Letra e Música – Como uma onda no mar

11 Julho 2009

As ondas são anjos que dormem no mar, que tremem, palpitam, banhados de luz… São anjos que dormem, a rir e sonhar e em leito d’escuma revolvem-se nus!

E quando, de noite, vem pálida a lua seus raios incertos tremer, pratear… E a trança luzente da nuvem flutua… As ondas são anjos que dormem no mar!

Ai! quando tu sentes dos mares na flor os ventos e vagas gemer, palpitar… Por que não consentes, num beijo de amor, que eu diga-te os sonhos dos anjos do mar?



Letra e Música – Gondola e Barcos

27 Junho 2009

Só, quando a terra dorme solitária e ergue-se à meia-noite, branca, a lua, e a brisa geme cantos de tristeza na rama do pinheiro, que flutua; e quando o orvalho pende do arvoredo que se debruça p’ra beijar o rio, e as estrelas no céu cintilam lânguidas — Pérolas soltas de um colar sem fio; então eu vou sentar-me sobre a relva, eu vou sonhar meus sonhos ao relento, e só conto o segredo de minh’alma das horas mortas ao tristonho vento.

Meu segredo? É o canto de poesia que suspirou saudoso o gondoleiro, que vai morrer gemente sobre as praias. Da despedida pranto derradeiro — mais aéreo que as vozes da sereia — alta noite — sentada sobre a areia.

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Letra e música – O dia do padroeiro

24 Junho 2009

O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso da natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor, pintor ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis da visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta.


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Letra e Música – O Pai e a Pátria

10 Junho 2009

As armas e os barões assinalados, que da ocidental praia Lusitana, por mares nunca de antes navegados, passaram ainda além da Taprobana, em perigos e guerras esforçados, mais do que prometia a força humana, e entre gente remota edificaram Novo Reino, que tanto sublimaram, e também as memórias gloriosas daqueles reis, que foram dilatando a Fé, o Império, e as terras viciosas de África e de Ásia andaram devastando, e aqueles, que por obras valerosas se vão da lei da morte libertando, cantando espalharei por toda parte, se a tanto me ajudar o engenho e arte.

(…)

“E porque, como vistes, têm passados na viagem tão ásperos perigos, tantos climas e céus experimentados, tanto furor de ventos inimigos, que sejam, determino, agasalhados nesta costa africana, como amigos. E tendo guarnecida a lassa frota, tornarão a seguir sua longa rota.”

Estas palavras Júpiter dizia, quando os Deuses por ordem respondendo, na sentença um do outro diferia, razões diversas dando e recebendo. O padre Baco ali não consentia no que Júpiter disse, conhecendo que esquecerão seus feitos no Oriente, se lá passar a Lusitana gente. (…) Teme agora que seja sepultado seu tão célebre nome em negro vaso d’água do esquecimento, se lá chegam os fortes Portugueses, que navegam.

Sustentava contra ele Vênus bela, afeiçoada à gente Lusitana, por quantas qualidades via nela da antiga tão amada sua Romana - nos fortes corações, na grande estrela, que mostraram na terra Tingitana, e na língua, na qual quando imagina, com pouca corrupção crê que é a Latina.

Com que voz chorarei meu triste fado,
que em tão dura prisão (paixão) me sepultou,
que mor não seja a dor que me deixou
o tempo, de meu bem desenganado?

Mas chorar não se estima neste estado,
(a)onde suspirar nunca aproveitou;
triste quero viver, pois se mudou
em tristeza a alegria do passado.

(Assi a vida passo descontente,
ao som nesta prisão do grilhão duro
que lastima o pé que o sofre e sente!)

De tanto mal a causa é amor puro,
devido a quem de mi(m) tenho ausente
por quem a vida, e bens dela, aventuro.


Tommy and The Snake Eyes

5 Junho 2009

Letra e musica – Rompendo o mar salgado

22 Maio 2009

Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram, quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu.


XUTOS E PONTAPÉS
Homem do Leme

Sozinho na noite
um barco ruma para onde vai.
Uma luz no escuro brilha a direito
ofusca as demais.

E mais que uma onda, mais que uma maré…
Tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé…
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme…

E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder…

No fundo do mar
jazem os outros, os que lá ficaram.
Em dias cinzentos
descanso eterno lá encontraram.

E mais que uma onda, mais que uma maré…
Tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé…
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme…

E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder…

No fundo horizonte
sopra o murmúrio para onde vai.
No fundo do tempo
foge o futuro, é tarde demais…

E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder…


Constante

15 Maio 2009

Te escrevo com nove dias de atraso. “Você já foi melhor nisso”, dirás. Verdade. Mas também já fui pior.

