Se não dá pra ter um Juan Carlos…

29 Novembro 2007

Nós somos, sim, gente que estuda e trabalha, porque sem estudo e trabalho não se muda o Brasil. Há, sim, acadêmicos entre nós. Não temos vergonha disso. Há, sim, gente que sabe falar mais de uma língua, mas sabemos falar nossa língua, e falamos direito. E faremos o possível e o impossível para que todos os brasileiros falem a nossa língua e falem bem. E não sejam brasileiros liderados por alguém que despreza a educação, a começar pela própria.
(Fernando Henrique Cardoso)

Não sou exatamente presidente do fã clube de FHC – aliás, estou muito, mas MUITO longe disso. Mas é inegável que, vez por outra, ele acerta na mosca. Esse trecho sintetiza muito bem um dos principais problemas que assola o Brasil nos dias de hoje.

Claro que a imprensa já voou no pescoço de FHC, distorcendo o que ele falou, e apontando “preconceito”. Não, senhores, é exatamente o contrário. O preconceito que existe é o oposto. Não é que uma pessoa deixe de ter valor porque não tem estudos. O problema é que os “milhões de Lulas deste país” agem como se estudar fosse uma coisa feia, como se as pessoas devessem ter vergonha do conhecimento que possuem.

Dos muitos males que Noço Guia (rumo ao inferno) nos trouxe, esse é um dos mais perversos. Ele não se contenta em ser um sem-estudo. Ele sente orgulho. Ele usa isso como exemplo. Ele não diz “eu sou muito bom, porque consegui chegar aqui APESAR de não ter estudado”. Se fosse isso, já seria ruim o bastante. Mas o caso é ainda pior. Ele diz “eu sou muito bom PORQUE não estudei”.

E, transformando o vício em virtude, e a virtude em vício, cria uma inversão de valores que só se vê neste país. O estudo é sempre bom. O conhecimento é sempre útil. Uma pessoa pode ser inteligente, pode ser honesta, pode ser maravilhosa, e ser inteiramente analfabeta. Mas, se ela tivesse tido oportunidades de estudar, certamente continuaria tendo todas as qualidades que tem, e MAIS o saber adquirido. E, se é possível um analfabeto ter muitas qualidades, também é igulamente possível uma pessoa não ter estudo, não ter capacidade, e nem ter caráter. Exemplos não faltam, não é mesmo?

Num país em que a crise da educação é tão grave, num país onde tantas pessoas não PODEM estudar, é muito perverso ver um presidente da república, um homem que não estudou porque não QUIS, transformar isso numa qualidade. É muito triste aquela que é a figura máxima da nação se vangloriar disso. É muito triste que o símbolo do país seja alguém que critique a educação, e represente a “esperteza”, a “malandragem”, o “jeitinho brasileiro”, como as grandes qualidades que um homem deve ter. E mais triste ainda saber que muita gente se identifica com esse discurso, e ache que o que FHC disse é “preconceito”, e que falar português correto é coisa da “zelite”.

Como disse, não sou exatamente fã de FHC, nunca fui seu eleitor, e tenho muitos motivos para ter meu pé bem atrás com ele. Assim como sei que ele tem um lado meio camaleônico. Hoje morde, fala uma frase dessas, que faz tanta gente vibrar, e amanhã já volta a assoprar, poupando seu “amigo Lula” de maiores problemas.

Mas hoje a frase é essa. E essa fala de Fernando Henrique é direta ao ponto, e diz uma verdade que não devemos esquecer. Vamos lutar por isso. Vamos lutar para termos um Brasil governado por quem estuda e trabalha, por quem trabalha e estuda. Chega da ditadura daqueles que não gostam de fazer nem uma coisa nem outra.


(Roque Sponholz)

Notinhas soltas coletadas do site do Cláudio Humberto:

“É para o pessoal saberem (sic)”

Presidente Lula explicando a estratégia de esperar a CPMF para definir a reforma tributária.

Senadora ‘Creysson’ ataca na tribuna

A ínclita senadora Fátima Cleide (PT-RO), 44, acaba de sair da tribuna do Senado coroada por três torpedos contra a pobre e indefesa língua portuguesa. Sapecou dois “exacrável”, pespegou um “róstos” com acento agudo e tudo e um atordoante “adéque” no meio de uma frase.

Vernáculo espancado

A senadora Fátima “Seu Creysson” Cleide (PT-RO) usou ontem expressões como “exacrável” na tribuna. Depois, ao responder à provocação de Arthur Virgílio (PSDB-AM), que a convidou para ser sua liderada, Ideli Salvatti (PT-SC) sapecou: “Menas, senador, menas…”

Ah, antes que digam que é “preconceito”, convém dizer: ambas, tanto Cleide quanto Ideli são professoras. São formadas. Tem “estudo”. Pela lógica petista, são “zelite”. Fátima Cleide, pasmem, é formada em… Letras. Com coisas assim, dá pra entender porque eles têm tantos problemas com as pessoas que “estudam e trabalham”.


A Batalha dos Aflitos

26 Novembro 2007

(Texto escrito em 26/11/2005.)

O Gerador de Improbabilidade Infinita
ou
Eu Nunca Deixei de Acreditar

“- Mas… mas… Isso é impossível! – gritou ele, atônito.
- Não. É apenas muito, muitíssimo improvável.”

 

 

 

Existem momentos que não se podem viver sem que eles nos fiquem pra sempre na memória. (E derrubar um trasgo montanhês de quatro metros de altura não é o único deles.) E há coisas nessa vida que são ainda mais improváveis do que
um cachalote despencando no vácuo, sobre um planeta adormecido, junto com um vaso de flores que contém o segredo da vida, do universo e de tudo o mais.

Existem momentos que geram uma quantidade inesgotável de combustível para um “Coração de Ouro” voar pelas galáxias.

Existem momentos. Existem mistérios. E existem os deuses. Sim, os deuses. Aqueles mesmos que eu canto, vez por outra, e em quem alguns de vocês se recusam a acreditar. Os deuses da bola, que sabem quando devem agir, e quando devem esperar.

Os mesmos deuses que têm sido tão atacados esse ano por aqui. O Brasil demorou mais de 100 anos pra ter um campeonato de verdade. Era a vergonha maior: o país do futebol passou um século vivendo apenas com “torneios” ou
“taças”, e só em 2003 ganhou o direito de ter um campeonato. O sonho durou dois anos. No terceiro, resolveram dar um jeito de voltar à bagunça cotidiana. Jogos anulados, resultados manipulados, equipes com jogos a mais
ou a menos, times jogando cinco vezes em oito dias. O feijão com arroz que nos acostumamos a achar “normal”.

Os deuses a tudo assistiram, impávidos. Esperavam o seu momento para agir, castigar os responsáveis pelos sacrilégios cometidos. Para grandes males, grandes remédios. Eles foram dando sinais de que algo especial estava para acontecer. Os ateus se recusavam a percebe-los, mas eles eram visíveis, como nuvens escuras prenunciando a tempestade redentora.

E ela veio, como não poderia deixar de vir.

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Rápido e rasteiro

26 Novembro 2007

Fechei os comentários do post anterior para tentar evitar maiores chateações do que as que já tive (e venho tendo) com o assunto. É melhor assim.

