A segundona é bem melhor

7 Dezembro 2007

” – Pô, mano, o Mano vem trampar aqui com os mano. Certo, Mano?

- Certo, Mano.”

Mano Menezes é o novo treinador do Corinthians. Um Mano no comando do time dos manos. Deve ser a tal democracia corintiana que vivem falando… :-)

Prometo que é o último texto sobre o assunto. Mas não dá pra deixar passar essa pérola do Ricardo Freire, colorado de alma lavada. Por essas e por outras que a gente acha ele um escritor que é assim… uma brastemp.

Corintianos: turisticamente, a Segundona é bem melhor :-)

Vejam bem: Fortaleza (na foto) só está no roteiro de viagem de quem disputa a Série B.

Natal? Com ABC e América juntos, serão duas lindas viagens à Cidade do Sol.

Maceió, então! – o pessoal da Série A não pisa lá há anos. Palmeirenses, santistas e são-paulinos vão morrer de inveja.

E tem mais. Ano que vem, os vinhos e chocolates da Serra Gaúcha serão exclusivos do pessoal que disputa o acesso.

Vocês vão continuar viajando a Goiânia, mas agora vão poder dar uma chegadinha em Brasília.

Sem falar que Floripa só é realmente Floripa na Série B, já que o estádio do Avaí fica na ilha (o do Figueira é no continente).

Quando vocês forem a Criciúma, podem dar uma esticadinha na Serra do Rio do Rastro.

Como o Paraná caiu junto, vocês não vão deixar de ir a Curitiba.

E como o Bahia subiu, vocês vão poder matar a saudade de Salvador.

E olha que interessante: vai dar para fazer muitos bate-voltas aqui nas redondezas, a Barueri, São Caetano, Santo André, Bragança Paulista, Campinas e Marília, para redescobrir os encantos do interior.

Bons jogos e boas viagens!


Como se faz política no Brasil

4 Dezembro 2007

O Noblat publica entrevista com o Senador Gilvan Borges (PMDB-AP), realizada hoje de manhã, antes do julgamento do (ainda) senador Renan Calheiros (PMDB-AL):

“- Tranqüilo para o julgamento de logo mais?

- Sim. Renan será absolvido – responde Gilvan Borges, senador pelo PMDB do Amapá.

- O que lhe dá essa certeza?

- O entendimento que a base aliada [do governo] fez conosco [PMDB]. Se tivermos problema hoje, eles terão amanhã.

- Então existe o acordo para que a base aliada salve Renan novamente e, em contrapartida, o PMDB vote pela prorrogação da CPMF?

- Não é acordo, porque acordo é quando se cumpre. Há um entendimento.

- Se Renan for absolvido poderemos entender que houve um acordo?

- Sim.

- E, caso o entendimento não se concretize, a CPMF não contará com o apoio do PMDB?

- Posso dizer que isso terá reflexo. Faz sentido, não faz?”

E como faz, senador Gilvan. E como faz.

Segundo o senador Tião Viana (PT-AC), presidente interino da casa, quem revelasse o voto hoje no julgamento da cassação de Renan seria processado por quebra de decoro, uma vez que “o voto é secreto”. Sim, vamos fingir que ninguém sabe como votou o Senador Gilvan. E vamos concluir que abrir o voto para o eleitor é quebra de decoro, mas abrir o voto para o Planalto, e vender o voto a favor da CPMF em troca disso, são coisas muito bonitas. Tão bonitas e íntegras como as atitudes que Renan cometeu.

Renan foi absolvido, pela segunda vez. O Senado ainda vai ter mais três chances. Lula e o PT vão continuar sustentando o “pai da filha da gestante”, como já fizeram duas vezes. Tudo pela CPMF. Ou pelo caminho que ela ajuda a pavimentar.

Matéria da Folha de São Paulo:

“Correndo contra o calendário para conseguir aprovar a prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) no Senado, o governo destinou R$ 514,3 milhões em verbas federais para atender emendas parlamentares até a última sexta-feira, valor que representa quase o triplo (197%) do liberado em outubro. Senadores acusaram a Casa Civil de cooptar votos.

O detalhamento do ‘empenho’ (compromisso de gastos) das emendas parlamentares do Orçamento aponta ainda que R$ 207 milhões foram liberados só na semana passada, segundo dados do Siafi (sistema de acompanhamento de gastos da União) coletados pelo DEM.

A primeira denúncia de que o governo estaria negociando com emendas partiu de Geraldo Mesquita (PMDB-AC), que integra o grupo dos ‘rebeldes’ do PMDB cujos votos para aprovar a CPMF são considerados incertos. Ele relatou ter sido procurado pelo subchefe de Assuntos Parlamentares da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Marcos Lima, para negociar a liberação de emendas.