Você é uma boba, que ainda não viu Lost. E por isso vai ficar sem entender o título do texto por inteiro. Eu não vou perder tempo explicando.

Latas de coca-cola às sete da manhã, céus estrelados em Botafogo, enterros vikings (e fingimentos deles), um passeio de balão, as manhãs nos corredores desertos. Como os signos abrem cocos. Um Palio branco, eterno. O ato III de Júlio César. Um patinho dançando. Um trabalho de TGS resolvido da maneira mais inesquecível. Fragmentos que te atiro, para testar a tua memória, que cismas em insistir ser melhor que a minha. Não é, nunca foi. Mas é quase. E isso é uma grande coisa. Você tem potencial, um dia talvez chegue lá.

Because we’re alike. Bad lots, both of us. Selfish and shrewd. But able to look things in the eyes as we call them by their right names.

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Onde estavas no 25 de abril?

25 Abril 2009

AS BRUMAS DO FUTURO
(Pedro Ayres Magalhães)

Sim, foi assim que a minha mão
surgiu de entre o silêncio obscuro
e com cuidado, guardou lugar
à flor da primavera e a tudo

Manhã de Abril
e um gesto puro
coincidiu com a multidão
que tudo esperava e descobriu
que a razão de um povo inteiro
leva tempo a construir

Ficamos nós
só a pensar
se o gesto fora bem seguro

Ficamos nós
a hesitar
por entre as brumas do futuro

A outra acção prudente
que termo dava
à solidão da gente
que desesperava
na calada e fria noite
de uma terra inconsolável

Adormeci
com a sensação
que tínhamos mudado o mundo
na madrugada
a multidão
gritava os sonhos mais profundos

Mas além disso
um outro breve início
deixou palavras de ordem
nos muros da cidade
quebrando as leis do medo
foi mostrando os caminhos
e a cada um a voz
que a voz de cada era
a sua voz
a sua voz


Unforgettable

6 Abril 2009

… though near or far.

Hoje, o DJ podia tocar um monte de músicas, que iria acertar.

Pra ficar só em músicas “coloridas”, podia ser a do Coldplay, que também valeria. E, lá no fundo, faz um par com a escolhida.

Picture perfect mornings.

Mas eu prefiro essa aqui. Dedicada aos bohemians – new bohemians, rhapsody bohemians.

‘Cause diamonds are forever. And Wonderlanders are forever, too.

GREEN
(Edie Brickell)

We like to spy on the neighbors.
They look so happy together.
Funny the power of strangers.
Sometimes I wonder if they got it better.
Green. Have you seen green?
Check out the view from the rooftop.
They’ve got a horse and a big trampoline.
Running and jumping till they drop.
Down on the ground and they’re rolling around in… green.
Have you seen green?
Have you seen green grass?
So green… grass.
So green.
I’d like to be like that.
I’d like to be like that.
I’d like to be moving on a lawn… so green.
I want to laugh the way they laugh.
See all my blues get back up in the sky.
If only we had what they had.
We’d never worry and we’d never cry for… green.
Have you seen green?
Have you seen grass?
So green… grass.
So green.
I’d like to be like that.
I’d like to be like that.
I’d like to be moving on a lawn… so green.

(Nota: Não consegui encontrar um video da Edie Brickell cantando “Green”. Esse video, segundo a página do Youtube, é de um show em Jerusalem (!), e cantado por Michelle Cohn (Michelle Quem?). Mas eu achei legal. E eu preferi manter “Green” sem a Brickell do que a Brickell sem a “Green”. Valeu a intenção. :) )


Ouvindo o silêncio

16 Março 2009

THE SOUND OF SILENCE
(Simon & Garfunkel)

Hello darkness, my old friend,
I’ve come to talk with you again,
Because a vision softly creeping,
Left its seeds while I was sleeping,
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence.In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone,
‘Neath the halo of a street lamp,
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence.

And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more.
People talking without speaking,
People hearing without listening,
People writing songs that voices never share
And no one dared
Disturb the sound of silence.

“Fools” said I, “You do not know
Silence like a cancer grows.
Hear my words that I might teach you,
Take my arms that I might reach you.”
But my words like silent raindrops fell,
And echoed
In the wells of silence

And the people bowed and prayed
To the neon god they made.
And the sign flashed out its warning,
In the words that it was forming.
And the sign said, “The words of the prophets are written on the subway walls
And tenement halls.”
And whisper’d in the sounds of silence.


