Faroeste Caboclo (1)

30 Setembro 2007

Deu no Noblat:

Jovem detida por protestar contra Renan no Senado

A cearense Camila Castro, 28 anos, formada em Análise de Sistemas e presidente da Juventude do PSDB desde 2005, foi ao Senado entregar ao líder do seu partido Arthur Virgílio (PSDB-AM) uma carta do Movimento pela Ética Nacional.

Trajando uma blusa preta estampada com a frase “Fora Renan!”, Camila foi abordada por agentes de segurança e intimada a prestar depoimento na sede da Polícia Federal no Senado.

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– Me sinto envergonhada como cidadã. Num momento em que passamos por uma crise dessas proporções por causa do Renan, os poucos que saem às ruas para expressar sua opinião sofrem censura. É lamentável – disse Camila ao blog.


Uma gatinha do baralho!

29 Setembro 2007

Dizem as más línguas que um certo blogueiro muito famoso, cujo nome não vou citar, sugeriu ao pessoal do Treta que use esse baralho para as próximas edições do SuperTrunfo dos Blogs.

O baralho da Hello Kitty foi cometido no Japão (onde mais, meu Deus?). Cada carta, feita com lâminas metálicas, é folheada com 0,73 gramas de ouro.

 

O preço do baralho de ouro (literalmente)? 567 mil ienes, que corresponde à bagatela de 9 mil reais. Nada que um mês de AdSense não pague. :-)


Nada é tão ruim que não possa piorar…

29 Setembro 2007

A liberdade não é um meio para um fim político mais elevado; ela é em si mesma o mais elevado fim político. (Lord Acton)

Vocês acham que a situação da educação no Brasil já é ruim o suficiente? Então, é bom irem se preparando, porque o pior ainda está a caminho. Vejam só até que ponto podemos chegar, se não fizermos algo para travar esse processo:

1) Hugo Chávez anuncia “novo curículo bolivariano”, a ser seguido pelas escolas da Venezuela.

O currículo dará destaque às “conquistas revolucionárias” da Coréia do Norte e de Cuba, e vai “eliminar o conceito de mestiço”, pregando a “pureza da identidade social venezuelana”. Os pontos a serem abordados na matéria de História, a mais atingida pelos novos currículos, deixam de lado lideranças políticas do século XX “não alinhadas” com o bolivarianismo chavista.

Chega?

2) Chávez ameaça nacionalizar ou fechar escolas que não aceitem modelo socialista.

Para Chávez, a educação “antiquada e repressiva” promovia “o consumismo e o desprezo de uns aos outros”, e por isso deve ser substituída por uma educação “socialista e bolivariana”.

As polianas de plantão podem dizer que não há mal nenhum nisso. Afinal, as escolas estatais devem seguir a ideologia do Estado. E quem não gostar que vá para uma escola privada. Certo?

Errado. O ditador aproveitou para avisar que “não vai tolerar” que qualquer escola, mesmo privada, desrespeite as suas ordens. Textualmente: “Quem não quiser se submeter ao sistema bolivariano terá suas portas fechadas”.

Tem gente aqui no Brasil que acha tudo isso lindo. Pensem bem: é esse o futuro que queremos para nós?


Retratos do Rio

28 Setembro 2007

Um menino de 7 anos morreu atropelado na porta da escola, em Jacarepaguá.

Até aí, nada bem, mas é apenas uma fatalidade, que podia acontecer em qualquer lugar do mundo.

O que me chamou a atenção foi o que ouvi depois, no rádio. A população fechou a rua, exigindo policiamento, já que a rua onde o caso aconteceu é movimentada, e a presença de uma escola traz perigo para as crianças.

A resposta da polícia: infelizmente, não podemos colocar policiamento para controlar o trânsito, pois aquela área é “de risco”, e não seria seguro deixar um policial sozinho ali.

É triste. E depois tem gente que fica chateada quando a gente diz que vive numa zona de guerra. Mas como vamos chamar uma cidade que tem regiões onde a polícia não pode atuar, a não ser com um planejamento prévio de combate?


Não está morto quem peleia

27 Setembro 2007

Ficar acordado até meia noite “à toa”?

Não.

Ficar acordado até meia noite pra acordar metade do bairro, gritando gol na janela, aos 45 do segundo tempo.

