South Park: cheaper, faster & uncut

29 Março 2008

A quem interessar possa: o site South Park Digital Studios está disponibilizando TODOS os episódios de South Park, desde a primeira temporada. E tudo de forma legal. Não é pirataria, apenas tecnologia. Outra boa notícia: os episódios vêm na versão original, sem censura.

Problema 1: é só pra ver no site, não dá pra baixar, pelo menos não que eu saiba.

Problema 2: os episódios estão com o audio original, e sem legendas – ou seja, só serve pra quem tem o inglês afinado.

De qualquer forma, o site vale (e muito) a visita, para qualquer fã da série. Tem muito material interessante pra se garimpar.

Dica do Marcellus Pereira, no Meio Bit.


Esse Chavez nunca me enganou

28 Março 2008

Uma das melhores fotos publicadas na imprensa este ano saiu na primeira página da Folha de São Paulo de hoje. A obra de arte é do fotógrafo Lula Marques:

A sensibilidade de Lula foi perfeita. O fotógrafo da Folha notou a posição de Chavez, e o cenário que está por trás dele. As “manchas” pretas ao fundo são buracos de um sistema de ar condicionado esperando ser instalado.

Chavez se posicionou bem no meio dos dois buracos. Lula percebeu, e clicou.

E foi assim que Hugo Chavez virou… Mickey Mouse, o rato imperialista.

E isso aconteceu graças ao talento… de Lula.

Impagável.


As touradas da Banânia

27 Março 2008

Era uma vez, em algum canto de um continente distante, um país excêntrico chamado Banânia.

Um belo dia, alguns homens da corte deste país tiveram uma idéia: reunir as duas maiores empresas de um determinado ramo em uma só. Era um cartel, era um monopólio (juntas, elas possuiriam 65% do mercado), com sérios prejuízos à população desse país. Mas… e daí?

Interesses mais altos falaram, e a negociação começou a andar. Só que havia um probleminha: o negócio era contra a lei. Num país sério, isso bastaria. Mas não “neste país”. Se não gostamos da lei, se ela nos atrapalha, vamos muda-la. Afinal, é um negócio que envolve muita gente grande: políticos, banqueiros, donos de empreiteiras, financiadores de campanha, filhos do babalorixá da Banânia…

A lei que rege essa atividade diz que em caso de compra de uma empresa por outra, a compradora é obrigada a abrir mão dos setores ocupados pela comprada no mercado. Pois bem: o Babalorixá já deu a entender que vai mudar a lei, de forma casuística, para beneficiar a empresa interessada.

Ou, como bem resumiu um cronista do reino, em uma nota lapidar:

Qual a diferença entre um país decente e um indecente? No primeiro, os negócios são feitos de acordo com as leis; no segundo, as leis são feitas de acordo com os negócios.

Porém, a história “vazou” cedo demais, e a reação contrária impediu que a lei fosse mudada naquela hora. A compra da empresa B pela empresa A foi para a gaveta, até que a poeira baixasse, e o clima popular mudasse.

Dois meses se passaram. Alguns “jornalistas a serviço” venderam a idéia de que o monopólio era “bom para a Banânia”, pois ia criar uma “gigante mundial do setor, capaz de elevar o nome da Banânia lá fora”. As conversas entre as empresas A e B continuaram. E parece que elas estão prestes a chegar a um acordo.

Há uma outra empresa forte nesse mercado, a empresa C. A empresa C não é da Banânia, é de um outro país chamado Castela. Obviamente, a fusão das empresas A e B não interessa à empresa C. Esperava-se que a empresa C tentasse ir à justiça bananosa, para lutar contra a mudança da lei.

Por coincidência, na hora em que A e B chegavam a ponto de fechar o negócio, o governo da Banânia criou um incidente diplomático contra Castela, usando como pretexto uma questão ligada a imigrantes bananosos barrados em Castela. Uma situação que vem se repetindo há anos, sem que a Banânia fizesse nada. Uma situação que se repete em vários outros países, além de Castela, sem que a Banânia faça nada.

Mas, dessa vez, a Banânia agiu. Ajudada por boa parte da imprensa (os tais “jornalistas a serviços”), criou-se um sentimento anti-Castela entre o povo da Banânia. De repente, tudo que vem de Castela não presta. Qualquer bananoso que ouse defender a atitude de Castela é moralmente linchado.

E, finalmente, uma campanha de “boicote à empresa C”, para “defender a honra de Banânia” e “mandar os castelanos de volta pra casa”, foi sutilmente insuflada pela internet.

A situação dos bananosos em Castela continua, e continuará, na mesma. Mas eles já cumpriram sua missão.

Amanhã, quando a fusão entre A e B for anunciada, os bananosos vão comemorar. Afinal, que importa se 65% do mercado vai ficar concentrado na empresa AB? Que importa se os donos da empresa AB são amigos do Babalorixá? Que importa se o Babalorixá mudar as leis para ajudar seus amigos?