Só que, antes de encerrar o tema, queria responder uma parte de um dos comentários. Teve gente me confundindo com torcedor do Petrobrás, e me chamando de trapaceiro, insinuando que a história do assalto ao juiz, no dia do jogo, tinha sido inventada por mim.

É incrível como pessoas que lêem o QsQ há tempos, desde a versão anterior do blog, ainda caem nesse erro.

Se não confiam em mim, basta perguntar a São Google. Ele tem as respostas. Vamos ver alguns dos sites que, junto comigo, inventaram essa história?

Globo Esporte:

“O árbitro Marcelo de Lima Henrique, que vai apitar a final da Taça Guanabara no Maracanã entre Flamengo e Madureira, foi assaltado na tarde desta quarta-feira em Venda das Pedras, Itaboraí. Tudo foi roubado, menos o uniforme para a decisão desta quarta.

Marcelo saía de casa por volta das 15h, de carro, em companhia da família (mulher e três filhos) quando foi rendido na saída de seu condomínio por dois homens armados.”

Rádio Brasil Central:

“O árbitro da decisão da Taça Guanabara, Marcelo de Lima Henrique, viveu momentos muito tensos antes do jogo. Ele foi assaltado quando seguia de carro de Itaboraí, no Grande Rio, para Ipanema, onde deixaria a mulher e dois filhos, de 12 e 8 anos, para ir ao Maracanã.

Sob a mira de um revólver e ameaça de morte por mais de 20 minutos, o árbitro e seus parentes foram obrigados a parar o carro num terreno baldio.”

Disque Denúncia:

“Policiais do 35º BPM (Itaboraí) recuperaram no início da noite de sexta-feira, na Rodovia RJ-116, uma Parati, de placa LNB 3598, roubada na quarta-feira. O carro pertence ao árbitro de futebol Marcelo de Lima Henrique, que apitou no mesmo dia do roubo o jogo Flamengo x Madureira, pela final da Taça Guanabara. A PM chegou ao local onde estava o veículo, no bairro de Reta Velha na Fazenda Vargem Grande, após receber uma ligação para o Disque-Denúncia.”

Pelé.Net:

“‘Fui muito prejudicado pelas arbitragens. Me tiraram o título da Taça Guanabara deste ano. Até hoje discuto aquela situação do árbitro ter sido assaltado no dia da final’, continuou [Elias] Duba [presidente do Madureira].

Quando saíam de sua casa, em Itaboraí, o árbitro Marcelo de Lima Henrique e sua família foram rendidos por dois homens armados e levados para um terreno baldio, onde ficaram por cerca de 20 minutos na mira dos revólveres. Os meliantes levaram o carro e os pertences do juiz e de sua esposa.”

Podia continuar. De onde saíram esses, têm muito mais. Podia até mostrar alguns blogs, que discutiram o caso de maneira menos jornalística e mais inflamada. Mas acho que chega, né? É uma pena que eu não tenha o áudio de uma rádio carioca, onde o árbitro falava, com a própria voz, sobre o assalto, sobre a sua família ter ficado como refém durante o jogo, etc e tal. Mas talvez nem isso fosse suficiente.

Claro, para quem arruma argumentos para defender roubos que beneficiem o seu lado, sempre é possível alegar que “não se provou nada”. Assim como “não se provou nada” contra Lula, contra Renan Calheiros, etc e tal. Mas, para quem leu essas notícias todas, ouviu o árbitro contando o caso, e viu, no final do jogo em questão, o referido juiz sair de campo dando pulinhos de felicidade, digamos que os indícios são bem palpáveis.

E pronto. Ponto final nessa história.


Torcer faz bem. Pra quem?

25 Novembro 2007

A imagem acima é o retrato perfeito do que foi esse ano para o futebol brasileiro. Uma vergonha completa, onde a única coisa a ser comemorada é o inédito penta-cameponato do São Paulo.

Na imagem acima, torcedores do Petrobrás FC mostram toda a sua educação, todo o seu civismo, todo o seu caráter, jogando fora um produto alimentar que deveria ser doado a crianças necessitadas. Acredito que eles devem ter se divertido muito com isso. Afinal, o que há de mais em jogar no lixo algo que, teoricamente, serviria para matar a fome de meia dúzia de crianças? Nada, claro. Ainda mais para a mesma raça que tem o costume de colocar areia nessas mesmas latas e entrega-las como se fosse farinha láctea…

Essa “festa do Neston” aconteceu no Rio de Janeiro, durante essa semana. Depois das ameaças terroristas que fizeram o tribunal recuar na punição imposta ao Petrobrás, a Nestlé fez a sua parte, ajudando a torcida movida a pó a bater mais um pseudo-record de público. As cenas policiais foram se sucedendo. Tiroteios nas filas, supermercados assaltados, bilheteiros ameaçados. Dois supermercados na zona norte do Rio foram saqueados, atrás de latas do produto. Cambistas chegavam a trocar 80 latas por ingressos, mesmo o limite sendo duas por pessoa. O gran finale foi essa cena aí em cima. Acho que nenhuma palavra pode ser tão forte quanto a imagem.

Hoje é um dia de festa para algumas pessoas. Hoje, chegou ao final a operação de salvamento, que tirou o Petrobrás FC do rebaixamento, para leva-lo no colo até o mais acima possível, contruindo, no meio do processo, o mito dos “records de público”.

Ficam aqui os meus sinceros parabéns a todos os que conspiraram para que isso acontecesse. Parabéns à Rede Globo, que consegue garantir audiência para o ano que vem. Parabéns à CBF, sempre pronta para remarcar jogos segundo os interesses de quem manda. Parabéns aos tribunais, por terem cedido a todas as pressões e colocado a justiça em segundo plano. Parabéns à Nestlé, e principalmente ao seu genial departamento de marketing, por patrocinar isso tudo, e associar sua imagem a cenas de vandalismo e a suspeitas de trapaça e manipulação de resultados. Parabéns ao departamento médico do Petrobrás FC, eles sabem por que. Parabéns aos árbitros, por mostrarem tão claramente que, além dos Lulas, também são “dezenas de Edílsons apitando neste país” – e que ainda hoje deram mais uma prova disso.

E, claro, um parabéns todo especial para a nação rubro-negra, essa torcida maravilhosa que apoiou o time sempre, de todas as maneiras possíveis, seja sequestrando o juiz no dia da decisão do campeonato, seja ameaçando os tribunais para garantir a impunidade do clube, seja fazendo todas essas sujeiras com as latas da Nestlé.

Dá vergonha de ser brasileiro. Dá nojo de continuar vestindo o nariz de palhaço e acompanhando esse futebol, com resultados planejados de antemão. Mas reclamar de que? Isso é um retrato do país. Corrupção, trapaça, lei da selva, “levar vantagem em tudo”. Gente que não reclama, porque meu partido/time foi beneficiado, e afinal de contas ”farinha pouca, meu pirão primeiro”. Gente que justifica roubos com “todo mundo faz, né?”. Eu estou falando de futebol? De política? De cultura? De povo? De tudo. De tudo.

Os torcedores honestos do Petrobrás FC, aqueles que têm caráter, a uma hora dessas devem compartilhar esse sentimento. Devem sentir vergonha, talvez até maior do que a minha. Porque devem sentir desprezo, revolta, por verem a que ponto o seu clube desceu, com que tipo de coisas ele se envolve. Esse é o Petrobrás FC, e não o clube que eles aprenderam a amar. Os rubro-negros de caráter sabem que esse é um ano para se esquecer.