Não tem preço.

De arrepiar. Hasta la vista, Lanús. Obrigado, Leandro Amaral. Obrigado, Guerreiros do Almirante.

Vou torcer pro Vasco ser campeão, São Januário, meu caldeirão…


Antes tarde do que nunca

25 Setembro 2007

Há mais de uma década, desde os meus tempos de aluno ginasial, uma das minhas lutas de estimação é aquela travada contra a “lavagem cerebral” promovida por professores. No Brasil, 9 em 10 professores são de esquerda, principalmente na área de humanas. E desses, uma grande maioria está mais preocupada em doutrinar do que em ensinar.

Tanto no ginásio quanto no segundo grau, vivi esse padrão. Professores de História, Geografia, Português, sempre ensinando de acordo com o viés ideológico. Tive professores militantes do PT, do PDT, do PCdoB. Briguei muito com quase todos. Tive notas mais baixas por causa disso em vários. Fui amigo de alguns, apesar das divergências ideológicas. Por outros, só tinha (e tenho) desprezo.

Acho que esse foi um dos motivos que me fez, desde cedo, reagir tão fortemente contra qualquer tentativa de “doutrinação”. Anos mais tarde, numa lista de discussão, uma pessoa que queria fugir da conversa, me atirou um desafio na cara: “ao invés de continuarmos a conversa, apresente seus mentores, que eu apresento os meus”. A idéia de “apresentar mentores”, ao invés de defender aquilo em que acredito me deixou aterrado. Da mesma forma, acredito que ele deve ter sentido algo parecido, com a minha resposta de que prefiro pensar por conta própria do que “seguir mentores”.

Quem pensa por si mesmo é livre, e ser livre é coisa muito séria. E muito mais difícil do que apenas seguir os “mentores” e repetir os dogmas, sem parar pra pensar ou conhecer o outro lado.

Lutei contra isso na escola. Lutei contra isso na faculdade. Luto contra isso na vida. Às vezes canso. Mas não desisto de lutar. Porque sempre acreditei nisso: a luta que temos que travar não é uma luta política. Lutar contra o PT é algo tático. Mas não é o mais importante.

A verdadeira luta é travada nesse campo: o campo das idéias. Enquanto o domínio neste campo estiver nas mãos da esquerda, e pior que isso, de uma esquerda com viés totalitário, não adianta ficar pensando apenas em ganhar uma eleição. Vencemos nos votos, perdemos em campos bem mais importantes. E um dia, quando eles vencem nos votos, a luta se torna muito, muito mais difícil.

De que adianta uma luta apenas política, se temos que lidar com jovens que cresceram aprendendo em cartilhas que dizem “dois pés ruim, quatro patas bom”? De que adianta discutir valores, quando tudo que a “intelectualidade” valoriza é o comportamento marginal?

Essa digressão vem a propósito de um texto publicado pelo jornalista Ali Kamel no jornal O Globo, e reproduzido no dia seguinte, no Estado de São Paulo. Kamel fala sobre um livro de História. Não apenas “um” livro, mas um livro que é distribuído pelo MEC às escolas públicas brasileiras.

O pior é que muita gente não vai ver “nada de mais” nesse livro, e vai achar que as reclamações são apenas “barulho da direita reacionária”. É natural. Depois de décadas e décadas expostas a esse tipo de lixo, não é tão fácil reparar o absurdo que é usar uma coisa dessas para “ensinar” alunos da 8a série. Afinal, isso não é “tão diferente” de tudo que vemos nos jornais, na música, nas novelas, etc, etc.

Adoraria pensar no texto de Kamel como um “marco”, achar que agora sim, o povo ia começar a abrir os olhos para o filme de terror em que vivemos nas últimas décadas. Que nada. Não consigo mais ser tão otimista. A máquina gramsciana já está em ação, rotulando Kamel como um reacionário (afinal, ele é da Globo), representante das elites.

O saudoso Bruno Tolentino disse uma vez, numa entrevista inesquecível à Veja, que jamais educaria um filho seu no Brasil, com uma frase lapidar:

“Minha mulher [que é francesa] já havia se conformado com os sequestros e as balas perdidas do Rio, mas ficou indignada e espantada pelo fato de se sequestrar o miolo de uma criança na sala de aula.”

