Toda saga tem seu começo

31 Maio 2009

Vasco 1×0 Brasiliense
09/05/2009

Saber racionalmente é uma coisa. Sentir é outra, bem diferente.

Há cinco meses nós estávamos nos preparando para esse dia. O choro da queda, a promessa de regresso, os ventos de mudança. As piadas, os coros dos adversários. A gente acha que o pior já passou.

Mas não, não passou.

Nada nos prepara de verdade para aquele momento em que você chega no estádio, e entende que vai começar o campeonato da segunda divisão, e você faz parte dele. Nada te prepara para aquela sensação de ver os jogos da primeira divisão de maneira tão distanciada como se vê o campeonato italiano ou o espanhol. Durante um ano, só o que importa para você é a segundona, a série B.

E não, ninguém está preparado para isso. Não até o apito incial do primeiro jogo. Só ali a ficha cai.

E o caminho só existe quando por ele você passa.

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Letra e musica – Rompendo o mar salgado

22 Maio 2009

Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram, quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu.


XUTOS E PONTAPÉS
Homem do Leme

Sozinho na noite
um barco ruma para onde vai.
Uma luz no escuro brilha a direito
ofusca as demais.

E mais que uma onda, mais que uma maré…
Tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé…
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme…

E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder…

No fundo do mar
jazem os outros, os que lá ficaram.
Em dias cinzentos
descanso eterno lá encontraram.

E mais que uma onda, mais que uma maré…
Tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé…
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme…

E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder…

No fundo horizonte
sopra o murmúrio para onde vai.
No fundo do tempo
foge o futuro, é tarde demais…

E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder…


Lágrimas e absurdos

17 Maio 2009

Guerreiros são pessoas
São fortes, são frágeis
Guerreiros são meninos
No fundo do peito
Precisam de um descanso
Precisam de um remanso
Precisam de um sonho
Que os tornem perfeitos

Campeonato de 2007. Depois de várias decisões polêmicas da arbitragem, o clímax vem aos 45 minutos do segundo tempo da decisão. Dodô faz o gol do título alvinegro, e o árbitro o anula, por pretenso impedimento. Além disso, expulsa Dodô. Nos penaltis, abalado psicologicamente e sem seu melhor batedor, o Botafogo é derrotado. Fica o gosto da injustiça. Isso é futebol, dizem, e essas coisas acontecem.

Um homem também chora
Menina morena
Também deseja colo
Palavras amenas
(…)
É triste ver este homem
Guerreiro menino
Com a barra de seu tempo
Por sobre seus ombros
Eu vejo que ele berra
Eu vejo que ele sangra
A dor que traz no peito
Pois ama e ama

Campeonato de 2008. Na final da Taça Guanabara, Botafogo e Flamengo se encontram de novo. O jogo. apitado por Marcelo Lima Henrique, é um dos maiores escândalos da história do futebol carioca. No final do jogo, o técnico Cuca desabafa:

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Constante

15 Maio 2009

Te escrevo com nove dias de atraso. “Você já foi melhor nisso”, dirás. Verdade. Mas também já fui pior.

Você é uma boba, que ainda não viu Lost. E por isso vai ficar sem entender o título do texto por inteiro. Eu não vou perder tempo explicando.

Latas de coca-cola às sete da manhã, céus estrelados em Botafogo, enterros vikings (e fingimentos deles), um passeio de balão, as manhãs nos corredores desertos. Como os signos abrem cocos. Um Palio branco, eterno. O ato III de Júlio César. Um patinho dançando. Um trabalho de TGS resolvido da maneira mais inesquecível. Fragmentos que te atiro, para testar a tua memória, que cismas em insistir ser melhor que a minha. Não é, nunca foi. Mas é quase. E isso é uma grande coisa. Você tem potencial, um dia talvez chegue lá.

Because we’re alike. Bad lots, both of us. Selfish and shrewd. But able to look things in the eyes as we call them by their right names.

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Alô, alô, Marciano

5 Maio 2009

Eu odeio a Copa do Brasil.