Nada disso importa.

O importante é que Banânia terá uma empresa “gigante” no setor, “capaz de ombrear com qualquer uma no mundo”. O importante é que “vamos dar uma lição nesses castelanos”. Olé!

E ai de quem tentar defender a justiça, e apontar as irregularidades dessa negociata. Vai ser logo chamado de “anti-patriota”, de “vendido aos imperialistas castelanos”.

E assim, eles conseguem novamente defender seus interesses, como “nunca antes neste pais”.

Ainda bem que isso é só uma fábula, sobre um país distante chamado Banânia. Essas coisas não acontecem em países reais. Pelo menos não naqueles que pretendem ser sérios.

Olé, olé, olé. E paratibum.

“A história do governo Lula é um mero reflexo da disputa comercial entre as operadoras de telefone.”
(Diogo Mainardi, 14/09/2005)

Quinze anos depois

26 Março 2008

Na noite de 24 de março de 1993, a torcida vascaína parou. Era chegada a hora da despedida do maior ídolo da história recente do clube, Carlos Roberto de Oliveira. Ou, mais simplesmente, Roberto Dinamite.

Ídolo no maior sentido do termo, da época em que jogadores se dedicavam a um clube durante quase toda a carreira. Roberto estreou no Vasco em 1971 e só saiu de São Januário para jogar uma curta temporada na Espanha. De volta ao Rio de Janeiro, e ao Vasco, reestreou marcando 5 gols em cima do Corinthians, estabelecendo um record que demoraria 15 anos para ser batido.

No Vasco ficou até ser considerado “velho” para a alta competição, quando saiu para temporadas vitoriosas na Portuguesa (treinada por Antonio Lopes, ficou em 7º lugar no Brasileirão de 89) e no Campo Grande (5º lugar no Carioca, melhor campanha da história do clube). Voltou ao Vasco em 92, para a sua despedida. Nesse ano, se sagrou campeão carioca, mesmo que praticamente não tenha jogado, participando de uma das campanhas mais massacrantes da história cruzmaltina: 18 vitórias, 6 empates, nenhuma derrota, campeão da Taça Guanabara, da Taça Rio, e campeão carioca invicto, sem necessidade de final.

Ao contrário de muitos ex-jogadores em atividade que ainda se arrastam por aí, Roberto Dinamite soube reconhecer a hora certa de parar. Em 24 de março do ano seguinte, uma grande festa foi programada. De um lado, o Vasco, com a base do time campeão invicto do ano anterior. Do outro lado, o La Coruña de Bebeto, vice-campeão espanhol, e “filial vascaína” na Galícia.

O jogo foi carregado de simbolismos. Era a despedida de um ídolo, Roberto Dinamite. Era o regresso de outro ídolo, Bebeto, que se transferira para o La Coruña no ano anterior. E foi o jogo em que Zico, ídolo do arqui-rival Flamengo, realizou o seu secreto sonho de infância, jogando com a camisa do Vasco. :-)

(Foto histórica, reunindo três vascaínos ilustres… E quem diria que o vascaíno Erasmo Carlos seria tão profeta, com o primeiro verso de “Pega na mentira”, que dizia “Zico tá no Vasco”…)

O Vasco entrou em campo com Carlos Germano, Pimentel, Jorge Luís, Tinho e Cássio; Luizinho, Leandro, Bismarck e William; Zico e Roberto Dinamite. O técnico era Joel Santana.

No segundo tempo, mais um simbolismo. Roberto Dinamite foi substituído, aplaudido de pé pelas 30 mil pessoas presentes no Maracanã. Em seu lugar, entrou um garoto, recém-saído dos juniores do Vasco, e apontado por Roberto como seu sucessor. Seu nome era Valdir.

Valdir, o “Bigode”, foi mesmo o sucessor de Roberto naquele momento, e escreveu várias páginas bonitas pelo Vasco. Porém, o verdadeiro herdeiro de Roberto Dinamite, na bola e no coração da torcida, estava naquele momento em São Paulo, jogando pelo Palmeiras, e apenas três anos depois voltaria para a sua eterna casa. Mas isso é uma outra história, que terá que ficar para uma outra ocasião.

O resultado do jogo? Bem… Quer dizer… Num dia de festa, isso é o que menos importa, não? O importante é lembrar que o Vasco estava invicto há NOVE meses, desde a semifinal do Brasileiro de 92 (maldito Régis, frangueiro filho da…!).

Quanto ao resultado do jogo… err.. O La Coruña venceu. 2×0, gols de Bebeto e Nando.

Mas o que poderíamos esperar, em um jogo no qual o rei dos pé-frios vestiu a camisa cruzmaltina? Só podia dar nisso mesmo!!!!!! :-)

Piadas à parte, obrigado Zico, pela grandeza em participar dessa festa. E obrigado Roberto Dinamite, por todas as alegrias, por todos os gols, por tudo.