Como Tolentino, essa é uma das poucas certezas que tenho: não desejo que um filho meu estude aqui, cresça aqui. Para isso, melhor não te-los. E não legar esta miséria a nenhuma criatura humana.

O texto de Ali Kamel segue logo abaixo.

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Nós que aqui estamos por vós esperamos

21 Setembro 2007

Honra e mediocridade

21 Setembro 2007

Se eu estivesse no lugar do Coelho eu ‘arregaçaria’ o Kerlon. É um desrespeito com os jogadores que estão do outro lado que também são profissionais.

Tem muita gente que não admitiria isso para vocês (jornalistas), mas pensam da mesma forma.

Reação de Luís Alberto, zagueiro do Fluminense.

Quem sabe, faz. Quem não sabe, parte pra violência. E o pior: muita gente concorda com a violência. Kerlon “desrespeitou” os colegas, é “natural” que a reação seja violenta. Esse garoto tem que aprender a não fazer pouco dos outros.

E a gente vai se acostumando a isso. Premiando os medíocres, os invejosos, os “excluídos”. Como Kerlon ousa ser melhor? Como ele se atreve a ter qualidade? Ele não sabe que vivemos num mundo nivelado por baixo, onde qualidades devem ser escondidas? Ele não tem consciência social?

Kerlon não sabe de nada. Kerlon apenas joga bola. Ele é culpado de ser habilidoso. Luiz Alberto, vítima da sociedade, e grosso de nascença, reage com a violência.

É um problema social. Um efeito perverso a sociedade consumista, que tem essa desagradável mania de estimular a concorrência e premiar a qualidade.

Quem mandou Kerlon humilhar os Luís Albertos do mundo? Ele tem mesmo que ser “arregaçado”. É isso que ele merece. Pra virar homem, deixar de ser moleque e se enquadrar na sociedade. Pra deixar de ser abusado, e aprender a ser medíocre.

E muita gente concorda com isso. No futebol e na vida.

Enquanto isso, lá na Inglaterra

Tudo começou há três semanas, quando a partida entre Nottingham Forest e Leicester City, válida pela segunda rodada da Carling Cup, teve que ser suspensa quando o zagueiro Clive Clarke, do Leicester, sofreu um problema cardíaco.

No momento da interrupção, o placar marcava 1 a 0 a favor do Nottingham.

Em agradecimento “à magnífica reação do Nottingham ao incidente de Clark”, o Leicester achou justo permitir à equipe adversária marcar um gol no início da nova partida, restaurando o placar de 1 a 0.

Desta forma, Paul Smith, goleiro do Nottingham Forest, avançou no campo do Leicester sem ser incomodado pela defesa adversária, e marcou um gol inédito após 23 segundos de jogo. Este foi o primeiro gol de sua carreira.

Como são bobos esses ingleses. Onde já se viu? Deixar o adversário fazer um gol, só por uma questão de honra, de justiça? Isso é futebol, caramba! O discurso é muito bonitinho, mas o que vale é ganhar.  Nem que seja como em 2002, com um penalti no meio campo, ou como na última Copa América, inventando o “penalti com barreira”.

Que idiotas esses gringos. Por isso que nunca ganham nada.

Em tempo: o Leicester, depois de dar um gol ao Nottingham, virou a partida, e venceu por 3×2.


E Hamlet tinha razão.

21 Setembro 2007

Havia mesmo algo de podre no Reino da Dinamarca. Mas, infelizmente, ele já voltou ao Brasil.

Na semana em que o Senado decidia o futuro de Renan, Noço Guia (de turismo) aproveitou pra se afastar do problema, e ir visitar as monarquias da Escandinávia. O problema é que parece que ele voltou de lá com certas idéias curiosas… Vejam só o discurso que ele fez na Dinamarca:

“Seria possível uma Inglaterra sem a monarquia? Uma Dinamarca?” – questionou Lula, respondendo à pergunta da imprensa dinamarquesa sobre as suas impressões em relação à família real do país.

“Agora eu entendi que (a monarquia) faz parte da cultura, está enraizada na alma do povo. E tive uma agradável surpresa: o povo adora”, afirmou o presidente.

“Em alguns casos, a democracia só foi mantida num país pela existência de um rei, da figura que ele representa.”

