Abre aspas

27 Outubro 2008

Seguindo a corrente que começou , passou por ali, e chegou aqui, o QsQ também dá a sua contribuição.

E, parafraseando a Carol, eu também resolvi a dificuldade da escolha da poesia bem ao meu modo. Um poema que fala do ser poeta, e que é também uma música. Assim, mantenho o ritmo dos últimos dias (leia a letra, ouça a música, veja o vídeo). Além de tudo, é um poema lindo, mais lindo ainda na versão musicada. E aproveito para mostrar aos leitores um pouco mais de um grupo que adoro.

A poeta é Florbela Espanca. Nascida em Vila Viçosa, cidade interiorana do sul de Portugal, em 1894, Florbela teve uma vida polêmica, que acaba por vezes se refletindo na sua obra. Uma das primeiras mulheres a frequentar a escola secundária (equivalente ao nosso ginásio) da cidade de Évora, Florbela casou aos 19 anos, e entrou para a Faculdade de Direito de Lisboa. Depois, largou o curso, se divorciou, casou novamente, e se divorciou uma vez mais. Nessa altura, a  família a rejeitou, e Florbela foi viver para o Porto, onde casou pela terceira vez. Aos 36 anos, depois de uma depressão agravada pela morte do irmão, a poeta se suicidou, tomando duas caixas de barbitúricos.

Sua poesia, geralmente, é marcada pela melancolia e por um certo tom ultra-romântico. O poema escolhido aqui é um onde, superficialmente, esses traços podem não aparecer tanto. Mas estão lá, sim, toda a intensidade, as imagens fortes que caracterizam a poesia de Florbela. O verso onde ela define que ser poeta é como “ser mendigo e dar como quem seja rei do reino de aquém e de além dor” é uma das mais interessantes definições do ofício. Se o poeta é um fingidor, que chega a fingir que é dor a dor que sente, como diz Pessoa, é também essa entrega, esse tom algo desesperado de Florbela, mendigo que age como rei “de aquém e de além dor”. E a maneira como a alma do poeta é amarrada na última estrofe, onde depois de todos os superlativos e exageros visuais, conclui-se singelamente que “ser poeta (também) é amar-te assim, perdidamente, e dize-lo a toda a gente” faz um belo contraponto. Não deixa de queimar. Não deixa de ser uma imagem viva. O “astro que flameja” é paralelo àquele que “ama perdidamente”. Mas amarra o soneto de uma maneira inesperada, com outro ritmo, que a música pega bem.

Nos anos 80, João Gil, guitarrista da banda portuguesa “Trovante”, musicou este poema, que foi gravado pela primeira vez no disco “Terra Firme”, de 1987. Depois, em 1999, o grupo “Ala dos Namorados”, nova casa de João Gil, faz uma releitura do tema no disco ao vivo “Solta-se o beijo”. Essa versão é um belo dueto do vocalista do Ala, Nuno Guerreiro, com a cantora Sara Tavares.

PERDIDAMENTE
(Florbela Espanca/João Gil)

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de infinito
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim…
É considerar o mundo num só grito!

E é amar-te assim, perdidamente…
E é seres alma, e sangue, e vida em mim…
E dize-lo cantando a toda a gente…


Reciclando piada

23 Outubro 2008

O homem morreu, e foi parar no purgatório. Lá, o funcionário do RH disse-lhe:

- Senhor, analisamos seu histórico, e nao estamos certos para qual lugar lhe estaremos mandando. Vamos estar fazendo o seguinte: o senhor poderá visitar o céu e o inferno, e depois poderá estar decidindo onde prefere passar a eternidade.

O sujeito aceitou, e começou a visitar o céu. – Olá, meu bom homem, eu sou Pedro, guardião deste local sagrado, blablablá.

São Pedro ia falando, discursando sobre o efeito Donaldson que mantém o paraíso continuamente resfriado, e mostrando os novos equipamentos que tornam o céu o melhor lugar para a sua eternidade. E o nosso amigo observava aquela vida bucólica, com anjinhos cantando o próximo sucesso do Vangelis. O céu parecia mesmo um lugar agradável. E o calouro decidiu ficar por lá. Mas, antes disso, quis dar uma olhadinha no inferno.

- Falaí, parceiro. – disse o Coisa Ruim. – Vou te mostrar como as coisas funcionam por aqui.

E Lúcifer guiou nosso herói numa excursão pelos sete círculos inferiores. Muito sexo, drogas e rock ‘n’ roll. Belas louras, morenas e ruivas fazendo topless naquele calorzinho agradável. Festas animadas, orgias com bacantes irresistíveis. E Lúcifer soprando no seu ouvido.

- Não quero te apressar, mas a gente aqui tá meio lotado, se você não quiser vir pra cá, decide logo, pra gente poder chamar o próximo, valeu?

De volta ao RH, ele decidiu.

- Eu quero ir para o inferno!