*  *  *   *   *   *   *   *   *   *

Quando eu falei na “despedida do Roberto do Vasco”, estava falando da sua despedida como jogador. Porque quis o destino que, em 24 de março de 2008, exatos 15 anos depois daquele jogo, fosse publicada no Diário da Justiça a decisão que anula as últimas eleições do Vasco e obriga a diretoria interina a marcar nova votação em 30 dias. Vamos ver no que isso vai dar.


Enquanto isso, na Animal Farm…

25 Março 2008

Lauro Jardim, na Veja:

Não foi exatamente tranqüilo o início do vôo 455 da Air France que na terça-feira passada decolou de São Paulo para Paris. A responsável pela trepidação foi Marta Suplicy, que ia para a China, com escala em Paris. Ao embarcar, o casal Marta e Luis Favre relaxou e decidiu não passar pela revista de bagagem de mão feita por raios X. Os Favre furaram a fila da Polícia Federal. Vários passageiros se revoltaram. Marta respondeu que, no Brasil, para as autoridades não valem as exigências que recaem sobre os brasileiros comuns.

Os passageiros não relaxaram com a explicação. Continuaram a reclamar, mesmo com todos já embarcados. Deu-se, então, o inusitado: o comandante do Boeing 777 saiu do avião, chamou a segurança e disse que não decolaria até que todos os passageiros passassem suas bagagens de mão pelo raio X. Marta Suplicy deixou seu assento na primeira classe (Favre estava na executiva) e dignou-se fazer o que o comandante pediu. Nesse instante, os passageiros “relaxaram e gozaram”.

Já dizia Orwell: todos os porcos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros.

Não sei o que é mais revoltante nesse episódio. Se é o caráter de Dona Marta, se é o fato disso ser um retrato da verdadeira “zelite” que manda no país, se é o fato da situação toda não gerar a indignação que devia.

Dona Marta é da realeza, ela é “otoridade” da corte de Luís LI. E, por ser a Baronesa do Arouche, acha que pode furar fila e soltar essa pérola: “no Brasil, para as autoridades não valem as mesmas exigências que para brasileiros comuns”. Só faltou virar para o consorte franco-paraguaio e dizer “vamos, querido, não se misture com essa gentalha”.

Resta saber o que Dona Marta carregava de tão importante na bolsinha, que a fez ter tão pouca vontade de deixar que os policiais vissem… Aliás, o que ia Dona Marta fazer na China?

Essa missão de Dona Marta na China custou aos cofres brasileiros, entre passagens (de primeira classe!) e diárias, a bagatela de 20 mil dólares. 20 mil dólares. 35 mil reais. Para UMA pessoa viajar à China. Com conexão em Paris, bien sur.

Infelizmente, Dona Marta não entrou para a lista das brasileiras barradas na Europa – embora merecesse isso mais do que algumas outras. É bom lembrar que ela é a Ministra do Turismo. Uma atitude dessas é um belo cartão de visitas para o país no Exterior. Não que a corte de Luís LI se importe com isso, claro.

Resta aos paulistas receberem muito bem a Baronesa do Arouche em outubro. Respondam nas urnas.


Nuvem de lágrimas II – Lágrimas que marcam

16 Março 2008

Enquanto uns fingem chorar de deboche, outros choram de verdade. São Januário viu, nos últimos dias, dois chorões que não se envergonham nem um pouco de o serem.

Primeiro, foi Jean. De volta ao Vasco, depois de um ano longe, Jean reestreou com dois gols contra o Boavista, e chorou muito depois do jogo. A identificação de Jean com a torcida do Vasco é muito grande, e creio que essa sua volta ainda vai dar muito o que falar. Apesar de ter começado a carreira lá no Império do Mal, Jean ganhou de vez a torcida vascaína com a sua entrega, a sua vontade. E, claro, ajudou muito o fato dele renegar completamente o seu “passado negro” (expressão dele, não minha).

O outro momento, ainda mais emocionante, aconteceu no segundo tempo da vitória do Vasco contra o Duque de Caxias. O veterano Viola, 37 anos, agora jogando no Caxias, foi substituído, e teve seu nome gritado em coro pela torcida do Vasco. Mais que isso, a torcida ressuscitou a música-tema que acompanhava o jogador durante sua passagem pelo Vasco. E Viola chorou.

No Vasco, é assim. Quem tem caráter, tem vaga cativa no coração da torcida, para sempre, mesmo que tenha jogado em outros clubes rivais. Foi assim com Jean, com Viola, como sempre foi com Edmundo, como é com Bebeto, como será quando Juninho Pernambucano voltar. É assim com todos que encarnam o espírito do Vasco. Quanto aos outros, podem ter títulos, podem ter aplausos, podem até ter estátua. Mas serão sempre “os outros”.

*   *   *   *   *   *   *   *   *   *

E Leandro Amaral jogou isso no lixo.