Parece que ele realmente gostou da idéia. O povo adora a monarquia, em certos casos a democracia só pode ser mantida por um rei, pela figura que ele representa. Pra que Câmara, Senado, essas coisas chatas que não deixam o homem trabalhar? Vamos logo coroar nosso rei. Já temos até nome e cognome para ele: Luís LI, o Apedeuta.

Outra pérola do nosso rei-nu:

Questionado se o governo havia orientado a bancada do PT a absolver Renan e se o Planalto pressionava o aliado a se licenciar do cargo – diante da ameaça da oposição de não votar projetos de interesse do Executivo -, o presidente abriu os braços e balançou a cabeça, em sinal de contrariedade.

“Eu só lamento que na minha despedida eu tenha de falar do Brasil. Seria tão mais fácil um jornalista do Estadão lá no Brasil ligar para o presidente do PT e receber todas as informações”, reclamou. “Quando eu chegar ao Brasil, na terça-feira, você me faça quantas perguntas quiser sobre o Renan, sobre o PT, que eu falarei com o maior carinho. Mas eu estou terminando uma viagem de uma semana, estou tão cansado quanto vocês e não é justo que essa viagem não tenha despertado nenhuma curiosidade ao Estadão”, encerrou. Não houve direito a réplica.

Realmente, convenhamos: ter que falar do Brasil é uma chatice. O homem está lá longe, passou uma semana brincando de ser nobre, está sonhando com a monarquia, todo feliz, e vêm esses chatos lembrar pra ele desse inferno tropical?

Essa deve ser a segunda coisa mais insuportável do mundo para Lula, numa hora dessas. Qual a primeira? Ora, essa imprensa inconveniente, que insiste em perguntar o que ela quer, e não o que ele acha que deve ser perguntado…


Um burro no fundo do poço

18 Setembro 2007

Não, este post não é sobre política.

O burro em questão não usa estrela no peito, e nem zurra coisas do tipo “ninguém é mais ético que eu”. Muito pelo contrário. É um burrinho… hmm… fofo, que apenas andou se metendo onde não devia.

O burrinho, morador de uma fazenda do Minnesotta, foi dar um passeio pela vizinhança, e caiu dentro de um poço seco. O resultado? Esse aqui:

 

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Depois da operação de salvamento, realizada com sucesso pelos bombeiros, o dono do bicho passou um sermão no fujão:

“Aposto que você vai pensar duas vezes antes de fazer isso novamente. Se você tivesse ficado em casa, nada disso teria acontecido. Menino mau! Aiaiai!”

Até onde nossa reportagem apurou, o burro aceitou a reprimenda de orelhas baixas (pois quando um fala…). Não consta que ele tenha dito que “não sabia” que havia um poço por ali, ou que alegasse ter sido traído pelo “companheiro jumento”, que seguiu um desvio.  Muito menos que o poço era uma herança maldita, e tinha sido cavado pelo cavalo alazão.

Burro e dono passam bem. O registro da ocorrência é da Folha de São Paulo.


Nem sempre o resultado é justo

18 Setembro 2007

E isso vale tanto para o futebol quanto para a política.

Domingo, no Maracanã, o Vasco massacrou o Flamengo. E acabou por não conseguir vencer. Foram 13 conclusões perigosas, contra apenas 2 do adversário. No final, o empate frustrante de 1×1. Mais dois pontos perdidos para time pequeno.

Quando se contar a história de porque o Vasco não disputou o título de 2007 com o São Paulo, parte da resposta está aí: o complexo de Robin Hood da equipe cruzmaltina. A gente não sabe jogar contra time fraco. Foram três pontos perdidos para o Juventude, dois para o Náutico, dois para o Paraná e agora dois para o Flamengo. Nove pontos desperdiçados contra times da zona de rebaixamento, que estão fazendo muita falta agora.

O jogo com o Flamengo, uma vez mais, foi lamentável. Jogamos bem, dominamos toda a partida, deixamos a mulambada nas cordas, retrancados, segurando o empate a qualquer custo. O Vasco fez o seu gol, dominou, teve mais três ou quatro chances claras de ampliar, e acabou entregando de bandeja um gol pra eles, que até então nem tinham dado sequer um chute perigoso a gol.

