Um elogio à nação rubro-negra

3 Outubro 2009

Quando eles erram, eu sou o primeiro a bater. Então, quando fazem uma coisa legal, não custa nada elogiar. Quero, publicamente, dar os meus sinceros parabéns à torcida do Flamengo.  Numa semana de espírito olímpico em alta, temos que valorizar essa demonstração de alinhamento com os ideais de Coubertin (que, convém explicar aos leitores flamenguistas, é o patrono das Olimpíadas modernas).

Em 22 de agosto, o Vasco recebeu o Ipatinga, e colocou no Maracanã 79.635 torcedores. O maior público do ano no futebol brasileiro. A diretoria do Flamengo, revoltada e ofendida, atingida no seu mito de “maior do Brasil”, passou a semana seguinte inteira convocando a torcida para “bater o record e dar uma lição no Vasco”. No domingo, dia 30/08, desafiada, a torcida do Flamengo se encheu de brios e se esforçou ao máximo. E conseguiu um bom resultado para o seu tamanho: 13.531 pagantes. Mais ou menos… um sexto da torcida do Vasco.

Há duas semanas atrás, Vasco x Guarani. 52.904 presentes. O clima não estava muito bom no RJ nesse dia, outros fatores também contribuíram, e por isso tivemos esse público abaixo do nosso potencial. A diretoria do Flamengo, competente como de costume, percebeu a oportunidade. Era boa demais para se perder. E lançou nova convocação geral. Dessa vez não precisava “bater o record”. Mas, pelo menos, pelo menos!, bater os 52 mil da véspera. No dia seguinte, contra o Coritiba, a torcida do Flamengo fez um esforço sobrehumano, conseguiu levar pessoas que nem sabiam onde ficava o estádio. E atingiu impressionantes 50.552 mil espectadores.

Uma evolução fantástica, uma superação de limites que merece todos os nossos aplausos!

Nada mal para a segunda maior torcida do Rio. Parabéns, torcida rubro-negra. É bonito ver esse esforço para fazer o melhor possível, mesmo quando se sabe que é impossível vencer. Esse é o verdadeiro espírito esportivo: enfrentar quem é superior, e sair de cabeça erguida, mesmo na derrota. Não fiquem tristes, vocês conseguiram chegar o mais longe que podiam, com a torcida que tem, e merecem todos os incentivos pela tentativa. Agora eu entendo a verdade: o Flamengo é realmente uma nação. Assim como o são Andorra, San Marino, Liechtenstein…

E nessa semana o Flamengo voltou a me surpreender pela positiva. Para uma torcida que tem fama de arrogante e com um complexo de superioridade extremo, eu imagino como deve ter custado dar esse passo. Consciente de seu menor tamanho, consciente de que não dá para enfrentar sozinho a torcida do Vasco, o Flamengo resolveu chamar o irmão pra ajudar na briga. Numa tocante união, Flamengo e Fluminense saíram de mãozinhas dadas, e passaram a semana convocando suas torcidas para, juntas e misturadas, bater o record do Vasco.

Ei, bacalhau, agora sou eu e meu bróder. Vai encarar?

É tão bonito isso. Assim como o Lula, eu também me emociono com essas coisas. Será que a segunda e a quarta maiores torcidas do RJ, somadas, no “clássico mais importante do Brasil”, vão conseguir finalmente ter tantos torcedores no estádio quanto aqueles que o Vasco colocou, sozinho, num jogo meia-boca contra um time bizarro, pela segunda divisão?

Parece que eles ainda têm dúvidas. Pq, não satisfeitos em somar DUAS torcidas, ainda se uniram para fazer uma promoção, colocando os ingressos com até 50% de desconto!!!! Eu até ouvi dizer que, na semana passada, no dia de São Cosme e Damião, os saquinhos distribuídos às crianças dos morros cariocas tinham uma composição diferente da tradicional: um saquinho de pipoca doce, um pacotinho de cocô-de-rato, duas marias-mole, uma rapadura com validade vencida e um ingresso pro Fra-Fru. Mas não acredito, isso deve ser boato…


A indefensável das gentes

27 Julho 2009

Quem tem mais de 20 anos, cresceu com os gritos de Galvão Bueno, “sai que é suuuuuua, Taffarel”.