Uma canção para ti: a alma alentejana

31 Janeiro 2009

Uma canção para ti” foi o nome de um programa, exibido pela televisão portuguesa no ano passado. A premissa era simples: um concurso musical, onde crianças/adolescentes de 9 a 15 anos, do país inteiro, puderam se inscrever. Uma peneira rigorosa selecionou os 12 melhores, que se apresentaram nas três edições do programa. A regra de ouro: só músicas portuguesas. A primeira fase eliminou três. A segunda, mais dois. E, na grande final, os sete sobreviventes disputaram o prêmio de 25 mil euros.

O nível foi elevadíssimo. Esqueçam Famas, Ídolos, ou semelhantes. Ali, eram doze grandes cantores em potencial. Alguns deles, mais que isso, grandes cantores já agora. Mas, mesmo assim, foi fácil saber quais os três que eram apenas “bons”, e ficaram de fora na primeira noite. aí pra frente, entre os outros nove, havia os “muito bons” e os “ótimos”.

O programa parecia despretensioso, apenas mais um daqueles programas de crianças engraçadinhas cantando. Mas quando a primeira candidata, Beatriz Costa, 11 anos, iniciou o seu número… Inacreditável. Como podia se encaixar tanta voz em uma corpo tão pequeno? Bem, deve ter sido só ela, escolheram a única boa para abrir e ganhar a audiência. Mas depois veio um João, veio um Miguel, uma Diana. E os espectadores deixaram de se surpreender. Beatriz continuava sendo a melhor (ou pelo menos uma das duas melhores), mas estava longe de ser a única boa candidata.

O décimo candidato foi um rapaz chamado Luís Caeiro. Alto, magro, vestido de preto, com um nariz chamativo. Uma figura. Quando abriu a voz para a entrevista, deu pena. Uma voz estranha, um sotaque interiorano carregado, típico do Alentejo, uma das regiões mais rurais de Portugal. O rapaz não teria a menor chance. Quando ele anunciou a música que ia cantar, tive ainda mais pena. O “Fado do 31“, popularizado por Rodrigo, um fadista com voz e cara de marinheiro, decididamente não era a melhor escolha para alguém com aquele timbre de voz. Coitado.

Quando ele começou a cantar, quem ficou mudo fui eu.

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A outra margem

6 Janeiro 2009

DIA DE PASSEIO
(Rio Grande)
(Letra: João Monge / Música: João Gil)

Pinta os lábios de vermelho
Passa meia-hora ao espelho
Mostra-me do que és capaz
Hoje é dia de passeio
E enquanto eu me barbeio
Passa o pente no rapaz

A cidade é tão bonita
Quando vamos de visita
À saída da portagem
E mais tarde pela “linha”
Bebe-se a brisa marinha
E aprecia-se a paisagem

Quando acaba o casario
Onde não chega o Bugio
Vem a Boca-do-Inferno
O mar em contestação
Se isto é assim no Verão
O que fará no Inverno

Mandei vir o que pedias
Isto um dia não são dias
Na esplanada das muralhas
Para nos são limonadas
O rapaz pediu queijadas
- Cuidado com as migalhas!

O Sol já se quer deitar
Está na hora de abalar
Arrepia-me esta aragem
Fui onde Deus pôs a mão
Volto à minha condição
De regresso à outra margem


Abre aspas

27 Outubro 2008

Seguindo a corrente que começou , passou por ali, e chegou aqui, o QsQ também dá a sua contribuição.

E, parafraseando a Carol, eu também resolvi a dificuldade da escolha da poesia bem ao meu modo. Um poema que fala do ser poeta, e que é também uma música. Assim, mantenho o ritmo dos últimos dias (leia a letra, ouça a música, veja o vídeo). Além de tudo, é um poema lindo, mais lindo ainda na versão musicada. E aproveito para mostrar aos leitores um pouco mais de um grupo que adoro.

A poeta é Florbela Espanca. Nascida em Vila Viçosa, cidade interiorana do sul de Portugal, em 1894, Florbela teve uma vida polêmica, que acaba por vezes se refletindo na sua obra. Uma das primeiras mulheres a frequentar a escola secundária (equivalente ao nosso ginásio) da cidade de Évora, Florbela casou aos 19 anos, e entrou para a Faculdade de Direito de Lisboa. Depois, largou o curso, se divorciou, casou novamente, e se divorciou uma vez mais. Nessa altura, a  família a rejeitou, e Florbela foi viver para o Porto, onde casou pela terceira vez. Aos 36 anos, depois de uma depressão agravada pela morte do irmão, a poeta se suicidou, tomando duas caixas de barbitúricos.

