libras (US$ 13,5 milhões, cerca de R$ 23,6 milhões).
“Esta é uma residência única e mágica, onde J.M. Barrie viveu e criou o conto ‘Peter Pan’”, afirma a agência imobiliária que colocou à venda a propriedade, situada na Gloucester Road, oeste de Londres.
A residência vitoriana conta com seis dormitórios e um jardim encantador, segundo o anúncio.
“Mas é sua história que acrescenta uma dimensão especial à casa”, afirma a imobiliária.
A propriedade é situada de frente para os jardins de Kensington, onde Barrie conheceu os meninos Llewelyn-Davis, que inspiraram as histórias dos Meninos Perdidos liderados por Peter Pan.
Tento fazer desse lugar o meu lugar Ao menos por enquanto Enquanto isso durar O que me separa de você agora? Um avião, um oceano, outros planos E muitos enganos
Por enquanto espero e vou vivendo Apenas fantasio meus dias aqui É, isso é verdadeiro Me troco, me arrojo Ao menos por enquanto Enquanto isso durar
Como voltar? “No way” Não sei nem divagar sobre nós Como voltar E esperar o prêmio intenso De voltar pra mim diferente? Vou tentar fazer daqui o meu lugar
(Disclaimer: a leitura deste post é desaconselhável para pessoas que confundam fatos e opiniões firmes com ofensas.)
Há horas em que a vergonha de ser brasileiro atinge níveis estratosféricos. O STJD (“Supremo” “Tribunal” de “Justiça” “Desportiva”, todas as aspas são poucas) cedeu à pressão da bandidagem, e deu o dito pelo não dito, beneficiando uma vez mais o time da Petrobrás.
Para quem não acompanhou o caso, um breve histórico. Os rapazes alegres da torcida negro-rubra, sempre elegantes e bem educados, crianças que só querem se divertir, atiraram objetos no campo, não em uma, mas em duas partidas seguidas. Da segunda vez, atingiram um dos membros da equipe de arbitragem, que relatou o fato na súmula.
A partir daí, as vergonhas se sucederam. Primeiro, o julgamento foi inexplicavelmente adiado, por um tempo infinito, para não atrapalhar o belíssimo trabalho que estavam fazendo tirando esse time da lama onde estava. Depois, ele conseguiu ser absolvido no julgamento do primeiro caso. No segundo, esgotadas as manobras, não havia como não punir. Deram a punição mais leve: um jogo com portões fechados.
E qual a reação da “nação”? Ora, vocês não acham que eles iam aceitar isso calados, né? Eles agiram mostrando todo o seu caráter: ameaçando, intimidando, jogando com o terror. Ou cancelam a punição ou então vamos “cercar o Maracanã na hora do jogo”. E vindo de quem vem, sabemos o que isso significaria. Deixaram bem claro as opções: impunidade ou barbárie. E foram apoiados nisso por uma parcela irresponsável da imprensa, que deu voz a esses marginais. Como disse um projeto de jornalista numa rádio carioca, “é bom a justiça ter noção de que vai ser responsável por muitas mortes se insistir nessa palhaçada de impedir a nação de exercer seu direito de apoiar o time”.
Covardemente, o STJD cedeu à chantagem, e anulou a punição. O time da Petrobrás vai ficar impune, mais uma vez. Os bandidos, claro, estão rindo à toa. Quem disse que o crime não compensa? No Brasil compensa, sim. Compensa tanto que o presidente do “Tribunal” de “Justiça” mandou um fax ao clube, dando os parabéns pela suspensão da sentença.
É isso mesmo. O presidente do Tribunal, aquele homem que representa a justiça (lembram o que é isso? é aquela paradinha da balança, imparcial, etc), a pessoa que decidiu suspender a pena, MANDA UM FAX para o réu, dando os parabéns pela decisão que ELE, juiz, tomou.
Só no Brasil. Só no Brasil.
E assim, o time da Petrobrás dá mais um passo na sua escalada. Depois do record batido no Campeonato Carioca deste ano, quando o juiz da decisão foi sequestrado no dia do jogo, e sua família mantida como refém até ao fim da partida, eles provaram que sempre podem ir mais longe. Agora, que conseguiram o novo record de anular uma decisão judicial com ameaças terroristas, qual será o próximo objetivo?
Na Itália, depois dos tumultos de domingo, a justiça (sem aspas) decidiu enquadrar os baderneiros como terroristas, pelas ameaças que trouxeram à segurança pública. Era o mínimo que a justiça brasileira poderia fazer, processando os líderes da torcida e os jornalistas que ajudaram a incitar a violência. Mas como aqui as únicas leis que valem são a de Gérson e a da selva…
Para todos os pais, de hoje e de amanhã. Presentes ou ausentes. Próximos dos filhos ou distantes. Para os que estão conosco fisicamente, para os que partiram para outros planos.
(E eu digo que é a melhor “da língua portuguesa” porque ela é uma música brasileira, mas que tem como versão definitiva – para mim, pelo menos - a gravada por um cantor português, Nuno da Câmara Pereira.)
Esses seus cabelos brancos Bonitos Esse olhar cansado Profundo Me dizendo coisas Um grito Me ensinando tanto Do mundo…
E esses passos lentos De agora Caminhando sempre Comigo Já correram tanto Na vida Meu querido, meu velho, meu amigo
Sua vida cheia De histórias E essas rugas marcadas Pelo tempo Lembranças de antigas Vitórias Ou lágrimas choradas Ao vento…
Sua voz macia Me acalma E me diz muito mais Do que eu digo Me calando fundo Na alma Meu querido, meu velho, meu amigo
Seu passado vive Presente Nas experiências Contidas Nesse coração Consciente Da beleza das coisas Da vida Seu sorriso franco Me anima Seu conselho certo Me ensina, Beijo suas mãos E lhe digo Meu querido, meu velho, meu amigo
Eu já lhe falei de tudo, Mas tudo isso é pouco Diante do que sinto… Olhando seus cabelos tão bonitos, Beijo suas mãos e digo Meu querido, meu velho, meu amigo
Pai, pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo pra gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez
Pai, pode ser que daí você sinta
Qualquer coisa entre esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz
Pai, pode crer, eu tô bem, eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura pra você renascer
Pai, eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Pra falar de amor pra você
Pai, senta aqui o jantar tá na mesa
Fale um pouco, tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida
Onde a vida só paga pra ver
Pai, me perdoe essa insegurança
É que eu não sou mais aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo
Nos teus braços você foi mais eu, eu, eu
Pai, eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no seu peito
Pra pedir pra você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar
Pai, você foi meu herói, meu bandido
Hoje é mais, muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz
Pai, paz