Quem tem um pouco mais que isso, e é do Rio, sabe que a sina de gritos longos chamando goleiros vem de um pouco mais longe que isso. Uma das lembranças mais antigas que tenho é de meados dos anos 80, ouvindo futebol na Rádio Globo, com a narração de José Carlos Araújo, o “Garotinho”, e ele cantando o nome de dois grandes goleiros.

De um lado, o meu favorito, por muitos anos o melhor goleiro que conheci. “Acáááááááácio!!!!”, gritava o Garotinho, a cada defesa difícil. Principalmente penaltis, especialidade da casa. Penalti contra o Vasco, eu não temia o gol. Me preparava para ouvir o nome do meu goleiro, e vibrar junto com ele.

Mas, do lado de lá, tinha outro grande nome. Grande no tamanho, grande no talento, grande no número de vogais boas pra esticar. “Zééééééé Caaaaaaaaarlos!”

E como eu detestava o Zé! Em dias de Vasco x Flamengo, então, aquele maldito agarrava tudo!

E que jogos eram aqueles, meus amigos! De um lado, Donato, Mazinho, Dunga, Bismarck, William, Geovani, Mauricinho, Roberto Dinamite. Do outro, Aldair, Mozer, Jorginho, Leonardo, Andrade, Adílio, Zico, Zinho, Renato Gaúcho, Bebeto. E muitas vezes, acreditem, com esses craques todos, o jogo acabava com pelo menos um zero no placar. Por culpa dos dois monstros que vestiam as camisas 1.

No clássicos jogados na minha mesa de botão, o duelo continuava. “Acááááááácio”, gritava eu. “Zéééééé Caaaaaarlos”, respondia meu adversário.

Por ironia da vida, a minha grande lembrança do Zé dentro de campo não vem de uma grande defesa, de um jogo em que ele fechou o gol. Vem de uma final de carioca, onde ele levou um gol lindo de um moleque baixinho e atrevido que estreava pelo Vasco naquele ano, um tal de Romário.

Zé Carlos e Acácio estavam na Copa de 90, no auge das suas carreiras. Em 89, o Acácio era titular, o Zé reserva. E tinha um garoto, lá de Santa Rosa, chamado Claudio André Taffarel, que completava o grupo. Às vésperas da Copa, o Zé se machucou, o Acácio caiu em desgraça com o Lazaroni por um jogo ruim contra a Dinamarca, e o garoto foi para o gol da seleção, de onde não mais sairia, pela década seguinte. E nem Acácio nem Zé Carlos voltaram a ter chances reais depois disso.

O tempo passou, os dois se aposentaram, foram viver suas vidas. O Acácio jogou em Portugal, depois voltou para o Rio, foi ser treinador de goleiros. O Zé passou pelo América, quando seu amigo Jorginho foi treinador. E depois não ouvi mais falar de nenhum dos dois.

Tive notícias do Zé há umas três semanas atrás, por uma conhecida em comum, que me contou que ele estava mal, lutando contra um câncer agressivo. E foi então que soube algo que apenas suspeitava: que o Zé também era grande no caráter, no coração, no carinho que despertava naqueles que conviviam com ele. A torcida foi forte, eram vários Maracanãs torcendo para ele vencer mais esse adversário. Mas o outro lado era forte demais. Na última sexta feira, o Zé se foi. Tinha apenas 47 anos.

(E impossível nessas horas não pensar como a vida é breve, e como às vezes a gente perde tanto tempo com coisas pequenas, deixando de viver tudo que pode ser vivido.)