Agora, os outros, a uma hora dessas, devem estar fazendo a festa. E tem todos os motivos para isso. Eles são maioria. O mundo é deles. Hoje a noite será longa, com Neston jogado pra tudo que é lado. E haja pó.


PAC de verdade

24 Novembro 2007

Por que não se calam

20 Novembro 2007

A essa altura, creio que todos já conhecem o caso. O “por que no te callas?” do rei Juan Carlos de Espanha, dirigido ao ditador venezuelano Hugo Chávez, caiu na boca de todos e rodou o mundo. Já ganhou versões rock, funk, ringtone de celular, etc, etc.

Há duas maneiras de se ver esse fato. A primeira é o efeito “lavou a alma”. Juan Carlos fez aquilo que todos os democratas anseiam por fazer. Alguns não fazem por medo, outros por amarras diplomáticas, mas a verdade é que o Rei deu voz a todos aqueles que são obrigados a aguentar as fanfarronadas do coronel. Por um momento, todos fomos espanhóis. Por um momento, todos tivemos vontade de que o Brasil tivesse um governante capaz de, com uma resposta dessas, colocar o ditador no seu lugar.

Mas o episódio traz também um contexto mais profundo. Na verdade, o que aconteceu ali foi um choque entre duas visões de mundo. Um choque muito representativo da guerra que travamos hoje em dia. Em raras vezes isso ficou tão claro. No encontro de Juan Carlos de Bourbon e Hugo Chávez, vimos os dois lados do confronto. E já passou da hora de cada um de nós começar a escolher de que lado está.

Se alguém ainda não viu a cena, o vídeo está aqui:

Para quem não acompanhou desde o início, vamos fazer uma recapitulação do que aconteceu naquela hora, o que levou o Rei a ter aquela reação. Durante a reunião da Cúpula Ibero-Americana, no Chile, o caudilho venezuelano resolveu aprontar mais uma das suas bravatas. Aproveitando a presença da delegação espanhola, Chavez fez um duro discurso contra a Espanha e principalmente contra o ex-primeiro-ministro espanhol, José Maria Aznar. Entre outras coisas, chamou Aznar de “fascista”, criticou a Espanha por algumas medidas comerciais e acusou o governo espanhol de “apoiar o golpe de 2002 em Caracas”.

O atual primeiro-ministro da Espanha, José Luis Zapatero, respondeu a Chavez. Ou melhor, tentou responder. Chavez não o deixava falar, interrompia a cada segundo. E Juan Carlos fechava cada vez mais a cara. Até a hora em que o Rei não aguentou, virou para o bufão venezuelano, e disparou o agora famoso “por que no te callas?!”.

Porque eu digo que isso é muito representativo de duas visões de mundo diferentes?

1) Hugo Chávez não se incomoda nem um pouco com a “moral burguesa e hipócrita”. Fala o que quer, na hora que quer. Finge não enxergar as diferenças entre o seu castelo e uma cúpula internacional. O que ele pretende é fazer com que o mundo seja uma extensão do seu quintal. Acostumado a ser obedecido, acostumado a que todos escutem calados e concordem com ele, Chavez acha que pode fazer o mesmo em qualquer lugar. E por isso não vê nada demais em chegar a uma reunião diplomática e ofender um ex-governante de outro país.

2) Zapatero, acostumado a jogar de acordo com as regras, pede a palavra e parte para uma resposta diplomática. “Pode-se estar de lados opostos em posições ideológicas, e não serei eu a estar perto das idéias de Aznar, mas eu fui eleito pelos espanhóis e exijo respeito”. Embora, da mesma maneira, não seja eu a estar perto das idéias de Zapatero na maioria das coisas, não me incomodo de dizer que ele deu uma aula ao venezuelano. A vontade dele podia ser responder “ô gorilão, fascista é tu madre!”. Seria uma resposta mais ao nível de Hugo Chávez. Mas não é a resposta adequada para uma cúpula diplomática. E Zapatero fez o que devia ter feito. Em democracia, há alternância. E uma ofensa a Aznar, por mais que ele seja seu rival, é uma ofensa à Espanha. Ontem, Aznar era a Espanha. Amanhã, outro será. Mas hoje, Zapatero é a Espanha. E é seu dever defender o país de um ataque gratuito como esse.

3) Melhor seria dizer que Zapatero tentou fazer o certo. Apenas tentou, porque Chavez não deixa. A cada vez que Zapatero abre a boca, ele interrompe. Zapatero pediu a palavra para falar. Chavez corta, sem pedir autorização a ninguém. Repito, não é apenas falta de educação. É uma questão de caráter, de ideologia. Seguir as regras? Mas as regras são feitas por burgueses, para burgueses. O povo não deve se sujeitar a elas. Zapatero, democraticamente, suspende a fala a cada aparte de Chavez, e depois retoma do mesmo ponto. E Chavez insiste. Ele não ouve. Ele não sabe o que é oposição. Ele não entende o conceito de “alternância”. A idéia dele sair de cena enquanto alguém fala, alguém que diz que ele está errado, é algo absurdo na sua visão de mundo.

4) E é quando o Rei Juan Carlos, poder moderador, se manifesta. “Por que no te callas?” É uma declaração de limites. Um “basta”. Um copo cheio d’água, que se revolta com o que está vendo. E é uma linguagem que Chavez entende. Ele fica visivelmente constrangido por alguns segundos. Depois, claro, parte para o contra-ataque. Mas, por um momento, ele sentiu o golpe. A dignidade de Juan Carlos atingiu o homem que está acostumado a enfrentar a força bruta dos seus iguais ou a tolerância democrática e cordial dos seus opostos. Ele não conhece essa dignidade ultrajada e franca.

Chavez representa a maior ameaça ao mundo em que vivemos. Não Chavez, pessoa física, claro. Mas aquilo que ele personifica. É o neo-totalitarismo que se alastra pela América Latina, é o terrorismo que ataca ao redor do mundo, é aquele outro tipo de terrorismo que corrói a Europa por dentro. São as pessoas que gritam, que querem que ouçam a sua voz, que se escoram nos seus ”direitos” e no discurso pobrista. Fomos humilhados durante anos, agora queremos o que temos direito, e ninguém pode ser contra. Não respeitam a alternância, não respeitam a divergência. Acham que estão cumprindo um “destino divino” e não toleram qualquer oposição, qualquer idéia de limite.

Por outro lado, Zapatero é a reação ocidental-democrática a tudo isso. Jogar de acordo com as regras. Fazer o que é certo. Democracia, tolerância, respeito. O senhor diz que Aznar é fascista? Eu vou responder, claro, mas aceita um chazinho enquanto isso? Ah, o senhor quer me interromper e gritar mais alto? Eu sou muito nobre para essas coisas, quando o senhor parar de falar eu prossigo.

(Claro que eu acho que, num mundo ideal, Zapatero está mais que certo. E por isso o aplaudo, acho que ele deu uma aula a Chavez. Mas isso serve para quem percebe isso tudo. Para o público-alvo de Chávez, acreditem, a idéia que passa é a de que o venezuelano “tem peito”, “encarou os ricos” e “defende o seu povo”.)