Eu estava em São Januário, ano passado, na vitória sobre o Paraná. Quem viu esse jogo, não esquece. Não esquece a atuação primorosa de Leandro, talvez uma das melhores das muitas boas atuações que ele teve em 2007. Mas não esquece, principalmente, o apelo da torcida durante boa parte do jogo.

“Ô, ô, ô, ô, ô… Fica Leandro!!!!!”

O jogo inteiro foi assim. No final da partida, jogadores deixando o campo, a torcida ficou mais cinco minutos com esse coro.

Arrepiou.

No campo, Leandro ouviu. No vestiário, provavelmente ele ainda ouvia. Mas não basta ter ouvidos para entender uma mensagem como essa.

Você, Leandro, foi a referência que o Vasco buscava desde a última saída de Edmundo. Você não era apenas um jogador bom. Você era um ídolo. Você estava acima do bem e do mal, podia passar cinco jogos sem jogar nada e ninguém criticava. Mas você nunca entendeu isso.

Você preferiu abrir mão. Seus motivos, só você sabe. Talvez eles te pareçam válidos. Mas creio que hoje você tenha uma noção maior do tamanho daquilo que jogou fora.

E agora, depois do tranco que levou na justiça, você faz cara de choro e diz que até pode voltar a jogar no Vasco, “pois a torcida vascaína sempre me tratou muito bem”.

É tarde, Leandro. Muito tarde. E eu lamento muito por isso, pois fui um daqueles que gritou “fica Leandro”, fui um daqueles que se iludiu pensando que um homem com sangue nas veias não poderia deixar de se emocionar com aquele espetáculo das arquibancadas.

O mundo dá muitas voltas, e você pode até voltar pro Vasco. Eu até posso te aplaudir, festejar os teus gols. Mas, meu caro Leandro, o máximo que você pode conseguir agora é ser um dos “outros”. E até pra isso vai ter que se esforçar muito.

De qualquer jeito, não concordo com alguns vascaínos rancorosos, que defendem que Leandro devia ser castigado e “emprestado para um time de terceira divisão”. Poxa, isso seria fazer a vontade dele, e devolve-lo ao Fluminense…


Nuvem de lágrimas I – Lágrimas de crocodilo

16 Março 2008

Nem vale muito a pena falar do deboche de Souza no jogo com o Cienciano. Túlio já disse o que precisava ser dito: o que esperar de alguém como Souza? Caráter? Nunca terá. O destaque do episódio não são as lágrimas de Souza. É a reação popular. É o fato de ainda ter gente que aplauda uma atitude dessas.

É coisa de Brasil. A vítima, no caso o Botafogo, ainda é tratada como um otário. Enquanto isso, aqueles que se beneficiaram da situação, debocham dos “otários”, enquanto o povão aplaude, se divertindo com o caso. Tudo acabando em pizza. E bota no cartão, que os otários pagam.

A atitude mais decente que poderia ter sido tomada por Vasco, Botafogo e Fluminense seria a de abandonar o campeonato. Vão fazer isso? Não vão. Até porque são todos cúmplices. Quando se planejou o regulamento, quando se tirou dos clubes pequenos o direito de jogar em casa, todos eles concordaram. Então os pequenos são as vítimas? Que nada. Venderam a decência por uma cota extra, e agora choram o prejuízo. São todos iguais. E por isso ninguém reclama.

Mais uma vez, é a cultura do brasileiro, o triunfo da malandragem. O malandro não quer justiça, o malandro quer mostrar que é mais esperto. Não interessa acabar com a malandragem. Deus me livre, já pensou, se todos fossem honestos, que graça teria? O importante é ser o malandro da vez. Hoje foi ele que me deu uma rasteira, mas amanhã eu dou o troco.

Apenas futebol? Não, como eu sempre repito, é muito mais que isso.

O Brasil é assim. Incentiva a malandragem, não a justiça. Desde crianças, somos acostumados assim: o malandro é cool, o certinho é desprezado. Quem passa a perna no outro é esperto, quem é trapaceado é otário. E a única maneira de recuperar o respeito é passando a perna no outro também. Reclamar, pedir justiça? Deus me livre, isso é garantir o ódio eterno da sociedade. É virar o chorão, o dedo-duro, o fraco que não sabe se virar sozinho. O loser. A atitude correta é aceitar a derrota, engolir as lágrimas e planejar o troco. E nunca, em hipótese alguma, apelar para a justiça. Autoridade? Que horror, isso nunca. “A gente lava isso em casa”. Lei do silêncio. Máfia dos malandros.

Da escola, a gente vai pra vida, e continua cumprindo esse código. Levar vantagem, sempre, a qualquer custo. “Se eu não fizer, os outros fazem”. E nunca reclamar da malandragem alheia, sob pena de ficar marcado como chato e intolerante.