Eu vi Baraúnas e Cícero Ramalho. Eu vi Campo Bom. Eu vi Bacabal e Juca Baleia. Eu vi CSA. Eu vi o Gama e os quase mil gols.

Eu odeio a Copa do Brasil.

Invejo aqueles para quem o futebol é divertido. Invejo os que conseguem ver um jogo como passatempo. Invejo aqueles que vêem futebol porque gostam. Como lazer.

Eu, confesso, odeio a Copa do Brasil.

E ainda assim, sento para ver meu time jogar nela. Nós, vascaínos, que, hereges!!!, muitas vezes quase torcemos por uma derrota logo na primeira fase, porque sabemos que, cedo ou tarde, virá o desespero, a angústia. E não conseguimos suportar a idéia de aguentar essa angústia duas, três, quatro fases, esperando pela hora em que ela, inapelavelmente, há de vir.

E é assim que eu odeio a Copa do Brasil.

Ao final da fase anterior, eu soube que o Vasco iria enfrentar o vencedor de Icasa e Confiança. Confiança, de Sergipe. Ou Icasa, de Juazeiro do Norte, Ceará. E tremi de medo.

Já via as manchetes:

“Vasco eliminado por excesso de Confiança”

“Icasa de ferreiro, Vasco leva pau”

Ai meu padim Ciço, me socorrei.

Porque, nessas horas, eu odeio muito a Copa do Brasil.

E foi assim que me sentei, na quinta feira, para ver Vasco x Icasa. Íamos jogar contra um time desconhecido (problema número 1), com nome esquisito (perigo 2) e que acabou de ser rebaixado para a segunda divisão do campeonato cearense (ameaça bônus). Como estar otimista para um jogo desses?

Poderia o cenário ser pior?

Sim, poderia. Soube disso quando vi a escalação do Icasa. No meio campo, número 5, Panda.

O time deles têm um jogador chamado… Panda.

Tem como não odiar copiosamente a Copa do Brasil?

Comecei a ter pesadelos. O jogo seria 1×1. Já ouvia o locutor da rádio: “E o placar diz… Vasco da Gama 1, gol de Pimpão, Icasa 1, gol de Panda”.

Que ursada.

O jogo começa, o Vasco faz logo 1×0, num gol contra bizarro, e para, tocando a bola, esperando o tempo passar. É óbvio o que vai acontecer, é apenas questão de tempo.

As coisas pioram quando eu descubro que o Panda é o batedor de faltas do time do Icasa. Ou seja, a CADA falta que o juiz marca, o Panda pega a bola, e mira na direção no gol do Tiago. E eu me agarro ao Padim Ciço. Até lembrar que ele joga no time deles, e não no nosso.

A cada falta que o Panda bate, eu lembro como eu odeio a Copa do Brasil.

E quando o Panda faz uma falta no meio do campo, sua primeira no jogo, levanto ensandecido, gritando pro juiz: “Expulsa! Expulsa esse fdp!!!!!” Não adianta. O juiz nunca nos escuta.

O jogo vai caminhando para o final, e eu, ingênuo, começo a acreditar na vitória. Me permito pensar que “hoje não, hoje não”. É quando o Icasa anuncia uma substituição. Sai o número 9, e entra o camisa 18, Marciano.

Será que eu odiaria tanto uma Copa Interplanetária quanto odeio a Copa do Brasil?

Levanto e vou dar uma volta. Pra que enfrentar o destino? Minutos depois, Panda avança, toca pra Leozinho que cruza para Marciano empurrar para a rede e empatar o jogo. Como estava escrito que tinha que ser.

Pego o meu enorme bico e o despacho para Marte. Semana que vem tem o segundo jogo, lá em Juazeiro. Sim, eu estou psicologicamente preparado para a eliminação. Sim, eu estarei lá, sofrendo em frente à televisão, angustiado, esperando um gol deles. E, se não sair, e vencermos por 8×0, saberei que isso apenas adiou a angústia para a próxima rodada. Eu sei disso tudo. Mas nem por um momento penso em não assistir o jogo.

Porque a verdade, meus amigos, é que eu amo a Copa do Brasil.