E Juan Carlos? O seu “por que no te callas” significa o soco na mesa. Aquela hora em que, para defender a liberdade, é preciso abdicar dos punhos de renda e das fórmulas educadas, e falar a verdade, nua e crua. A coragem de fazer o necessário, mesmo que não seja o mais “bonitinho”. Não é “gritar mais alto”, porque se for por esse caminho, Chavez sabe jogar melhor. Mas também não é ser menino de coro, usando palavras bonitas para se falar com bandidos, e dando a impressão de que somos todos iguais, é apenas uma divergência ideológica que nos separa. O que Juan Carlos mostrou é essa mistura de autoridade, firmeza e dignidade que se exije em certos momentos críticos. “Por que no te callas?”

Claro que Chavez não se calou. Pelo contrário, no dia seguinte, respondeu com um novo discurso anti-espanhol, tentando capitalizar a história a seu favor, dizendo que é típico dos países imperialistas quererem que o povo se cale, etc, etc, etc. jogou pra sua galera. Mas, por um momento, a fábula se inverteu. Foi o Rei a mostrar ao povo que o bobo estava nu.

E com isso, Juan Carlos animou todos aqueles que, ao redor do mundo, resistem contra ditadores ou candidatos a.

Por que no te callas, Chavez? Por que no te callas, Evo? Por que no te callas, Lula? Eles não se calam porque são iguais. Eles não se calam porque não concebem a idéia de que outras vozes possam se fazer ouvir. Eles não podem se calar, porque têm certeza de que “nunca antes nestes países” houve alguém como eles, e nunca mais haverá. Eles não se calam porque têm medo de que outros falem e façam o povo perceber a sua nudez.


A negra noite da consciência

20 Novembro 2007

Hoje, dia 20 de novembro, o Rio de Janeiro e mais algumas cidades do Brasil comemoram o “Dia da Consciência Negra”. Quem me conhece há pelo menos um ano sabe a opinião que eu tenho sobre essa data. Costumo chama-la de “Dia de Glorificação do Racismo”, uma vez que me causa espécie saber que estou em um país que dedica um dia à comemoração de uma determinada “raça”. Já escrevi longamente sobre esse assunto em outros anos, e hoje não gostaria de voltar ao tema.

Hoje, prefiro falar dos 10 anos do texto de onde “roubei” o título desse post. Publicado em um jornal distribuído na PUC-RJ, em 19 de novembro de 1997, naquela que (salvo erro) foi a primeira vez em que se “comemorou” (sic) essa data, “A Negra Noite da Consciência” foi um texto marcante. Leia o resto deste post »


Raikkonen é bi!!!

19 Novembro 2007

O finlandês Kimi Raikkonen, da Ferrari, se sagrou hoje bicampeão mundial de Fórmula 1.

Não, eu não fiquei maluco. E nem andei entornando um garrafão da Koskenkorva Viina. Estou apenas aplicando à F-1 o “método rubro-negro de contabilização de títulos”.

(Para quem não sabe, existe um clube no Rio de Janeiro que ganhou quatro vezes o Campeonato Brasileiro e sai gritando que é “penta campeão”, tentando ver se algum bobo acredita. Esse mesmo clube jura que nos anos 70 foi “tri-campeão carioca”. Aí você pergunta quando foi isso, e eles dizem que foi em 1978 e 79, mas o de 79 valeu dois…)

O finlandês foi campeão, pela primeira vez, em outubro, ao vencer o GP Brasil. E na sexta feira foi campeão pela segunda vez, com a decisão da FIA que rejeitou o recurso da McLaren e confirmou o resultado de Interlagos. Agora, por uma questão de coerência, pelo menos a torcida daquele clube deve parabenizar Raikkonen pelo bi. :-)

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Ah, e nem me venham com trocadilhos maldosos pelo título do post. Kimi, além de bom piloto, também é um rapaz de ótimo gosto. Segundo conta o Fábio Seixas, uma revista noticia que o piloto da Ferrari teria tido um affair com uma atriz italiana, Valentina Gioia. Que vem a ser essa moça aqui:

valentina.jpg

Decididamente, Kimi tem muito bom gosto. É por essas e por outras que eu torço pra ele… :-)

Valentina conta uma cena que aconteceu quando os dois estavam juntos na Suíça:

“Uma vez a gente estava passeando perto da casa dele, em Zurique, e passamos por um painel com a foto de Alonso. Kimi escalou o muro e arrancou o cartaz.”

Decididamente, eu adoro o Raikkonen. É aquilo que eu sempre disse, Alonso é o melhor piloto da sua geração, talvez o melhor depois de Senna, etc, etc. Mas minha torcida é do Kimi. Um cara que sai por aí vestido de gorila e faz uma cena dessas pra impressionar a senhorita da foto não pode ser má pessoa. “Homem de gelo”, sei, sei…Em tempo: Lewis Hamilton também está às voltas com uma notícia semelhante. O tablóide inglês Sun publicou uma entrevista com uma modelo turca que se diz ex-namorada de Hamilton e mostra ao jornal detalhes picantes como um torpedo do piloto, onde ele manda para ela um “miss ur sexy ass, hehe”. 

De acordo com a modelo, “os encontros não duravam muito”, já que Hamilton “é tão rápido na cama como na pista”. Hmm. Diz também a moça que o inglês gostava de “comer bananas em cima do corpo dela”. Curioso. Que eu saiba, é o Raikkonen que tem a fantasia de gorila…

A turca é esta aqui:

E assim, mais uma vez, Raikkonen dá um passeio em Hamilton. Depois das vitórias na pista, agora vence também na comparação entre as acompanhantes. Raikkonen, decididamente, escolheu melhor. Tanto no quesito “beleza” quanto no quesito “classe”.

Convenhamos: enquanto uma fala de romance em Zurich, a outra cita bananas e “your sexy ass”? Nem dá pra comparar…


Cena de aeroporto em 2014

14 Novembro 2007

(Texto publicado no Estado de São Paulo e reproduzido no Blog do Juca Kfouri.)

 

Cena de aeroporto em 2014

UGO GIORGETTI

Estamos em 2014.

O senhor Hans Reutberger- Sieblinsky está parado no meio do aeroporto de Guarulhos, perplexo. Ele é o chefe da delegação de um pequeno, porém tradicionalíssimo, país europeu, que tinha, no último minuto, obtido classificação para a Copa no Brasil. Depois de 13 horas de vôo e esperar por um tempo a seu ver intolerável para sair da alfândega com as malas e material esportivo, o senhor Sieblinsky estava realmente confuso. Olhava para o monte de passagens aéreas em suas mãos com o nome da empresa brasileira que faria a conexão de seu vôo com Belo Horizonte.

Certamente herr Sieblinsky estava entendendo mal o que lhe diziam. Afinal seu inglês não era grande coisa. O do seu interlocutor brasileiro, infelizmente, não era melhor. O fato é que tinha conseguido entender que a companhia aérea na qual sua delegação deveria embarcar tinha encerrado as atividades. Fechado. Closed down. Kaput. Como seria possível uma coisa dessas?! Ontem mesmo tinha falado com a companhia! Ela não só existia como confirmou o vôo!

Mas realmente não havia ninguém atrás do balcão da empresa. Nobody. Personne. Procurou imediatamente entrar em contato com o embaixador de seu país no Brasil. Uma gravação em português respondeu: “Esse número não existe.”