E assim é na política. É feio acusar o governo, é feio cobrar explicações. O governo comete crimes, mas não podemos querer puni-los, pois ele foi “absolvido pelas urnas”. Fazer oposição? Isso é revanchismo, é preconceito, “deixa o homem trabalhar”. Afinal, todo mundo rouba, né? E você só reclama porque não arrumou a sua teta. Quando arrumar, para de chorar rapidinho. Como disse Ricardo Teixeira outro dia, é “impossível” evitar corupção na Copa 2014, porque no Brasil essas coisas são “incontroláveis”.

As lágrimas de crocodilo de Souza são apenas o retrato disso tudo.

*  *  *  *  *  *  *  *  *  *

O problema da derrota do Flamengo para o Nacional não foi o resultado. Foi o despreparo demonstrado por seus jogadores. Toró agredindo uma criança de 13 anos, Léo Moura dando golpe de caratê, Fábio Luciano chutando a cara de um jogador caído, Ibson reclamando acintosamente por tudo e por nada

Piadas à parte, por que isso acontece?

Na minha opinião, dois motivos principais. O primeiro é essa cultura de proteção ao Flamengo existente no Brasil, e principalmente no Rio. Quando perde essa “rede de proteção”, o time se abala. É diferente você jogar sabendo que pode ser beneficiado a qualquer momento. E quando sai desse ambiente agradável, se perde, e fraqueja na primeira dificuldade.

Foi o que aconteceu em Montevideo. Enquanto estava 0×0, o jogo esteve equilibrado. Assim que o Nacional fez o gol, começou o descontrole.

A segunda explicação é o clima de guerra que os brasileiros gostam de criar quando jogam contra equipes sul-americanas. Todo jogo é encarado como uma batalha épica. Argentinos são assim, uruguaios são assado, e pra ganhar deles o brasileiro tem que ser muito macho.

Com isso, o jogador brasileiro entra em campo ultra-pilhado, e acaba tendo esse tipo de reações. Nos últimos confrontos entre brasileiros e argentinos/uruguaios, tanto em clubes como seleções, estamos vendo isso se repetir com alguma frequencia. O brasileiro entra com o pé no terceiro andar, porque já espera que o argentino venha com o dele no segundo. E, claro, isso não tem como acabar bem.

O Flamengo ainda é favorito para se classificar, porque o grupo é muito fraco. Mas agora começam a fazer falta os dois pontos perdidos em Tacna. Na época, Joel comemorou o empate contra o Bolognesi como “um ótimo resultado”, e muitos rubro-negros foram na onda. Eu fui um dos que disse que era um resultado ruim, porque o Bolognesi é o time mais fraco do grupo. Agora, isso se confirma.

Resta saber qual vai ser a atitude do Flamengo agora, no desespero de ver a vaga nas oitavas ameaçada. Dizem que, depois das seguidas derrotas no Uruguai, o clube já enviou um protesto à Conmebol, pedindo que não sejam mais realizados jogos em Montevidéu. Afinal, a cidade fica 50 centímetros acima do nível do mar, e é desumano jogar nessa altitude…

Já outra corrente defende que os três jogos que faltam na primeira fase da Libertadores sejam adiados para outubro. Afinal, até lá o time se acerta, contrata jogadores novos, e joga já sabendo dos outros resultados. Como, caro leitor? Isso é um absurdo? É, eu também acho. Infelizmente, a CBF já abriu um precedente pra isso no ano passado…


Mal posso esperar…

11 Março 2008

As fotos abaixo, descaradamente copiadas do blog do Fábio Seixas, são do GP do Qatar de Motociclismo. A primeira mostra Valentino Rossi, durante os treinos. A segunda é uma panorâmica do autódromo.

Podem dizer que é photoshop, que é truque de marketing, que é apenas uma foto bem tirada, mas…

Enfim, eu fiquei ainda mais animado pelo GP de Cingapura, a primeira corrida que a F1 vai fazer de noite. 28 de setembro de 2008. Imperdível.


Coisas que só acontecem ao Botafogo ? Antes fosse.

11 Março 2008

(Quinze dias depois. Pra ninguém dizer que é cabeça quente.)

Eu tinha prometido a mim mesmo que não ia perder tempo falando desse chatíssimo e insuportável Torneio Municipal do Rio de Janeiro, essa imensa procissão que se arrasta enquanto a temporada 2008 do futebol brasileiro não começa de verdade.

Mas o que aconteceu no dia 24 de fevereiro, no Maracanã, foi uma das páginas mais vergonhosas da história do futebol brasileiro – e olha que a concorrência é grande.

Botafogo e Petrobrás FC disputavam a final da Taça Tabajara, perdão, da Taça Guanabara, primeiro turno do campeonato carioca. Sim, leitores do mundo civilizado, acreditem: por estas bandas, existe uma taça em cada turno, e quem a ganha jura que é “campeão”. É uma espécie de socialismo no futebol: tem taça pra todo mundo, pra ajudar a esconder a mediocridade de times que passam até 20, 25 anos sem ganhar títulos de verdade.