No segundo tempo, a partida seguiu no mesmo ritmo. Um time jogava, pressionava, apertava, enquanto o outro se acovardava, com quatro volantes e meio.

Aos 47 do segundo tempo, um lance surreal. Leandro Amaral chuta, com carimbo de gol, Bruno defende (de novo! foram oito defesas milagrosas durante o jogo!!!!), Wagner Diniz pega o rebote, chuta no ângulo… e a bola explode na cabeça de Alan Kardec. Um lance espírita, com o perdão do trocadilho fácil.

E a culpa da derrota (empatar com essas coisas é derrota, sim, e os jogadores deviam ser punidos por isso) é toda do Celso Roth. Burro, burro, burro! Afinal, se ele tivesse deixado em campo o Marcelinho, que é 20 cm mais baixo que o Alan, aquela bola teria entrado! :-)

A arbitragem, mais uma vez, foi desastrosa. Ou seja, nenhuma novidade. Três (TRÊS!!!!! TRÊS!!!!!) penaltis não marcados a favor do Vasco,  um monte de faltas e escanteios invertidos, ridículos dois minutos de desconto no segundo tempo (dois minutos demorava o Bruno pra bater cada tiro de meta!). Enfim. Nada a que não estejamos acostumados. Como de costume, foi 11 contra 14. O lado animador é que, mesmo com três jogadores a menos, o Vasco devia ter goleado, se não fosse a macumba rubro-negra.

Aqui e aqui dá pra se ter uma pequena noção do que foi o massacre. E aqui o lance inacreditável em que Alan Kardec “salvou” o Flamengo da merecida derrota.

Daqui a um mês tem mais. Provavelmente, vai ser de novo 11 contra 14. E nem adianta reclamar mais dessas coisas, o cenário não muda mesmo. Mas não é isso que nos impede de ganhar dessa mulambada. Só espero que até lá o vascaíno Pai Santana consiga desfazer os trabalhos vindos lá das bandas da Urubulândia…

PS: E como está jogando o Conca! O azar dele é jogar logo no Vasco. Se ele fosse de outro time, a Fla-Press já o teria transformado no Pelé portenho…


Santos do dia

16 Setembro 2007

Hoje, 16 de setembro, é aniversário do (infelizmente ainda) presidente do Congresso, (infelizmente ainda) Senador Renan Calheiros.

Hoje, 16 de setembro, pelo calendário da Igreja Católica, é dia de São Cornélio.

São Cornélio foi Papa por dois anos e meio, entre 251 e 253. Apesar do pouco tempo na Cadeira Papal, Cornélio angariou respeito e empatia até entre seus delatores e acusadores.

Era Cornélio reconhecido por suas grandes virtudes e eminente sabedoria, principalmente pelos grandes testemunhos que empreendera na luta contra a heresia. Por sua personalidade firme, ao mesmo tempo que piedosa, era já conhecido por seu elevado grau de santidade. Sua caridade e extrema doçura, fez com que merecesse o renome de “Pai dos Pobres”.

Cornélio foi perseguido pelos poderosos de Roma, que tentaram mata-lo diversas vezes. Por fim, foi acusado pelo Imperador de conspirar para derruba-lo, e decapitado, após ser julgado pelos juízes imperiais, no dia 14 de setembro de 253.

Qualquer semelhança é mero fingimento. Nada poderia ser mais diferente do que uma e outra biografia.

Renan nem pra Cornélio serve.

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Não se confunda. Uma das fotos acima é a de um mártir, perseguido pelos poderosos, e decapitado depois de julgado por seus pares. O outro é apenas o Renan Calheiros.


Inferno tropical

16 Setembro 2007

O PT conseguiu. De novo.

13 Setembro 2007

Nas favelas, no Senado, sujeira pra todo lado. Ninguém respeita a Constituição. E poucos acreditam no futuro da Nação.

Luís Inácio falou, Luís Inácio avisou. E você não acreditou. São 40 picaretas absolvendo o dono do boi voador.

40 eram os ladrões das mil e uma noites. 40 os quadrilheiros do mensalão, denunciados pelo STF. 40 foram os votos a favor de Renan Calheiros. Sugestivo.