Depois de ouvir com toda a atenção por três vezes a mesma mensagem, resolveu ligar para o cônsul, em São Paulo. Ao receber uma resposta em sua língua nativa, quase foi às lágrimas de alegria. Mas apenas por um momento. Logo depois o cônsul em pessoa o informou que sim, não só era possível empresas de aviação no Brasil quebrarem da noite para o dia, como a sua realmente quebrara. Olhando desnorteado para as inúteis passagens o sr. Sieblinsky arriscou: “Bem, podemos ir de trem.” Julgou ouvir uma risada abafada do outro lado e soube que no Brasil há muito tempo não há trens. Pelo menos o que um europeu considera trem.

Já apreensivo, ao ver seus jogadores e a Comissão Técnica se amontoando no chão do aeroporto lotado, o homem teve forças para dizer: “Ônibus, então?” Ônibus, muito bem, vamos verificar. Horas depois, o cônsul ligou de volta, e para surpresa do sr. Sieblinsky, com voz natural, de quem está no Brasil há vários anos, declarou: ônibus também não dá. Haverá grande reunião de evangélicos em BH, onde são esperados 5 milhões de fiéis. Não há passagens.

Pelo som que o pobre sr. Sieblinsky emitiu pelo telefone, o cônsul percebeu que sua presença era requerida no aeroporto. Antes, porém, resolveu avisar: não tinha a menor idéia de quando ia chegar em Guarulhos, porque ameaçava chover e a Marginal ia virar um inferno. Além disso, o mecânico que tinha prometido entregar o carro do consulado “o mais tardar lá pelo meio-dia” não estava respondendo aos insistentes telefonemas. Ao desligar, uma coisa continuou intrigando o cônsul: por que herr Sieblinsky tinha reservado vôo para Belo Horizonte? Será que ele não sabia que a sede dos jogos do seu país tinha sido transferida, no último instante, para Goiás? Ninguém avisou? No fim o cônsul mandou chamar um táxi especial e saiu rumo à Marginal, soltando palavrões em sua língua nativa.

Na mesma noite foi ouvido o seguinte diálogo entre dois garis do aeroporto:

-Você viu o gringo que pirou no meio do saguão?

- Que time que era?

- Sei lá, Itália, eu acho.

BRAZIL!! ZIL ZIL!!


Os bandidos se divertem

14 Novembro 2007

(Disclaimer: a leitura deste post é desaconselhável para pessoas que confundam fatos e opiniões firmes com ofensas.)

Há horas em que a vergonha de ser brasileiro atinge níveis estratosféricos. O STJD (“Supremo” “Tribunal” de “Justiça” “Desportiva”, todas as aspas são poucas) cedeu à pressão da bandidagem, e deu o dito pelo não dito, beneficiando uma vez mais o time da Petrobrás.

Para quem não acompanhou o caso, um breve histórico. Os rapazes alegres da torcida negro-rubra, sempre elegantes e bem educados, crianças que só querem se divertir, atiraram objetos no campo, não em uma, mas em duas partidas seguidas. Da segunda vez, atingiram um dos membros da equipe de arbitragem, que relatou o fato na súmula.

A partir daí, as vergonhas se sucederam. Primeiro, o julgamento foi inexplicavelmente adiado, por um tempo infinito, para não atrapalhar o belíssimo trabalho que estavam fazendo tirando esse time da lama onde estava. Depois, ele conseguiu ser absolvido no julgamento do primeiro caso. No segundo, esgotadas as manobras, não havia como não punir. Deram a punição mais leve: um jogo com portões fechados.

E qual a reação da “nação”? Ora, vocês não acham que eles iam aceitar isso calados, né? Eles agiram mostrando todo o seu caráter: ameaçando, intimidando, jogando com o terror. Ou cancelam a punição ou então vamos “cercar o Maracanã na hora do jogo”. E vindo de quem vem, sabemos o que isso significaria. Deixaram bem claro as opções: impunidade ou barbárie. E foram apoiados nisso por uma parcela irresponsável da imprensa, que deu voz a esses marginais. Como disse um projeto de jornalista numa rádio carioca, “é bom a justiça ter noção de que vai ser responsável por muitas mortes se insistir nessa palhaçada de impedir a nação de exercer seu direito de apoiar o time”.

Covardemente, o STJD cedeu à chantagem, e anulou a punição. O time da Petrobrás vai ficar impune, mais uma vez. Os bandidos, claro, estão rindo à toa. Quem disse que o crime não compensa? No Brasil compensa, sim. Compensa tanto que o presidente do “Tribunal” de “Justiça” mandou um fax ao clube, dando os parabéns pela suspensão da sentença.

É isso mesmo. O presidente do Tribunal, aquele homem que representa a justiça (lembram o que é isso? é aquela paradinha da balança, imparcial, etc), a pessoa que decidiu suspender a pena, MANDA UM FAX para o réu, dando os parabéns pela decisão que ELE, juiz, tomou.

Só no Brasil. Só no Brasil.

E assim, o time da Petrobrás dá mais um passo na sua escalada. Depois do record batido no Campeonato Carioca deste ano, quando o juiz da decisão foi sequestrado no dia do jogo, e sua família mantida como refém até ao fim da partida, eles provaram que sempre podem ir mais longe. Agora, que conseguiram o novo record de anular uma decisão judicial com ameaças terroristas, qual será o próximo objetivo?

Na Itália, depois dos tumultos de domingo, a justiça (sem aspas) decidiu enquadrar os baderneiros como terroristas, pelas ameaças que trouxeram à segurança pública. Era o mínimo que a justiça brasileira poderia fazer, processando os líderes da torcida e os jornalistas que ajudaram a incitar a violência. Mas como aqui as únicas leis que valem são a de Gérson e a da selva…

Então, a “nação” pode ficar feliz. Agora, basta encher as latas de Nescau com areia e ir lá buscar seus ingressos.

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A dança das cadeiras

13 Novembro 2007

Como era de se imaginar, Fernando Alonso bateu mesmo a porta, e deixou a McLaren. Já tinha dito aqui, e mantenho minha opinião: é bem provável que 2008 seja o início de um período de decadência para a McLaren. Não apenas por ter perdido o melhor piloto da atualidade, embora isso seja um baque para qualquer equipe. A principal perda da McLaren é que, com isso, ela confirma a aposta no método de gerenciamento que a fez perder o título de 2007. Lewis Hamilton será o primeiro piloto, com todo o apoio da equipe, da imprensa, e etc. Ron Dennis ainda acredita no seu potencial para se tornar um campeão. Eu duvido. Para mim, Hamilton vai cair muito em 2008. Vamos esperar pra ver.

A central de boatos do Circo anda à toda. O que parecia ser um período morno de férias, com todas as equipes importantes definidas, virou uma frenética dança das cadeiras. O bi-campeão Alonso tem propostas, ou pelo menos sondagens, de virtualmente todas as equipes. E, até ele decidir, tudo está congelado.

A vontade dele parece ser a Ferrari. Mas a casa de Maranello não tem vagas para ele, ainda. Talvez em 2009 isso possa se arranjar. O meu sonho era ver Alonso na BMW. A montadora alemã está pronta para dar o salto e se tornar uma equipe grande, e Alonso seria o piloto ideal para essa hora. Se Alonso fosse para a BMW, eu chegaria a apostar que ele brigaria com Raikkonen pelo título de 2008. Mas, ao que tudo indica, também a BMW acena com uma proposta apenas para 2009.