A final da Taça Guanabara durou 62 minutos, foi um belo jogo, equilibrado, que o Botafogo venceu por 1×0. Pode-se dizer que, até aí, tinha sido um jogo normal – normal para os padrões do futebol carioca. Um penalti não marcado a favor do Botafogo, uma bola recuada não marcada contra o Petrobrás, enfim, essas coisas do dia-a-dia.

Mas aí, aos 17 minutos do segundo tempo, o soprador de apito Marcelo de Lima Henrique resolveu dar início à Taça Tabajara. Bola cruzada na área do Botafogo, e o cidadão marca penalti a favor do Petrobrás, por um pretenso puxão em Fábio Luciano. E daí que em todo jogo acontecem 20 puxões na área? E daí que, nesse mesmo jogo, já tinha tido uns cinco ou seis iguais, sem que ele marcasse? E daí que, NA MESMA JOGADA, um jogador do PFC tenha puxado um do Botafogo? E daí que o Petrobrás só estava na final porque ganhou ao Vasco com um lance onde o mesmo Fábio Luciano empurrou o jogador vascaíno antes de fazer seu gol?

Ele marcou e pronto. Fe-lo porque que-lo. Fe-lo porque é quem é, e jamais poderia ser mais que isso.

No mesmo lance, o capitão alvinegro, Lúcio Flávio, foi acalmar os companheiros, e levou um cartão amarelo inteiramente gratuito. Ou melhor, um cartão que PARECE gratuito a quem não entende seu objetivo.

O penalti é batido, e gol do Petrobrás. Depois, o goleiro Castillo pega a bola dentro do gol, e é agredido por Souza. Confusão generalizada. O projeto de juiz expulsa Souza e Zé Carlos, do Botafogo, que não entende nada. Ele não estava sequer no meio da confusão! Mais uma vez, é algo que apenas parece gratuito.

O jogo recomeça, e o Botafogo, valente, tenta buscar a vitória. Lúcio Flávio é derrubado na área. O juiz fecha o olho. Minutos depois, Jorge Henrique é derrubado na entrada da área. Mais uma vez, Marcelo de Lima Henrique ignora. Na sequencia, Lúcio Flávio faz uma falta por trás e leva um cartão amarelo, justo. Ops, que pena, é o segundo. Viram como o primeiro não era tão gratuito assim?

Aos 46 minutos, Diego Tardelli faz o gol do título. Petrobrás FC campeão da Taça Tabajara. Os jogadores correm para a torcida alvinegra, dançando o créu, créu, créu. A torcida rubro-negra acompanha. Créu, créu, créu.

E essa é a verdadeira imagem da Taça Tabajara.

Créu na justiça.

Créu na verdade.

Créu na honestidade.

Créu no jogo limpo.

Créu nos palhaços que assistiam o jogo, achando que poderia vencer quem ganhasse no campo, na bola.

Créu, créu, créu.

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Elegância indiscreta

7 Março 2008

Tati Bernardi, em texto no portal ViajeAqui:

Mas estou chateadíssima com os cariocas. Já no meu primeiro dia por aqui, vi uma turminha de bombados fazendo xixi no pneu de um carro propositalmente, pois a placa era de São Paulo.

Aliás, por falar em xixi, não sei se é porque o carnaval acabou não tem muito tempo, mas a cidade está impregnada pelo cheiro desagradável de quem aliviou os rins bem em meio as ruas e a luz do dia. To evitando voltar do almoço a pé para não vomitar.

No meu segundo dia, uma perua de pele toda manchada (carioca não cuida da pele do rosto não?) me deu um encontrão na rua, derrubou minha bolsa e saiu me xingando de branquela! “Só pode ser de São Paulo essa garota!” Sim, se ter a pele bonita e cuidada é ser de São Paulo, sou com muito orgulho.

E nos últimos dias já ouvi de tudo. Que em Sampa os preços de imóveis deveriam ser infinitamente menores porque nada aqui é bem localizado! Que paulista só pensa em dinheiro e fala de um jeito chato. Que somos estressados. Que o trânsito da cidade cinza é insuportável…

Os cariocas deveriam respeitar mais a cidade linda em que vivem e não estragar com suas próprias existências um lugar tão bacana.

São Paulo está cheio de cariocas querendo ganhar grana (alguns deles, inclusive, querendo atingir esse feito sem trabalhar muito!), estressando a gente e piorando nosso trânsito. E o trânsito do Rio consegue ser muito pior do que o nosso, mais violento e com uma malandragem que dá certo nojo.

(…)

O Rio pra mim mora nos meus cds, livros e dvds de Bossa Nova. No Vinícius. Em fotos P&B. Esse que vejo hoje e que exala tanto preconceito (tanto que até me contaminou nesse texto), me dá certo medo e um pouco de birra.