No domingo, ao final do jogo do Flamengo, o técnico interino Andrade, em lágrimas, dedicou a vitória rubro-negra ao Zé. Não vou mentir, e dizer que torci pelo Flamengo. Mas, ao menos por essa vez, eu não senti, numa vitória deles, uma derrota minha. Um lado meu ficou até feliz com o resultado. Eles ainda têm muitos jogos pra perder daqui pra frente – e lá estarei para torcer contra. Mas não lamento que tenham vencido esse. O Zé merecia isso. E o Andrade, outro sujeito do bem, merecia igualmente.

Vai com Deus, Zé Grandão.


Letra e Música – Como uma onda no mar

11 Julho 2009

As ondas são anjos que dormem no mar, que tremem, palpitam, banhados de luz… São anjos que dormem, a rir e sonhar e em leito d’escuma revolvem-se nus!

E quando, de noite, vem pálida a lua seus raios incertos tremer, pratear… E a trança luzente da nuvem flutua… As ondas são anjos que dormem no mar!

Ai! quando tu sentes dos mares na flor os ventos e vagas gemer, palpitar… Por que não consentes, num beijo de amor, que eu diga-te os sonhos dos anjos do mar?



Uma semana Fenomenal

10 Julho 2009

Na segunda feira, em entrevista a Galvão Bueno, no programa “Bem Amigos”, do SportTV, Ronaldo deu uma declaração que causou alguma polêmica aqui no Rio. Disse o atacante:

“Eu sou flamenguista desde pequeno, sempre fui ao Maracanã. Só que agora estou no Corinthians, e o que eu aprendi no Corinthians é que essa pesquisa do Flamengo ter a maior torcida do Brasil não é certa. Eles pegam os torcedores dos outros Estados, que sempre falam que o Flamengo é o seu segundo time.”

Claro que isso repercutiu mal entre torcedores e dirigentes do Flamengo. Mas também é óbvio, para quem acompanha futebol, que é algo que não deixa de ser verdade. Ou pelo menos parte dela.

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Amor e medo

6 Julho 2009

Há uns tempos atrás, na outra encarnação deste blog, havia uma seção fixa chamada “versos de segunda”. Ah, os trocadilhos infelizes da mocidade. Na época, parecia um nome ideal para a poesia que era publicada todas as segundas-feiras. Enfim.

Não vou retomar a tradição. Mas, por coincidência, hoje é segunda feira. E, por coincidência, hoje me passou nos olhos um poema que não lia há tempos, do qual gosto muito, e que foi um dos publicados naquela época.

Nunca entendi porque Casimiro de Abreu não tem o mesmo status que Castro Alves, Álvares de Azevedo, só para ficar nos seus contemporâneos de romantismo. Talvez aos olhos de hoje ele pareça meio bobo, sem o lado dark de Azevedo ou o épico de Castro Alves e seu céu do condor. Ou a modinha do momento, Augusto dos Anjos, escarra na boca que te beija, etc, etc. Tudo isso está bem mais de acordo com a modernidade do que o eu-lírico de Casimiro, sempre (aparentemente) tímido, respeitador da coisa amada.

Casimiro faz “poesia”, no sentido pejorativo moderno. Ele é lírico, ele é doce (agridoce, por vezes, mas…), ele, pecado dos pecados, faz até algumas rimas. Escolhe as palavras. Burila o verso. Sonoriza o poema. Tudo isso é tão demodé

Casimiro de Abreu tem um poema clássico, daqueles que todos conhecem pelo menos o primeiro verso. “Oh, que saudades que eu tenho da minha infância querida”, digo. E muitos dos leitores já completam, “da aurora da minha vida que os anos não trazem mais”.

É lindo. Verdade. Mas está longe de ser o único.

Pessoalmente, eu adoro “Amor e Medo”. Pelo tema, pela poesia quase prosa, que conta uma história em poucas estrofes. Pela construção, pela escolha de palavras. E pelo ritmo. Casimiro é para ser declamado, lido em voz alta. Saboreado pelos olhos e pelos ouvidos. E pelos outros sentidos também.