A Renault parece largar na pole position, e ser a escolha óbvia de Alonso, e o palpite de nove entre dez jornalistas da área. Ele já esteve lá, ganhou dois títulos com um carro mediano, a equipe afundou depois da sua saída e o receberia de volta de braços abertos, ao fim de uma temporada deplorável como foi a de 2007.

Bem, eu vou remar contra a corrente. Não acredito em Alonso na Renault. Para mim, o espanhol vai desembarcar na Red Bull Racing. É uma equipe média, com um bom ambiente, dinheiro suficiente para bancar essa coontratação, e que adoraria trazer essa visibilidade para a marca.

Alonso pode brigar pelo título na RBR? Provavelmente não, a não ser que tire um GRANDE coelho da cartola. Mas pode passar um ano tranquilo, sem pressão (qualquer pódio seria um grande resultado, uma vitória, então, equivaleria a um título), e esperar pelas conversas com Ferrari e BMW, visando 2009. E a RBR vem com Adrian Newey como projetista, o que é promessa de um carro melhor para 2008. Na minha opinião, é a melhor escolha, e meu cenário número 1 fica sendo esse: Alonso e Webber na RBR, Kovalainen e Nelsinho Piquet na Renault.

Se não for na RBR, meu cenário B seria… a Honda. Estou acompanhando o mercado com curiosidade. Primeiro, um boato de que Rubens Barrichello seria “rebaixado” para a Super Aguri, que todos interpretaram como um puxão de orelhas, em represália à sua entrevista depois de abandonar o GP Brasil. E agora, a Honda me aparece com Ross Brawn, o engenheiro com fama de mago que acompanhou Schumacher nos seus sete títulos.

Somo dois mais dois, e acho cinco. Ross Brawn ficou um ano afastado da F-1, desde que Schummy se aposentou, e não voltaria se não acreditasse que pode fazer alguma coisa. Depois da temporada pífia da Honda em 2007, é de se esperar que os japoneses invistam pra valer, pra recuperar a imagem. E tudo se encaixa. Ross Brawn no comando da equipe, Alonso e Jenson Button pilotando, e Rubinho na Super Aguri, para cumprir seu último ano na categoria e bater o record de GPs disputados que ele tanto persegue.

E a McLaren? Quem será o companheiro de Hamilton? Essa pergunta mostra bem o beco sem saída em que a equipe inglesa se meteu com todas as trapalhadas desse ano. Nenhum piloto de ponta aceitaria ir para a equipe de Woking, correndo o risco de passar por tudo que Alonso passou. Dennis se amarrou definitivamente a Hamilton: terá de vencer com ele, ou afundam os dois juntos. As opções da McLaren são apenas duas: ou pega um piloto semi-aposentado (Ralf Schumacher já andou se oferecendo) ou um novato (fala-se em Bruno Spengler, da GP2).

Meu palpite número 1? Pedro de la Rosa, o eterno piloto de testes. Conhece bem a casa, não tem ambições maiores, se contentaria em ajudar Hamilton, faria todo o trabalho “chato” de acertar o carro que o inglês não sabe fazer. Além disso, é espanhol, e sua presença como piloto titular “compensaria” a saída de Alonso, na visão dos patrocinadores Santander e Telefónica.

O cenário B, na hipótese de Alonso ir mesmo para a RBR, seria David Coulthard. Com 37 anos, o escocês também deve estar fazendo seu último ano de F-1 em 2008, teria muito a ensinar a Hamilton, e também tem raízes na McLaren, pelos nove anos que passou lá.

Vamos esperar pra ver. Por enquanto, parece que a temporada 2008 será um passeio de Kimi Raikkonen rumo ao bi. Mas muitas coisas ainda podem acontecer. Quando Alonso se decidir, e as outras cadeiras da roda forem sendo ocupadas, a temporada começa pra valer. E aí vamos ver de onde os coelhos começam a sair.


Muita gente tenta…

9 Novembro 2007

… mas só o São Paulo é penta! :-)

Eu passei muitos anos sonhando que fosse o Vasco a conseguir essa honra. Não deu, paciência. A hora agora é de aplaudir o São Paulo, primeiro clube a vencer cinco campeonatos brasileiros.

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E a conquista do São Paulo foi alcançada com muita justiça. Já houve campeonatos onde um time dominou a competição como o São Paulo fez agora (o Vasco em 88 e 92, por exemplo), mas deixou de ganhar o título porque, na época, regulamentos malucos premiavam times mais fracos.

Dessa vez, não. Agora que temos um campeonato, venceu o melhor: deu São Paulo na cabeça, com quatro rodadas de antecedência, 15 pontos em cima do segundo colocado, uma das melhores defesas de todos os tempos (13 gols em 34 jogos) e um saldo de gols humilhante. O São Paulo chega à 34ª rodada com um saldo positivo de 38 (TRINTA E OITO!!!!) gols. Pra entender o valor disso, os melhores clubes do campeonato, depois do São Paulo, são Fluminense (+16), Cruzeiro (+15), Santos (+12) e Vasco (+7).

(A defesa do São Paulo, como eu disse, levou 13 gols em 34 rodadas. A segunda melhor é a do Fluminense, que levou 34. Não dá.)

O jogo do título foi contra o América de Natal, no Morumbi. Que festa linda. Setenta mil são-paulinos lotaram o estádio, batendo o record de público do campeonato (e sem Nescau!!!). Mas, claro, ainda vai ter gente falando que ponto corrido “não tem emoção”. Pergunte a cada um daqueles setenta mil se eles sentiram ou não emoção.

Num Brasil de tantas injustiças, é uma alegria saber que, ao menos no futebol, vence o melhor. Ao menos em uma coisa, até parecemos estar no mundo civilizado. Seria ótimo se isso servisse de exemplo pra outras áreas.

Eu entendo que muitos times não gostem de pontos corridos. Essa fórmula, por ser mais justa, dificulta certas roubalheiras. Não impede que elas aconteçam, claro – vide o Zveitão 2005. Mas dá mais trabalho. Em outros campeonatos, às vezes basta um jogo armado para dar o título ao time escolhido.

O choro é livre. Mas a verdade é que o São Paulo é campeão brasileiro, é PENTA campeão brasileiro. E leva pra casa a taça destinada ao primeiro clube que ganhasse cinco títulos. De hoje em diante, quem a quiser ver, que faça uma visita à sala de troféus do Morumbi. O resto é choro de mau perdedor.

Parabéns, Tricolor!

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A vida como ela é

9 Novembro 2007

Mas esse rap não é sobre nada especial, é o rap do 175 que eu peguei na Central.

Uma coluna de jornal alerta para um novo golpe que tem atingido os motoristas do Rio. Um casal, com um bebê, fica junto a um carro com o capô aberto, fingindo enguiço. Quando os incautos param, com pena, oferecendo ajuda, são assaltados.

Ancelmo Góis conta que, no sábado passado, um Fiat Palio andava pela Avenida Brasil, quando o motorista reparou que o carro ao seu lado ia com a porta aberta. Simpaticamente, o rapaz fez gestos, para avisar os ocupantes do outro carro sobre o fato. O motorista pensou que o rapaz do Palio estava mexendo com a mulher dele, deu uma fechada no “atrevido”, saltou do carro e espancou o rapaz. A vítima segue internada até hoje, com várias fraturas e contusões.