Muita gente se ofende com um retrato assim, tão verdadeiro e direto. Eu diria até “de uma elegância indiscreta”. Faz parte. Mas eu não acho isso nem um pouco exagerado, muito pelo contrário. Essa malandragem, essa cultura da “esperteza”, essa mania de se achar melhor que todo mundo, tudo isso são traços muito desagradáveis do povo carioca, sim.

E como eu já comentei aqui em outra ocasião, o que mais me irrita nisso tudo não são nem os defeitos do povo. É a tendência a se orgulhar deles.

O problema maior do carioca não é ser mal educado. É se orgulhar de ser “autêntico”. Não é ser preconceituoso. É ser “divertido”. Não é ser incapaz de cumprir algo combinado. É ser “descolado”. Não é emporcalhar as ruas. É “não ter frescura”. Não é se vestir mal, ou praticamente nem se vestir. É ser “despojado”. Não é ser vulgar. É ser “sensual”. Não é ser malandro. É achar que os outros são otários. Repetindo a frase que usei no outro texto: o carioca é um povo que transforma os defeitos em estilo, e debocha daqueles que não tem esses defeitos.

No Rio, se você é educado, é esquisito. Se é muito educado, é gay. Se chega na hora, é um chato. Se cobra respeito às leis, é cri-cri. Se dá “bom dia” numa loja, te olham como um ET. Se reclama de não ouvir “bom dia” numa loja, te olham como um ET mala. Se se veste como gente, é um ET do planeta mais esquisito da galáxia. Se você trabalha, e gosta disso, “parece paulista”. Se você se chateia porque as coisas não funcionam, é estressado. Se você prefere outros programas a praia, você só pode ter sérios problemas psicológicos ou sexuais. Se você acha que existe no mundo mulher mais bonita que a carioca, homem mais charmoso que o carioca, futebol melhor que o carioca, comida melhor que a carioca, carnaval melhor que o carioca… Ah, meu caro, então é caso de internação imediata.

A história que Tati conta sobre o esbarrão de Ipanema é lapidar. A sujeita é mal educada, não olha por onde anda, derruba a bolsa da outra e não pede desculpas, e ainda se sente no direito de reclamar dela. E como faz isso? Pegando uma qualidade de Tati, e usando como um defeito. “Essa garota branquela só pode ser de São Paulo”. Porque, pra ela, “ser branquela” é xingamento. E ser de São Paulo também. Legal mesmo é andar pela cidade parecendo que esqueceu metade da roupa em casa, com a pele toda torrada e acabada, e se achando “a gostosa”. Narciso acha feio aquilo que não é espelho.

E olha que eu nem sou tão fã assim de São Paulo não. Pelo contrário, tem gente que é bem mais apaixonada que eu pela terra da garoa. Eu admiro São Paulo pelas coisas que funcionam. Eu admiro São Paulo pela sua vida cultural, mil e quinhentas vezes mais interessante que a do Rio. Eu admiro São Paulo pela elegância do seu povo – principalmente da metade feminina dele. Apenas estou bem longe de achar que seja a melhor cidade do mundo.

Mas Tati chuta na canela com esse trecho:

São Paulo linda, com seus cafés europeus, ruas com moda que não fazem feio nem a Milão, parques, praças, cinemas infinitos, restaurantes respeitados no mundo inteiro, garotas elegantes, barzinhos de jazz, a chuva que faz a gente amar alugar uns DVDS e receber amigos de verdade…não aqueles “oba-oba” que você faz aos montes em outras cidades mais forçadamente festivas.

E mais uma vez é inegável que ela tem toda a razão. Aliás, a última sentença, sozinha, já renderia um tratado… E por mais que eu não ame São Paulo, não seja uma cidade do meu top 10, só esse parágrafo já é mais que suficiente para que eu a ache um lugar melhor que o Rio.

PS: Sim, claro, eu também admiro São Paulo por ser a cidade que tem o único clube penta campeão brasileiro… :-)


Quem é você, que não sabe o que diz…

2 Março 2008

Luís LI, o Rei-Nu, discursando em Aracaju:

“Seria tão bom se o poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas dele, o Legislativo apenas nas coisas dele, e o Executivo nas coisas dele”

Ah, sim. O que menos Lula faz é meter o nariz nos outros poderes. Deve ser um sonho coletivo nosso, um delírio que imagina coisas como o Executivo legislando, dando ordens ao congresso, pagando mensalão a deputados, etc, etc.

Seria tão bom, não, senhor presidente? Mas bom pra quem? Certamente, para o senhor, é muito bom que o Judiciário e o Legislativo obedeçam suas ordens, e não metam muito o nariz nos negócios do Executivo. Afinal, sabe-se lá o que poderiam descobrir, não é mesmo?

Luiz Inácio poderia ter ido até ao fim, e dito que “seria tão bom se meus ministros não metessem o nariz e as mãos no bolso do povo”, “seria tão bom que o meu partido não vivesse envolvido em escândalos”, “seria tão bom que meus assessores não fossem investigados por corrupção”, “seria tão bom que meu governo não gastasse milhões com cartões corporativos”, “seria tão bom que certas senhoras de Brasília não exagerassem tanto no botox”.