40 votos pela absolvição, e mais 6 abstenções. As previsões pré-votação diziam que o PT estaria “dividido”. Agora, mesmo a votação sendo secreta, a verdade veio à tona: a divisão não era entre absolver e condenar, e sim entre absolver abertamente ou se abster de votar.

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E por onde anda “Noço Guia”, o Supremo Apedeuta? Bem, Lulla II está na Escandinávia, assobiando para o lado e fingindo que não tem nada a ver. “Estô colmo”, diz ele, depois de ver que as manobras de salvação deram certo.

Agora, qualquer que seja o futuro de Renan, o governo ganha. Se Renan continuar presidente, é um presidente enfraquecido, um cavalo manco, dócil, tendo que pagar as dívidas com aqueles que o absolveram. Se Renan aceitar a pressão e se licenciar, deixa a presidência nas mãos do petista Tião Viana. E assim o PT fica com o comando das duas casas do Congresso.

Independente do que acontecer daqui pra frente, o Senado ontem deu mais uma facada na democracia. E com isso o PT dá mais um passo no seu projeto de fechar o Senado.

As reações de hoje, um pouco por todo o lado, eram bem semelhantes às que eu imaginava. Palavras de ordem contra os políticos, revolta contra essa sujeira toda, indignação com a impunidade. Só que o povo não enxerga as verdadeiras forças por trás disso. A revolta vai toda contra os senadores, os deputados, “os políticos”, e não contra o governo. Talvez até se possa ouvir, em alguns lugares, ataques aos políticos safados que “não deixam o homem trabalhar”. Lula sai limpo como um teflon, os senadores saem como vilões da história. Tudo dentro dos planos do PT.

E não pensem que a extinção do Senado é apenas papo de botequim, coisa dita da boca pra fora pelo povão, externando sua repulsa ao que está vendo. Não. O caso é bem mas grave. Vejam o que diz a cientista política Maria Victoria Benevides, ex-presidente da Comissão de Ética Pública, e figura destacada do aparelho do PT:

O Senado mostrou que é perfeitamente dispensável. É um clube magnífico. Como cientista política, iniciarei um debate pela extinção do Senado e pregarei o voto nulo para senador em 2010. Apesar de tudo o que passamos neste longo período de democracia, continuamos com uma cultura política calcada no compadrio, coronelismo e clientelismo.

Vejam só a (aparente) esquizofrenia dessa gente. O PT aprova uma moção no seu Congresso, pregando o fim do Senado. Depois, o PT manobra para salvar Renan da cassação, e criar um clima popular contra o Senado. E agora vem uma socióloga do PT assumir uma postura olímpica, falando… contra o Senado. E, claro, defendendo a extinção do Senado, como o PT deseja, usando como pretexto algo que o PT fez.

O momento é muito grave.

Alguns poderão dizer que Maria Victoria é uma “voz isolada”, e que é um exagero conspiratório pensar que todos esses movimentos fazem parte da mesma dança. Será? Vejamos o que diz outro sociólogo, Claudio Abramo, da ONG Transparência Brasil:

Pessoalmente sou favorável à extinção do Senado. É uma casa anacrônica, mas o pior não é isso: os senadores agem como se estivessem em Júpiter. A sessão secreta exemplifica isso à perfeição. Eles decidem lá entre eles e mandam uma banana para o povo.

 

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A luta precisa continuar. A luta política, claro: Renan Calheiros não tem a menor condição de continuar no Senado. Sua saída não iria resolver todos os males do mundo, mas é o mínimo exigido. É dever da oposição obstruir as votações de interesse do Governo, enquanto ele estiver por lá.

Mas essa é a luta que deve ser travada pelos senadores, lá dentro. Aqui fora, temos uma luta tão difícil quanto importante. É nosso dever lutar contra qualquer tentativa de golpe político. É nosso dever não nos deixarmos manipular por eles. É nosso dever nos revoltarmos, sim, mas direcionarmos a nossa revolta contra os alvos certos, contra aqueles que enlamearam o Senado, Renan e seus 45 aliados, e não contra a Instituição. É nosso dever não permitirmos que os petistas usem a nossa (justíssima) revolta para avançar nos seus planos.

E sempre, sempre, sempre: o preço da liberdade é a eterna vigilância.


Pedro de Lara (25/02/1925 – 13/09/2007)

13 Setembro 2007