‘Um funcionário do Planalto ligou várias vezes para o meu gabinete. Depois, insistiu e foi ao meu gabinete. Eu não lhe dei essa liberdade’, diz Mesquita.

(…)

O campeão de emendas empenhadas em novembro é o PMDB, com R$ 25,4 milhões -R$ 18,5 milhões só na semana passada. Maior bancada (20 senadores), o partido é vital para a aprovação da CPMF. O PTB também obteve grande desempenho: dos R$ 6 milhões, em novembro, R$ 5 milhões foram liberados na semana passada.”

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Josias de Souza:

“O governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR) entrou na guerra da CPMF. Por solicitação de Lula, ele tenta virar os votos de dois senadores oposicionistas de seu Estado. Ambos são do DEM: Jayme Campos e Jonas Pinheiro. O primeiro parece resistir às investidas do governador. O segundo balança em suas convicções.

Em conversa reservada que manteve na semana passada, Jonas Pinheiro revelou a um interlocutor que Maggi lhe fizera uma proposta tentadora. Em troca do voto favorável à CPMF, o governador prometeu-lhe assegurar a vaga de senador em sua coligação, nas eleições de 2010. Comprometeu-se inclusive a prover o financiamento da campanha do senador.”

Agência Estado:

“Como o governo necessita dos votos do partido para aprovar a CPMF, a hora de emparedá-lo é agora. O PTB do Senado queixa-se muito de que só o da Câmara tem sido contemplado com cargos nas estatais e no segundo escalão.

De acordo com informação de um senador do próprio PTB, à exceção de Mozarildo Cavalcanti, que é inimigo do líder do Governo, Romero Jucá (PMDB-RR), e de Sérgio Zambiazi, que não costuma pedir nada, os outros quatro têm reivindicações a fazer ao governo federal.

O senador Romeu Tuma (SP), por exemplo, já conseguiu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeasse seu filho Romeu Tuma Jr para o importante cargo de secretário nacional de Justiça. Aguarda, agora, algo para o outro filho, o ex-deputado Robson Tuma.

Epitácio Cafeteira (MA) cansou de ver somente a família Sarney fazer nomeações em seu Estado. Gostaria de influenciar também na indicação de delegados do Trabalho. E, como partido, o PTB também quer uma diretoria na Petrobrás.”

Correio Braziliense:

“Nesta semana, o governo dedicará atenção especial aos senadores Expedito Júnior (PR-RO), César Borges (PR-BA) e Romeu Tuma (PTB-SP), que ameaçam aderir à resistência armada pela oposição. Júnior quer emplacar um apadrinhado no Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) de Rondônia, substituindo um quadro indicado pelo líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp. Não deve ser atendido, mas, em compensação, pode levar uma vaga na Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

Já Tuma trabalha a fim de conseguir para seu filho Róbson uma diretoria da Caixa Econômica Federal, segundo informação corrente no Congresso e no Planalto.”

Dá pra gente perceber que realmente o Governo não pode viver sem a CMPF, não é mesmo?


Obrigado, gaúchos!

3 Dezembro 2007

Eu sabia que o pessoal do meu querido Rio Grande do Sul não ia me decepcionar. E pelo menos assim posso dizer que o Corinthians foi pra segunda divisão, empurrado pelo meu time de coração e pelo meu segundo time no Brasil. E ainda com uma ajudinha do Internacional – o time pode até não ter entregado o jogo, mas que a torcida saiu de alma lavada, isso eu tenho certeza absoluta. Felicidade (quase) completa!

O castigo pelas tramóias de 2005 veio ontem. Quem sabe ano que vem os deuses do futebol não resolvem vingar as de 2007? Aí sim, a felicidade dos amantes do bom (e justo) futebol será completa…

Por enquanto, só tenho a declarar: povo do Rio Grande, “vocês fazem seu comandante muito feliz”! :-)

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Depois vou tentar escrever mais sobre o tema. Mas, por enquanto, deixo os leitores com um texto escrito na sexta-feira, antes do jogo, que encarna bem o espírito portoalegrense para ontem.

 

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O fim de Tim Timão

3 Dezembro 2007

Brasileirão City: o fim de Tim Timão
(José Roberto Torero)

O crepúsculo manchava de vermelho as ruas de Brasileirão City. O crepúsculo e o sangue.
Foi o último dia de duelos. Duelos decisivos. Duelos mortais.

Jack Tricolor, o campeão, o vencedor, o glorioso, foi derrotado por Harry Hurricane, no Arena Saloon. Mas e daí? Isso não mudou nada. Durante o ano, ele foi o melhor com folga e mereceu receber sua quinta estrela de xerife.