Sua poesia, geralmente, é marcada pela melancolia e por um certo tom ultra-romântico. O poema escolhido aqui é um onde, superficialmente, esses traços podem não aparecer tanto. Mas estão lá, sim, toda a intensidade, as imagens fortes que caracterizam a poesia de Florbela. O verso onde ela define que ser poeta é como “ser mendigo e dar como quem seja rei do reino de aquém e de além dor” é uma das mais interessantes definições do ofício. Se o poeta é um fingidor, que chega a fingir que é dor a dor que sente, como diz Pessoa, é também essa entrega, esse tom algo desesperado de Florbela, mendigo que age como rei “de aquém e de além dor”. E a maneira como a alma do poeta é amarrada na última estrofe, onde depois de todos os superlativos e exageros visuais, conclui-se singelamente que “ser poeta (também) é amar-te assim, perdidamente, e dize-lo a toda a gente” faz um belo contraponto. Não deixa de queimar. Não deixa de ser uma imagem viva. O “astro que flameja” é paralelo àquele que “ama perdidamente”. Mas amarra o soneto de uma maneira inesperada, com outro ritmo, que a música pega bem.

Nos anos 80, João Gil, guitarrista da banda portuguesa “Trovante”, musicou este poema, que foi gravado pela primeira vez no disco “Terra Firme”, de 1987. Depois, em 1999, o grupo “Ala dos Namorados”, nova casa de João Gil, faz uma releitura do tema no disco ao vivo “Solta-se o beijo”. Essa versão é um belo dueto do vocalista do Ala, Nuno Guerreiro, com a cantora Sara Tavares.

PERDIDAMENTE
(Florbela Espanca/João Gil)

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de infinito
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim…
É considerar o mundo num só grito!

E é amar-te assim, perdidamente…
E é seres alma, e sangue, e vida em mim…
E dize-lo cantando a toda a gente…


Vienna (always) waits for you

8 Outubro 2008

Slow down, you crazy child
you’re so ambitious for a juvenile
But then if you’re so smart, tell me
Why are you still so afraid?

Where’s the fire, what’s the hurry about?
You’d better cool it off before you burn it out
You’ve got so much to do and
Only so many hours in a day

But you know that when the truth is told..
That you can get what you want or you get old
You’re gonna kick off before you even
Get halfway through
When will you realize, Vienna waits for you?

Slow down, you’re doing fine
You can’t be everything you want to be
Before your time
Although it’s so romantic on the borderline tonight
Tonight,…
Too bad but it’s the life you lead
you’re so ahead of yourself that you forgot what you need
Though you can see when you’re wrong, you know
You can’t always see when you’re right. you’re right

You’ve got your passion, you’ve got your pride
but don’t you know that only fools are satisfied?
Dream on, but don’t imagine they’ll all come true
When will you realize, Vienna waits for you?

Slow down, you crazy child
and take the phone off the hook and disappear for awhile
it’s all right, you can afford to lose a day or two
When will you realize,..Vienna waits for you?
And you know that when the truth is told
that you can get what you want or you can just get old
You’re gonna kick off before you even get half through
Why don’t you realize,. Vienna waits for you
When will you realize, Vienna waits for you?


Tantas voltas dá a vida…

29 Setembro 2008

O SOBRESCRITO
(João Monge/João Gil)

Bateram ao postigo. Era o carteiro
Trazia um sobrescrito de Lisboa
Não era engano: O nome estava inteiro
Era dirigido à minha pessoa

Abri-o logo ali: Era a respeito
De um pedido que em tempos eu fiz
Para qualquer ofício ganho o jeito
Mesmo que seja só como aprendiz

Tantas voltas dá a vida
Tantas voltas dá o Mundo
E depois volta não volta
Muda tudo num segundo

Nessa tarde já não saí de casa
Sentei-me frente ao lume a matutar
Enquanto dava a volta a uma brasa
Há dias de perder e de ganhar

Meti a tralha toda para um cesto
E mesmo ainda assim sobrava fundo
O que ficou tinha muito mais texto
Não cabe em nenhum verso deste mundo

Tantas voltas dá a vida
Tantas voltas dá o Mundo
E depois volta não volta
Muda tudo num segundo

Foi toda a minha gente a despedida
Ao Largo donde partiu a carreira
Abraços, beijos e até comida
Cada um exprime-se à sua maneira

E foi assim que a vida deu uma volta
A carta e os conselhos de um braseiro
O campo por onde eu andava à solta
Agora está no fundo de um estaleiro

Tantas voltas dá a vida
Tantas voltas dá o Mundo
E depois volta não volta
Muda tudo num segundo