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Um copo pela metade

3 Julho 2009

Vasco 0 x 0 São Caetano

Guarani 0 x 0 Vasco

Vasco 0 x 0 Duque de Caxias

Figueirense 1 x 1 Vasco

Vasco 0 x 0 Bragantino

Cinco jogos, cinco empates. Quatro deles por 0 x 0. Um gol em 450 minutos. Esse foi o saldo do Vasco em junho.

São cinco jogos sem vencer. Marcamos apenas um gol em cinco jogos. Nosso ataque anda terrível.

São cinco jogos de invencibilidade. Levamos apenas um gol em cinco jogos. Nossa defesa anda segura.

O copo está pela metade. Se meio cheio ou meio vazio, depende do torcedor. Assim como outras coisas podem estar cheias, com tantos empates.

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Letra e Música – Gondola e Barcos

27 Junho 2009

Só, quando a terra dorme solitária e ergue-se à meia-noite, branca, a lua, e a brisa geme cantos de tristeza na rama do pinheiro, que flutua; e quando o orvalho pende do arvoredo que se debruça p’ra beijar o rio, e as estrelas no céu cintilam lânguidas — Pérolas soltas de um colar sem fio; então eu vou sentar-me sobre a relva, eu vou sonhar meus sonhos ao relento, e só conto o segredo de minh’alma das horas mortas ao tristonho vento.

Meu segredo? É o canto de poesia que suspirou saudoso o gondoleiro, que vai morrer gemente sobre as praias. Da despedida pranto derradeiro — mais aéreo que as vozes da sereia — alta noite — sentada sobre a areia.

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Letra e música – O dia do padroeiro

24 Junho 2009

O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso da natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor, pintor ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis da visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta.


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Um boi (vermelho e) preto…

20 Junho 2009

Do GloboEsporte.com:

Após a coletiva de despedida no CT da Barra Funda, na manhã deste sábado, Muricy Ramalho revelou que o treinador do Flamengo, Cuca, ligou algumas vezes para o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, se oferecendo para o cargo. O ex-técnico do clube paulista disse que Cuca foi antiético.

– O mais importante é você ser correto. Hoje, o futebol está difícil porque os técnicos não se respeitam. O Cuca liga para o Juvenal Juvêncio para saber como ele está, pergunta se ele poderia pedir demissão do Flamengo. Estamos em uma situação difícil e o Cuca liga para saber se pede demissão ou não. É demais, né? Ligar para o presidente do clube é um absurdo. É uma falta de ética do caramba. Um absurdo – disse à rádio “Bandeirantes”.

Como eu falei aqui há algum tempo atrás, Cuca e o Flamengo se merecem. Parece que, como muitos flamenguistas disseram na época, ele realmente “vestiu a pele rubro-negra”.

Não, flamenguistas, não reclamem (muito). Não creio que alguém mude tanto assim só porque mudou de time. Apenas, se sentindo num ambiente onde ética é artigo em falta, a pessoa que já tem essas tendências se sente livre para liberá-las.

E eu só lamento ter me deixado enganar tanto tempo por ele. Dou a mão à palmatória, admito meu tremendo erro de julgamento. Ainda bem que minha vontade nunca foi feita, ainda bem que ele nunca treinou o Vasco. E, se Deus quiser, isso não acontecerá.

Por mim, ele que fique muitos anos onde está. É o lugar certo para alguém assim.

(Para entender o título do post, clique aqui.)


O cara tá certo

19 Junho 2009

Disse Luís LI, o Rei-Nu:

Eu não conheço ninguém, a não ser a oposição, que tenha discordado da eleição do Irã. Não tem número, não tem prova. Por enquanto, é apenas, sabe, uma coisa entre flamenguistas e vascaínos.