Billy Santos levou quatro tiros de Louis Laranjeira. Seu uniforme branco ficou manchado de vermelho. Mas e daí? Ele acabou em segundo lugar e isso era o máximo que poderia conseguir.

Black Red, o caubói que anda sempre com um Urubu em seu ombro, caiu frente a James Capibaribe. Mas e daí? Black Red, que há alguns meses parecia destinado a ir passar um ano em Série B Village, recuperou-se e acabou como o terceiro melhor de Brasileirão City. Foi uma recuperação e tanto, como aqueles mocinhos que levam uma flechada no ombro mas, usando apenas com a mão esquerda, conseguem matar toda a tribo inimiga.

Will Uai, o caubói que só se veste de azul, teve a missão mais fácil do domingo: matar o já morto Paul T. Guar (e dentro de seu próprio saloon, o Big Boy from Minas). Em 25 minutos Will já tinha acertado dois tiros no rubro inimigo. Depois ficou fazendo malabarismos com seus revólveres. Como prêmio por sua campanha, irá participar do grande rodeio Los Libertadores.

O curioso é que Will Uai contou com a ajuda de seu maior inimigo, Rob Gallo, que venceu, e bem, a Big Green. Green foi, durante todo o ano, um caubói surpreendente. Ganhava duelos que pareciam perdidos, perdia os que pareciam ganhos. Se não perder a cabeça e jogar as boas armas fora, poderá ter um bom 2008.

Seth Fire e Phil Gueira fizeram um duelo equilibrado. Phil precisa vencer para ir para Sul-Americana, uma competição para a qual todos querem ir, depois todo mundo quer abandonar. Mas só o que Phil Gueira conseguiu foi empatar o duelo no finalzinho. Seu consolo é que no ano que vem estará mais uma vez trocando balas em Brasileirão City.

Joaquim Wayne, o caubói de largos bigodes e que sempre anda com o cinto de balas atravessado no peito, venceu o simpático Blue Reed. Blue lutou mal, perdendo a cabeça, e uma de suas armas, logo aos sete minutos. Mas resistiu por um bom tempo. Só na segunda metade do duelo é que Joaquim Wayne acertou o primeiro tiro em Blue. Depois disso, o cavaleiro das araucárias desanimou e levou mais dois balaços. Assim ficou em penúltimo lugar e terá que passar um tempo em Série B Village. O curioso é que Blue Reed teve o melhor revólver de Brasileirão, o Colt Josiel, que acertou os inimigos nada menos do que vinte vezes.

Cliff Reciff precisava vencer o já rebaixado Young Boy participar da Sul-americana. Para sua sorte, Young estava sem nenhum interesse no duelo, tanto que, durante o duelo, escondeu-se atrás de um barril e começou a limpar seu revólver. Porém, sua arma disparou acidentalmente e dois tiros alvejaram Cliff, que acabou ficando fora da Sul-americana. O bang-bang é uma caixinha de surpresas.

Mais desinteressado que Young Boy estava James Colorado. O caubói internacional enfrentou John Esmeraldine, mas tinha pouca gana de vencer. Tanto que no intervalo do duelo trocou seus dois revólveres dourados (Gil & Fernandão) por duas garruchas. Já Esmeraldine queria derrotar seu oponente, mas o bandoleiro do cerrado tem tão má pontaria que teve que dar três tiros à queima roupa para acertar a bala fatal. Escapou de ir para Série B Village, mas, se não melhorar, e muito, logo estará por aquelas bandas.

E por fim chegamos ao mais visto, lamentado e comemorado duelo de Brasileirão City: Tim Timão x Sancho Pampa.

Tim Timão precisava vencer, mas mal começou o duelo e Sancho, que tem experiência em duelos dramáticos, acertou-lhe um tirázio logo de cara. Tim não esmoreceu e, aos trancos e arrancos, conseguiu empatar as coisas colocando, sem muita classe, é verdade, uma bala no corpo de Sancho. No entanto, precisava acertar mais uma. E isso não estava fácil para Tim Timão, que anda com pontaria de vesgo. Até o fim do duelo ele tentou de tudo. Mas não conseguiu nada. E vai para Série B Village. Depois do duelo, os fãs de Tim ajoelhavam-se, enrolavam-se em bandeiras, lamentavam. Se bem que alguns já entoavam gritos de guerra.

O problema de Tim Timão é que seu antigo fornecedor de armas, Dudu A. Lib, deixou-o apenas com alguns revólveres de espoleta e uns rifles enferrujados. E, sem boas armas, ninguém vai muito longe em Brasileirão City.

Os admiradores de Tim Timão derramaram tantas lágrimas pelas ruas de terra de Brasileirão City que formaram um mar de lama. Aliás, mar de lama parece ser o problema de Tim Timão.