Onde estavas no 25 de abril?

25 Abril 2009

AS BRUMAS DO FUTURO
(Pedro Ayres Magalhães)

Sim, foi assim que a minha mão
surgiu de entre o silêncio obscuro
e com cuidado, guardou lugar
à flor da primavera e a tudo

Manhã de Abril
e um gesto puro
coincidiu com a multidão
que tudo esperava e descobriu
que a razão de um povo inteiro
leva tempo a construir

Ficamos nós
só a pensar
se o gesto fora bem seguro

Ficamos nós
a hesitar
por entre as brumas do futuro

A outra acção prudente
que termo dava
à solidão da gente
que desesperava
na calada e fria noite
de uma terra inconsolável

Adormeci
com a sensação
que tínhamos mudado o mundo
na madrugada
a multidão
gritava os sonhos mais profundos

Mas além disso
um outro breve início
deixou palavras de ordem
nos muros da cidade
quebrando as leis do medo
foi mostrando os caminhos
e a cada um a voz
que a voz de cada era
a sua voz
a sua voz


Sábado de malhação

21 Abril 2009

Vasco vs Botafogo
11/04/2009

Olha, não dá sorte mexer com coisas que são tradicionais. O primeiro sinal veio na sexta-feira, que não é chamada de “santa” à toa. Eu sou super a favor de mudar tudo de errado que veio da era Eurico. mas esse é o ponto: mudar tudo errado não significa mudar tudo, só pra mostrar que mudou. As coisas certas devem ser mantidas, mesmo que sejam do antigo regime. (Sim, eu sei, pensar assim faz de mim um conservador reacionário, quase um inimigo do povo. Já estou acostumado com isso.) O Vasco, talvez por suas origens portuguesas, jamais trabalhou nesse dia. O clube ficava trancado, jogadores e funcionários de folga, tudo parado. Mas, como agora vivemos uma gestão moderna e profissional, tudo mudou, e fizemos um treino-apronto. Não se brinca com essas coisas.

O segundo sinal foi a mudança de data do jogo. Pela tabela original, o Fla x Flu seria no sábado, e o Vasco x Botafogo no domingo. A Globo quis inverter, o Vasco aceitou. Deus do céu, eles não conhecem nada da nossa história? Não sabem que a gente tem uma sorte imensa com o domingo de Páscoa? Não sabem que, de acordo com algum Instituto de Pesquisas obscuro, nós vencemos 97,6% dos jogos disputados nesse dia, incluindo aí chocolates homéricos como o 5×1 de 2000 em cima do Flamengo?! Eu sei, o jogo era contra a cachorrada de General Severiano, e a nossa escrita pra cima deles é tão monstruosa que, geralmente, basta botar 11 cones com a camisa do Vasco e a vitória é garantida. Mas pra que facilitar TANTO?

E pra que estrear um patrocinador novo logo nesse jogo, depois de 14 (QUATORZE, como nos cheques) jogos sem patrocinador, e sem derrota? Um patrocinador que é fabricante de combustível – e onde há gasolina, pode haver Fogo. Pra que, meu Deus, pra que?

Os céticos dirão que tudo isso são apenas superstições. Mas, diabos flamejantes, o jogo era contra o BOTAFOGO!!!!! Se existe UM dia no calendário em que superstições, presságios e gatos pretos devem ser levados a sério, é exatamente no dia em que se joga contra o Botafogo.

Só podia dar no que deu.

Vai um meio amargo aí, meu chapa?

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A resposta histórica

8 Abril 2009

“Sem o Vasco, o futebol brasileiro não teria conhecido Pelé.”

Esta frase está inscrita em um documento exibido na Sala dos Troféus do Vasco. Mas o que uma carta faz no meio dos troféus? Pode uma mensagem escrita valer tanto como um título? Pode a palavra de um homem, representando um clube, ter o direito de estar ao lado das taças, medalhas e honrarias conquistadas pelo Vasco?

Pode esta carta ser um título MAIOR do que muitos outros dos inúmeros que lá estão?

Pode. Tanto pode que é. Mas, para compreender essa história, e entender melhor porque o Vasco é aquilo que é hoje, é preciso voltar um pouco no tempo. Oitenta e cinco anos, para sermos exatos. Leia o resto deste post »


Unforgettable

6 Abril 2009

… though near or far.

Hoje, o DJ podia tocar um monte de músicas, que iria acertar.

Pra ficar só em músicas “coloridas”, podia ser a do Coldplay, que também valeria. E, lá no fundo, faz um par com a escolhida.

Picture perfect mornings.

Mas eu prefiro essa aqui. Dedicada aos bohemians – new bohemians, rhapsody bohemians.

‘Cause diamonds are forever. And Wonderlanders are forever, too.

GREEN
(Edie Brickell)

We like to spy on the neighbors.
They look so happy together.
Funny the power of strangers.
Sometimes I wonder if they got it better.
Green. Have you seen green?
Check out the view from the rooftop.
They’ve got a horse and a big trampoline.
Running and jumping till they drop.
Down on the ground and they’re rolling around in… green.
Have you seen green?
Have you seen green grass?
So green… grass.
So green.
I’d like to be like that.
I’d like to be like that.
I’d like to be moving on a lawn… so green.
I want to laugh the way they laugh.
See all my blues get back up in the sky.
If only we had what they had.
We’d never worry and we’d never cry for… green.
Have you seen green?
Have you seen grass?
So green… grass.
So green.
I’d like to be like that.
I’d like to be like that.
I’d like to be moving on a lawn… so green.

(Nota: Não consegui encontrar um video da Edie Brickell cantando “Green”. Esse video, segundo a página do Youtube, é de um show em Jerusalem (!), e cantado por Michelle Cohn (Michelle Quem?). Mas eu achei legal. E eu preferi manter “Green” sem a Brickell do que a Brickell sem a “Green”. Valeu a intenção. :) )


Índio quer apito

5 Abril 2009

E chega ao fim mais uma fase do… zzz… campeonato mais… zzz… charmoso do Brasil, a Taça Tabajara. O destaque do segundo turno vai para (mais uma) vitória do Vasco sobre o Flamengo, apesar de (mais uma) arbitragem complicada. Luís Antonio Santos, conhecido como “Indio”, estava suspenso há um ano. E apareceu, misteriosamente, querendo apito logo num jogo como esse. O Vasco terminou com o jogo com oito jogadores, teve jogador expulso por não escutar o apito do Índio (num estádio com 80 mil pessoas gritando), teve o goleiro do Flamengo dando voadora na cabeça de um adversário e o mandando para o hospital (e não sendo expulso por isso), teve de tudo. Mas, mesmo assim, a equipe cruzmaltina sobrou em campo, vencendo por 2×0.

Antes do jogo, a torcida rubro-negra levou para o Maracanã umas plaquinhas escrito “2″. Eu não entendi muito bem o que eles queriam dizer com aquilo. Mas, por via das dúvidas, o Vasco fez o que manda a tradicional hospitalidade lusitana e atendeu à vontade dos fregueses. Fez DOIS gols, e depois botou o Léo Lima em campo – ou seja, desistiu de fazer mais qualquer coisa. Espero que a mulambada tenha ficado satisfeita com mais essa prova de fidalguia. O freguês tem sempre razão. Leia o resto deste post »