Aí, veio um pessoal e caiu de pau em cima do homem, dizendo que era um absurdo ele debochar desse jeito dos iranianos, falar uma coisa imbecil como essa, e reduzir tudo a um “Vasco e Flamengo”.

Caramba, vocês da zelite são um saco com essa perseguição ao homem! Tudo que ele fala é motivo pra criticar!

Vamos ver.

Você tem dois grupos. De um lado, está um partido que trapaceou nas eleições. Do outro, um grupo que foi roubado e teve sua vitória, ganha no campo, tomada pelas trapaças do outro.

Aí, o grupo que foi prejudicado pelas trapaças resolve reclamar. E o grupo dos trapaceiros manda a sua “torcida” para as ruas, pra atuar com violência, e ameaçar os rivais.

Não satisfeito, o presidente do clube X manda prender todos os dirigentes do outro clube. mas a torcida do clube Y, guerreira e corajosa, não aceita se dobrar à ditadura, e continua nas ruas, resistindo, lutando pela justiça.

Trapaça, violência, bandidagem de um lado. Resistência e luta contra as injustiças do outro.

Para Lula, é um Flamengo x Vasco.

É perfeito!!!!

É a primeira vez, em 60 anos, que o Lula acerta uma metáfora! Nunca antes neste país isso foi visto! Ele conseguiu fazer uma analogia lógica!!!

E ao invés de incentivar o esforço, vocês preferem criticar. Ô povinho medíocre, viu…

PS: Nos últimos dias, tenho sempre vestido alguma peça de roupa verde. Não é nada, não é nada, mas é o mínimo que dá pra se fazer nessa história.

PPS: Não, cabeças maldosas, o verde NÃO é uma homenagem ao Coritiba.

PPPS: Depois, Lula disse que “não podemos tratar José Sarney como um homem comum”. Nosso guia (de turismo) estava em viagem oficial ao Cazaquistão. Por favor, não deixem de fazer a piada óbvia.


O triunfo da vontade

15 Junho 2009

Quando o suíço Roger Federer e o sueco Robin Soderling subiram à quadra Philip Chatrier, a principal do complexo parisiense de Roland Garros, havia uma sensação algo indefinível no ar. A maioria dos que assistiam sabia que algo ia acontecer ali, algo importante, inesquecível. Uma página da história do tênis ia ser escrita. Mas qual página seria?

De um lado, Federer, o número dois do mundo. Ganhador de 13 grand slams, a um de igualar o record do americano Pete Sampras. Desses treze, nenhum foi em Roland Garros. Federer carregava, até domingo, três vices seguidos no torneio francês, todos eles sendo derrotado por Rafael Nadal. Este ano, Nadal perdeu nas oitavas, e o caminho parecia aberto para o triunfo de Federer. Uma vitória, além do título inédito, e do record de slams, lhe daria o “career slam”, se juntando a um seleto grupo onde estão apenas cinco outros tenistas, de todos os milhares que já jogaram algum torneio ATP. Além disso, Federer reduziria a diferença para Nadal no ranking ATP, e daria um passo enorme para recuperar o posto e número um do mundo, ainda esse ano.

De outro lado, Soderling. O semi-desconhecido gigante nórdico, de 1,92m, que nunca havia chegado a uma final de grand slam. Um franco-atirador, que prometera vencer Nadal e cumprira a promessa.

Federer chegava à final, depois de alguns sustos contra adversários teoricamente mais fracos. Soderling chegava a final, vencendo três jogadores mais fortes que ele. Federer estava prestes a completar sua jornada triunfal. Soderling estava pronto para fazer uma campanha como a do primeiro título de Guga no saibro parisiense, a zebra que acabou campeã.

Federer e Soderling já haviam se encontrado nove vezes, com nove vitórias do suíço.