- O seu perfil profissional diz que o senhor deverá estar indo para o céu e…

- Nao importa. O céu é legal, mas muito paradão pro meu gosto. E é frio demais. Eu prefiro o inferno.

No dia seguinte, nosso amigo estava no inferno.

- Olá, cadê meu amigão Lúci? Ele está me esperando.

- O Doutor Lúcifer está muito ocupado. Mas deixou instruções para o senhor.

E o demônio o amarrou no tronco, onde o recém-chegado começou a ser torturado.

- Mas… Espere… E tudo aquilo que eu vi ontem? As festas, as mulheres, a bebida? Aonde está aquilo tudo?

- Ah, sim… É que ontem nós estávamos fazendo a palestra de captação de novos funcionários.

Qualquer semelhança com fatos reais é mera literatura.


Sobre vacas (e) abóboras

20 Outubro 2008

“Por que a vaca tem que ser branca, preta, ou até malhada, se ela pode ser… LARANJA?”

Essa é a proposta do OrangeCow, site (ou muuuuuvimento) que vende camisetas estampadas com a tal vaca laranja, e outras variações do mesmo tema. No site, vocês podem conferir a “cowleção” de camisetas. Tem até um blog, com curiosidades sobre essas nossas amiguinhas.

“‘OrangeCow’ é mais do que uma maneira de se vestir. É um estilo de vida, onde a alegria, a espontaneidade e a irreverência ganham um nome único: VACA”

Vacas são animais fofinhos. E laranja é uma cor, além de surreal, simpática. Uma bela combinação. Só tenho duas críticas a fazer aos rapazes do site. Uma, é eles montarem aquilo tudo em flash, pesado, e dificulta para copiar uma foto (eu sei, isso é proposital, mas…). A segunda é o preço cobrado. Sou mão de… err… vaca demais para dar aquilo tudo numa camiseta. Vou esperar que mandem a minha de graça em troca da divulgação do produto. :)

*   *   *   *   *

Mudando de vaca… quero dizer, de assunto… o Nick Ellis conta, no Blog de Brinquedo, sobre o lançamento de um conjunto com os personagens do Snoopy, baseado no clássico dos clássicos mais clássicos “Charlie Brown e a Grande Abóbora”.

São quatro personagens Peanuts com 12,7 cm (5”) de altura e múltiplos pontos de articulação. Cada figura vem com acessórios detalhados e iguais aos do desenho animado.

O Charlie Brown vem com o lençol de fantasma com vários furos e com um saco de pedras, a Lucy vem com chapéu e máscara de bruxa, o Linus vem com seu inseparável cobertor e uma lanterna abóbora (acende de verdade) e o Snoopy vem como piloto da Segunda Guerra acompanhado do Woodstock.

Linus e o cobertor. Charlie Brown e não apenas uma pedra, mas um saco inteiro delas. O Snoopy com aquele adorável look aviador. Perfeito, perfeito.

A Lucy com chapéu e máscara de bruxa… Não, claro que essa segunda nota não tem nada a ver com a primeira. Ninguém pensaria em fazer alguma ligação mental entre Lucy van Pelt e uma vaca. Afinal, vacas, como dito acima, são animais fofinhos. :)

Se bem que… laranja… abóbora… vacas sagradas… adoradores da abóbora… é, tem alguma ligação aí.

Caro leitor: vai no Blog de Brinquedo, e dá uma olhada nos personagens com mais detalhes. E é quase o mesmo preço da camiseta da CowOrange… ou era, antes da disparada do dólar.

Agora, se você nunca viu esse episódio do Snoopy, se você não sabe o que significa essa pedra, você não é uma pessoa digna de viver. Corte os pulsos. Ou, caso não queira ser obrigado a algo tão drástico, clique abaixo, e tenha um aperitivo:


Vienna (always) waits for you

8 Outubro 2008

Slow down, you crazy child
you’re so ambitious for a juvenile
But then if you’re so smart, tell me
Why are you still so afraid?

Where’s the fire, what’s the hurry about?
You’d better cool it off before you burn it out
You’ve got so much to do and
Only so many hours in a day

But you know that when the truth is told..
That you can get what you want or you get old
You’re gonna kick off before you even
Get halfway through
When will you realize, Vienna waits for you?

Slow down, you’re doing fine
You can’t be everything you want to be
Before your time
Although it’s so romantic on the borderline tonight
Tonight,…
Too bad but it’s the life you lead
you’re so ahead of yourself that you forgot what you need
Though you can see when you’re wrong, you know
You can’t always see when you’re right. you’re right

You’ve got your passion, you’ve got your pride
but don’t you know that only fools are satisfied?
Dream on, but don’t imagine they’ll all come true
When will you realize, Vienna waits for you?

Slow down, you crazy child
and take the phone off the hook and disappear for awhile
it’s all right, you can afford to lose a day or two
When will you realize,..Vienna waits for you?
And you know that when the truth is told
that you can get what you want or you can just get old
You’re gonna kick off before you even get half through
Why don’t you realize,. Vienna waits for you
When will you realize, Vienna waits for you?