Ainda no Ancelmo, ficamos sabendo como anda a situação em Búzios. Diz o colunista que, em 45 dias, sete pousadas foram assaltadas. Numa delas, a Pousada do Namorado, os ladrões puseram uma arma na cabeça da recepcionista e roubaram hóspedes em duas suítes.

Um garoto de 11 anos foi assassinado pelos irmãos, uma menina de 13 e um rapaz de 17. A polícia descobriu que os dois irmãos mais velhos mantem relações sexuais, e mataram o caçula por ciúmes.

Torcedores do Flamengo foram presos por fraudarem a promoção do Nescau. Para quem não sabe, a promoção (responsável pelos tais “records” de torcida) troca uma lata do produto por um ingresso para o jogo seguinte. Depois, as latas arrecadadas são doadas para orfanatos. Os flamenguistas presos estavam enchendo latas com areia. Areia, no lugar do Nescau, para ser dado às crianças.

E vamos levando. Bola pra frente. Porque esse post não é sobre nada especial. Esta é apenas mais uma semana comum, igual a tantas outras.

E o pior de tudo é que nessa grande viagem, nada disso que aconteceu foi novidade. (…) Fecham os olhos pro que até cego já viu, o revoltante retrato da vida urbana no Brasil. E eu não me refiro ao 175 ou qualquer linha da Central, estou falando do dia a dia, em qualquer hora, qualquer local.


Farsa em três atos

6 Novembro 2007

- Houve uma coroa que lhe foi oferecida, e quando oferecida, ele empurrou-a com as costas da mão, assim, e então o povo aclamou-o.

- E a segunda aclamação, por quê?

- Ora, pela mesma razão.

- O povo aclamou três vezes. Por que a terceira?

- Ora, pela mesma razão.

- A coroa lhe foi oferecida três vezes?

- Sim, senhor. E três vezes ele recusou, cada vez mais devagar.

- Quem lhe ofereceu a coroa?

- Ora, quem. Antônio!

- Diga como foi, amável Casca.

- Comédia pura. Vi Marco Antônio oferecer a coroa e, como disse, ele afastou-a com a mão. Na minha opinião, ele gostaria bem de ficar com ela. Então, Marco Antônio ofereceu-a de novo. Ele de novo rejeitou-a. Na minha opinião, custou muito a tirar os dedos dela. Então, Marco Antônio ofereceu-a pela terceira vez.

Primeiro ato

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva, sempre que pode, diz ser contra a reeleição. Afirma estar preparado para passar a faixa verde-amarela para outra pessoa em 2011. Mas, dentro da Câmara, cresce um movimento para tentar garantir a Lula mais quatro anos no Palácio do Planalto. Na defesa de três mandatos consecutivos ao presidente, governadores e prefeitos, os deputados federais Carlos Willian (PTC-MG) e Devanir Ribeiro (PT-SP) planejam colocar em breve a discussão na pauta de votações do Congresso. “Alguém vai apresentar (a proposta). Isso vai acontecer”, garante Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

(…)

Há cerca de duas semanas, Devanir Ribeiro almoçou com colegas. Colocou o assunto na mesa e os parlamentares discutiram a conveniência de tornar público o debate. Mais que permitir 12 anos de mandato a prefeitos e governadores, a proposta garante um terceiro mandato a Lula. Um petista conta que ninguém conseguiu, durante o almoço, precisar o momento adequado para levantar a discussão. Criar polêmica, neste momento, pode atrapalhar a votação da CPMF e da Emenda 29, que garante aumento de arrecadação e verbas para a saúde, respectivamente.

Amigo de Lula desde os tempos de sindicato dos metalúrgicos na década de 1970, o deputado Devanir Ribeiro defende não apenas a reeleição como um plebiscito para saber se a população é a favor de duas reeleições. “Um projeto de fôlego não vinga em quatro ou oito anos”, avalia o petista. Ele revela que o projeto para a consulta popular está pronto, à espera do melhor momento para ser tirado da gaveta.

Ribeiro sugere casar o plebiscito com as eleições do próximo ano, quando os eleitores irão às urnas escolher prefeitos e vereadores. “Se o povo disser que sim, ótimo. Vamos ter a possibilidade de três mandatos”, afirma. O deputado federal defende que, se acatada pelos e leitores no ano que vem, a nova regra valha para 2010.

(…)

O assunto, antes adormecido no Congresso, começa a ganhar força. Relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sobre os projetos que tratam de reeleição, Eduardo Cunha diz estar preparado para receber a PEC dos três mandatos consecutivos.

(Correio Braziliense, 26/10/07)

Segundo ato

Sem alarde, o presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), mandou desarquivar em abril deste ano uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que permite a reeleição sem limites para cargos majoritários, abrindo caminho para a aprovação de um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O pedido partiu do deputado Fernando Ferro (PT-PE). Ele solicitou, em fevereiro, o desarquivamento de propostas sobre a reeleição e acabou colocando novamente em discussão a emenda que permitiria a perpetuação no poder, já que todas estavam apensadas.

O movimento dos petistas foi feito de forma silenciosa e pode acelerar a discussão levantada pelos deputados Devanir Ribeiro (PT-SP) e Carlos Willian (PTC-MG), que defendem a possibilidade de terceiro mandato para Lula, uma vez que a emenda já foi aprovada pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara em junho de 2000.

(…)

De autoria do ex-deputado Inaldo Leitão (PR-PB), a proposição permite ao presidente da República, prefeitos e governadores concorrerem a infinitas reeleições, desde que se licenciem do cargo seis meses antes da disputa.

(…)

Assim como o deputado Devanir Ribeiro, Ferro também é próximo do presidente Lula. Devanir já disse que irá apresentar uma emenda constitucional no próximo mês sugerindo um referendo para que a população decida sobre o terceiro mandato, que seria realizado juntamente com as eleições municipais.

(Folha de São Paulo, 01/01/07)

Terceiro ato

Indiretamente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta segunda-feira o colega venezuelano, Hugo Chávez, que conseguiu aprovar a reeleição presidencial ilimitada. Sem querer opinar diretamente sobre a iniciativa tomada na Venezuela, Lula lembrou que a ex-primeira ministra Margaret Thatcher (Reino Unido) e o ex-chanceler Helmut Kohl (Alemanha) ocuparam seus cargos por longo tempo e não houve comentários a respeito.

“O Chávez está fazendo aquilo que entende que deve fazer. Penso que cada um tem de tomar conta daquilo que é seu. Cada um tem de dar palpite naquilo que é seu”, afirmou o presidente.

Lula se referiu ainda aos fatos de Thatcher ter sido primeira-ministra de 1979 a 1990 pelo Partido Conservador britânico e Kohl, eleito chanceler da Alemanha, no período de 1982 a 1998 , pelo Partido Democrata Cristão.

“É engraçado porque já a Margareth Thatcher foi tantas vezes reeleita primeira-ministra e eu vi o Helmut Kohl ficar tanto tempo [no poder]. [Mas] nunca vi ninguém perguntar se vários mandatos sucessivos era [algo] ruim”, reagiu o presidente, depois de uma cerimônia sobre desenvolvimento econômico e social, no Palácio do Planalto.

Em seguida, Lula criticou as articulações para aprovar a possibilidade de um terceiro mandato que poderia beneficiá-lo, mantendo-o no poder por 12 anos, caso fosse reeleito pela segunda vez. “Eu só posso falar pelo Brasil. Eu penso que o Brasil não pode brincar com uma coisa chamada democracia”, disse ele.