Para que lado os deuses da bolinha se inclinariam? Para a consagração do melhor do mundo ou para a apoteose do herói desconhecido? Qual seria o arquétipo triunfante? Teríamos a vitória do guerreiro que enfrentou dragões, passou por todas as provas de evolução, e agora estava pronto para a taça? Ou a superação do herói romântico, que não conhece o caminho, luta contra perigos maiores que a vida, e sai triunfante da última batalha?

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Letra e Música – O Pai e a Pátria

10 Junho 2009

As armas e os barões assinalados, que da ocidental praia Lusitana, por mares nunca de antes navegados, passaram ainda além da Taprobana, em perigos e guerras esforçados, mais do que prometia a força humana, e entre gente remota edificaram Novo Reino, que tanto sublimaram, e também as memórias gloriosas daqueles reis, que foram dilatando a Fé, o Império, e as terras viciosas de África e de Ásia andaram devastando, e aqueles, que por obras valerosas se vão da lei da morte libertando, cantando espalharei por toda parte, se a tanto me ajudar o engenho e arte.

(…)

“E porque, como vistes, têm passados na viagem tão ásperos perigos, tantos climas e céus experimentados, tanto furor de ventos inimigos, que sejam, determino, agasalhados nesta costa africana, como amigos. E tendo guarnecida a lassa frota, tornarão a seguir sua longa rota.”

Estas palavras Júpiter dizia, quando os Deuses por ordem respondendo, na sentença um do outro diferia, razões diversas dando e recebendo. O padre Baco ali não consentia no que Júpiter disse, conhecendo que esquecerão seus feitos no Oriente, se lá passar a Lusitana gente. (…) Teme agora que seja sepultado seu tão célebre nome em negro vaso d’água do esquecimento, se lá chegam os fortes Portugueses, que navegam.

Sustentava contra ele Vênus bela, afeiçoada à gente Lusitana, por quantas qualidades via nela da antiga tão amada sua Romana - nos fortes corações, na grande estrela, que mostraram na terra Tingitana, e na língua, na qual quando imagina, com pouca corrupção crê que é a Latina.

Com que voz chorarei meu triste fado,
que em tão dura prisão (paixão) me sepultou,
que mor não seja a dor que me deixou
o tempo, de meu bem desenganado?

Mas chorar não se estima neste estado,
(a)onde suspirar nunca aproveitou;
triste quero viver, pois se mudou
em tristeza a alegria do passado.

(Assi a vida passo descontente,
ao som nesta prisão do grilhão duro
que lastima o pé que o sofre e sente!)

De tanto mal a causa é amor puro,
devido a quem de mi(m) tenho ausente
por quem a vida, e bens dela, aventuro.


Um tigre sem listras?

9 Junho 2009

Deu no G1:

Americano acha aliança perdida há 42 anos e ‘cutuca’ a mulher

É sempre um momento difícil na vida de qualquer homem ter que explicar para a mulher que perdeu a aliança de casamento. Foi isso o que aconteceu com o norte-americano Paul Sawyer, que perdeu a sua em 1966, apenas um ano após se casar com Ruth Ann.

Ele disse para a mulher que perdeu o anel enquanto estava lavando o carro. Na época, Ruth se recusou a acreditar que ele tivesse acidentalmente perdido a aliança. “Você a jogou fora”, disse ela, pensando que o marido simplesmente não queria que outras jovens soubessem que ele era casado.

Sawyer, hoje com 63 anos, teve que esperar quase 43 anos para mostrar para a mulher que havia dito a verdade. Segundo reportagem publicada nesta quinta-feira pelo jornal “Virginian-Pilot”, o filho do casal, Paul Jr., encontrou o anel no quintal da casa da família em Virginia Beach (EUA).