Mas não. Ele prefere dizer que “seria bom que o Judiciário não metesse o nariz no governo dele”. Cada um sabe das suas prioridades.

“Se cada um ficar no seu galho, o Brasil tem chance de ir em frente. Se cada um der palpite [nas coisas do outro], pode conturbar tranqüilidade que sociedade espera de nós. (sic)

O que causou o ódio do presidente foi o comentário de Marco Aurélio Mello, Ministro do Supremo Tribunal Federal. Mello cometeu o “supremo” crime de criticar a ampliação dos programas assistencialistas do governo federal em ano de eleições. Ficou implícito que a Justiça deve agir, caso entenda que o governo cometa um crime eleitoral, de uso da máquina pública para favorecer alguns candidatos.

E foi exatamente isso que irritou Lula. Afinal, o plano está tão bem montadinho, a “base” preparada para eleger os candidatos simpáticos ao Planalto, as Bolsas-Votos a todo vapor, a postos para “seduzir” os eleitores, como pode agora vir um juizinho qualquer dizer que isso está contra a lei vigente no país?

Como a gente sabe, governo autoritário gosta é de unanimidade. Esse negócio de respeitar lei não é com ele. O que importa é a vontade do príncipe. Se Lula quer, quem é esse talzinho de Mello pra dizer que é ilegal? Só porque é ministro do Supremo, quer meter o nariz nas minhas coisas? É melhor botar ele pra fora e arrumar outro juiz. Não pode ter esse tal de Supremo que não deixa os home trabalhar! Vamos fechar essa porcaria logo.

Pois é, Lula. Não dá pra você fazer isso. Pelo menos, ainda não. Mas, mais uma vez, a sua máscara caiu: o viés anti-democrático de Luís LI e sua turma fica mais claro a cada vez que ele abre a boca.

Lula completou com a pérola:

“Da mesma forma que como ser humano e brasileiro as pessoas dão palpite sobre as coisas, o presidente da República pode dar palpite e julgar os palpites dos outros. Afinal, estamos num debate político.”

A nível de ser humano, enquanto brasileiro, Luiz da Silva se limitou a “dar um palpite”. Tudo bem. Ao “debate político”, eu já respondi, dando minha contribuição. Ao “cidadão palpiteiro”, eu não respondo. Chamo alguém que faça isso melhor.

Fala, Noel!

“Quem é você que não sabe o que diz?
Meu Deus do céu, que palpite infeliz!
(…)
Eu já chamei você pra ver,
Você não viu porque não quis.
Quem é você que não sabe o que diz?
(…)
Pra que ligar a quem não sabe
Onde tem o seu nariz?
Quem é você que não sabe o que diz?”


Um post Macunaíma

2 Março 2008

Escrever sobre mais uma gafe do presidente, mais um ministro do seu governo pego com a mão na nossa grana?

Ai, que preguiça.

Escrever sobre as “polêmicas” do campeonato carioca, com decisões sempre a favor dos mesmos?

Ai, que preguiça.

Escrever sobre novas CPIs, sobre as maracutaias de sempre, cartões corporativos e botox de certas senhoras brasilienses?

Ai, que preguiça.

Escrever sobre as matérias pró-Clinton e anti-McCain do New York Times, e discorrer sobre a influência esquerdista na mídia, cá e lá?

Ai, que preguiça.

Escrever sobre a violência carioca, a centena de mortos só nessa semana? Escrever sobre as idéias fascistóides do governador Cabral Filho quanto a invadir propriedade privada com o pretexto de “combater a dengue”?

Ai, que preguiça.

Escrever sobre o caso Reinaldo Azevedo x Gerald Thomas?

Ai, que preguiça.

Escrever sobre as FARC, o Chaves e o Champolim Colorado?

Ai, que preguiça.

Escrever sobre a renúncia de Fidel, “el coma andante”, e cantar os amanhãs radiosos que esperam Cuba?

Ai, que preguiça.

Escrever sobre o Oscar obviamente dado aos manos Coen, e sobre o não menos previsível sucesso de Tropa de Elite em Berlim?

Ai, que preguiça.

Escrever ironizando as declarações do fanfarrão Senhor 51, comemorando a “nossa” vitória em Berlim, como se não fosse o governo dele que tivesse feito de tudo para boicotar o filme?

Ai, que preguiça.

Nessas horas, eu sinto vontade de seguir os conselhos de um leitor, e me dedicar a fazer apenas posts engraçadinhos, sobre a Hello Kitty e similares. Ou publicar receitas de bolo.

Por enquanto, me contento em passar uma borracha nesses últimos dias, e não falar de (quase) nenhum desses assuntos. É melhor ficar apenas com a preguiça.