(Folha de São Paulo, 05/11/07)


(via Pérolas Políticas)

Síntese

Fui oposição muito tempo. Agora sou governo e gosto muito. Não pretendo mais deixar de ser. Desejo longa vida à oposição… na oposição.

(Deputado Fernando Ferro, PT-PE, na Folha de São Paulo, 04/11/07)

“- Brutus, tu dormes. Desperta e vê! Tais indagações têm sido postas onde eu as possa encontrar. Terá Roma de viver sob o jugo de um homem? Então, Roma? Meuas ancestrais expulsaram Tarquínio das ruas de Roma, quando ele quis ser rei. Fala, age, corrige. Assim me suplicam que eu fale e que eu aja? Ó Roma, eu te prometo: se for preciso corrigir, receberás da mão de Brutus o deferimento desta petição.”

Brutus, tu dormes. Desperta e vê. Fala, age, corrige.


Pra inglês ver

6 Novembro 2007

A Copa do Mundo é nossa!
Com brasileiro, não há quem possa!

Grande festa para o escrete canarinho! Agora já sabemos que o heptacampeonato será conquistado em casa. Faltam pouco mais de seis anos para o capitão Robinho, maior jogador das galáxias, levantar o caneco.

Exagero? Talvez um pouco. Mas é essa a impressão que dá quando se olha para o ufanismo que, mais uma vez, domina o torcedor da seleção verdamarela.

Ai de quem fala alguma coisa contra o clima de festa! Se é brasileiro, é logo chamado de antipatriota pra baixo. Se é estrangeiro, a coisa mais educada que se diz é que é um “bando de invejosos”.

Como fazer uma Copa em um país de dimensões continentais que não tem a menor infra-estrutura de transportes? Cidades-sede a milhares de quilômetros umas das outras, sem ferrovias e rodovias decentes que as liguem, e com o caos aéreo que estamos vivenciando? E isso pra não falar da (in)segurança, da falta de hospitais que possam atender os visitantes, dos roubos que vão se fazer com o pretexto da Copa, e etc, etc, muitos etc.

O jornal inglês Financial Times, imune ao clima de oba-oba, falou aquilo que o mundo inteiro sabe: Copa no Brasil pode ser um caos. Na matéria, o jornal aponta vários fatores de risco, como a corrupção, a falta de segurança e os problemas de infra-estrutura. Isso é tão óbvio que só mesmo uma cegueira disfarçada de pseudo-patriotismo pode ignorar. Mas é só ver a caixa de comentários da página do Globo que reproduziu a notícia para ver as reações: os ingleses são chamados de recalcados, dizem que eles só tem capacidade para organizar uma copa gay, faz-se alusões à morte do brasileiro no metrô de Londres. Enfim. O “alto nível” que, infelizmente, costuma acompanhar o torcedor-padrão brasileiro.

(Diga-se de passagem, esse nível não é coisa só de torcedor. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, respondeu de forma estúpida e grosseira a uma jornalista canadense que fizera uma pergunta sobre a violência no Brasil. Segundo o cartola, “há países supostamente seguros onde a polícia assassina inocentes”, numa referência à Inglaterra, “e outros onde crianças andam nas escolas com armas”. E Teixeira foi aplaudido pelas autoridades presentes, como se tivesse agido de forma heróica, defendendo a pátria contra os ataques alienígenas invejosos. Autoridades essas que, certamente, sabem que no Brasil a polícia não mata inocentes, e crianças nem sabem o que é uma arma. É o que eu digo: a crise maior do Brasil é moral.)

A FIFA teve que engolir esse sapo e escolher como sede da Copa um país sem a menor condição de realizar um evento como esse. E só pode culpar a ela mesma. Se o Brasil foi o único candidato, isso se deve à idéia imbecil de “rodízio” entre os continentes, uma armação feita pela turma do Sr. Blatter para conseguir votos nas eleições da entidade.

Com essa bobagem, a FIFA ficou presa a uma promessa de fazer uma Copa em cada continente. E como nenhum país sul-americano se interessou em entrar nessa roubada, sobrou para o Brasil-sil-sil. E ainda tem gente que comemora a “conquista”.

(Hmm… Eleições vencidas por um candidato único, com 100% dos votos? Deve ter gente que adorou isso, tão democrático…)

Pelo menos, uma utilidade essa indicação teve: a FIFA já anunciou que acabou essa palhaçada de rodízio. Daqui pra frente, a Copa volta a ser realizada como sempre foi, alternando uma edição na Europa e outra em um país de outro continente, mas que demonstre condições reais de sediar a competição, e não porque é o único que sobrou.

Mas ainda há alguma esperança de que a Copa de 2014 não seja um desastre completo. Existe uma forma de se evitar o caos. Basta a FIFA concluir que o candidato único não conseguiu cumprir os encargos a que se comprometeu, e escolher uma outra sede, em caráter emergencial. Até 2010 ela ainda pode fazer isso… :-)

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A comitiva brasileira presente em Zurich ao anúncio oficial do Brasil como sede da Copa 2014 foi um retrato perfeito do que é esse país. Estiveram lá o presidente da República, vários ministros e 12 (DOZE!!!!) governadores. E mais uma penca de caronas, claro. Tudo pago às nossas custas.

Essa delegação já seria ridícula se houvesse uma disputa pela indicação. Mas se torna um absurdo completo quando lembramos que era uma eleição de candidato único. Ou seja, foram lá pra fazer festa e marketing pessoal. Imaginem só a reação de países civilizados ao ver que um anúncio desses mobiliza um presidente, seu staff e doze “dirigentes de províncias”.

Chega? Claro que não. Noço Guia (rumo ao inferno) ainda teve tempo de soltar duas patacoadas daquelas que só ele sabe produzir. Primeiro, fez piada com o ex-jogador francês Michel Platini, dizendo que ainda lembrava do gol de penalti que ele fez contra o Brasil, em 1986, e que causou nossa eliminação. É bom lembrar que a França venceu essa disputa por 4×3, e o único francês que perdeu o seu penalti foi… Platini.

Depois, num dos seus arroubos diplomáticos e de boa vizinhança, Luís LI, o Rei-Nu, não deixou por menos:

“O Brasil vai fazer uma Copa maravilhosa, pra argentino nenhum botar defeito!”

Um primor de educação, como de costume. Que vergonha, mon Dieu. Que vergonha.

Depois, Ricardo Teixeira explicou aos presentes como seu mandato (quarto? quinto? já perdi as contas), que terminaria em 2012, seria automaticamente prorrogado até à Copa, graças a uma mudança no estatuto da CBF, que previa essa hipótese. Lula deve ter olhado pra ele como uma criança para um doce, imaginando algo do tipo “ah, porque eu não pensei nisso antes”…

A cereja do bolo foi a exibição de um vídeo promocional do Brasil para os presentes à cerimônia. Isso não tem nada demais, podem dizer, todos os países fazem o mesmo. Verdade. A diferença é que países normais aproveitam a ocasião para exibir suas belezas naturais, as qualidades do seu povo, etc e tal. O Brasil não. O Brasil exibiu um vídeo de culto a Lula, exaltando as maravilhas do PAC. No final, slogans de glorificação a Lula. E, claro, aproveitou-se o gancho para elogiar Dilma Rousseff, a “responsável por tudo isso”.

Ce n’est pas un pays sérieux