E aí? Nome é destino? Será que dá pra confiar que Mr. Paul SAWYER está dizendo a verdade? Ou a Sra. Ruth Ann deveria ter um pouco mais de pé atrás? :)


Tommy and The Snake Eyes

5 Junho 2009

Quando a bola é pequena e amarela

3 Junho 2009

A frase da semana foi “a única coisa garantida é que a Lucy sempre vai tirar a bola”. Faz parte da sua natureza. Essa frase me ficou na cabeça o resto do fim de semana, por vários motivos. E no domingo, ela se fortaleceu ainda mais, porque ganhou um novo sentido. Oitavas de final de Roland Garros, Rafael Nadal enfrentava o sueco Robin Soderling. Jogo tranquilo para o espanhol, que jamais perdeu um jogo sequer no saibro, em torneios melhor de cinco sets. Por tudo isso, nem me esforcei em ver a partida inteira. Preferi me guardar para quando o carnaval, ou melhor, a final chegasse.

Estava no carro, quando ouvi no rádio a parcial: Soderling fechara o terceiro set e vencia por dois sets a um. Voltei pra casa, a tempo de pegar o segundo game do quarto set. O sueco, jogador apenas mediano, teve seu dia mágico, talvez impulsionado pela inimizade que tem com Nadal. Tudo deu certo para Soderling, e Nadal sentiu falta de um repertório mais variado. Eu até gosto do espanhol, aprecio sua raça, seu jogo de defesa, mas tecnicamente ele tem um defeito sério: só tem uma jogada. Geralmente, quase impossível de ser marcada. Mas, quando ela não entra, ele não varia, continua agindo como o touro. Marra, marra, marra, porque não sabe jogar de outra maneira.

Ontem foi o dia do toureiro. Final: Soderling 3×1 Nadal.

Se fico feliz com a derrota de Rafa? Não especialmente. Repito, não tenho nenhuma antipatia contra o espanhol. Ele é um bom jogador, uma força física e mental impressionante, um cara legal, non?, que não tem culpa dos fã-náticos que o colocam num estágio acima do que ele é. A diferença dele para o Federer é aquela que existe entre um ótimo jogador e um fora de série.

E acho engraçado quando alguns dos fãs dizem que Nadal “tem raça”, enquanto Federer “é frio”. Parece que, para muitos, a paixão só existe quando é demonstrada, exibida, exposta como um nervo. Só conta como paixão se a toalha fica manchada. Não entendem que, para um certo tipo de pessoas, um punho fechado que mexe dois milímetros é um gesto que significa muito. Parece que se você grita, balança, exibe, você tem raça, amor e paixão. Agora, se você é contido, discreto, reservado, é porque não sente. Mesmo que você quebre raquetes, chore, vibre calado com cada fibra do seu ser, sem para isso precisar chamar a atenção de todo mundo, gritando “vejam como eu sou emotivo, passional”.

Federer é assim, na personalidade e no estilo de jogo. O que Nadal tem de exagerado, Federer tem de preciso. Se o espanhol cativa pela maneira como se joga em bolas perdidas, defendendo algumas que parecem impossíveis, o suíço impressiona pela maneira como simplifica o difícil, fazendo jogadas lindas com um ar blasé, parecendo que jamais vai despentear um fio de cabelo. Nadal é cabelo rebelde, roupa colorida e faixa na cabeça. Federer é clássico, elegante. O que em Rafa é fogo, em Roger parece gelo – naquela fina camada superficial, a única que pessoas superficiais enxergam. Eu gosto dos dois, me identifico com os dois, sou capaz de vibrar com os dois. Mas prefiro, de longe, Federer. Como jogador e como pessoa. É o cara que diz que prefere ser lembrado para sempre como um jogador honesto, porque isso é mais importante do que ser um campeão. E ele é ambas as coisas. Um modelo de integridade, de discrição, de caráter. E o melhor tenista de sua geração.

Por isso, não, não festejo as derrotas do Nadal, como aconteceria em outros esportes. Eu fico feliz com as vitórias do Federer, isso sim. Ah, mas o Nadal perder, ainda mais em Roland Garros, não é bom para o Federer? Não facilita o seu caminho rumo ao career slam?

Pois é. E aí chegamos ao parágrafo que abre o post.

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